Mensagens

Para memória futura

Ontem pus a Leonor a chorar. E tudo com uma brincadeira estúpida pela qual já me penitenciei mil vezes.

No meio de uma conversa, perguntei se quando casasse podia ir viver para casa dela. Respondeu-me que não (parece que já interiorizou o sábio "quem casa quer casa").

Eu, parva, comentei que não acreditava que ia abandonar a mãe (este comentário faz-me lembrar alguém e não é a minha mãe).

A reacção da Leonor foi um mar de lágrimas e um agarrar forte às minhas pernas, ao mesmo tempo prometia que não me queria abandonar. Que ia viver na casa dela, mas nos veríamos muitas vezes.

E lá fiquei eu com um sentimento, estúpido e misto, de culpa e esperança/medo.

Culpa por a ter feito chorar. Esperança/medo por querer acreditar que nunca me vai abandonar (ou receio que o faça ainda que, somente, na fase da parvalheira que é normalmente a da adolescência).

Castigos

Quando andava no colégio ficava muito chocada quando via meninos mais crescidos a passear, de babete, em frente aos mais pequenos.


Era uma forma de castigo que roça a humilhação, o que sempre me incomodou.


E agora, anos depois, dou comigo a olhar para a "folha do comportamento" colada na porta do frigorífico. A ideia é ir assinalando, a verde ou vermelho, o comportamento diário das cachopas.


No auge do desespero, concluí que é um dos métodos de castigo mais eficazes (diria até o mais eficaz) já que "se batem" (às vezes batem mesmo, note-se que não é perfeito) para não ver uma carinha vermelha na folha.


E assim vou tentando domesticá-las.

E viva o mercado liberalizado

- Quando cheguei a casa, reparei que no formulário para subscrever o fornecimento de gás escreveram Maria Alice e não Susana Alice. Pode ver essa situação, por favor?


- Gás?!!! Mas aqui só tenho electricidade!!!


- Pois, mas eu pedi o gás também. Aliás não o pude fazer no mesmo dia em que pedi a electricidade porque me faltava indicar o CUI. A sua colega disse-me que depois teria de ir à GALP informá-los da intenção de mudar o titular do contrato e a empresa fornecedora para que quando fizessem o pedido não ser colocado nenhum impedimentos. Nesse mesmo dia fui à GALP e disseram-me que mesmo sendo para alterar o fornecedor teria de celebrar contrato primeiro.


- Desculpe lá, não estou a perceber. Afinal assinou contrato com que empresa?


- Assinei convosco e com a GALP. Foi a informação que me deram.


- Ai, desculpe, só pode ter 1 contrato.


- Concordo consgo, mas foi a informação que me deram sobre aqueles que deviam ser os trâmites.


- Pois, mas eu aqui não tenho nada !!!


- Não tem nada co…

Por que te quero

Por que te quero
Não quero que me queiras
Só por querer que me queres
Quero de ti o que puderes
Acolherei tudo o que fores
Se me quiseres
Só porque queres

Preferências gastronómicas da Tosca

Nunca tinha tido contacto com porquinhos da Índia pelo que as suas preferências gastronómicas e hábitos me passavam totalmente ao lado.


Claro que o dr. Google resolve quase tudo e basta fazermos uma pesquisa para encontrar montanhas de informação e até sites especializados em porquinhos da Índia. Pelos vistos, o bicharoco é muito popular em terras de Vera Cruz.


E de repente dei comigo a analisar a pirâmide dos alimentos dos porquinhos da Índia (juro que se contassem não acreditava).


A Tosca come à ganância e, se deixarmos, o dia todo.


É louca por pepino (primeiro come a casca das rodelas todas e depois ataca o resto); cenoura e alface. Relativamente à alface ainda vou ter de explorar melhor a coisa pois (pelos vistos) não pode ser qualquer tipo de alface (algumas causam diarreia, OMG). Parece que a próxima fase será estudar sobre as alfaces, há a americana e outra qualquer.


Enfim... podia dar-me para pior (ou não).

Têm bom gosto, as miúdas

De repente, deixei de ouvir falar do Tiago da Tita.


Era só Gaspar para cá, Gaspar para lá. Vim a saber que o Gaspar é o menino novo lá da sala.


Há dias conheci o loiraço de olhos azuis e percebi tudo.


Consta que é o "namorado universal das meninas da sala rosa". E dá para perceber porquê.


Têm bom gosto, as miúdas.

O melhor é ir variando o veneno

Antes de começar a quimio, a minha onco-hematologista fez-me uma série de recomendações relativamente à alimentação já que, com os tratamentos, ficaria com o sistema imunitário mais debilitado.


Basicamente, a alimentação deveria ser semelhante à das grávidas não imunes à toxoplasmose (o que só por si já seria difícil para mim - tiram-me enchidos e camarão tiram-me tudo).


Para além disso deveria consumir tudo em doses individuais. Passei a beber leite daqueles pacotes pequenos, descobri latinhas pequenas de pêssego em calda que passaram a ser muito minhas amigas (...).


Mas havia coisas inultrapassáveis. Claro que há pão embalado, mas na maioria dos casos está ao ar, num cesto. Uma coisa tão básica como a escolha do pão tornou-se motivo de stress. Graças a Deus, por pouco tempo pois assim que vi que reagia bem à quimio fui ficando mais relaxada (ou talvez até desleixada).


Para além disto, tive a tal experiência trágico-cómica com um homeopata que quis convencer-me que me estava a enve…