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Já vos disse que detesto afiar lápis?

Os primeiros trabalhos de casa foram singelos e resumiram-se a pintar um desenho.


A aluna, aplicadíssima, começou a fazê-los assim que chegou a casa. E tão depressa começou, como começou aos gritos porque a irmã andava de roda dela a empecilhar.


Lá entrou a mãe em acção e incentivou a pequena a fazer um desenho, na outra ponta da casa.


Dirimido o conflito, dei por mim a afiar lápis de cor que deve ser uma das coisas que mais detesto fazer na vida. Devo ter uma inaptidão natural para a tarefa. Arghh.


Ao meu lado, o gato Boris fazia o favor de espalhar as aparas pela casa fora.


Que lindo final de tarde, o meu.


Os próximos tempos afiguram-se assim, ternurentos e emocionantes.

Pessoas que despertam o pior que há em nós

No sábado, a meio de um belo passeio, assisti a uma cena deplorável.


Enquanto passava uma arruada da coligação, um vendedor de livros antigos resolveu comentar da forma mais audível possível que o cancro se tinha enganado na pessoa e em vez de atingir a mulher devia era a atingir o nosso 1.º Primeiro Ministro.


Aquilo revolveu-me as entranhas de tal forma, que fiquei estacada no meio da rua com vontade de descer dos saltos, atirar-me ao pescoço do energúmeno e desancá-lo ali em público.


Até aqui tudo normal, no meio da anormalidade dita pelo homem. O que já  não será tão normal é que uma das coisas que me apeteceu foi desejar que lhe aparecesse um cancro na língua.


Acho que este meu impulso, irracional e contido mas que ainda assim aconteceu, foi o que mais me perturbou. Basicamente, estaria a fazer o mesmo que o senhor fez.




Há, de facto, pesoas que despertam o pior de nós. Ou então será só a confirmação do facto de que "violência gera violência".

E pronto, o 1.º dia já passou

Contrariando os meus receios, a entrada da Leonor na escola primária foi muito suave.


Entrou na sala, escolheu um lugar na 2.ªfila, mesmo ao lado de uma amiguinha, começou na converseta e nunca mais olhou para mim.


Fiquei, assim, com o coração serenizado.


Já o pai não pode dizer pois, quando a foi buscar, deparou-se com a filha mais velha a caminhar de mão dada com um amiguinho. Ah,ah, ah, o pobre está para morrer.



Sobre o papel das mãos, na guerra e na paz

Com mãos se faz a paz se faz a guerra.
Com mãos tudo se faz e se desfaz.
Com mãos se faz o poema - e são de terra.
Com mãos se faz a guerra - e são a paz.

Com mãos se rasga o mar. Com mãos se lavra.
Não são de pedras estas casas, mas
de mãos. E estão no fruto e na palavra
as mãos que são o canto e são as armas.

E cravam-se no tempo como farpas
as mãos que vês nas coisas transformadas.
Folhas que vão no vento: verdes harpas.

De mãos é cada flor, cada cidade.
Ninguém pode vencer estas espadas:
nas tuas mãos começa a liberdade.


Manuel Alegre


Um bom dia internacional da Paz e que das nossas mãos só ela saia.

Querida Leonor

Querida Leonor,


chegou o grande dia. A partir de hoje começam as responsabilidades, para já pequeninas como tu.


Alheia ao significado do dia, dormes serenamente enquanto eu me divido num misto de emoções.


Estou orgulhosa da menina perspicaz e reguila em que te tornaste e certa de que estás à altura deste novo desafio.


Estou também muito emocionada pois para mim este não é só mais um dia. Os dias da tua vida nunca são só mais um, mas este ainda é mais especial.


 Este é um  daqueles dias em que pensava, nos dias em que tive medo  de não estar cá para partilhar tudo contigo. Este é um dia no qual tenho a felicidade de estar presente.


Boa sorte minha princesa rainha.

Quando um economista casa com uma advogada ...

... só estraga uma família

Final da novela. Não gostei

Fui seguindo a novela Mar Salgado de forma  muito irregular, por causa das patroas. Claro que, apesar da irregularidade, consegui estar sempre minimamente actualizada dada a tendência dos autores de novela (possivelmente enusiasmados com as audiências) para "encher chouriços".


O final foi aquele que se esperava, com amores reatados, muitos beijinhos, abraços, sem esquecer o castigo dado aos maus.


Tinha tudo para ser enternecedor mas, lamentavelmente, alguém decidiu que o castigo dos maus (no caso, o castigo da peste da Patrícia) iria para além de uma condenação na justiça. Vai daí, assim que a menina entra na prisão, entra em cena a justiça popular, simbolizada numa enorme carga de pancada.


Não gostei. Era perfeitamente escusado e foi uma ideia, no mínimo, infeliz.


Bem sei que estou a falar de uma novela, mas a verdade é que os ânimos do povo andam tão exaltados que já há gente a mais a achar normal (na vida real) a justiça popular. Podia ter sido evitado, digo eu.