Estava em pleno piquenique anual, com Amigos de todas as horas, naqueles momentos em que se desfiam memórias quando a madrinha da Tita lembrou que tinha sido naquele mesmo local que, oito anos antes, lhe tinha contado a boa nova.
E eu que estava convencida ser a primeira vez que ali estava, dei por mim a recuar no tempo e a tentar recordar-se de outros pormenores que não a grande angústia sentida naquele dia.
Concluí que a angústia me consumia de tal modo que impediu que lembrasse a beleza do local. Estive ali só, e literalmente, de corpo presente.
Só que queria que chegasse 2.ª feira para poder falar com a minha onco-hematologista.
O medo que senti relativamente ao que aquela gravidez, 6 meses após terminar a quimio, podia significar para a minha saúde ou para o embrião tolheu-me de tal forma que nem consegui perceber a bênção que foi não ter ficado infértil, outro grande medo que tinha.
Às vezes é assim, os medos cegam-nos e impedem-nos de viver. Naquele momento eu devia saltar de…