terça-feira, 20 de abril de 2021

Pinto da Costa olé

 Juro que nunca na vida pensei vir a dar razão ao Pinto da Costa mas chegou o dia em que tenho de o fazer.

Gostei, genuinamente, da resposta que deu quanto questionado sobre o convite recebido pelo FCP para integrar essa ideia peregrina que é a Superliga Europeia.

A mim, que sou do tempo dos afonsinhos em que nem SAD’a existiam, este projecto economicista mexe-me com o sistema nervoso.

Este grupo de elite mexerá com muita coisa, desde os princípios da União Europeia até à democratização do desporto. Para não falar que, caso a UEFA avance com a proibição de os jogadores desses clubes integrarem as seleções nacionais, isso implicará a dizimação da nossa equipa das quinas. Seriam (só) onze jogadores a ficar de fora.

Enfim, espero que o vil metal não se sobreponha ao bom senso (ainda que saiba ser uma esperança lírica).


domingo, 11 de abril de 2021

Vocês tornam tudo muito mais fácil na minha vida

Os que tiverem paciência para ler este texto vão perdoar-me aquilo que parecerão lugares comuns e a repetição de algo que já escrevi várias vezes, mas tenho o coração tão cheio de alegria que preciso de a partilhar.

Leram bem, tenho o coração cheio de alegria apesar do nó na garganta e da saudade com que viverei o resto da minha vida.

Os últimos tempos têm sido muito duros. A família viveu durante mais de dois anos a doença da Sandra, a minha prima/irmã mais velha.

Assistimos (impotentes) ao seu sofrimento atroz, mas também recebemos o seu exemplo de tenacidade.

A Sandra foi (toda a sua curta vida terrena de 41 anos) uma guerreira ímpar. Agarrou-se à vida com toda a força, não desistiu, procurou soluções, fez-nos sentir pequeninos perante tão grande força.

Tendo eu sido (já) a paciente, o calvário da Sandra mostrou-me ainda com mais clareza que (para mim) será sempre mais fácil estar nessa situação do que na de quem está de "fora". É horrível vermos os nossos amados sofrer sem que consigamos amenizar essa dor. Horrível mesmo.

Esta partida prematura trouxe-me ainda mais questões para as quais busco resposta, obrigou-me a repensar as minhas convicções. Eu que sempre participei activamente na luta contra a eutanásia fiquei, a certa altura, muito baralhada e incapaz de falar no tema. E se a Sandra a tivesse pedido? O certo é que em todos os processos de doença que acompanhei de perto (e começam a ser demasiados) nunca vi alguém pedi-la, bem pelo contrário. Mas isso daria pano para muitas mangas.

Indo agora ao objectivo principal deste post, a partilha da alegria que tenho no coração.

Ontem foi o dia da despedida terrena da Sandra. Quis fazer dessa hora uma homenagem e (como sempre) recorri às Amigas de sempre para me ajudarem a organizar a Eucaristia e a animá-la com a sua música e vozes.

Como sempre, as minhas Amigas disseram sim, encantando quem esteve presente e encantando-me com a sua sempre total disponibilidade. 

Ninguém imagina os problemas e dores das minhas Amigas. O quão difícil foi para elas estarem ali a cantar. O quão enriquecedor tem sido crescer com elas ao longo da vida nos momentos bons e (acima de tudo) nos momentos maus. O quanto as amo. 

Queridas Aldeir, Conceição, Joana, Lena, Sofia e Sónia, nunca arranjarei palavras para descrever o que representam na minha vida. 

Tal como nunca conseguirei retribuir tanto carinho, ainda que saiba que a vossa Amizade é gratuita e não esperam recompensa.

Resta-me (assim) fazer por continuar a ser merecedora de vos ter na minha vida.

Agradeço-te também a ti Max, um menino (para mim serás sempre) que tenho visto crescer e tornar-se um grande pai, a quem desejo o melhor do mundo. Nunca ninguém cantará melhor que tu o Sonda-me.

Uma palavra muito especial para o padre Armando Baptista. Se a bondade for um dia personificada terá (sem dúvida) a sua cara. A quem tenha dúvidas que Deus existe, aconselho  a tomar um cafézinho e trocar um dedo de prosa consigo. Se existem anjos na terra é (certamente) um deles. 

A todos os meus Amigos, um grande abraço. Vocês tornam tudo muito mais fácil na minha vida.



Será só um até já

Não queria despedir-me de ti, muito menos num dia de chuva.

Mas pensando bem, a chuva é fonte de vida. E tu vives em mim.

Será só um até já.

sábado, 3 de abril de 2021

1 hora de espera que se transformou numa caminhada de 17 anos

 Faz hoje 17 anos que fiquei plantada durante 1 hora no Fórum à espera do miúdo com quem tinha longas conversas no messenger.

Creio que terá sido a sua vingançazinha por lhe ter batido no carro novo a primeira vez que nos vimos.

Uma hora de atraso por se ter "enganado nas contas" relativamente ao tempo que demoraria a viagem do Porto a Aveiro.

Devia ter desconfiado de um tipo da FEP que se engana desta forma. Ou melhor, desconfiei tanto que fiquei curiosa e quis conhecer melhor alguém tão diferente e especial.

Em boa hora o fiz. 

Comemoramos hoje 17 anos de uma caminhada cheia de curvas e contracurvas; desafios e obstáculos; rosas e espinhos. Acima de tudo, uma caminhada em conjunto na qual o amor se vai fortalecendo a cada dia.

"Você não vale nada mas eu gosto de você". Não saberia já viver sem si.

quinta-feira, 25 de março de 2021

Hell’s Kitchen e as mulheres

Estava a patroa mais nova a ver o Hell’s Kitchen quando se saiu com uma comparação entre o espírito de  equipa das mulheres e dos homens. “Olha para elas! Pelo menos eles ajudam-se uns aos outros! Elas nem respondem umas às outras!”.

Achei curiosa tal observação, vinda de uma criança de 10 anos. Nem de propósito, logo a seguir, o chef Lubomir fez um comentário muito semelhante.

Entretanto, tenho lido as críticas e acusações de sexismo que lhe têm sido apontadas. Do pouco que vi, não me pareceu que exista sexismo no programa. Existem sim comentários muito desagradáveis dirigidos quer a mulheres quer a homens mas suponho que faça parte do show. Aparentemente, houve alguém que instituiu que um bom chef de cozinha tem de ser antipático e irascível.

Existindo ou não sexismo, o ponto fulcro é aquele que motivou o comentário da minha pequena.

Nós as mulheres temos, efectiva e comprovadamente, alguma dificuldade em trabalhar em equipa.

Pessoalmente não tenho razão de queixa, note-se bem, mas é algo que salta aos olhos de uma criança de 10 anos e isso é bem revelador deste nosso grande ponto fraco.

quinta-feira, 18 de março de 2021

10 voltas ao sol

É oficial, a patroa mais nova completa hoje 10 voltas ao sol fora do meu útero. De vida completa muitas mais, tanto tempo a sonhei. Sonho que cheguei a pensar ser impossível de concretizar e se tornou a mais bela das realidades.

A Tita veio completar o projecto de vida que sempre idealizei. Uma família que, não sendo perfeita, é tudo aquilo que algum dia poderia desejar.

Temperamental, explosiva, sagaz, directa, assertiva e muito meiga. Assim é a minha bébé.

Parabéns meu Amor maior.


segunda-feira, 8 de março de 2021

Sobre o dia internacional da mulher e a Ana dos cabelos ruivos

 Como sabem, não sou muito dada a dias temáticos mas confesso que este ano o dia internacional da mulher me deixou pensativa e muito por causa da Ana dos cabelos ruivos. 

Explicando melhor. Terminei há dias de ver na Netflix a terceira temporada da série “Ana com A”, baseada no romance que será a minha próxima leitura de cabeceira.

Lembrava-me de gostar muito de ver os desenhos animados em miúda mas só agora, já crescida, percebi a profundidade dos temas que aborda. A pequena e irrequieta órfã dos cabelos ruivos era uma defensora de grandes causas. Igualdade de género, igualdade racial, igualdade social. Igualdade, igualdade, igualdade.

E porque é que a série de me marcou tanto? Acima de tudo por me fazer ver que os principais problemas abordados, vividos no século XIX, se mantêm de uma actualidade preocupante.

O ser humano foi evoluindo, começou por caminhar erecto e foi desenvolvendo aptidões, tecnologias e afins, mas a verdade é que cultural e socialmente continua muito atrasado.

Há muito fogo de vista mas os problemas de fundo do Homem enquanto ser relacional continuam bem enraizados.

Se puderem vejam a série e digam o que sentiram.

Ah, e para os mais (des)crentes deixem-me dizer que nem o bullying é coisa da actualmente.

Em todo o caso continuo crente.


Pinto da Costa olé

 Juro que nunca na vida pensei vir a dar razão ao Pinto da Costa mas chegou o dia em que tenho de o fazer. Gostei, genuinamente, da resposta...