Vou aproveitar este post para agradecer a todas as Amigas, reais e virtuais, que me têm enviado mensagens de parabéns e procurado tranquilizar.
Até ao momento as reacções têm sido aquelas que esperava. Só uma pessoa me surpreeendeu e pela positiva, o que foi de grande ajuda neste processo. A mais complicada há-de resolver-se com o tempo e deve-se única e exclusivamente a uma enorme preocupação com a minha saúde e uma ainda maior falta de jeito para o demonstrar.
Passando a outro tipo de reacção, a física, tenho-me sentido lindamente. Nem um único enjoo (à semelhança do que aconteceu na 1.ª gravidez), se não fosse o facto de ter feito a eco e de, às 9 semanas, já não ter cintura, nem acreditava estar grávida. Um verdadeiro estado de graça.
segunda-feira, 16 de agosto de 2010
domingo, 15 de agosto de 2010
Agora a mamã
Uma vez que a tagarela da Leonor já desvendou o segredo, é vez da mamã vos falar.
Este bebé, cujo nascimento está previsto para 19 de Março (Dia de S. José, o Pai de Jesus) sempre fez parte dos meus sonhos e dos nossos planos.
Por momentos pensei que esse plano não se poderia realizar, pois a infertilidade é um dos possíveis efeitos secundários da quimio.
Tentei conformar-me com essa possibilidade e comecei a dar e emprestar a roupa da Leonor. Fazia questão que fosse usada por muitos outros bebés.
Mas pelos vistos, tudo não passou de mais um pesadelo que acabou por passar.
E 6 meses depois da quimio engravidei. Não era suposto ser tão cedo, por motivos vários que vão desde a minha saúde ao facto de ter uma pequena "terrorista" de 15 meses que absorve todas as nossas energias. Mas acredito (tal como acreditei durante a doença) que Deus sabe o que faz.
Quando recebi a notícia o coração disparou e fiquei com "taquicardia" durante uns bons 5 minutos. A 1.ª diligência foi ir falar com a minha oncologista, que ficou toda feliz. Segundo ela, o único senão é que neste momento não se sente tão segura (como se sentiria daqui a uns 3, 4 anos) para me dizer que não terei uma recaída. Mas mesmo daqui a 3, 4 anos não o poderia dizer com 100% de certeza. Por isso, é seguir a vida normalmente e fazer os exames normais, nos momentos indicados.
A ginecologista diz, de forma aboslutamente convicta, que a quimio não teve efeito sobre este óvulo, pois o que tinha de intoxicar, já intoxicou. Para ela é uma gravidez perfeitamente normal.
E eu, passados os primeiros dias de stress, estou cada vez mais feliz. Só não sei muito bem como é que vou conseguir tirá-los os 2 dos carro e levá-los para o infantário ( e coisas do género), mas não deve ser nada impossível de fazer.
É com muita alegria que irei partilhando aqui o vôo da cegonha.
Obrigada pelo vosso carinho
Este bebé, cujo nascimento está previsto para 19 de Março (Dia de S. José, o Pai de Jesus) sempre fez parte dos meus sonhos e dos nossos planos.
Por momentos pensei que esse plano não se poderia realizar, pois a infertilidade é um dos possíveis efeitos secundários da quimio.
Tentei conformar-me com essa possibilidade e comecei a dar e emprestar a roupa da Leonor. Fazia questão que fosse usada por muitos outros bebés.
Mas pelos vistos, tudo não passou de mais um pesadelo que acabou por passar.
E 6 meses depois da quimio engravidei. Não era suposto ser tão cedo, por motivos vários que vão desde a minha saúde ao facto de ter uma pequena "terrorista" de 15 meses que absorve todas as nossas energias. Mas acredito (tal como acreditei durante a doença) que Deus sabe o que faz.
Quando recebi a notícia o coração disparou e fiquei com "taquicardia" durante uns bons 5 minutos. A 1.ª diligência foi ir falar com a minha oncologista, que ficou toda feliz. Segundo ela, o único senão é que neste momento não se sente tão segura (como se sentiria daqui a uns 3, 4 anos) para me dizer que não terei uma recaída. Mas mesmo daqui a 3, 4 anos não o poderia dizer com 100% de certeza. Por isso, é seguir a vida normalmente e fazer os exames normais, nos momentos indicados.
A ginecologista diz, de forma aboslutamente convicta, que a quimio não teve efeito sobre este óvulo, pois o que tinha de intoxicar, já intoxicou. Para ela é uma gravidez perfeitamente normal.
E eu, passados os primeiros dias de stress, estou cada vez mais feliz. Só não sei muito bem como é que vou conseguir tirá-los os 2 dos carro e levá-los para o infantário ( e coisas do género), mas não deve ser nada impossível de fazer.
É com muita alegria que irei partilhando aqui o vôo da cegonha.
Obrigada pelo vosso carinho
sexta-feira, 13 de agosto de 2010
Segredo
sábado, 7 de agosto de 2010
A importância de chamar os bois pelos nomes
Como filha, senti (ainda não ouvi, passados que estão 10 anos) necessidade de ouvir a minha mãe dizer "tenho/tive cancro". Seria, certamente, menos duro do que ir percebendo a situação através de comentários inocentes, mas infelizes, das pessoas que me rodeavam (e às minhas irmãs).
Mas passado é passado e tudo correu pelo melhor, que é o que interessa. Lembrei-me disto só por causa de um episódio que vivi esta semana. Estava eu a almoçar com os meus avós, quando o meu avô pergunta "correu bem, ontem?", referindo-se à retirada do cateter. Respondi que sim e lá veio a pergunta difícil "afinal porque é que te puseram isso?"
Como sabem, tentei proteger os meus avós e evitei ao máximo que soubessem pormenores sobre a minha doença. Mas antes de começar a quimio, tive o cuidado de lhes dizer o que iria fazer. Pensava eu que dizer que iria fazer quimio equivalia a dizer, de forma eufemística, tenho cancro. Pelos vistos, enganei-me redondamente. O meu avô (muito velhinho, muito surdo, mas completamente lúcido) não o percebeu. Na verdade, acho que não quis perceber. Provavelmente terá sido mais uma daquelas situações em que a mente bloqueou a informação, para minimizar o seu impacto.
Desta vez, e estando já em fase de manutenção, senti que tinha de dar nome às coisas, mas nem assim o consegui. Como neta, fui incapaz de dizer "tive cancro" e lá expliquei "tive um linfoma".
É curioso como é difícil chamar os bois pelos nomes. Não tenho a certeza de ter agido bem, em todos este processo. Fiz o que me pareceu correcto, tal como a minha mãe, certamente
Mas passado é passado e tudo correu pelo melhor, que é o que interessa. Lembrei-me disto só por causa de um episódio que vivi esta semana. Estava eu a almoçar com os meus avós, quando o meu avô pergunta "correu bem, ontem?", referindo-se à retirada do cateter. Respondi que sim e lá veio a pergunta difícil "afinal porque é que te puseram isso?"
Como sabem, tentei proteger os meus avós e evitei ao máximo que soubessem pormenores sobre a minha doença. Mas antes de começar a quimio, tive o cuidado de lhes dizer o que iria fazer. Pensava eu que dizer que iria fazer quimio equivalia a dizer, de forma eufemística, tenho cancro. Pelos vistos, enganei-me redondamente. O meu avô (muito velhinho, muito surdo, mas completamente lúcido) não o percebeu. Na verdade, acho que não quis perceber. Provavelmente terá sido mais uma daquelas situações em que a mente bloqueou a informação, para minimizar o seu impacto.
Desta vez, e estando já em fase de manutenção, senti que tinha de dar nome às coisas, mas nem assim o consegui. Como neta, fui incapaz de dizer "tive cancro" e lá expliquei "tive um linfoma".
É curioso como é difícil chamar os bois pelos nomes. Não tenho a certeza de ter agido bem, em todos este processo. Fiz o que me pareceu correcto, tal como a minha mãe, certamente
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
Correu tudo bem
Cá estou eu, mais levezita uns graminhas.
Como diz a Nela, vou deixar de apitar ao sair das lojas.
Correu tudo bem, o processo foi muito rápido e a equipa era impecável, especialmente o médico.
Estava bastante tensa. Apesar de ser indolor não consigo abstrair-me do facto de ter alguém a cortar e coser-me.
Quando me chamaram, perguntaram-me onde era o gânglio que ia tirar. Felizmente acreditaram na minha palavra, quando disse que não tinha nenhum para tirar, e só tiraram o cateter. Bolas, era mesmo só o que me faltava.
No final, pedi para ver o meu amiguinho. O médico mostrou-mo e disse para não pedir para o levar num frasco, porque não podia dar-mo. Tinha de o lavar para servir para o próximo paciente. E assim, em tom de risota, me vim embora.
Obrigada a todas as meninas, pelos comentários de apoio.
Como diz a Nela, vou deixar de apitar ao sair das lojas.
Correu tudo bem, o processo foi muito rápido e a equipa era impecável, especialmente o médico.
Estava bastante tensa. Apesar de ser indolor não consigo abstrair-me do facto de ter alguém a cortar e coser-me.
Quando me chamaram, perguntaram-me onde era o gânglio que ia tirar. Felizmente acreditaram na minha palavra, quando disse que não tinha nenhum para tirar, e só tiraram o cateter. Bolas, era mesmo só o que me faltava.
No final, pedi para ver o meu amiguinho. O médico mostrou-mo e disse para não pedir para o levar num frasco, porque não podia dar-mo. Tinha de o lavar para servir para o próximo paciente. E assim, em tom de risota, me vim embora.
Obrigada a todas as meninas, pelos comentários de apoio.
quarta-feira, 4 de agosto de 2010
É já amanhã
É já amanhã o dia pelo qual esperei 8 meses. Vou tirar o cateter (ou chip, como alguém já lhe chamou).
Confesso que estou um bocadinho ansiosa, afinal vão andar a escarafunchar-me a jugular, mas também muito feliz.
Retirado o apêndice, estarei pronta para a nova fase da minha vida.
Pr´a frente é o caminho
Confesso que estou um bocadinho ansiosa, afinal vão andar a escarafunchar-me a jugular, mas também muito feliz.
Retirado o apêndice, estarei pronta para a nova fase da minha vida.
Pr´a frente é o caminho
terça-feira, 3 de agosto de 2010
Boa Sorte Tia Eva
Neste momento o meu coração está dividido entre a alegria de ver uma grande Amiga alcançar um dos seus objectivos e a tristeza de deixar de a ter, diariamente, na porta ao lado.
Para dizer a verdade, acho que ainda não caí bem na realidade e, durante uns bons tempos, vou continuar a entrar disparada pelo Gabinete para uns dedos de conversa.
A tia Eva chegou e conquistou todos os colegas de trabalho, alguns dos quais, como eu, tiveram o privilégio de passar a fazer parte da sua roda de Amigos.
Agora chegou o momento de partir para outros vôos. Bem merecidos, por sinal, pois além de excelente Amiga é uma óptima profissional.
Bem ponderadas as coisas, e deixando o meu egoísmo de lado, posso dizer que a parte de mim que está feliz é infinitamente maior do que a que está triste. Até porque esta "separação" não vai, sequer, beliscar a nossa Amizade.
Não vou alongar-me muito mais, pois não quero que este post soe às despedidas que detestas, minha Amiga. Para além disso, sabes bem o que penso desta nova fase da tua vida. Tenho muito orgulho em ti.
Boa sorte Tia Eva
Para dizer a verdade, acho que ainda não caí bem na realidade e, durante uns bons tempos, vou continuar a entrar disparada pelo Gabinete para uns dedos de conversa.
A tia Eva chegou e conquistou todos os colegas de trabalho, alguns dos quais, como eu, tiveram o privilégio de passar a fazer parte da sua roda de Amigos.
Agora chegou o momento de partir para outros vôos. Bem merecidos, por sinal, pois além de excelente Amiga é uma óptima profissional.
Bem ponderadas as coisas, e deixando o meu egoísmo de lado, posso dizer que a parte de mim que está feliz é infinitamente maior do que a que está triste. Até porque esta "separação" não vai, sequer, beliscar a nossa Amizade.
Não vou alongar-me muito mais, pois não quero que este post soe às despedidas que detestas, minha Amiga. Para além disso, sabes bem o que penso desta nova fase da tua vida. Tenho muito orgulho em ti.
Boa sorte Tia Eva
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