quinta-feira, 9 de fevereiro de 2023
Queria mudar o mundo, mas …
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2023
Diagnóstico de Cancro - cada caso é um caso
Esta semana recebi um telefonema de alguém muito preocupado e a precisar de desabafar pois um familiar acabava de ser diagnosticado com cancro.
Não tenho dúvidas de que perante um diagnóstico de cancro há sentimentos que são comuns a todos os envolvidos, sejam eles o paciente, os familiares ou os amigos. Medos, angústias, dúvidas. Mais do que isso não.
Cada caso é um caso e é essa a ideia que queria muito conseguir fazer passar e ver interiorizada não só por quem me telefonou mas também por tantos quantos acabam por se ver em situações semelhantes.
Cada luta é uma luta. A doença é única nas suas características, assim como cada corpo é único na sua reacção à doença. Não há comparações possíveis quanto àquilo que é a parte física. Ou melhor, até podem existir mas estão longe de ser matemáticas.
Deixem para a medicina o que é da medicina. Confiem nos excelentes profissionais que temos e na constante evolução da ciência. Questionem, procurem ajuda. Acima de tudo parem para respirar e permitam-se perceber a força incrível que existe em cada um de nós e se revela nos momentos em que não temos outra alternativa senão a de ir à luta.
O caminho é muito cansativo e duro mas é também uma fonte de aprendizagem e conquistas inimagináveis. E digo-o com conhecimento de causa como sabem.
Aqui deste lado continuo disponível para ouvir e poder partilhar a minha experiência no que diz respeito aos tais medos, angústias e dúvidas. Muitas pessoas houve que fizeram o mesmo comigo e (provavelmente sem o perceber) foram uma ajuda incrível. Quanto àquilo que está para além disso não vale a pena. Desculpem a repetição mas não há mesmo outra forma de o dizer - Diagnóstico de Cancro - cada caso é um caso.
Um beijinho grande a todos quantos estão na luta.
segunda-feira, 30 de janeiro de 2023
RCI Banque - 3 anos a dar-me conta da paciência
Em Abril de 2020 comecei a receber sucessivos contactos (via sms e telefónicos) efectuados pelo RCI Banque (quer de números nacionais, quer de números franceses) a solicitar o pagamento do 303,55 Euros, sem indicar o fundamento mas enviando (para o efeito) uma referência bancária.
Desconhecia (até aí ) a existência do RCI Banque pelo que recorri ao site do Banco de Portugal para obter alguma informação.
Consegui obter a morada da sucursal portuguesa no referido site do BP, a qual não coincide com a indicada no site da entidade mas isso já é mero pormenor no meio da novela até porque nas pesquisas efectuadas na internet não consegui chegar a nenhumA informação fiável sobre o RCI Banque.
Confirmada a existência da entidade, e perante a ameaça (devidamente feita em letras maiúsculas) de comunicação da “dívida” ao Banco de Portugal, resolvi tentar um contacto telefónico. Tarefa ingrata já que quer ao atender as chamadas quer ao tentar devolvê-las só ouvia uma gravação automática a informar que todos os operadores estavam ocupados e as chamadas acabavam por cair.
De frisar que nas mensagens é indicado um número de contacto fixo ao qual também tentei recorrer para esclarecer a questão, sendo que na única vez que me atenderam me foram passando entre operadores telefónicos até a chamada cair.
Farta de ser feita de parva passei ao ataque e comecei a disparar emails para os endereços electrónicos que encontrei (todos com CC do Banco de Portugal e da Comissão Nacional de Protecção de Dados).
A primeira resposta foi singela:
"Bom dia sra. Susana Alice
Informamos que em nossa base de dados não consta nenhum dado com seu nome e NIF. Seguramente seja um erro na hora de gravar o telefone.
Solicitamos que nos facilite o número de telefone no qual recebe nossas mensagens para poder ser retirado da base de dados e assim evitar esta situação".
Nem um pedido desculpas.
Algum tempo depois consegui chegar um pouco mais longe e obter esta resposta:
“Na qualidade de Encarrregado de Protecção de Dados da RCI BANQUE – SUCURSAL EM Portugal, tendo tomado conhecimento da reclamação apresentada por V. Exa., serve o presente para transmitir que, por lapso na inserção manual, no nosso sistema, de um digito de um número de telemóvel de um cliente, tal conduziu indevidamente para o contacto telefónico de V.Exa., razão pela qual recebeu chamadas por parte desta Instituição.
O número já se encontra actualmente devidamente rectificado em sistema.
Desde já lamentando todo o sucedido pelo qual apresentamos as nossas mais sinceras desculpas”.
E por mim terminaria aqui a história se esta instituição esquecesse a minha existência, mas não foi isso que sucedeu.
Em Fevereiro de 2022 voltaram à carga. A história repetiu-se sem tirar nem por. O único dado novo é que a minha “dívida” será referente ao aluguer de uma bateria (!).
Não contentes, voltaram à carga agora em Janeiro de 2023 conseguindo (desta feita) a proeza de agravar a situação pois, numa das respostas, alguém (que não assina o email) lembrou-se de justificar o erro pelo facto de o meu número de telemóvel ser muito parecido com o do filho de uma cliente, tendo chegado ao cúmulo de dizer o nome completo da senhora e o número de telemóvel do filho.
Ou seja, protecção de dados pessoais nem vê-la.
Não sei que pensar disto tudo, nem da inacção do BP e CNPD perante esta forma de “trabalhar” de uma entidade que(aparentemente com a devida autorização do BP) concede créditos em Portugal.
De certeza que à conta destas burrices há muito boa gente que se vê metida em sarilhos ou (para os evitar) acaba por pagar dívidas alheias/ inexistentes.
Espero ter matado a questão desta vez e que a novela não tenha mais capítulos.
quinta-feira, 12 de janeiro de 2023
O meu problema
Resolvi ir ao oftalmologista depois de não ter conseguido ler as regras de uma raspadinha e (por isso) deitado ao lixo um conjunto delas (que só por sorte consegui resgatar intactas do caixote) cujos prémios somados chegavam aos 52 euros.
Assim que terminei de me queixar, o médico perguntou-me a idade.
45 anos, respondi.
O diagnóstico veio de rajada - "Pois! Esse é o seu problema".
Lentes progressivas aí vou eu.
quarta-feira, 4 de janeiro de 2023
Liberdade a mais também pode ser moléstia!
Ali por volta do Natal tive um ataque de tosse em público e reparei que ninguém me olhou de soslaio nem se afastou. A sensação foi de enorme leveza e dei por mim a pensar que uma das coisas boas que 2022 nos trouxe foi a liberdade de podermos voltar a tossir sem sermos tratados como leprosos.
Tudo muito lindo e quase romântico. Acontece que os dias foram passando e continuo a tossir como se não houvesse amanhã, a pontos de temer vir a cuspir os pulmões. A parte boa é que os pulmões estão limpinhos segundo o médico. A má é que estou cansada. Gostei da experiência mas já basta. Quero poder voltar a dormir e deixar dormir. A andar pela casa sem ouvir "mãe, que nojo!". Ir ver o filme da Whitney Houston e só incomodar os outros com o som das pipocas.
Liberdade a mais também pode ser moléstia!
domingo, 1 de janeiro de 2023
quinta-feira, 22 de dezembro de 2022
E faz hoje 13 anos que terminei a quimioterapia
Há 13 dias por este dia fazia a minha última sessão de quimioterapia.
Não esqueço a alegria de ter conseguido antecipar a sessão um dia e a esperança de que esse dia ajudasse a que conseguisse comer o bacalhau da consoada sem sentir o sabor estranho a químicos que tinha na boca há 6 meses.
Não esqueço também o cansaço e vontade de chorar que o fim dos tratamentos me trouxe, como se só aí tivesse caído em mim.
Ainda não sabia (apesar dos resultados dos exames de controlo serem promissores) mas tinha arrumado definitivamente Mr. Hodgkin que, no seu estadio IV, resolveu instalar-se em mim.
Vivo, assim, uma segunda vida desde aquele dia mas (estupidamente) preciso de parar frequentemente para perceber quão afortunada sou.
Ainda assim, se volto frequentemente ao tema não é só por necessidade de relembrar o essencial da (minha) vida mas acima de por saber como é importante testemunhar experiências de vida para que outros que passam por situações semelhantes se sintam identificados nos seus medos e dores e pensem (como eu pensei) se ela conseguiu eu também consigo.
E que a dúvida seja sempre a mesma - para quê ? E não - porquê?.
Desta vez sim, estou livre do IPO
Depois da onco-hematologista me ter dado alta do IPO, foi a vez da nefrologista o fazer (ainda que com indicação de ser seguida em consulta...
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