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A mostrar mensagens de Agosto, 2019

Ser mãe

Ser mãe é, também, viver na constante incerteza entre estar a assistir a momentos  de sofrimento atroz da crias ou a ser mero alvo fácil de chantagem psicológica.

Mãe, nós salvamos-te a vida!

E a meio da conversa, a patroa mais pequena saiu-se  com um " mãe, tu tiveste-nos mas nós salvamos-te a vida!".
Fiquei meia engasgada perante aquele q me pareceu um comentário profundo e cheio de significado. Afinal foi isso que aconteceu, no sentido mais literal, mas achei que não era hora para falar de algo tão delicado.
Afinal, o comentário estava longe daquilo que pensei. Foi só a forma simples de traduzir o facto de as manas darem despesa, mas existirem serviços em que tenho desconto na segunda filha. Algo bem mais material, portanto, e perfeitamente em enquadrado na conversa sobre economia doméstica que estávamos a ter.
Mas sim, salvam-me a vida diariamente.

Atão doutora, isso vai ou quê?

Tenho a certeza que se nós cruzassemos hoje, seria esta a primeira pergunta que farias.
A diferença é que hoje não precisaria de te responder. Há 6 meses que estás aí em cima, a zelar por todos os que te são queridos.
Sabes, melhor do que ninguém, que as coisas vão, entre altos e baixos, vamos seguindo. Devemos-te isso. Beijinhos, engenheiro.

Coerência dos nossos tempos

- Mãe, a comida do chinês é bué boa! Os douradinhos estavam um bocado moles mas não faz mal!

Sei lá, foram tantas!

- Vamos lá relembrar a tabuada. Até qual aprendeste?
- Sei lá, foram tantas!
 Nota: a coisa promete.

Fuga ao óbvio, pelos caminhos de Portugal

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Nada como uma dor de barriga para dar discernimento

- mãe, quando chegarmos a casa quero comida saudável. A tua comida não sabe tão bem (desculpa que te diga) mas faz melhor!

A preparar a mana para o terceiro ano

-No terceiro ano vais aprender os sinais de trânsito mais básicos, tipo o stop e o sentido proibido. Depois vais para o quarto ano e esqueces tudo. Começas a dar as fracções e isso ...

Mãe sem palavras

Com o acelerado crescimento das minhas crias e, consequente aumentar de atenção ao mundo que as rodeia, cresce também o número de vezes em que fico sem palavras.
A última aconteceu quando, depois de explicar que a porquinha da Índia não terá filhotes já que não tem contacto com machos, a mais velha respondeu que "as mulheres também já não precisam de homem para ter filhos!".
Confesso que há temas cuja abordagem junto das crianças me transcende e este é um deles.
Fico-me pelo tradicional "não sei onde é que elas ouvem estás estas coisas!" e aguardo que o tempo as faça crescer em entendimento e me traga o discernimento necessário para as esclarecer.