quarta-feira, 30 de novembro de 2011

O que será

Sinto um cansaço tão grande, que nem sei explicar.

O ritmo dos meus dias tem sido muito intenso, e continuará a ser (pelo menos até as cachopas ganharem asas e me darem com os pés o que, a manter-se o actual estado de coisas, só deve acontecer daqui a 35 anos).

Não é propriamente o cansaço que me angustia, mas a incapacidade de me concentrar e de fixar no que quer que seja.

As ideias andam sempre a mil à hora e nunca estou onde estou. Se estiver no sofá (coisa rara) penso no supermercado; se estiver no supermercado penso no trabalho; se estiver no trabalho, penso no trabalho (também) e em tudo que me espera em casa (roupa, louça, brinquedos espalhados por todo o lado ....).


As falhas, naturalmente, começam a surgir em todas as vertentes da minha vida da qual começo a sentir não estar a dar conta.

Tudo seria normalíssimo, não fosse a dúvida que paira sempre no ar. Será só do ritmo frenético que levo? Será efeito secundário da quimio? Será?...

Tudo o que quero é ser uma pessoa normal, apesar das palavras da médica "depois de ter feito quimio, nunca mais será uma pessoa normal...".

Não quero, nunca, ter de usar a desculpa de ter feito quimio, ter passado (e passar ainda, por vezes) por momentos de muita tensão psicológica, bla, bla, bla.

O que é certo é que a dúvida surge, constantemente.

Enfim, tenho andado meia parva como se pode perceber.

O que vale é que estas minhas fases de dúvidas existenciais costumam ser passageiras e quase aposto que o facto de estarmos em vésperas de um feriado ajudará a

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Vitória é ...

... conseguir juntar um par de meias, passados 4 meses.

Arrumada, que mete medo, a minha casa.

Sabias Pai Natal?

... que saiu um livro da Isabel Allende e outro do Carlos Ruiz Zafon?

Se estiveres sem ideias .....

PS

Para mim? que ideia?! É para uma amiga minha

Eh,eh

Boletim Clínico

Há tempos que não fazia um Boletim Clínico. Era esse o nome que dava ao e.mail que enviava aos meus amigos e colegas, antes de ter o blog, para os actualizar quanto ao meu estado de saúde.

Na passada 4.ª feira foi dia de consulta no IPO.

Coincidentemente, foi no dia em que saiu a entrevista na TV MAIS. Não fosse comigo e dizia que tinha sido campanha de marketing. Mas não, a consulta estava marcada há muito e há muito que a TV MAIS sai à 4.ª feira.

Tal como me recomendou a médica de medicina interna, levei as minhas análises e, tal como previa, a minha querida oncologista pediu consulta de nefrologia.

Segundo indicam as análises, estará tudo bem na parte oncológica (o que é muito bom); agora teremos de averiguar o que significam os valores alterados de proteinúria.

Não vale a pena especular. Pode não ser nada, pode ser alguma coisa que não chateie muito ou algo que chateie bastante, segundo a médica.

Resta-me esperar pelo dia 9 de Dezembro, dia em que voltarei ao IPO para conhecer a 3.ª especialidade. Comecei na dermatologia, passei para a onco-hematologia e agora nefrologia. Rico curriculo.

sábado, 19 de novembro de 2011

8 meses

Fez ontem 8 meses, a minha Benedita.

Há cerca de 3 semanas começou a dormir a noite toda, pelo que só precisa da vaca Mimosa, à noitinha (antes de adormecer)e ao pequeno almoço.

Já se senta muita bem e está mortinha por começar a andar atrás da mana. Continua completamente desdentada e muito simpática.

Estou apaixonada.

4. ª feira, dia 23 de Novembro, na TV MAIS

Poderão ver-me, e a Mr. Hodgkin.

Obrigada Teresa P. Agradeço também à Cláudia, uma jornalista muito simpática e meiguinha que soube transmitir aquilo que lhe disse.

Reagi bem, dento do contexto. Acho que sim.

Tenho orgulho nisso? Muito.

Sou humana e, como tal, tive e tenho medo que o gajo (leia-se cancro)volte? Ainda mais.

Conclusão:


Nunca, mas nunca, dar o jogo por perdido (ou não valeria a pena entrar em campo), tem de ser o lema.

Vencedora? Em 2014 falamos

Até lá, vida normal (seja lá isso o que for)

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Se ela o diz

"Mãe, o pai é muito complicado!

Porque é que dizes isso, Leonor?

"Porque é tótó".

A minha filha começa a conhecer os homens.

PS

Brincadeirinha

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Mãe, tens de pedir

"Mãe, quando quiseres fazer cócó e xi-xi tens de pedir ao pai e à Maria Leonor", disse ela, altiva e de dedo em riste, enquanto estava sentada no pote.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

2 anos e meio




Apesar de o negar veementemente, ela diz que fez 3 anos, foi no domingo que a princesa rainha completou dois anos e meio.

Escusado será dizer que está numa fase espectacular. Repete tudo o que ouve, com o cuidado de o adaptar à pessoa concreta e no momento oportuno.

"Vai para a cozinha mãe, não te quero aí sózinha"; "A Meledita não precisa da chupeta, não faças fitas"são só pequenos exemplos dos ralhetes que passo o dia a ouvir.

Uma vez ou outra passa-se dos carretos e tenta assassinar-me, como na noite de sábado, em que se agarrou aos meus cabelos a estrebuchar. Mas a culpa foi minha, claro. Afinal, que mãe é que se esquece da chupeta da filha em casa dos avós.

Um espectáculo de miúda, cada vez mais decidida e senhora do seu nariz que, quando vê a coisa mal parada, nos desarma com o seu "estás contenti".

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Põe-te fina

"Põe-te fina, com as compras de Natal".

Foi assim mesmo, à boa maneira do norte, que o meu cônjuge me relembrou os compromissos que Portugal assumiu com a Troika e que ele está apostado em ajudar a honrar.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Link da entrevista à querida Júlia

Para quem não teve oportunidade de ver, aqui fica o link onde podem ver a entrevista à querida amiga Júlia. Falo a partir do minuto 15, mais coisa menos coisa.

Peço desculpa ser feito de forma arcaica, mas os meus conhecimentos informáticos não dão para mais.


http://sic.sapo.pt/online/sites+sic/querida-julia/diario/grávida+doente.htm


Uma vez mais agradeço todos os comentários que tenho recebido.

Quanto ao tempo de duração da entrevista, que me têm dito ter sido curto, só digo que deve ter sido o necessário para divulgar a novela (imagino não ter sido convidada pelos meus lindos olhos). O comércio assim o exige.

Não recebi nada pela publicidade. Independentemente do objectivo subjacente ao programa, acho importante que se fale "bem" do cancro.

Fiquei contente por não terem feito uma coisa a puxar à lagrimita. Aliás, quando fui contactada disse logo que não queria nada disso. Quanto às lágrimas da outra senhora, creio que foram a forma de descarregar a tensão emocional que sentiu enquanto falava.

E pronto, apagadas que estão as luzes da ribalta, volto à minha vidinha normal, com a parte chata de ter deixado de ter pretexto para não lavar a louça. Lá se foram as french nails.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

5 minutos de fama

Cá estou eu, de regresso a casa, depois dos meus 5 minutos de fama.

Quero agradecer todos os simpáticos comentários que tenho recebido.

O dia de hoje serviu para confirmar que sou melhor a escrever do que a falar.

Havia tanto para dizer e sinto que me engasguei demasiado. Espero ter conseguido transmitir parte do que queria - a necessidade de encarar a vida com optimismo.

Depois da fama, o regresso à vida real.

Tenho de descobrir como tirar o estuque da cara. Desmaquilhante é coisa que não existe para estes lados (e a existir já terá uns bons 5 anitos, pelo que não deve ser conveniente arriscar).

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Chantageada

Não me acontecia desde que, na adolescência, a minha irmã do meio começou a recitar, de cor, o meu diário.

Neste momento sou vítima da pior chantagem psicológica e todos os motivos servem.Ora porque quer a chupeta, fora de horas, ora porque se lembra que não quer sopa.

A chantagem é exercida sob a forma de choro, aparentemente, desesperado e o meu coração de manteiga quase sangra à velocidade com que as lágrimas da meliante caem.

Há dias, antes do jantar, estava a lavar-lhe as mãos e carreguei no dispensador de sabonete líquido. Começou a chorar convulsivamente e eu perguntei "que foi filha, a mãe magoou-te" (na minha inocência pensei que a teria trilhado. E responde-me ela "sim", continuando a chorar. Quase a chorar também, abracei-a, cobri-a de beijos e, como por milagre, o choro parou para começar a gritaria "EU NÃO QUERO SOPINHA".

E isto é só um pequeno exemplo da tortura psicológica a que sou submetida diariamente.

Vale-me o blog para desabafar. Qualquer dia ganho coragem e denuncio-a às autoridades.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

quarta-feira, 2 de novembro de 2011