domingo, 30 de setembro de 2012

A Tita já é membro da Igreja



E pronto, a Tita já é membro da Igreja.

O dia correu muito bem e S. Pedro portou-se à maneira.

Um dia em cheio, do qual os meus pézinhos se vão lembrar durante muitos anos. Estou que nem posso.

Quando a fotógrafa oficial terminar o photoshop, mostro o belo do sapatinho.



PS

Vais ter um trabalhão a esconder as varizes saltitantes, tia Eva.
Ainda nem estou em mim com o teu comentário. Depois da dos joelhos quadrados, arrasou de vez a minha, já debilitada, auto-estima

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Falta de material

À conta do queijo que a mãe come, a Leonor só leva o bibe para a escolinha de 15 em 15 dias. É assim, mais coisa menos coisa. O bibe vem para lavar, à 6.ª feira à noite e fica em pousio durante uma semana.

Até agora não tem havido problemas.

Mas a partir de agora, a coisa vai picar mais fino.

Inscrevemos  a moça na natação e todas as 2.ª feiras vai ter de ir de fato de treino e sapatilhas e levar uma mochila atulhada de coisas.

Já estou a ver a rapariga a chumbar por falta de material, na actividade extracurricular, o que seria traumatizante.

Tenho de atinar.

Chegou o Natal

E no dia 27 de Setembro, o Natal entrou-me em casa no meio dos recados da escolinha.

Na próxima semana o fotógrafo vai tirar as tradicionais fotos aos meninos e temos de autorizar, escolher a modalidade (...).

Devo dizer que fiquei ofendida com o preço da foto de grupo, 5€ !!!

5 €?!!!!! Devem estar a brincar comigo !!!

Só a imagem de um fio de cabelo das minhas meninas vale, no mínimo, o décimo desse valor. Agora imaginem o valor da imagem do corpo inteiro.

Querida Gigi

Querida Gigi,

como sabes, foste a 1.ª pessoa que "conheci" a ter passado por um linfoma de Hodgkin. Descobri-te  na altura em que comecei a qumio e decidi começar a procurar ajuda para compreender o que se estava a passar comigo.

Um dia, entre vários blogues de mulheres com cancro da mama, descobri o teu e a tua, dura luta contra o "porco".

Comecei a seguir os teus passos e lembro-me de ter pensado, " se ela conseguiu, eu também vou conseguir".

Admiro-te, profundamente, desde esse tempo e ainda mais pela forma como te entregaste ao voluntariado dando uma razão de ser a todo o sofrimento pelo qual passámos.

Farto-me de rir quando me lembro do dia em que te conheci, pessoalmente. Foi na Foz do Arelho, lembras-te? Estava eu ansiosa, para falar contigo. Cumprimentei-te, disse o meu nome e tu andaste sem me ligar nenhuma.

Fiquei "como o pano da paixão". Parecia uma daquelas miúdas para quem o miúdo mais giro da escolo nem olha.

Fiquei, por isso, toda feliz com todos os comentários recebidos hoje no Hodgkin, logo existo e resolvi fazer um post para dar resposta a vários, de uma só vez.

Quanto à minha opinião sobre a manifestação, sabia que não seria nada consensual. Estava à espera que dissesses algo, pois conheço a tua opinião e sei que participaste. Mais uma vez, mostraste a grande mulher que és. Gostei do comentário. Haja tolerância.

Quanto à receita da francesinha, pesquisei no google mas não a  guardei. Hei-de ver se a encontro. Há muitas diferentes. Esta era bem saudável. Até metia leite e tudo. :)

Os meus pézinhos estão melhores, passado um mês de profunda descamação.

Quando quiseres dar uma lição a alguém, já sabes. Eu vou à farmácia e compro umas meiinhas para te enviar.

Para terminar, outra sugestão de destino. Aveiro!

:)

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Quando pensamos que a coisa não pode piorar

- ".... é; há dias olhei para os teus joelhos e estão quadrados" - dizia o meu pai no seguimento de um comentário feito, por mim, à minha silhueta.

(blá, blá, blá)


- "bolas, eu sei que estou gorda, mas não é preciso racionar-me a comida" - disse eu, tentando brincar com a situação.


- "não filha, isso não tem nada a ver com o que comes; tem a ver com a idade. Quantos anos é que tens?" - perguntou a minha avó que estava a ouvir a conversa.

Resumindo, em 5 minutos o meu pai e avó, lembraram-me que estou tão gorda que até os joelhos estão quadrados e que já não sou nova, razão pela qual o meu metabolismo anda longe das performances alcançadas nos anos noventa.

Não fosse eu uma mulher madura, já com alguma estabilidade emocional, e teria cortado os pulsos.

Optei por repetir o prato, levezinho, de tripas à moda do Porto (dobrada para algumas pessoas).

Notícia sensação da semana desportiva

A semana desportiva fica marcada por uma GRANDE notícia.

O regresso aos relvados do, não menos, GRANDE, Pedro Tavares.

Este promissor jogador, português de gema, deu um nó cego a Mr. Hodgkin, mostrou-lhe quem manda e vai voltar a fazer uma das coisas de que mais gosta - jogar à bola.

Este jovem de 26 anos chegou um dia aos balneários e disse aos colegas "esperem aí que tenho de ir ali ao lado chutar para a veia e já volto".

Foi fazer as suas sessões de quimio e em menos de um ai, regressa ao activo, pronto a mostrar a sua garra e talento.

Uma história que nos deve inspirar a todos.

Em nome dos guerreiros de Mr. Hodgkin, muitos Parabéns Pedro. A partir de agora só páras no Real Madrid.



quarta-feira, 26 de setembro de 2012

O signo Touro

Se acreditasse em signos, diria que o Touro (ou lá o que é que eu sou), tem especial propensão para gaffes (vulgo "meter água").

É que é uma atrás da outra. Impressionante.

Adolescência, o terror de qualquer mãe

Vivo aterrorizada com a iminência da chegada da adolescência das minhas crias.

Pode parecer estúpido, atendendo à idade, mas o desenvolvimento que constato nas pequenas, faz-me crer que a adolescência, na actualidade, começa consideravelmente mais cedo do que começava na minha altura.

É que não existe (que eu conheça) fase mais parva na vida de um ser humano.

Tenho, porém, um exemplo muito próximo de que a parvalheira passa, ainda que possam ser necessárias décadas para que aconteça.

Não vou revelar muitos pormenores, que o protagonista não é dado a grande visibilidade, mas a história, verídica, é tão espectacular que pode ajudar muitas mais desesperadas.

Então cá vai.

Era um vez um menino, muito meiguinho e amigo da mãe. Muito inteligente e aplicado, o menino entrou na universidade com 18 aninhos.

A certa altura começou a ter outros interesses e mudou muito. Estava dias sem aprecer em casa e dar notícias, numa época em que a palavra telemóvel era totalmente desconhecida.

Lá andou a passear os livros, até que após 10 anos de passeata a mãe lhe fez um ultimato.

O menino arranjou trabalho, duro por sinal, e abandonou os estudos. De vez em quando ia fazendo uma cadeira.

Passados uns anos, e quando faltavam 2 ou 3 cadeiras para acabar o curso, foi incentivado por 2 pessoas incríveis (muito mais ousadas e inteligentes que a própria família, diga-se) a despedir-se e concentrar-se na conclusão da licenciatura.

Foi um "ai Jesus". Olha agora, com 38 anos, é que se vai despedir (disseram os velhos do Restelo).

Felizmente, como sempre, não deu ouvidos aos medricas.

Despediu-se, concluiu a licenciatura, o  mestrado e encontra-se a fazer doutoramento (daqueles à séria).

Um orgulho para mim e um exemplo para todos.

Melhores amigas e "amoradas"

Segundo a Leonor, eu e a Titoca somos as suas melhores amigas e "amoradas".

Parece encaminhar-se o meu desejo de que as minhas meninas se tornem noivinhas de Cristo e vivam com os papás até à altura de entrar para o convento. Lá para os 55 anos.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Manifestações em Madrid

Estávamos a ver imagens das manifestações em Madrid quando a Leonor, no alto da sua sapiência, se virou para o papá e disse "papá, quando eles vierem partir a nossa porta, nós fugimos e vamos para a casa deles".

O comentário saiu-lhe assim, do nada.

Não está mal pensado, não senhora.

Uma estratega esta minha filha.

Sobre o destino deste blogue II

Na sequência deste post http://hodgkin-logoexisto.blogspot.pt/2012/09/o-destino-deste-blogue.html, em que questionava se devia manter o nome do blogue, recebi muitos comentários.

Todos no sentido afirmativo.

Um desses argumentos, tocou-me particularmente.

Dizia, "Já te dei a minha opinião quer queiras quer não o Mr. Hodgkin irá fazer parte da tua vida para sempre e se mudares o nome o blog deixa de fazer sentido para quem está nesta luta como nós pois esta história é sem dúvida um animo e uma esperança para a nossa vida....pensa nisso, NÃO MUDES POR FAVOR, bj" e estava assinado pela Ana Patrícia Baptista, de quem já aqui falei.

O argumento tocou-me, por me transportar a um comentário que escrevi, de rajada, naquele fim de tarde em que, num dos vipes que às vezes me dão, criei este blogue e que se mantém no topo da página principal.


"Tudo tem uma razão de ser, um lado positivo, por mais difícil que seja perceber a razão".

Não tenho só uns pais perfeitos, tenho também uma avó que me incutiu esta ideia, aparentemente feita.

Acredito, piamente, na necessidade de procurar o tal lado positivo  e que este muitas vezes tem como destinatário outras pessoas que não nós próprios.

Trocando por miúdos, acredito que o sofrimento por que passei/passo pode servir a outras pessoas.

Dando um exemplo banal, se a minha doença servir para que um casal perceba que há coisas mais importantes na vida  que perder tempo a discutir sobre a tampa da sanita  e que essa perda de tempo pode nunca vir a ser recuperada, já valeu a pena.

É por isso que comentários como este me confortam muito. É óbvio que gosto de elogios (quem não gosta), mas é muito mais do que isso.

Acho que me percebem.

Em resumo, e concluindo, o bicho manterá o nome, independentemente daquilo que me der na telha vir cá escrever.

Manifesto pelo entendimento

Estimado Sr. Outuno
Caríssimo S. Pedro


Percebe-se, pela intensidade da chuva que do céu cai e força do vento que a varre, que estão um pouco baralhados e, até, arreliados.

Estamos no Outono, do latim: autumno. Também conhecido como o tempo da colheita, pois é nesta época que ocorrem as grandes colheitas. Os dias ficam mais curtos e mais frescos. As folhas e frutas, já estão bem maduras e começam a cair no chão. Os jardins e parques ficam, coberto de folhas de todos os tamanhos e cores (definição vista  algures na net).

Não estamos no Inverno, do latim: hibernu, tempus hibernus, tempo hibernal. Associado ao ciclo biológico de alguns animais ao entrar em hibernação e se recolherem durante o período de frio intenso. Estação que sucede o Outono e antecede a Primavera.

Posto isto, lanço um apelo. Por favor, orientem-se e cheguem a um entendimento.

No próximo domingo é o baptizado da Benedita e tenho de ir composta. A chuva não será grande problema para os pézinhos. As sandálias são tão altas que só em caso de catástrofe natural, a água chegará ao seu nível.

O problema é o vestido. A sua graça está nas costas. Se me vir obrigada a vestir um casaco, o vestido perde a graça e sem graça ando eu o ano todo.

Deixo este, grande, problema para meditação, na esperança que atinem e colaborem com esta mãe preocupada.




A história repete-se

Ontem, no regresso, a casa, passei por com o carro por cima de um buraco que estava cheio de água.

Ouvi logo uma vózinha "afinal o que é que foi aquilo?".

Expliquei que a chuva estraga as estradas e que não tinha visto o buraco (....).

Assim que viu o pai, deu com a língua nos dentes.

"Pai, está ali um buraco na estrada".

"E a mãe passou por cima dele, não foi Leonor?", disse logo o espertinho do pai.

Estou lixada, a fofinha agora pensa que é polícia.

Apesar das chatices que esta pequena delatora pode vir a trazer, a história tem gosto de dejá vu.

Levou-me aos meus 18 aninhos quando ia buscar a minha "antes da mais velha" ao colégio (tem menos 10 anos que eu) e me esquecia de ligar os faróis ou deixava o carro ir abaixo. A reacção era imediata, "vou contar aos pai".

E contava mesmo, dando origem às famosas missas cantadas do pai Nando.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Coisas que ajudam uma mãe



- Ter um pai, que vive a 100 metros do infantário, e vai ter com as netas ao carro para ajudar a arrastá-las

- Ter uma mãe, que vive a 100 metros do infantário, que faz o jantar das netas e... lho dá

- Ter uns pais que se mudaram do Porto para ficar a viver a 5 minutos das netas e estão sempre prontos para ajudar (incluiu limpar cocós feitos à hora de sair de casa, estender roupa e outras utilidades)

- Ter um pai que faz baby sitting ao sábado de manhã, enquanto vou às compras

- Ter uma mãe que passa tardes de domingo a dobrar e separar roupa

E mais não digo, por causa das invejas.

Viver com a Vista Alegre



Na impossibilidade de irmos viver, como gostaríamos, no Museu da Vista Alegre, resolvemos casar na sua capela.

Quando o sr. padre me perguntou o motivo de casarmos numa paróquia à qual não tínhamos qualquer ligação, fui sincera.

Disse que gostávamos do local e da história da empresa. Podia ter inventado uma especial devoção pela Nossa Senhora da Penha de França, mas acho indecente mentir a padres. Apesar de tudo, tenho fé e mentir (especialmente por um motivo tão fútil) seria, no mínimo, estúpido.

Quase 5 anos após o dia D, continuo a manter a esperança de vir a ter uma grande colecção de chávenas de café antigas da Vista Alegre. Por enquanto, vou vivendo com este exemplar que tem resistido estoicamente às investidas da Benedita que adora ir, à socapa, abrir a vitrine, agarrar numa das chávenas de porcelana e fingir que bebe o chá das 5 (uma finesse a minha mais nova).

Mas um dia chego lá, nem que seja nas bodas de ouro.

domingo, 23 de setembro de 2012

Ninguém imagina

Hoje foi a cerimónia de apresentação da Benedita à comunidade, e aconteceu uma semana antes de receber o baptismo. Como rainha que é, portou-se lindamente durante toda a eucaristia, à excepção de um grito estridente, já no final, que foi decisivo para me convencer a dar-lhe a 5.ª bolacha Maria. Sua irmã, também da realeza, este igualmente bem comportada, contrariando tudo o que dela digo aqui neste blogue. A Titocas esteve sempre ao meu colo, a fazer-me cafoné, enquanto o meu coração vertia através dos olhos. É que ninguém imagina o que este momento significou para mim. Ninguém.

sábado, 22 de setembro de 2012

Protestos

Há quem faça greve de fome, cosa os lábios, use luto (etc,etc,etc), quando quer manifestar o seu desagrado com algo. Depois há estes 5 réis de gente, que se atiram para o chão, a gritar, quando são contrariados. No caso, porque a mãe não deixou que continuasse a brincar nas escadas. E se tenho de dar a mão à palmatória, pois logo a seguir resolveu começar a saltar em cima do sofá de onde voou, literalmente, para o chão. Por sorte não era, ao que parece, o dia de partir o braço. No momento em que escrevo está a cravar as unhas nos meus braços com toda a força. Já a sua, tembém doce irmã, acabou de acordar e está com um humor daqueles. Quer que eu apague a luz. Já tentei explicar que o sol não tem interruptor, mas parece que ainda não interiorizou o facto. Mais um fim de semana promissor.

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Ei Avante rapaziada

Ainda o Cristiano Ronaldo não era gente e já este lindo ursinho, de seu nome Cristiano Raimundo, me acompanhava. Cristiano, em homenagem ao colega da escola secundária que mo ofereceu, Raimundo por ser o nome do meu jogador favorito à data (Dino no meio futebolístico). São já 19 (glup) anos de uma linda e profunda amizade. Quando mo ofereceram já era assim, todo tortinho, mas nem por isso gostei menos dele. Em vésperas de mais um FCP - SC Beira Mar, aqui fica um pouco de mim. E que ganhe a águia do nosso emblema. Se não ganhar, a malta está aqui à mesma. Ei Avante rapaziada, ei avante sem parar. Ei avante, ei avante. Beira Mar, Beira Mar, Beira Mar.

Actividades extracurriculares - HELP

Chegou a hora de decidir qual a actividade extracurricular mais adequada ao desenvolvimento da Leonor.

As actividades propostas pela escolinha (só para crianças a partir dos 3 anos), são o karate, a dança, a natação, a música e o inglês.

Na opinião da pediatra deve ser uma actividade mais física, pois o intelecto não precisa de ser mais estimulado ( a bem da sanidade mental dos pais).

O fim de semana será, portanto, de reflexão.

Aceitam-se as vossas opiniões.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Problemas de mãe

Cada vez que baptizo mais uma cria (dito assim parece que são muitas) é um sarilho.

Não há sapatos que me encham os olhos, tantas as exigências.

Isto de, de há 5 anos para cá, não usar saltos altos (as últimas sandálias de salto alto que comprei foram as do casório, que ainda estou para saber como consegui usar o dia todo), limita (de facto) a feminilidade de qualquer uma. Especialmente a de uma mãe transformada em lontra, cujos pés estão secos como um bacalhau (rai´s parta a eficácia das meiinhas exfoliantes) e que continua com a unhinha grande amarelada (quase 3 anos após a quimio).

Podia ter ajudado, se tivesse optado por um vestido amarelo, sempre combinava com a unha, mas a escolha recaiu num azul (sem que isso mude os meus sentimentos pelo FCP, que fique bem claro).

Vai daí, andei a correr quase todas as sapatarias da nossa Veneza e estive à beira de me meter num comboio para ir até Santa Catarina, até perceber que o problema estava em mim e não nas sapatarias de Aveiro, pelo que a viagem corria o risco de se transformar noutra frustação.

Andei nisto uns tempitos, até que ontem se fez luz na minha, atormentada, existência e encontrei as benditas sandálias.

São altas, mas confortáveis porque ligeiramente compensadas à frente (adivinhem quem disse isto).

E hoje ando a treiná-las. Oxalá amanhã não tenha de treinar umas canadianas.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

O destino deste blogue

Isto de escrever num blogue foi um bichinho entrou em mim e parece não querer sair.

Dá-me um gozo imenso escrever sobre o que me dá na telha e receber o feed back de quem lê, que me chega de várias maneiras.

Nunca pretendi transformá-lo num blogue temático, nem aquando da doença (que no fundo lhe deu origem), nem mais tarde quando começou a derivar para o mundo da maternidade.

Na verdade, nunca fiz planos para o Hodgkin, logo existo. Vou escrevendo sobre aquilo que me acontece, ou vejo acontecer, quando posso e me apetece.

Em tempos questionei-me se devia mudar-lhe o nome, mas optei por mantê-lo já que o Mr. Hodgkin fará, para sempre, parte de mim.

Mas esta semana a minha "antes da mais velha" (mana mais nova), sugeriu-me que mudasse o nome ao estaminé e o assumisse como um baby blogue já que, como disse e bem, escrevo maioritariamente sobre as minhas crias.

Fiquei balançada quanto à sugestão de mudança de nome e gostava de saber a opinião de quem aqui costuma passar (aguardo mesmo os vossos comentários, seja através do blogue, do FB ou pessoalmente.

Quanto a transformá-lo num baby blogue, a coisa muda de figura, até porque não acho que a expressão seja muito exacta. Afinal, quem fala de crianças, fala de áreas tão díspares quanto educação, saúde, sociologia, psicologia (...) e, obviamente, psiquiatria.

Vá lá. Mantenho o nome ou mudo.

PS Quem for pela mudança, sugira nome para o baptismo please

E o teu problema?

Ontem, falava com alguém que a certa altura me perguntou "e o teu problema?"

Como não falava com a pessoa há bastante tempo, fiquei na dúvida sobre qual o problema a que se referia.

Afinal referia-se a uma queixa, que tive há meses, sobre a mama. Confundi tensão mamária pré-menstrual com um nódulo e a minha oncologista, sempre querisa, marcou-me uma eco. Foi só mais um susto, entre os vários que tenho tido.

Neste momento, a única ameça visível é um possível mau funcionamento renal a longo prazo. Mas longo prazo é longo prazo.

Falo nisto para responder a 2 meninas, que me perguntaram o que façam para que os medos desapareçam. Pois bem, acho que não existe uma fórmula mágica. Limito-me a fazer a minha vida normal até que aquele medo passe e .... chegue outro.

Vale tudo para esquecer o medo, menos ficar parada.

E, pensando bem, que venham muitos e muitos medos. É sinal que estamos cá para os combater.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Quem quer apadrinhar o menino?

Pelos vistos, as expectativas para que eu "tente o menino" são altas, provavelmente pela pouca diferença de idades entre as meninas.

Não há dia que não ouça a pergunta  ou o incentivo.

Devo dizer que não é uma ideia completamente estapafúrdia. Lá em casa éramos 3 e sempre achei imensa piada ao facto.

Mas sei que seria algo, no mínimo, louco (e louca já é a minha vida).

Em todo o caso, não vá dar-me a tolice (lá para 2015), é melhor começar já a preparar as coisas.

Declaro, assim, aberto o leilão "quem quer apadrinhar o menino?".

NOTA: Apadrinhar (do latim, sustentar e aturar)



Ao jeito Alta Definição

- O que fizeste hoje na escolinha?

- Nada.

- Nada ?!!! ; Porquê?

- A Bela não deixou. Estive o dia todo de castigo.

- O dia todo?!!!

- Sim.

- E não foste comer?

- A Bela chamou e disse "agora já podes ir"

Pensamento (afinal não foi o dia todo)

- E o que fizeste para ficar de castigo?

- Bati ao Tomás.

- Bateste ao Tomás, porquê? Tirou-te algum brinquedo?

- Não. Bati, porque sou má.


Leonor ao seu melhor estilo e sem maquilhagem

18 mesinhos

Parece que foi ontem, que ouvi o papá "tenho uma coisa para te dizer".

Em menos de um ai, tal qual como no parto, a cachopa chegou aos 18 meses.

Alguns chamaram-nos irresponsáveis, eu prefiro chamar-nos abençoados (apesar de admitir alguma irresponsabilidade, face ao meu contexto de saúde).

Certo, certo é que, apesar de todos os medos, a Benedita faz hoje 18 meses, cheios de vitalidade e muita alegria.

Muito senhora do seu nariz (sabe exactamente o que (e como) quer, a minha mais nova gosta de pôr tudo em pratos limpos.

Detesta que tente adormecê-la ao colo, mas em compensação dá-me uns abraços que deixam derretidinha.

Concluindo, e como se percebe, não podia ser uma mãe mais feliz e realizada.

Parabéns Titoca

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Dores de mãe

Desengane-se quem pensa que as dores de parto são as mais fortes que os filhos nos fazem sentir.

Assim de repente, lembro-me dos pontapés nos rins e no estômago, os arranhões e puxões de cabelo, os cantos de livros de capa dura a bater-nos em cheio na cana do nariz, as topadas em brinquedos.

Mas estas são, só, as dores físicas.

Depois há as outras. As da alma. Tudo o que está mal feito foi a mãe que fez.

E as comparações que fazem a mãe sentir-se como uma recém casada quando o marido compara os seus cozinhados com os da, própria, mãe (deve ser a única coisa em que mães são boas).

"Mãe, o pai não pega na Tita ao colo. O pai dá-lhe a mão e ela desce as escadas em pé". (sim, Leonor, mas isso é ao fim de semana, não é durante a semana quando tem de picar o ponto).

"Mãe, o pai não me lava assim. O pai, põe-me no bidé e lava-me ...."

"Mãe, o avô fecha as janelas. tens de fechar também."

E por aí em diante.

Mãe sofre às mãos destas pestinhas, que não deixam passar uma em branco.

Graças a Deus, é 2.ª feira

Se acreditasse em possessões, diria que este fim de semana houve 2 episódios cá em casa.

Só podia ser o diabo.

As raparigas estavam impossíveis de aturar.

A Tita chorou horas sem fim, tal qual no 1.º mês de vida.

A Leonor inventou um choro de birra, tipo carpideira cigana.

As cabeças dos papás só não rebentaram porque ainda não devia ser a hora.

O papá não sei, mas eu pensei seriamente em fugir de casa.

domingo, 16 de setembro de 2012

O que é o vento?

Estamos, oficialmente, na famosa fase dos porquês. A curiosidade da Leonor, acerca do mundo que a rodeia, é voraz.

Não deixa passar nada e questiona tudo à exaustão (dos pais).

Tirando a vontade de fugir, quando começa com o porquê, mãe; para quê e é, não é, mãe?, durante horas a fio, e sem qualquer interrupção, é giro ver que assimilamos aquilo que conhecemos de forma tão instintiva que nos tornamos incapazes de explicar as coisas mais básicas a crianças de 3 anos.

"Hoje não está vento, pois não mãe?"

"Não"

"Porquê, mãe?"

"Ah (...) porque o vento está parado"

"Porquê, mãe?"


"Ah (...), porque ....."

"PORQUÊ MÃE?!"

"Porque, porque (....), ah, porque (...) o vento está cansado".

"Porquê, mãe?"

"Desculpa Leonor, mas a mãe não sabe explicar-te isto"

"Porquê, mãe?"

Nesta fase, estava quase a atirar-me para o chão. Felizmente, a pequena desviou a atenção para uma grade de segurança que se estava a fechar e a explicação sobre o porquê de isso estar a acontecer foi bem mais fácil (ainda que menos desafiante, admito).

Nem quero pensar quando começar ter dúvidas existenciais de outra natureza.

sábado, 15 de setembro de 2012

O que não mata, torna-nos mais fortes

Hoje assinala-se o dia Mundial do Linfoma.

Até Dezembro de 2008, conhecia, vagamente, a palavra. Sabia que devia ser uma coisa ruim, mas nunca aprofundei a questão.

De repente, o gajo entra-me pela vida dentro, sem pedir licença, e fiquei toda baralhada.

Tenho publicado algumas informações sobre o que é o linfoma, mas confesso que não o sei explicar cientificamente, nem interessa.

Sei apenas que, por ironia do destino, as minhas células resolveram pôr-se a trabalhar, e multiplicar, desenfreadamente. E digo que foi ironia do destino porque nunca fui, propriamente enérgica.

Às tantas foi isso, as gajas cansaram-me da minha lentidão (lembras-te, Carlinha, de como enervava ver-me comer em câmara lenta?).

Nunca questionei muito o porquê, nem a causa que, provavelmente, nunca descobrirei.

Sei apenas, e como escreveu hoje a Ana Patrícia Batista (outra menina a quem o linfoma bateu à porta), que o que não mata, torna-nos mais forte o que, no meu caso, se aplica em todas as acepções da expressão, nomeadamente (não prescindo deste advérbio) na silhueta.

Premonições da Leonor

Segundo a Leonor, hoje vamos morrer todos.

Peço desculpa de não ter dito nada antes mas eu, que sou a própria mãe, só soube, agorinha mesmo, da boca da educadora.

Não sei, por isso, se dará tempo para ir ao cabeleireiro e manicure.

Ri-me quando li a mensagem da Bela, mas esta história da morte (e das vezes que a Leonor fala nela) faz-me pensar sobre a melhor forma de a explicar às minhas filhas.

Talvez por causa dos contos infantis (poucos são aqueles em que não morre uma pessoa ou animal), a Leonor pergunta, constantemente, se A ou B já morreram; se C não tem filhos porque já morreram.

Enfim, houve já uma série de comentários  cuja origem gostava de conhecer, mas desconfio mesmo estarem relacionados com o trabalho dos irmãos Grimm.

Às vezes pergunto-lhe se sabe o que é a morte, para ver a reacção, mas fica calada. Dá, contudo, para perceber que a associa à velhice e à ausência.

Vou deixando passar porque nunca me devolveu a pergunta, mas confesso não saber que lhe dizer quando o fizer.

Dúvidas existencias de uma mãe.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Ainda a Manifestação de dia 15

Este post http://hodgkin-logoexisto.blogspot.pt/2012/09/sobre-manifestacao-de-dia-15.html enervou uma pessoa (pelo menos, foi a única que, até ao momento, começou a manifestar-se de véspera).

E por isso gostava de esclarecer algumas coisinhas. Aqui a menina é mais "Peace and Love", mas sem charros e alcool. E foi, tão somente isso, que quis dizer com o meu post.

Longe de mim, querer acomodar-me.

Acho é que é muito mais fácil disparar noutras direcções do que cada um de nós fazer a parte que lhe incumbe. Chamem-me lírica, mas acredito que a sociedade funcionaria lindamente, se todos fizéssemos a nossa parte.

Chamem-me cobarde (outra vez) mas não acredito que entre essa "parte" esteja a de partir vidros e insultar quem quer que seja, inclusive quem tem a ousadia de não participar em manifestações.

Acho que, apesar dos problemas, ainda vivemos em democracia e a democracia pressupõe tolerância pela diferença de opiniões.

Não critiquei a manifestação, nem quem a integrará, limitei-me a dizer que a minha forma de "luta" não é essa.

Não esperarei que me banam de Portugal (como sugerido), no dia em que for impedida de manifestar a minha opinião (sendo o procuro fazer, sempre, sem ofender os demais).

Quanto à sugestão de banir "mentalidades como a minha", fiquei só com uma dúvida. Banir a mentalidade, implica eliminação física, certo? Sim, porque a mente não tem barreiras físicas, muito menos na actualidade.

Ou será só encerrar-me, num sítio sem comunicação com o exterior? Aviso já que sou muito friorenta. Nada de Sibérias, please.

Para terminar, uma  informação sobre a minha, comodista, pessoa. Chamem-me tudo, mas tudo, menos carneira e má mãe.

Nesses casos, sou menina para fazer manifestações, à grega e espanhola (como deseja quem me quer banir).

Ideia para combater a crise

Nos dias que correm, há que ser criativo para reduzir despesas.

Ontem descobri mais uma. Mandar as filhas jantar a casa da vizinha da frente. Parecendo que não, ao fim de uns dias, são uns eurozitos que se poupa.

Por enquanto ainda só experimentei com a Leonor, mas a Tita está quase no ponto para seguir o mesmo caminho.

PS

Estou só a ironizar com mais uma das façanhas da Leonor. Ela tinha jantado, (e inclusive, acabado de devolver uma banana, dizendo que estava com a barriguinha cheia) antes de entrar na casa da vizinha. Juro.

Plano quase perfeito

O plano parecia perfeito.

Todas as manhãs, a Maria grande e a Maria pequena, querem levar brinquedos para o infantário.

Todos os dias, os brinquedos vão ficando esquecidos por lá, o que me dá imenso jeito para desocupar o chão cá de casa.

Mas ontem, fui apanhada.

Quando entrei no infantário, ouvi "tenho um recado para a mãe da Maria Leonor".

Pensei logo "lá vem bomba".

"A educadora pediu para ir lá a cima e trazer as coisas da ;Maria Leonor, já há lá muita coisa e depois é uma confusão".

Sabia que já deviam estar lá umas coisitas (vou levá-las, mas raramente sou eu que as vou buscar), mas não tinha noção da quantidade exacta de brinquedos.

Tive de fazer um grande esforço para não me desmanchar a rir, enquanto descia as escadas com 2 mochilas (gordinhas), uma carteirinha da Barbie e a Minnie ao dependuros e, depois, de fazer a grande escolha entre trazer para casa a tralha toda ou as miúdas.

Lá me enchi de coragem e trouxe tudo (crianças incluídas). Deve ter sido uma imagem gira (mais um dos nossos teatros de rua), eu a gritar para a Leonor esperar por mim, a Tita a escorregar por mim abaixo, os sacos a cair. Mais um filme da família Neves Pinto

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Sobre a manifestação de dia 15

Não vou à manifestação de dia 15. Não porque não sinta a crise (que sinto), não porque concorde com as medidas de austeridade (que não concordo).

Não vou, primeiro porque não acredito que esse tipo de manifestações produza efeitos, depois porque sou rapariga mais recatada no que à defesa de ideais diz respeito.

A crise não nasceu hoje, muito menos os erros de gestão e o mau (des)aproveitamento (pela classe polítca e não só) de dinheiros públicos. Lembremo-nos dos casarões, que por aí se vêem, construídos nos tempos das vacas gordas, à custa dos dinheirinhos que a CEE mandava para alavancar a nossa economia.

Temos de fazer alguma coisa para mudar o estado de coisas, sem dúvida. Só não acredito que esta manifestação venha a ajudar em alguma coisa.

Apesar disso, gostei muito da forma como a manifestação está a ser divulgada no facebook onde li um texto do qual retive algo do género "Não será bem vindo quem tiver intenção de causar distúrbios".

É que me preocupa imenso o incitamento, que se está a generalizar, à revolta e a reacções como as dos gregos e dos espanhóis.

Parece-me que está a ser feita uma grande confusão entre brandos costumes e "culpa" pelo agravamento da crise, como se gritar e partir montras fosse panaceia para este mal que nos assola.

Posso estar redondamente enganada, mas se há algo que nos tem safado é, precisamente, o bom senso.

Não vou à manifestação mas, embora descrente quanto aos seus frutos, apoio incondicionalmente todos os que, de forma pacífica, nela participarem.

Não vou à manifestação mas farei aquilo que estiver ao meu alcance para que todos nós consigamos ultrapassar mais uma crise com o mínimo de mossas possíveis.






Atenção investidores estrangeiros

Segundo li, existem 7 empresas interessadas em fazer prospecção de ouro aqui no nosso lindo rectângulo à beira mar plantado.

Não quero influenciar a decisão, mas estranho o facto de nenhuma me ter, ainda, contactado.

Sei que vou gerar o caos, mas tenho de tornar pública a notícia.

Cá em casa há ouro. Aparece nos cantos e debaixo dos móveis. E o mais fantástico é que já está transformado em brincos e anéis de curso.

Como a quantidade não justificará, de certezinha, colocaram cá pessoal, podemos acordar um valor/minuto pelo trabalhado das garimpeiras residentes e teremos negócio.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Grávida não, roliça

A pergunta não me apanhou de surpresa. Há muito que a esperava.

Apesar de me fazer desentendida, tenho interceptado alguns olhares de esguelha.

"Olha lá, tu estás grávida?!!!".

Não, não estou.

Sei que pareço e que toda a gente está à espera da minha 3.ª cria, mas NÃO estou grávida.

Estou SÓ roliça e, segundo o meu homem, ainda não vi o meu rabo ao espelho.

Posto isso, peço a v/ compreensão e solidariedade.

É o despertar da Rádio Renascença

Sempre gostei de ouvir rádio.

Lembro-me das inúmeras viagens Aveiro-Porto-Aveiro feitas ao som de relatos de futebol, da Bola Branca (continuo a adorar), dos vários jingles do Programa Despertar (ao som do qual tomava o pequeno almoço), e das versões inventadas pelo meu pai para nos acordar, do Sala e da amiga Olga.

Recentemente, num zapping, parei na RR e aí tenho ficado. Não há melhor som para trabalhar (o Markl que me perdoe pela troca). Só a RR passa Queen, Alphaville, Eros Ramazotti, Rod Stewart e afins.

Só a RR para me fazer sentir jovem, embora a RFM com o, eterno, Oceano Pacífico, também seja menina para me transportar à fase em que me encerrava o quarto a ler e a escrever poemas de fazer chorar baba e ranho.

Ao nível da RR (embora noutro registo) só a Rádio Regional de Arouca, capaz de curar a mais profunda depressão.

Outra coisa gira que sinto quando ouço rádio é liberdade, eventualmente por acontecer somente nos momentos em que estou longe das minhas algozes.

A rádio liberta-me do Canal Panda e da Hello Kitty. Quando ouço rádio não tropeço em brinquedos nem em roupa despejada de armários.

Viva a rádio.

A morgadinha dos canaviais

Faz hoje anos que morreu Júlio Dinis, um escritor que faz parte das minhas memórias de adolescente.

Tinha eu cerca de 12 anos, quando o meu pai resolveu obrigar-me a ler um livro dele.

Foi a guerra total. Não queria, nem por nada. Dizia que era leitura para velhos.

Quando baixei as armas, li e gostei muito.

Apesar de o Eça cpntinuar a ser o meu preferido, não esqueço o Júlio Dinis, grande responsável (juntamente com o meu pai) por hoje gostar tanto de ler.

Pena a idade, que não me permite ler mais do que duas páginas seguidas de um romance sem adormecer.

Por este andar, e a correr bem, devo acabar o livro que tenho em mãos "Os cadernos de Maya", da Isabel Allende, lá para 2020.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

O espírito de Houdini

Até esta manhã, estava convencida de que o espírito de Houdini morava cá em casa, tantos, e tão misteriosos, são os desaparecimentos de objectos.

Após dar voltas, à casa e à cabeça, para encontrar um frasco de champô, vim a descobri-lo, por mera casualidade, num deslize das pequenas, que desvendou o fundo falso do assento de um triciclo.

O engraçado é que o triciclo mora cá em casa há dois anos e nunca me tinha lembrado que poderia ser o esconderijo ideal.

As coisas que aprendemos com estas pequemas burlonas.


Cenas dos próximos capítulos

Neste momento está a acontecer uma linda conversa entre pai e filha, no sofá cá de casa.

Finalmente, o papá resolveu contar a verdade à Leonor.

Com todos os cuidados, explicou-lhe que a verdadeira mãe da Mariana é a Júlia (aquela que gosta do Duarte) e não a Raquel (a de lábios vermelhos, que traiu o Zé Maria e namora com o Hugo).

Mais pormenores sobre a novela Dancing Days, é só perguntar à fã n.º 1, D.ª Maria Leonor.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Tourada

Hoje houve tourada de rua. Não teve cordas, como na Ilha Terceira, mas teve touro (óbvio) e forcada.

Podem imaginar quem foi o quê nesta altura.

A doce Maria Leonor resolveu começar a afastar-se de mim, na rua, e olhar-me com um ar desafiador, com as mãos à cintura.

Enquanto eu bufava, houve uma senhora que parou a ver a cena e não se conteve "ai, que gira. gostei. que determinação". E eu cada vez bufava mais, ao mesmo tempo que ia tentando dar conversa à senhora.

Quanto mais me tentava aproximar da criatura, mais ela fugia. Fez-me correr uns bons metros. A corrida estava a ficar tão desequilibrada que a senhora acabou por se ir embora, pois, nas palavras da própria, "estava a dar-lhe força".

Quando consegui alcançar a peste, estava ela calmamente sentada num banco de jardim.

Voltou-se para mim com o sorriso mais bonito, e plácido, que alguma vez lhe vi, e disse-me "então diz lá o que me querias".

Perante isto, e apesar da vontade de lhe dar uma palmada naquele rabo, tive de me morder toda para não desatar às gargalhadas.

Esta minha filha dá cabo de mim.

Audição selectiva

- Tita, está quieta! Não te quero a mexer nessa gaveta


Silêncio

- Tita, ouviste o que eu disse?

- NÃO

Desfralde nocturno da Leonor - conclusão

Depois de semanas a remar contra a maré e a tentar todas as técnicas possíveis, eis que demos por concluído o desfralde nocturno da Leonor.

Constatámos que a nossa mais velha ainda não tem maturidade suficiente para tal.

De forma que o desfralde nocturno da Leonor terminou ... por desistência dos papás.

A natureza encarregar-se-á de nos dar sinais sobre o melhor momento para voltar à carga.

Ou seja a conclusão é a de que não há conclusão.

domingo, 9 de setembro de 2012

O lixo de uns é o luxo de outros

Está é, cada vez mais, uma verdade.

Não falo de lixo na verdadeira acepção da palavra, apesar de, até esse, poder ser reaproveitado (pense-se, por exemplo, nos restos de comida que podemos dar a quem crias galinhas e porcos).

Falo em tudo aquilo que todos nós (em maior ou menor quantidade) temos em casa e não usamos há eternidades.

Desafio-vos a abrir as gavetas e armários e comprovar.

As desculpas para não dar a quem precisa, são inúmeras. Desde a falta de tempo para fazer a separação até o facto de podermos vir a necessitar.

Sejamos francos. Se temos roupa que não vestimos há mais de 3 anos (referencial como outro qualquer), não a guardamos porque podemos vir a precisar (excepto situações específicas de roupa pré-mamã). Guardamos porque nos pode apetecer voltar a usar e isso está longe de ser uma necessidade.

Ao mesmo tempo, há ao nosso lado (não é preciso ir a África) quem necessita do nosso "lixo".

Vamos lá, então, começar a destralhar (neologismo muito em voga) e desocupar os armários.

Quanto mais não seja, ficamos com uma óptima desculpa para ir às compras.

sábado, 8 de setembro de 2012

Em vésperas de fazer 18 meses


Esta miúda é, definitivamente, um grande raio de sol que entrou nas nossas vidas.

Mázinha que só ela (é sair da frente quando a contrariam), tem uma alegria que não deixa ninguém indiferente.

Agora está na fase da descoberta das palavras e lá se vai fazendo entender (afinal o latim é a língua mãe de muitas outras, inclusive a dos bebés).

Nos raros momentos em que não a percebemos, dá uso às garras e aos dentes. Isto quando não se atira para o chão a espernear (onde é que eu já vi isto).

Com a "Lianai", da qual é aluna atenta, é aquela relação de (muito) amopr/ódio. Ora beijinhos, ora mordidelas e puxões de cabelo.

Enche-nos a casa, é o que é.

Avante, austeridade, avante

Não vou comentar as medidas de austeridade.

1.º porque tentar ouvir uma comunicação do 1.º Ministro, ladeada por duas vuvuzelas enraivecidas pelo facto de não as deixar ver o Canal Panda é coisa para dificultar o entendimento da sua real dimensão

2.º, e mais importante, porque os meus conhecimentos de economia são aquilo que se sabe. Limitados.

Mas vou comentar o momento escolhido para fazer a comunicação ao país, que considerei brilhante.

19 horas de 6.ª feira, imediatamente antes de um jogo da selecção e em pleno fim de semana de Festa do Avante.

Brilhantes, também, os fundamentos. Falam-me em facilitar a gestão do orçamento doméstico e fico derretida, já sabem.

Mas voltando ao momento da comunicação. De facto, não podia ter sido melhor escolhido. Desde logo porque, sensíveis como só os portugueses, e enquanto se lembrarem da tristeza do nosso pequeno CR7, pouca gente se atreverá a exagerar nos queixumes.

Depois, porque o futebol (logo, logo a seguir) ajuda a esquecer as mágoas, especialmente se acompanhado de uma minis para ajudar a empurrar os tremoços e as pevides.

E numa 6.ª feira, em que a malta quer é brincadeira, beber e fumar umas coisitas. Perfeito

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Disse Miguel Torga sobre Aveiro

"Gosto desta terra. Não por se parecer com outras lá de fora, com que não se parece, aliás, mas por ser a realidade portuguesa que é - uma originalíssima expressão urbana, ao mesmo tempo firme e movediça, doce e salgada no sabor, e perpetuamente arejada por uma fresca brisa".

E eu subscrevo.


Princípio do contraditório

Mãe que é mãe, é a culpada por tudo o que acontece, e desaparece, na sua casa.

Desta vez, o problema é das janelas.

Vejam lá que esta mãe, irresponsável, gosta de abrir as janelas para arejar a casa e tentar fazer desaparecer o intenso odor a urina que se ente nos quartos todas as manhãs.

Irresponsável, não por abrir as janelas mas porque não se planta em cada uma delas (mãe que é mãe tem o dom da ubiquidade), para as fechar na cara dos mosquitos.

Resultado, deixa  os mosquitos entrar e estes fazem autênticos beberetes com o sangue das suas, inocentes, crias.

O que vale é que o julgamento é sumário.

A justiça filial é aplicada na hora, sem pau nem pedra, porque cria que é cria não conhece o princípio do contraditório.

"Pois, o avô fechas as janelas, mas tu ......"

Há lá castigo maior, para uma mãe que é mãe, do que ver as picadelas nas pernas de uma cria e saber que  existem porque não fechou as janelas atempadamente.


De Imelda Marcos a Gabriela, cravo e canela

À hora de sair de casa (obviamente)

- Leonor, vai calçar-te; essas sandálias não, que já estão apertadas. Calça as havaianas

- Não quero as havaianas, quero estas.

- Não, Leonor, isso são umas pantufas. As pantufas usam-se em casa e só quando está frio.

- Mas hoje está frio!

-  Não, não está. Tira as pantufas.

- Olha, prontos, vou descalça

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Teorias económicas

Teorias económicas, tal como interpretações jurídicas, há-as para todos os gostos.

Um dia destes disse ao meu marido que por vezes pensava começar a fazer algumas coisas em casa, tipo molho bechámel, no sentido de poupar, mas achava que não seria a atitude mais correcta pois tem de haver investimento para a economia continuar a desenvolver-se.

Além da tentativa de manter uma conversa, minimamente, intelectual, a teoria, que eu pensava inabalável, servia na perfeição para justificar as minhas compras.

Resposta do sr. economista: não, necessariamente, por vezes a economia tem é de ser redireccionar como já aconteceu muitas vezes no passado.

Meti a viola no saco e fui pregar para outra freguesia.

Quem mandou querer ensinar o padre nosso ao vigário?

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Ainda o decesso dos meus pézinhos

Em boa hora denunciei o (mau) estado dos meus cascos, fruto do excesso de eficácia de umas meias exfoliantes.

À custas deles (e do resto do meu ser), a malta tem dado boas risadas e houve até pessoas que começaram a pôr creme nos próprios pés (provavelmente para evitar a tentação de usar produtos milagrosos).

Claro que já houve mentes mais tortuosas a quererem que eu revele a marca das meiinhas, para as oferecerem no Natal a pessoas amigas (mas de Peniche).

Em relação a isso, tenho a avisar que não pactuo com presentes envenenados, quanto mais não seja porque não fixei a marca. Só me lembro que a caixa era roxa e branca.

Nem estou em mim

Esta foi a 1.ª noite (em muito meses) que não tive de vir picar o ponto ao quarto da Leonr.

Em regra, há sempre um momento em que começa a gritar pela mamã e a pedir que vá dormir com ela.

Chego ao quarto, faço-lhe uma festinha (às vezes deito-me logo, tonta com o sono), a rapariga vira-se para o lado e continua a dormir.

Esta noite, nem o pio. Já não me chamou nem sonhou comigo.

Será que já não me ama, a ingrata?

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Antes fosse vomitado

Estava tudo planeado ao segundo.

A Leonor estava pronta; a Tita tinha tomado o pequeno almoço. Era só eu tomar banho, vestir a Tita e sair.

Clarinho como a água.

Acabo de me vestir, vou em direcção à Tita e vejo-a com a boca e mãos sujas. Ao lado da cadeira, uma pasta castanha.

Na minha inocência perguntei, "vomitaste Tita?".

A resposta foi-me dada pelo odor.

Não era vomitado, era mesmo cócó.

Que nojo.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Regresso à escolinha - 1.º dia

O diabo seja cego, surdo e mudo, mas o regresso à escolinha correu muito bem.

Nada dos dramas de que estava à espera. A Titocas ainda começou a ensaiar um chorinho, mas calou-se assim que lhe perguntaram se queria cantar.

A registar só 2 ocorrências. 1 por cria.

1 - O stress da Leonor, antes de sair de casa, porque cismou que queria um puxinho roxo ( a juntar aos dois azuis que já tinha). Havia de ser bonito (a madrinha Dina rifava-me, que odeia roxo).

2 - O stress da Titocas porque não a deixaram comer a papa com as manápulas. Acho que foi um daqueles berreiros monumentais. Só mesmo eu para perceber que a minha filha gosta de sentir a energia dos alimentos (sim, sim, eu deixo-a comer com as gadabunhas, tal qual uma pequena selvagem.

Quanto aos relatos da Leonor sobre novos coleguinhas, terei de confirmar a informação amanhã que a moça tem uma imaginação fervilhante.

A quimio tem costas largas

Na semana passada, estava eu muito queixosa sobre a minha capacidade de concentração, desabafei com a minha querida Dina que não sabia se a dificuldade de fixar a informação teria tido origem na quimio.

A resposta não podia ter sido mais avassaladora e, tenho de admitir, certeira.

"Susana, tu sempre fostes confusa. Lembra-te, sempre, daquele episódio da esquerda e direita. Lembras-te que não soubeste distinguir ?

Bolas Amiga, essa doeu mas veio na hora certa. Haja Amigas como tu para nos fazer ver a verdade, por mais dura que seja.

De facto, a quimio tem costas largas.

Não concordo com o exemplo concreto apresentado (qualquer dia vamos, com os nossos respectivos, fazer uma perícia ao local), mas tirando isso foste ao cerne da questão.

Sempre fui confusa, o que explica muita coisa. eh,eh,eh

Regresso à escolinha

Hoje é dia das  minhas crias voltarem às suas responsabilidades.

Enquanto dormem como uns anjinhos, a mãe está aqui ansiosa com ver como será a sua reacção.

Apesar da escolinha ser a mesma, mudam as salas e a educadora.

A 1.ª semana pós férias costuma ser um terror nos infantários, vamos ver como corre este ano que vai ser especial.

É que levamos o avô Fernando que é menino para entrar em hiper-ventilação se vir as suas meninas a chorar baba e ranho, agarradas às nossas pernas.

Como as cachopas são supreendentes já não digo nada, às tantas dão-nos é um chuto no rabo para sairmos de lá mais rápido.

Estas férias deram para ter a certeza que nunca mais terei férias, daquelas a sério.  Eventualmente, uns diazinhos mais calmos quando as cachopas voltarem a aceitar ficar com os avós.

Mas apesar da loucura destes dias (a correr atrás das pequenas e a apagar constantes fogos laborais), ( e de o descanso ser uma coisa relativa), posso dizer que foram muito divertidos e não houve tempo para enjoar.

domingo, 2 de setembro de 2012

A desumanidade das touradas

Consigo perceber o burburinho causado à volta das touradas.

Quase consigo perceber os insultos proferidos, por alguns dos manifestantes anti-touradas, contra quem gosta de as ver (quase, porque me custa aceitar alguma falta de civismo, especialmente vindos de quem se acha tão civilizado.

Nã consigo perceber o regozijo pela notícia de que um jovem forcado está na iminência de ficar paraplégico.

Parecem-me, no mínimo, desproporcionais os valores em confronto. Gosto de animais, jamais os maltrataria, mas continuo a achar mais valiosa a vida humana.

É esse lamentável sentimento de alegria, verdadeiramente animalesco, que mostra parte da desumanidade que grassa à volta das touradas.

Haja sentimentos e meio termo.

BIOPARQUE DE CARVALHAIS -S. PEDRO DO SUL

Como diria o nosso Fábio Coentrão "eu ámo Portugal" e ontem descobri mais um motivo.

Pegámos nas crias e fomos até ao Pisão, Carvalhais (S. Pedro do Sul), aqui a 2 passos de Aveiro, por sugestão da sr.ª enfermeira Filipa Santos que nos havia dito existirem lá umas piscinas muito bonitas.

E são bonitas, sem dúvida. A sr.ª enfermeira esqueceu-se, SÓ, de nos dizer que as piscinas estão integradas num Bioparque lindíssimo e extremamente bem cuidado, que podem cuscar aqui http://www.bioparque.org/

Chegados ao destino, estendemos a bela da toalha na mesinha de pedra, alapámo-nos nos banquinho e fizemos o nosso piquenique. Devo dizer que o parque de merendas tem local próprio para fazer uns grelhadinhos, ao lado dos quais existe a respectiva torneirinha e lava-louças (um encanto).

Para quem quiser, existem bicicletas de montanha, quadra de vólei (...).

Mas o objectivo era pôr as crias de molho e as piscinas não desiludiram. Lindas e com um enorme escorrega (daqueles onde nem a troco de muito dinheiro me iria empoleiras, mas que admito deverem ser espectaculares). Única crítica é a existência de poucas sombras.

Resumindo e concluindo, mais um sítio que não podia deixar de divulgar. Ameiiiiiiie


sábado, 1 de setembro de 2012

Morreram e eu não percebi


Como já devem ter percebido, tenho a mania que sou a maior céptica ao cimo da terra e que, por isso, ninguém me engana.

Pois bem, estou a pagar pela arrogância.

Um dia destes fui à farmácia e vi um expositor com produtos que podiam ser trocados pelos pontos do cartão farmácia (eu e os pontos, os pontos e eu).

Em vez de estar quieta, eis que resolvo trocar uns pontinhos por  umas meias exfoliantes, daquelas que produzem efeitos numa só utilização.

De acordo com as instruções, o objectivo das meias é eliminar a pele morta dos pés.

Tiro e queda. Assim que usei as meias, começaram a cair as peles dos meus pézinhos de princesa.

Confesso que fiquei maravilhada e pensei, para comigo, queres ver que realmente este é daqueles produtos que fazem milgares ?!!!

Estaria tudo muito bem.... se as peles parassem de cair.

Já lá vão uns bons 5 dias e a erosão é de tal forma abrasiva que já se vê o osso.

A ser verdade o que dizia nas instruções das benditas meias, os meus pés já estavam mortos e eu não percebi o que é uma chatice.

Outra chatice, porventura bem maior, é acreditar que os únicos produtos que produzem efeitos numa só utilização são aqueles químicos que, na dose certa, matam ... o corpo todo.

Se deixar de dar notícias, já sabem ....

Deverei temer pela vida?

- Meninas, já disse que não vos quero às escuras

- Sabes Tita, quando não tivermos mãe nem pai vamos fechar as pressianas e apagar as luzes, para brincar às escuras.

Uma certa terapia do riso




Esta francesinha, feita por moi même e que marchou na semana passada, lembra-me uma certa terapia do riso.

Corria o Verão de 2009, andava eu a meter para a veia, quando se constituiu um grupo de terapia alternativa - a agora famosa terapia do riso.

Havia umas meninas que não faziam conta aos quilómetros e se metiam no carro, indo de Aveiro até Santa Maria da Feira ou até Ermesinde, para uns dedos de prosa e muitas gargalhadas.

Depois de mandar-mos a Leonor (e às vezes o seu papá) para a cama, lá ficávamos nós, a rir pela noite dentro.

Não sei se já alguém se dedicou ao estudo dos efeitos que umas boas risadas provocam em doentes que se encontram a fazer quimio, mas em mim resultou plenamente.

Lembro-me especialmente do dia (e daí esta foto), em que só esperava duas compinchas e tive a surpresa de ver sair do elevador uma terceira.

 Depois de resolvido o imprevisto (os bifes para as francesinhas estavam à conta), foi rir até mais não.

Saudades vossas, girls.

Depois de ter calares

Mãe -  Tita, tens cócó?

Leonor - Tem, mãe

Mãe - Então Leonor, a Tita tem cócó e não dizes nada à mãe?

Leonor - Digo mãe, depois de te calares