quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Dor de burro

Depois de passar a minha hora de almoço a galgar, shopping fora, e a perguntar por collants e camisolas "daquele azul dos smurfs, fiquei cheia de dor de burro (ou burra, no caso).

Acho que a expressão nunca foi aplicada de forma tão acertada.

Mas afinal a 3.ª feira de carnaval é feriado ou não?

Esta é a pergunta à qual todos os anos respondo, vezes sem conta, nos dias que antecedem o carnaval.

E à qual, invariavelmente, começo por dar a resposta típica de advogado "depende", após o que tento ajudar a solucionar o caso concreto.

A 3.ª feira de carnaval é, para o sector privado, um dos chamados feriados facultativos (o outro é o feriado municipal da localidade), por contraposição aos feriados obrigatórios (4 dos quais foram eliminados, como se sabe).

Relativamente a este dia mantém-se tudo como dantes, ou seja uma confusão.

Primeiro ponto que importa perceber. Quando ouvimos dizer que o Governo não concedeu, este ano, tolerância de ponto, não nos podemos esquecer que se está a falar, única e exclusivamente, da Função Pública.

No sector privado "mandam" os Instrumentos de Regulamentação Colectiva (IRCT) e os acordos individuais feitos no âmbito do contrato de trabalho.

Ou seja, a 3.ª feira de Carnaval será um dia feriado para aqueles trabalhadores, do sector privado, cujas relações de trabalho sejam reguladas por IRCT que a prevejam como tal ou que, ao nível do contrato de trabalho, tenham chegado a acordo com o empregador nesse sentido.

Esta é a leitura que faço da definição de feriado facultativo constante do art.º 235 do Código do Trabalho.

Claro que (e esta é a beleza do Direito) há quem defenda que a única especificidade do feriado facultativo é o facto de ele poder ser gozado (havendo acordo entre empregador e trabalhador) noutro dia que não a 3.ª feira de carnaval  e até quem se fique por uma interpretação literal da expressão "facultativo" e seja da opinião que sendo facultativo pode ser concedido ou não.

Bem vistas as coisas, fico-me pela posição intermédia.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Vi-lhe as adenóides sem Rx nem espelho

- Mãe. quando eras da minha idade vias o Canal Panda em casa da avó Sissi?

- Não, Leonor, quando era da tua idade não existia Canal Panda. aliás, só tinha dois canais de televisão; e não tinha telemóvel, nem computador (...)

Ainda pensei descrever o "meu tempo" quando tinha a idade da Leonor, mas resolvi parar quando ficou com a boca tão escancarada, de espanto, que lhe vi as adenóides.

Não sei que será mais chique

Não sei o que será mais chique.

Se chamar empresa de facility service a uma empresa que presta serviços de limpeza e jardinagem, se chamar operador de gestão de resíduos a um sucateiro.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Quando ir ao dentista dói mais do que ter um filho

Ando a precisar urgentemente de fazer uma limpeza dentária e, fosse eu uma rapariga prudente,  extrair um dente.

Hoje tive a sorte de me cruzar com uma dentista e cravei-lhe uma consulta ali mesmo no corredor do meu local de trabalho.

Depois de me recomendar juízo, disse-me que não percebia como algumas mulheres dizem que preferem dar à luz do que ir ao dentista.

Eu sou umas das que percebe.

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Uma irmã desesperada

- Mãe, estou farta!!! Já não quero esta irmã!!!

- Agora não há nada a fazer Leonor. A cegonha diz que já não aceita trocas.

- Eu vou matar essa cegonha!!!

Pipi das Meias Altas, c´est moi


7 horas de liberdade

Ontem, depois de uma longa negociação, conseguimos empandeirar as cachopas.

Enquanto rumaram a Boticas (com uns avós super corajosos que arriscaram levá-las mesmo tendo sobre a cabeça a ameaça feita pela Leonor de chegar lá e começar a gritar pela mamã), os papás tiveram direito a 7 horas de liberdade.

Com o sol a espreitar (e que falta sentia dele) deambulámos pela cidade para carregar baterias.

Fomos à bibilioteca, passámos pelo Augusto (os pregos fizeram jus à fama), tirámos fotos à nossa cidade,  enfim andámos  ao ritmo que nos apeteceu, sem olhar para o relógio e falámos sem ser interrompidos (ó coisa rara).

Claro que, em cada tema de conversa, dissemos duas ideias objectivas e outras duas que relacionavam a questão com as cachopas mas acho que já está no nosso ADN (longe da vista, mas sempre perto do coração).

Foram 7 horas de uma liberdade que nos soube pela vida.

Obrigada aos super avós, que as proporcionaram.



PS A viagem correu bem e os avós chegaram intactos.

sábado, 22 de fevereiro de 2014

O sagrado lado a lado com o profano (aos olhos de uma péssima fotógrafa)








História da alheira

Num momento em que tenho a cabeça vazia de ideias nada melhor do que escrever sobre algo que me enche as medidas - Alheiras.

Aqui fica a sua história (ou pelo menos a que é relatada na revista de um dos mais afamados hipermercados portugueses - só para verem como, até nas leituras, me falta a erudição).

No sécul XVI, D. João III (o Piedoso ou o Pio) permitiu a introdução do Tribunal do Santo Ofício (Inquisição) em Portugal, o que obrigou à fuga de muitos judeus.

Aqueles que ficaram tiveram de se converter ao cristianismo (cristãos-novos) e de se adaptar aos hábitos dos cristãos, nomeadamente aos alimentares.

Reza a história que as alheiras surgirão como forma de enganar a Inquisição. Como, por motivos religiosos, os judeus não comem carne de porco eram facilmente identificados pelos inquisidores já que seriam os únicos habitantes da região (no caso Trás-os-Montes) que não defumavam enchidos à base daquela carne.

Assim, e como forma de darem a entender que eram cristãos assumidos e bem integrados (enganando a Inquisição) os cristãos- novos inventaram um enchido em que a carne de porco era discretamente substituida por carnes de vitela, pato, peru, coelho, galinha e perdis, misturadas com massa de pão para dar consistência.

A introdução da carne de porco nas alheiras aconteceu mais tarde, pela mãos dos verdadeiros cristãos.

Et voilá. Imagino que existam outras explicações quanto à origem das alheiras mas não deverão andar longe desta.

E é engraçado (não me canso de o dizer) como muitas das iguarias que hoje tanto apreciamos surgiram da necessidade de resolver problemas relacionados com a necessidade de sobreviver à carestia e à falta (no caso) de tolerância.

Afinal está tudo ligado (e aqui já sou eu a divagar com os meus botões).

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Ler o futuro

Há quem leia o futuro nas folhas de chá ou em borras de afé.

Depois à Tita que gosta de descobrir formas nas poças de xixi que faz no chão.

Hoje viu uma boneca.

Haja pachorra.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Será que Rousseau estava errado?

Tenho defendido, de forma acérrima, um dos princípios básicos do pensamento de Rousseau "todo o homem nasce bom, a sociedade é que o corrompe".

Hoje porém, e depois de uma conversa com alguém bem mais racional do que eu, comecei a questionar esta máxima.

Será a sociedade que corrompe o homem ou o homem que corrompe a sociedade?

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Um trapo

Não sei se é da tosse, da expectoração, das dores de garganta, da afta gigante ou do herpes labial.

Só sei que me sinto um trapo.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

A lição do Papa Francisco

"Ouviste que o Papa Francisco disse aquilo que tu estás sempre a dizer?".

Foi assim que, no dia dos namorados, e antes de me surpreender com o ramo de tulipas que aqui mostrei, o meu marido  me falou nesta linda lição sobre o Amor .

Há uns anos alguém me disse que os casais nunca se deviam deitar zangados pois será durante a noite que ocorre o maior número de ataques cardíacos.

Não sei se esta informação tem algum fundo de verdade, mas sei que (pelos motivos que podem adivinhar) tenho muito receio das coisas que não são ditas e das pazes que ficam por fazer, adiadas por orgulho ou outro motivo tolo.


A avaliação de desempenho como requisito no despedimento

Ultimamente tem-se falado muito na avaliação de desempenho como um dos requisitos a analisar no despedimento por extinção do posto de trabalho.

Seja por culpa de abordagens jornalísticas sensacionalistas, seja por leituras desatentas, sinto que a questão está a causar algum alarme social.

E isto incomoda-me porque a pressão do dia já é,em quase todos os empregos, demasiado elevada para termos agora mais um argumento que a faça aumentar.

Tentando desmontar o bicho, cá vai a explicação sobre a razão de ser deste novo requisito.

Desde que a possibilidade de despedimento por extinção do posto de trabalho foi prevista na lei que o empregador tinha, necessariamente, de optar pelo colaborador com menor antiguidade na empresa.

Este critério, que é do mais objectivo que há, sempre foi contestado pelos empregadores que diziam ser uma injustiça não poderem escolher o trabalhador menos produtivo e que, como tal, menos contribuía para o bom desempenho da organização.

Estamos a falar de situações em que existem duas ou mais pessoas com a mesmas funções, sendo que, por algum motivo, a empresa não tem trabalho para atribuir a uma delas, naquelas ou noutras funções compatíveis com as suas qualificações (isto de uma forma simplista).

O que aconteceu é que em 2012, o legislador decidiu dar razão aos empregadores e eliminar o critério da antiguidade.

A alternativa que encontrou foi a de permitir que os empregadores alegassem, e provassem, que a escolha do trabalhador a despedir por extinção do posto de trabalho tinha obedecido a "critérios relevantes e não discriminatórios face aos objectivos subjacentes à extinção do posto de trabalho". Isto sem definir, minimamente, quais deveriam ser as balizas desses critérios.

Ora, no ano passado, veio o Tribunal Constitucional dizer que o legislador tinha sido demasiado vago e que a solução legal era de tal modo subjectiva que colocava em causa a proibição, constitucionalmente prevista, de ocorrência de despedimentos sem justa causa.

Como resultado deste entendimento, a norma foi declarada inconstitucional, tendo nós voltámos ao velhinho critério da antiguidade.

O que tem andado agora a ser discutido, sem muito consenso diga-se de passagem, é a definição de critérios que possam tornar o mais objectiva possível.a decisão do empregador quanto ao trabalhador a despedir num processo de extinção do posto de trabalho.

E é neste contexto que surge a avaliação de desempenho que, de acordo com a proposta de lei  já aprovada em Conselho de Ministros, será o 1.º dos 5 critérios previstos a aferir no processo e são eles:

«Avaliação do desempenho com critérios objetivos e do conhecimento prévio do trabalhador»; «habilitações académicas e profissionais», «onerosidade da manutenção do vínculo laboral», «experiência na função que desempenha no momento», e «antiguidade na empresa onde trabalha».

Se isto vai funcionar não sei, desde logo porque duvido que existam muitas empresas a efectuar avaliações de desempenho e, muito menos a fazê-las da melhor forma (coisa que acho dificílimo).

Uma coisa que sei é que não invejo a sorte de quem tem de elaborar uma solução justa e equitativa.

Em todo o caso abomino o sensacionalismo com que vejo a questão a ser abordada já que, mal ou bem (o futuro o dirá) o objectivo será precisamente o contrário daquilo que tem transparecido publicamente.

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Contra as convenções sociais

À Tita não interessa nada que alguém tenha dito que Havaianas e meias não combinam.
 
O que lhe interessa é que gosta muito das suas Havaianas novas e tem pressa em usá-las.
 
Como mãe, fico embevecida ao ver a sua determinação. O único senão é explicar-lhe que, em dias de chuva e frio, o facto de não se dever usar Havaianas prende-se com questões objectivas que nada têm a ver com convenções sociais.
 
 

sábado, 15 de fevereiro de 2014

Em miúda quis ser ...

Daquilo que me lembro, em miúda quis ser:

Educadora de infância

Arqueóloga

Psicóloga

Jornalista

Depois, e por motivos que ainda espero vir a conseguir  perceber, vim parar ao Direito.

Ultimamente,  tenho-me lembrado muito destas minhas inclinações.

As razões da lembrança são da várias ordens e uma dela prende-se com as milhentas entrevistas que tenho ouvido acerca dos incidentes ocorridos na praia do Meco e dos efeitos dos temporais.

Quando vejo as perguntas estúpidas que alguns jornalistas fazem a quem acaba de sofrer uma enorme perda emocional e, muitas vezes, material, chego a dar graças por não ter escolhido a profissão.

Imagino que seja extremamente difícil preencher o tempo de uma reportagem quando não se tem assunto que o justifique.

O que perguntar a uma mãe que perdeu um filho ou alguém que tem a casa devastada pelo vento e chuva?

2 minutos, que sejam, em televisão são uma eternidade e a luta pela audiência aguerrida. Tenho noção disso tudo.

Mas, como telespectadora sinto que mereço mais do que ouvir perguntas estúpidas e a puxar ao sentimento.

Fico passada quando assisto a tentativas desesperadas de levar os entrevistados a chorar.

Não me dou com esta ideia do vale tudo ... até a falta de sensibilidade.



sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

No nosso 9.º Dia dos Namorados ...

 
...recebi flores.
 
E descobri que afinal até tenho um fundo romântico.
 
 



Miminho de S. Valentim

 
Posso ter um marido que não é devoto de S. Valentim (eu também não sou, verdade seja dita), mas tenho uma avó amorosa que me dá estes miminhos.
 

O que é um namorado?

A Leonor fez, já no fim de semana, um desenho para dar ao "amorado".

Como tem faltado à escola por estar doente, fez-me prometer que, se hoje não pudesse ir, enviaria o desenho por correio.

Depois de várias conversas sobre o tema perguntei-lhe se sabia o que é um namorado.

Respondeu que era "para casar, dar beijos e gostar um do outro".

Gosto tanto de ouvir as explicações da minha filha, que devo ficar com cara de parva enquanto ela fala.

Tão parva que, quando acabou de falar, me devolveu a pergunta no seu estilo perspicaz.

- E tu, o que é que sabes sobre isto? Tenas mais alguma coisa para dizer?

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

A sementinha do pai

- Eu nasci porque o pai pôs uma sementinha na tua barriga, não foi mãe?

- Foi filha.

- E depois o saco rebentou e foste para o hospital, não foi mãe?

- Foi filha.

-E eu nasci pela barriga ou pela pombinha, mãe?

- Pela pombinha, filha.

- Sabes uma coisa, mãe?

- Não filha, respondi eu já a tremer só de pensar que as perguntas sobre tornar-se ainda mais profundas.

. Ontem à noite sonhei que o Mickey estava a deitar sangue.

Ufffffffffffffffffff, salva pelo Mickey

A maleita da Leonor

Como mãe, não posso deixar de ficar preocupada com o facto de a minha mais velha estar doente, especialmente porque terminou um antibiótico há pouco mais de uma semana.

Mas aparentemente não passará daquelas viroses parvas. E digo aparentemente porque ninguém diria que a rapariga está doente ao ver como trata os avós que vieram do Porto, numa manhã, de chuva forte, para ficar com ela.

Ao acordar,  e perceber que eu iria trabalhar, deu-lhe uma daquelas venetas fortes e começou a gritar para os avós se irem embora e que não queria ali ninguém.

A coisa foi ao ponto de eu nem ter vindo a casa à hora do almoço, pois tinha a certeza que só iria desestabilizar a enferma.

Ao que sei passou parte do dia amuada e outra parte a querer bater à avó.

À  noite quando se apercebeu que os avós iriam dormir cá em casa, para ficarem hoje com ela, não esteve com meias medidas e pegou no seu telemóvel imaginário para ligar aos ladrões e ordenar-lhes que fossem a casa dos avós "roubar tudo".

Um doce, esta netinha.

Não fossem os 38,6º graus de febre que a cachopa tinha mesmo antes de dormir e eu julgaria ter sonhado com a virose.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Citytrek - Percursos pedestres na cidade (atenção malta de Esgueira)


Caminhar/correr está na moda e a malta associa o acto a um hábito saudável.

Mas há dias, a falar com quem percebe disto, fiquei a saber que caminhar/correr nem sempre faz bem.

Há que adequar o percurso e ritmo à condição física de cada um.

E por isso não resisto a partilhar aqui um projecto giríssimo,  feito de forma muito bem pensada, que foi implementado, como teste, em Esgueira e terá passado despercebido a muita gente.

Quem costuma passar no centro de Esgueira, em frente às agências bancárias, já terá visto a placa informativa. E as pegadas metálicas (penso que só restará uma, já que é uma coisa facilmente vendável) estão relacionadas com o projecto.

Chama-se Citytrek e consiste num conjunto de circuitos pedonais urbanos de âmbito desportivo, com sinalização própria, para a prática da caminhada.

Existem percursos com diferentes níveis de dificuldade de modo a adaptar o esforço às suas capacidades.


Para quem quiser saber mais pode consultar o folheto explicativo aqui.

Muito giro, sem dúvida.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Leonor de volta ao estaleiro

Depois de 15 em casa, foi uma semana à escolinha e eis que regressa ao estaleiro.

Pobre Leonor, cheia de ranho, tosse e agora febre.

Rai´s parta o inverno e as suas viroses, ou lá o que é.

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Medo da escola primária ... aos 4 anos

Há dias a Leonor perguntou-me se quando fizesse 6 anos iria para a escola primária.

Respondi-lhe que sim e a miúda começou a choramingar e a dizer que não queria ir.

Perguntei-lhe porquê e disse-me que era porque quando chegasse lá não ia saber ler.

Não estava nada à espera de ver a minha mais velha com estas preocupações, tendo em conta que ainda nao fez 5 anos sequer.

Lá lhe expliquei que um dos objectivos ao ir  para a escola primária era, precisamente, aprender a ler e seria  normal que fosse para lá sem o saber.

Aparentemente tranquilizei-a. Eu é que fiquei incomodada com a questão.

No meio disto lembrei-me daqueles cérebros iluminados para quem a educação das crianças é tão matemática que fazem qualquer pai normal sentir-se um imbecil.

É que não sei onde foi a Leonor buscar aquela ansiedade. Cá em casa não foi, de certeza.

A Leonor já conhece quase todas as letras do alfabeto e adora ir escrevinhando umas palavras com a nossa ajuda. E isto acontece porque gosta mesmo. É ela que pergunta e, obviamente, nós acedemos.

Procuramos não a estimular demais, exactamente com receio de que chegue a um ponto em que se sinta desmotivada nos grupos em que se insere. Mas se é ela mesmo a pedir-nos que a ensinemos, achamos que o devemos fazer.

Claro que há uma diferença abismal entre os estímulos todos que as crianças recebem actualmente, desde a TV à internet, passando pelos jogos electrónicos, e  aqueles que as crianças da minha geração (colheita de 1977) recebiam.

Há dias cheguei ao quarto, para apagar a luz às cachopas, e cada uma delas tinha um livro na mão que, na sua brincadeira, era um I Pad. De repente, só ouvi a Leonor dizer "Tita, desliga o teu I Pad para irmos dormir". E lá "clicaram" num botão imaginário.

Isto não é bom nem mau, é só sinal que estão num contexto completamente diferente daquele que era o meu, quando tinha a mesma idade.

A questão que paira no meu pensamento é o porquê de a minha filha sentir este tipo de receios, uma vez que não há ninguém (que eu me tenha aprecebido, pelo menos) que lhos incuta.

E isto leva-me aos tais cérebros iluminados que acham que tudo o que acontece na cabecinha das crianças se deve àquilo que os pais fazem ou deixam de fazer.

Isto da educação é mesmo um quebra cabeças, com imensas variáveis que escapam ao controlo dos pais e restantes educadores.

Há dias em que bate cá um medo de não estar à altura ...

 O que vale é que o mesmo medo se vai em segundos, depois de pregar uns valentes beijos nas bochechas das educandas.

sábado, 8 de fevereiro de 2014

E quando alguém nos diz "tenho a cura do cancro"

Devo ter uma coisa qualquer que atrai gente maluca (acho que é genético, pois já a minha avó se queixa do mesmo).

Esta semana deparei-me, no edifício onde trabalho, com um senhor que parecia estar perdido.

Quando lhe perguntei se precisava de ajuda, disse que queria uns esclarecimentos.

Tentei perceber quais seriam as questões e, de repente, o homem diz-me "sabe, é que tenho a cura para o cancro", ao mesmo tempo que me mostra um livro sobre a cura através das ervas (ou outra treta qualquer).

O meu primeiro instinto foi pregar-lhe um murro em cheio no nariz (coisa de pessoa traumatizada com a temática, pois então).

Depois percebi que o homem era meio lunático, e até acreditava no que dizia, e levei a coisa para o campo da ironia.

Que pena tenho de não me ter cruzado com ele há uns 4 anos e meio. Comia umas ervitas e ficava fresca como uma alface.

Isto só a mim. Haja pachorra.

Consumidoras exigentes

É sabido que as marcas, e o marketing, se direccionam muitas vezes para as crianças seja enquanto público alvo em si, seja como forma de as fazer influenciar os pais.

Os iogurtes são um exemplo flagrante disso. Basta ver as variantes que todos os dias surgem nos hipermercados, com chocolates, gomas, bonecos (...).

Este fim de semana resolvi armar-me em mãe fixe e comprar às cachopas uns iogurtes novos, que têm uma das suas bonecas preferidas.

Foi mesmo uma excepção (culpa também, verdade seja dita, da palavra promoção à qual dificilmente resisto) já que esse tipo de iogurtes só costuma entrar em casa pelas mãos dos avós.

Pois bem, as cachopas provaram ter mais juízo que a mãe e ser umas consumidoras altamente exigentes.


Apesar de, inicialmente, terem ficado entusiasmadas com a imagem do produto, não se renderam ao conteúdo o que não deixa de ser algo em que as marcas devem pensar.

As nossas criancinhas não são burrinhas.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Conferência Internacional de Psico-Oncologia (CIPO), dias 16 e 17 de Maio em Coimbra

A Conferência Internacional de Psico-Oncologia (CIPO) irá decorrer nos dias 16 e 17 de maio, na Quinta das Lágrimas Palace Hotel em Coimbra.
Para mais informações, aqui ficam os contactos psico-oncologia.nrc@ligacontracancro.pt;  +351 913 047 741 ou +351 239 487 490. 
As inscrições podem ser efectuadas em www.ligacontracancro.pt/cipo

E esta manhã a Benedita ....

.... até cantou.

Hoje, todo o meu ser exulta de alegria.

Pela 1.ª vez, em meses, o amanhecer foi pacífico lá em casa e não se ouviu um grito.

Podia ter acontecido antes, se eu não fosse de raciocínio lento, mas isso agora não interessa nada. O que importa é que parece que já encontrei a fórmula mágica para não irritar as cachopas.

Como já tinha contado, com a Leonor é tão simples quanto não lhe dirigir a palavra até que ela entenda começar a falar.

Com a Benedita, a coisa passa por não falar muito, massajar-lhe as perninhas enquanto está sentada a fazer o seu xixizinho (para as aquecer) e vestir-lhe roupa tirada directamente das imediações de um aquecedor, ao mesmo tempo que lhe dou beijinhos nos pés, já que a cachopa não se dá bem com roupa fria e adora ser mimada.

Está visto que nasci para ser escrava, mas pelo menos que o seja em ambiente sereno.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Os 85 Mirós vistos por alguém do povo

Tenho lido algumas crónicas sobre a polémicas causada com a tentativa de venda de 85 quadros de Miró.

Não tenho conhecimentos que me permitam aprofundar a questão de modo mais técnico e fundamentado, como faz o JMT, por exemplo, mas não deixo de ter opinião e sentido crítico.

Sou grande defensora da preservação da cultura e tradições portuguesas. Gosto imenso de museus e sinto o coração apertado quando vejo estado de degradação em que está grande parte deles.

Não ignoro que quase todas as grandes obras/monumentos, que agora são incontornáveis, foram consideradas megalómanas no tempo em que foram feitas (até a Torre Eiffel que é a Torre Eiffel).

Mas, olhando para tudo o que isto envolve, só me ocorre uma expressão bem popular. "Quem não tem dinheiro não tem vícios".

É muito bonito propalar a defesa do património cultural (e contra isso nada) só é pena que, nessa defesa cega e originada por politiquices, se esqueça o esforço financeiro que isso acarreta para os portugueses já tão asfixiados.

Não deixa de ter piada (ainda que seja daquela bem negra) que aqueles que se opõem ferozmente à venda dos quadros de Miró sejam os mesmos que, com a mesma ferocidade, criticam as medidas de austeridade defendendo (e bem, neste ponto) que os portugueses estão a chegar ao limite do sacrifício.

Só tenho pena que não avancem para aquilo que realmente importa é que é ver propostas concretas de medidas alternativas que sirvam não só para evitar os cortes já efectuados como para contrabalançar o valor que deixará de entrar nos cofres do Estado pelo facto de não se conseguir vender os quadros. Para não falar na possibilidade, cada vez mais real, de a leiloeira britânica vir a exigir uma compensação por todos os custos já suportados com esta brincadeira (ontem ouvi, assim por alto, falar em 5.000.000€).

Será que se acredita mesmo que as receitas com entradas em museus e viagens turísticas serão suficientes para equilibrar as coisas?

Chamem-me céptica mas eu não acredito.

Deixem lá ir os Mirós.  Portugal tem um espólio cultural riquíssimo que está ao abandono.Vamos concentrar-nos a preservar aquilo que já cá temos. E isto nada tem a ver com o facto de o senhor não ser português, diria o mesmo se os quadros fossem do Zé Augusto (a malta de Aveiro conhece).






Coisas simpáticas que já me disseram esta semana

1

Ai filha, estás tão bonita!!!
Nem te conhecia.

2

Anda cá ver ver este e.mail.

Se tu perceberes, toda a gente percebe.


3

Eu - Quem é a menina mais bonita?

Tita - És tu

Eu - Eu, filha, obrigada.

Tita - Obrigada eu, mãezinha querida


Moral da história - nunca devemos desanimar

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

É a minha voz que as irrita

Esta manhã resolvi experimentar uma nova táctica no acordar das madames.

Algo tão simples quanto não falar com elas, até que lhes apetecesse falar comigo.

Se bem o pensei, melhor o fiz.

Sempre em silêncio, acordei a Leonor, tirei-lhe a fralda, lavei-a, vesti-a e deixei-a na cozinha a tomar o pequeno almoço. Tudo muito sereno e sem que se ouvvisse um pio.

Entusiasmada com o sucesso da minha táctica, fui acordar a Benedita.

Com a pequena a coisa não correu tão bem mas, ainda, assim, substancialmente melhor que nos dias anteriores.

Ao que parece é a minha voz que as irrita.

Bolas, já uma pessoa não pode acordar bem disposta e com vontade de cantar.

Mas há que respeitar, até porque sei o que é acordar, de repente, ao som de um pai a cantar "é o despertar da Rádio Renascença" e lembro-me que, na altura, também não achava piada.

A diferença é que agora os filhos têm mais liberdade de expressão (se é que me entendem).

Como colocar a Miley Cyrus a um canto.

A Feira do Fumeiro de Vinhais começa por estes dias e a malta da terra não esteve com meias medidas quando pensou na forma de a divulgar.

Vai daí, houve alguém que bateu na veia e teve um acesso de inspiração que resultou neste video, no mínimo, criativo.

Em minha opinião o fumeiro é uma coisa que vende por si só, mas não há como negar que colocar um mocinho, bem apessoado, a fazer-lhe festinhas é coisa para potenciar os efeitos da divulgação.




terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

A manhã atribulada da Benedita

Ora então cá vai a história mais marcante do amanhecer de hoje.

Estava eu no andar de cima, a vestir-me, quando comecei a ouvir gritos e choro da Benedita.

Na impossibilidade de a ir socorrer de imediato, gritei "Leonor, eu quero saber o que se está a passar!!!"

Ao que a Leonor respondeu, "não se passa nada, mãe, podes ficar descansada".

O que me fez ficar, realmente, preocupada.

Vim a saber que a Leonor bateu à Benedita porque "estava farta dos sons que ela estava a fazer".

Repreendi a Leonor, obriguei-a a pedir desculpa e dar um beijinho à mana (o que ela fez pouco de forma pouco convicta).

No final disto tudo, toquei com a minha unha na Benedita que, muito chorosa, teve a lata de me dizer "1.ª a mana, agora tu", como se a estivesse a maltratar.

E lá saímos de casa a correr para mais um dia.

Conversa de fim de dia

 Pai -  Ui, esta manhã a coisa dever ter sido complicada cá em casa.

Mãe - Nem me digas nada. Foi um filme de terror. Acordaram tão mal dispostas, fartaram-se de berrar ..... Mas, como é que sabes?!!!

Pai -Então, cheguei a casa e vi uma gaveta pousada no chão, as caixas do queijo e do fiambre de pernas para o ar no frigorífico ....

É um circo total o acordar das madames. A coisa é tão complicada que me vejo e desejo para conseguir sair de casa a horas decentes.

Nem há tempo para apagar as marcas dos desastres que vão acontecendo, dejam eles devidos à fúria das catraias ou à cegueira aqui da escrava.

E agora muito bom dia a todos, que vou soltar as feras.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Será que estão a pensar matar o velhote?

Hoje ligaram-me para saber quantos dias de faltas justificadas podia dar um colaborador por falecimento de um avô com o qual se vivia em economia comum.

Respondi que necessitava de rever o conceito de "economia comum" já que neste ponto o Código do Trabalho remete para legislação avulsa, para ver se a situação concreta se enquadrava no mesmo e que, seguidamente, ligaria para dar a resposta.

O meu interlocutor disse-me para não ter pressa, pois a resposta não era urgente, o que me deixou a pensar.

É que normalmente estas questões são-me colocadas já com o facto consumado, no caso a morte do familiar.

Ora, sendo a resposta entre 5 ou 2 dias, consoante se considere, ou não, que se verificava uma situação de economia comum, não me parece haver aqui muito tempo.

Ou será que estão a pensar matar o velhote?


domingo, 2 de fevereiro de 2014

89 anos

Nunca fui muito de ter ídolos.

Não nego que cheguei a ter a minha colecção de posters, onde imperavam o Jon Bon Jovi (sorry meu marido, mas quem diz a verdade não merece castigo) e os jogadores do Beira Mar (feios, mas honrados, como alguém chegou a dizer em pleno jogo com o FCP).

Talvez por ter tido a sorte de viver rodeada por grandes homens e mulheres, nunca senti necessidade de procurar a perfeição (que todos sabemos ser uma ilusão) fora do meu círculo de familiares e Amigos.

E um desses grandes homens é o meu avô materno, Emílio Matos, que com o seu acórdeão começou  por ser o sustento dos pais e terminou, com o piano, a formar muitos dos músicos que estudaram nos Conservatórios de Aveiro e Viseu.

Tenho um orgulho imensurável neste homem e foi com alegria que hoje comemorei, com ele, os seus lindos 89 anos.

Meu querido avô, que vivas muitos mais, sempre a receber-me em casa com um "olá Susaninha".



sábado, 1 de fevereiro de 2014

Bela forma de encerrar capítulos

O último dia de Janeiro coincidiu com o encerrar de mais um capítulo da minha vida.

Mais uma experiência de vida que, apesar de surgir em contexto profissional, exigiu muito de mim em termos emocionais já que, felizmente, a vertente técnica ainda não conseguiu eliminar a vertente humana.

Graças a Deus, imperou o bom senso mas a descarga de adrenalina foi tal que parecia ter levado uma carga de pancada.

Por coincidência, ou talvez não, proporcionou-se uma ladie´s night, cheia de uma Amizade de elite.

O meu excelso esposo tinha dito que eu não aguentava acordada até às duas horas, de modos que a coisa assumiu também contornos de desafio (superado por sinal).

Foi uma bela forma de encerrar o tal capítulo.

E de me preparar para outro que não vai ser pera doce e tenho de enfrentar este mês, com a agravante de ser na esfera pessoal.

Foi muito boa a ladie´s night. Temos de marcar uma outra no final deste mês.