Há dias a Leonor perguntou-me se quando fizesse 6 anos iria para a escola primária.
Respondi-lhe que sim e a miúda começou a choramingar e a dizer que não queria ir.
Perguntei-lhe porquê e disse-me que era porque quando chegasse lá não ia saber ler.
Não estava nada à espera de ver a minha mais velha com estas preocupações, tendo em conta que ainda nao fez 5 anos sequer.
Lá lhe expliquei que um dos objectivos ao ir para a escola primária era, precisamente, aprender a ler e seria normal que fosse para lá sem o saber.
Aparentemente tranquilizei-a. Eu é que fiquei incomodada com a questão.
No meio disto lembrei-me daqueles cérebros iluminados para quem a educação das crianças é tão matemática que fazem qualquer pai normal sentir-se um imbecil.
É que não sei onde foi a Leonor buscar aquela ansiedade. Cá em casa não foi, de certeza.
A Leonor já conhece quase todas as letras do alfabeto e adora ir escrevinhando umas palavras com a nossa ajuda. E isto acontece porque gosta mesmo. É ela que pergunta e, obviamente, nós acedemos.
Procuramos não a estimular demais, exactamente com receio de que chegue a um ponto em que se sinta desmotivada nos grupos em que se insere. Mas se é ela mesmo a pedir-nos que a ensinemos, achamos que o devemos fazer.
Claro que há uma diferença abismal entre os estímulos todos que as crianças recebem actualmente, desde a TV à internet, passando pelos jogos electrónicos, e aqueles que as crianças da minha geração (colheita de 1977) recebiam.
Há dias cheguei ao quarto, para apagar a luz às cachopas, e cada uma delas tinha um livro na mão que, na sua brincadeira, era um I Pad. De repente, só ouvi a Leonor dizer "Tita, desliga o teu I Pad para irmos dormir". E lá "clicaram" num botão imaginário.
Isto não é bom nem mau, é só sinal que estão num contexto completamente diferente daquele que era o meu, quando tinha a mesma idade.
A questão que paira no meu pensamento é o porquê de a minha filha sentir este tipo de receios, uma vez que não há ninguém (que eu me tenha aprecebido, pelo menos) que lhos incuta.
E isto leva-me aos tais cérebros iluminados que acham que tudo o que acontece na cabecinha das crianças se deve àquilo que os pais fazem ou deixam de fazer.
Isto da educação é mesmo um quebra cabeças, com imensas variáveis que escapam ao controlo dos pais e restantes educadores.
Há dias em que bate cá um medo de não estar à altura ...
O que vale é que o mesmo medo se vai em segundos, depois de pregar uns valentes beijos nas bochechas das educandas.
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