sexta-feira, 31 de agosto de 2012

A dificuldade de cuidar

Ver sofrer um dos nossos é uma dor maior do qualquer uma que alguma vez nos possa tocar a nós.

Pode parecer um lugar comum, mas acreditem que sei do que falo.

Hoje recebi um e.mail que me tocou, porque reavivou uma lembrança muito dolorosa.

Pelo que já passei, aos mais variados níveis, acho que não haverá carga maior do que questionar se fizemos tudo o que estava ao nosso alcance para ajudar a minorar a dor de alguém muito amado.

Falo em minorar, porque temos de ter a lucidez necessária para perceber que há coisas que não estão ao nosso alcance.

Mas mesmo percebendo isto, é, muitas vezes difícil, perceber o que é que está (ou não) ao nosso alcance.

Não haverá receitas infalíveis. O nosso raio de acção termina logo no querer de quem queremos ajudar. Não podemos esquecer a sua vontade, é a sua dignidade que está em jogo (pelo menos para a pessoa).

Deve ser terrível, para alguém que sempre foi activo e independente, ver-se, de repente, numa situação de fragilidade. E é normal, seja por revolta seja por doença, a resistência.

Caberá a quem quer ajudar, saber posicionar-se.

Mas é tão, tão duro.

Lembro-me de 1001 episódios com o meu padrinho. Lembro-me da "luta" que foi para me aproximar, das tentativas (muitas vezes estúpidas) de tentar perceber o que podia fazer por ele.

Penso muitas vezes que fiz pouco e isso magoa-me tanto que não podem imaginar. Mas nos momentos de maior racionalidade também recordo o que me disse com os olhos e ninguém me tira a certeza que se sentiu amado até ao fim e que, esteja onde estiver, cuidará de mim como sempre fez (ainda que já não me leve o carro à oficina, como tanto se orgulhava de fazer).

Zoo de Santo Inácio

Confesso que pensava que o Zoo de Santo Inácio, em "Abintes" - Gaia (carago) era um pequeno quintal bem arranjadinho, no qual tinham colocado umas jaulas e gaiolas.

Nada mais errado. O espaço está lindo e muito bem enquadrado na natureza. Pode levar-se merenda ou comer nos bares que lá existem. Um excelente sítio para passar um dia em família.

O valor do bilhete, 10 €/adulto e 7€/criança, é justo face às enormes despesas de manutenção que deve ter, embora caro para a maioria das famílias portuguesas (mas isso já são outros quinhentos).


Se forem até ao próximo domingo, podem aproveitar para ir à festa da broa de Avintes.




Ficam as fotos, para aguçar o apetite.

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

É diferente o Amor por cada um dos filhos

Durante o circo que foi a nossa estadia na Suécia, a minha mana benjamin puxou-me as orelhas por não ter ainda, ao fim de 17 meses, actualizado as fotos que estão no cabeçalho do blogue.

Disse-me ela "sabes que tens duas filhas?". Glup. Engoli em seco e tive vontade de ir enfiar a cabeça na caixa cheia de areia que a Tita estava a comer.

Tentei argumentar em minha defesa, espero que com um mínimo de êxito, mas fiquei a remoer o rallhete.

Começando pelo fim. Diga-se o que se disser, o Amor que tenho por cada uma das minhas filhas é diferente. Antes de avançar, e para evitar mal entendidos, digo que é diferente e não que é maior ou menor.

Penso que se percebe (e acredito que aconteça a todos os pais e restantes familiares). Seja pela personalidade de cada uma, seja pelo contexto em que cada uma nasceu, seja pelas circunstâncias da vida que vão alterando à medida que os dias passam, é impossível, pelo menos para mim, dar exactamente a mesma atenção às duas.

Estão em fases distintas (embora cada vez mais próximas) e, como tal, o que exigem  de mim é diferente.

Sempre acreditei (porque assim fui educada) que não é obrigatório dar a cada um dos filhos, exactamente aquilo que se deu aos outros. Explico. Não é por ter comprado uns sapatos à Leonor que tenho de comprar (e pelo mesmo valor) uns à Tita. Compro à Tita se ela precisar. E quando ela precisar, só comprarei à Leonor se necessário.

Já os beijos e abraços (que não costumo contar) acredito serem em igual número.

Sou somente distraída e desorganizada. Já disse milhares de vezes ao meu amigo Kinas que ia fazer uma selecção de fotos para actualizar o blogue e vou. Vamos ver é quando.

Ah, agora aproveito para confessar um GRANDE deslize, que creio só o papá ter reparado. A foto que coloquei no post sobre o nascimento da Tita (aquando do 1.º aniversário) é .... da Leonor. Só cheguei a essa conclusão umas horas depois de ter publicado o post e, obviamente, não me tenho lembrado de rectificar a situação.

Seja como for, admito que tenho de ter cuidado com estas situações que, para mim, são bagatelas mas para elas poderão não ser.

Ai de mim, dar-lhe motivos para virarem metaleiras (ou outra coisa qualquer assim rebelde, que envolva piercings, tatuagens, calças ao fundo do rabo etc,etc,etc).

E ai de quem insinuar que amo mais uma do que outra. Posso tornar-me violenta com certo tipo de comentários.

PS

Para terminar, uma palavra à tia Xuaninha. Amor, este post não é nenhum ataque à tua pessoa (minha filha do coração). Percebi que estavas a brincar comigo.

Quis, somente, usar o teu comentário como exemplo daquilo que creio possa passar pela cabeça de muitas pessoas.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Pussy Riots vs Mariza

Tal qual a sua mãezinha, a Maria grande adora cantar. E exactamente como o seu paizinho, delira com improvisos. Adora criar as suas próprias letras.

Estou plenamente convencida de que daqui a uns 15 anitos, me dedicarei a agenciá-la, porque a rapariga tem queda para a coisa.

E o seu estilo é muito ecléctico. Tão depressa canta Mariza, de olhos fechados como se exige a uma verdadeira fadista, como dedica à Tita lindas canções da sua autoria.

Posso avançar, em 1.ª mão, a letra daquela que se pode tornar séria candidata a êxito entre a juventude mais rebelde.

           "daqui a pouco dou-te uma estaladona; estou sempre a aleijar-te, tu és chata e eu também"

Não tendo dúvidas quanto ao brilhante futuro que terá enquanto cantautora, resta-me a dúvida se optará entre um estilo mais clássico ou um mais rebelde, tipo Pussy Riots.

Chamem-me quadrada, mas preferia o primeiro. No entanto, se o 2.º der mais dinheiro, podemos pensar nisso.

Seja qual for, a mamã estará cá para apoiar.

Pimenta no ... dos outros é refresco

Por coincidência, já que encaixa perfeitamente no último post, tive um diálogo com a Maria grande que fez com que me sentisse a mãe mais insensível do mundo.

Dizia ela, "mãe, eu preciso de uma camisola do Pocoyo, para mostrar à professora Bela, e a Tita de uma camisola do Noddy, para mostrar à professora Helena".

Como devem imaginar, as raparigas têm toneladas de camisolas e a minha resposta foi "pois precisam Leonor, isso é um problema".

Resposta pronta "não é o teu  problema mãe, é o meu", como quem diz pimenta no ... dos outros é refresco.

Não fosse a hora tardia em que aconteceu esta conversa e tinha corrido a comprar as benditas camisolas.

Afinal as minhas filhas vão conhecer as novas professoras já na próxima semana e estão preocupadas em apresentar-se condignamente.

Só uma mãe muito insensível é que não percebe este problema.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Dilemas da Maya

Dilemas. Este é um tema que, há algum tempo me incomoda e hoje, depois de ver um post da Cinda no facebook, decidi desenvolver.


Todos temos os nossos dilemas. Maiores ou menores, são os nossos e só nós sabemos a sua importância e gravidade.

Uma das coisas que o cancro fez em mim foi criar a dificuldade de entender os problemas dos outros, que não sejam .... cancro.

Isto até que, há tempos, a minha eterna amiga Dina disse algo que me fez cair a ficha. Algo supostamente tão básico como não podemos deixar que os nossos problemas nos tirem a capacidade de perceber que os outros também sofrem. E se ela sabe o que diz.

Independementemente da minha capacidade de percepção, há uma coisa que quase me faz partir para a violência e que é o aproveitamento que se faz dos dilemas alheios.

Falo das "Mayas" que por aí grassam e que com, meia dúzia de balelas, vão ganhando a sua vida e, nalguns casos, ajudando a afundar a daqueles que procuram o seu supremo saber.

Nunca esquecerei o desespero de uns pais, cuja filha (com cerca de 10 anos) tinha leucemia, doença com a qual havia de falecer. Na procura da cura, e depois de tudo já terem feito, encontraram um "curioso" que os proibiu de dar bifes e coca cola à menina.

Esses pais, além de carregarem a dor da partida da filha, carregam a  de não ter cumprido um dos seus últimos desejos.

Não censuro estes pais que só queriam salvar a filha. Censuro quem não teve o discernimento de estar calado e dizer "essa questão não é da minha competência.

Este será um dos exemplos mais extremos. Mas muitos outros há.

Isto de ir para a televisão, revistas ou vãos de escadas, dar palpites sobre a saúde, trabalho, relacionamentos amorosos (...) das pessoas, com base em cartas ou borras de café, é muito grave e devia ser controlado.

Há vidas em jogo, muitas vezes de pessoas já extremamente debilitadas a nível psicológico.

Não brinquemos com coisas sérias.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

A partida de Zé Augusto




O Zé Augusto partiu, mas deixou parte do seu todo dentro de cada aveirense, cuja terra e tradições soube imortalizar através das suas obras.

Estas moram cá em casa e valem milhões, pelo que significam. Foram ofertas do meu padrinho que, com o seu modo desajeitado de amar, ia exteriorizando com estes símbolos aquilo que sentia por mim.

Que saudades Zézinho. Obrigada Zé Augusto.

Estatuto do dador de sangue - publicado hoje em Diário da República

Fresquinha, fresquinha é a Lei 37/2012, de 27 de Agosto, publicada hoje mesmo em Diário da República, que consagra o Estatuto do Dador de Sangue.

Sem deixar de relembrar a importância da doação de sangue e medula óssea (hoje por outra pessoa, amanhã, quem sabe, por nós), quero chamar atenção para o art.º 7 (Ausência das actividades profissionais).

Não há desculpa para não dar sangue. Para além das diversas recolhas feitas ao fim de semana, existe a garantia de não perder qualquer direito ou regalia se tiverem de faltar ao trabalho para o fazer.

E se forem pressionados, pelo facto, no trabalho, podem sempre recorrer à ACT - Autoridade para as Condições do Trabalho.


Deixo o link para leitura do diploma.

http://dre.pt/pdf1sdip/2012/08/16500/0470104703.pdf


50/50

Fazer uma comédia baseada no diagnóstico de cancro recebido por um rapaz de 27 anos é, no mínimo, um projecto ousado.

Acabei de ver o filme e estou sem conserto.

Brutal. Gostei muito. Este é daqueles que não engana. Com o conhecimento de causa que sabem ter, asseguro que é do mais real que pode haver. Vê-se bem que se baseia numa história real e, importantíssimo, não fantasia.

Está lá tudo, o torpor (alienação) que se sente ao receber a notícia, a dificuldade/preocupação em contar aos que mais amamos, a taxa de sobrevida, os receios, os comentários infelizes, a impressão causada pelo toque de quem parece estar a vaticinar a nossa morte. E a amizade, tãooooooo linda e profunda.

Chorei e ri muito, com este filme que, literalmente, me transportou ao passado.

Para terminar em grande, uma grande música - Yellow Ledbetter dos Pearl Jam. E, claro, a vitória do bem contra o mal.

domingo, 26 de agosto de 2012

Neil Armstrong

Morreu o capitão da Apolo 11, o 1.º homem a pisar a lua, no distante ano de 1969.

Não sei se  terá tido noção da verdadeira dimensão do seu feito, que descreveu como "um pequeno passo para o homem, um gigantesco passo para a humanidade".

Aliás, há  quem o culpe pelas catástrofes naturais e alterações climatéricas que se têm verificado desde aquele dia, como a velhota a quem ouvi comentar que "depois que o homem foi lá acima, ficou tudo mudado".

Por curiosidade, fui espreitar a sua biografia e o que mais a marca é a simplicidade de quem se recusou a viver à sombra daquele dia e se opôs a todo o oportunismo económico gerado à volta do mesmo.

Um grande homem de facto, não só pelo que fez mas também pela forma como o fez.

sábado, 25 de agosto de 2012

Baba de caracol

Hoje é um daqueles dias em que poderia estar esticadinha num sobretudo de madeira, caso o arrependimento matasse.

Este podia ser um post sobre cosmética, podia, mas isso seria se eu fosse uma gaja normalzinha.

Gosto de petiscos, de os fazer e, ainda mais, comer. Nunca tinha cozinhado caracoletas e hoje, num momento de pura estupidez, resolvi comprar um saquinho delas (vivinhas da silva, comme il faut).

Li uma série de teorias quanto à limpeza das bichinhas, desde a mais purista que diz que devem ser lavadas só com água, à mais cruel que defende que as devemos deixar à fome durante 8 dias para purgar (teoria, aliás, semelhante à do meu amigo homeopata, com a diferença que ele receitava 700 € em pílulas para repor todos os nutrientes perdidos). Mas também existem as teorias meiguinhas que constam em esfregar as caracoletas, uma a outra, com uma escovinha de dentes. Depois existem as teorias intermédias que passam por deixar as caracoletas em água com sal, água com farinha ou água com vinagre.

Devo dizer que só não experimentei a teoria homeopática e a da escovinha. A nhanha é tanta, e tão viscosa, que quase me passei e estive a pontos de atirar as caracoletas pela janela.

Neste momento o raio das caracoletas estão no tacho e só espero que o meu estado de nervos não prejudique o resultado final, pois sempre ouvi dizer que se deve cozinha com amor.

Ah, pelo estado da pele das minhas mão, presumo que o creme de baba de caracol seja para peles muito oleosas, porque as minhas manápulas estão ressequidas depois de tantas mudas de água.

A experiência serviu para comprovar uma das minhas, mais enraizadas, crenças. Jamais espreitar para a cozinha de um restaurante. É melhor não ver o que por lá se passa. Duvido que em algum lado lavem tanto as caracoletas como eu o fiz.

A importância das letras pequenas

Há poucos ditados populares tão certos como aquele que diz "em casa de ferreiro, espeto de pau".

Passo os dias a aconselhar quem se cruza no meu caminho a ler bem todas as cláusulas contratuais, antes de assinar o que quer que seja.

O pior é quando sou eu uma das outorgantes. Lembro-me, particularmente bem, de um contrato assinado a 6 de Outubro de 2007, mas, por mais que puxe pelo caco, não me lembro das cláusulas referentes a meias, cuecas e afins. Especialmente, não me lembro que o tratamento dessas importantes peças fosse da minha única responsabilidade.

É o que dá não ler as letras pequenas.


sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Comentários no blogue

A pedido de várias famílias, alterei (eu não, o meu amigo e padrinho de blogue, Kinas) as definições dos comentários.

Já não é necessário inserir aquele código marado.

Mantive a moderação, pelo que é normal que por vezes os comentários demorem a ficar visíveis.

Venham os vossos comentários.

Bjs

Pagamentos no Pingo Doce

Não resisto a comentar um dos temas mais quentes deste Verão, a recusa do Pingo Doce em aceitar pagamentos de valor inferior a 20 €, com Multibanco, que começa já no próximo dia 1 de Setembro.

Ontem fui fazer a minha visita habitual (há lá sítio melhor para passear), recebi a famosa informação, e deu-me para pensar na coisa.

Para já, acho espectacular (e a Jerónimo Martins ainda deve achar mais) o tempo que se gasta a falar nisso. É brilhante esta forma de gerar polémica e por a malta toda a fazer publicidade gratuita (ó pr´a mim a fazer o mesmo). Depois fico super contente quando os temas mais quentes da silly season se limitam a este tipo de questões. É tipo ver o telejornal a abrir com notícias sobre futebol. Faz-nos crer que nada de mau aconteceu naquele dia.

Na sequência desta bombástica notícia, têm-se levantado vozes que acusam o Pingo Doce de estar a prejudicar a comodidade e segurança dos clientes.

Quanto à comodidade, plenamente de acordo. Onde é que já se viu obrigar os clientes a caminhar até às caixas ATM colocadas à entrada das lojas ou (nalguns casos até) antes da fila das caixas (caso, por exemplo, de Santa Maria da Feira). É mau, não se faz a ninguém.

Já quanto à segurança a tese parece-me mais ousada. As caixas ATM estão dentro das lojas que, por sua vez, têm seguranças. Levar 20€ no bolso, não me parece assim tão perigoso.

A quem tem ameaçado começar a optar por outras cadeias de supermercado, que permitem acumular dinheiro com as promoções, recordo que os cartões de fidelização não têm, sequer, código. Aliás, nada me garante que o meu cartão do Continente (já que estou numa de publicidade, cá vai), com saldo ligeiramente acima dos 20€, e do qual não sei (olha a novidade) não tenha sido já usurpado por alguma pessoa sem escrúpulos.

Vamos admitir, é só uma questão de hábito.

Como qualquer empresa, o objectivo é maximizar lucros. Esta é só uma estratégia de gestão.

Os hipers, e outas empresas que tal, não são a Santa Casa da Misericórdia. Quem dera a todos que tenham muitos lucros. É desses lucros que todos vivem, accionistas e colaboradores. Uns de forma mais abastada que outros, é certo.

Falamos, tão somente, do funcionamento do mercado.

Eu, confesso, não me sinto nada prejudicada por esta medida.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Pedro e o lobo

Pedro e o Lobo é uma história infantil que, pela profundidade, todas as criancinhas deviam conhecer de trás para a frente.

Segundo a wikipédia, o Pedro e o Lobo é uma história infantil contada através da música que foi composta por Sergei Prokofiev em 1936, com o objectivo pedagógico de mostrar às crianças as sonoridades dos diversos instrumentos.

Cada personagem da história (o Pedro, o lobo, o avô, o passarinho, o pato [ou pata, em algumas versões], o gato e os caçadores) é representada por um instrumento diferente.

No Pedro e o Lobo é utilizada uma Orquestra Sinfônica completa em que cada personagem é representado por um instrumento ou naipe da orquestra e possui um tema musical ou leitmotiv:

o Lobo: TrompasTrês;

o Avô: Fagote;

O Pato: Oboé;

O Gato: Clarinete;

O Passarinho: Flauta Transversa;

O Pedro: Quarteto de Cordas;

Os Caçadores: o tema é introduzido pelas Madeiras e os disparos são representados pelos Tímpanos e Tímbales e pelo Bombo.

Devo dizer, antes de começar a minha divagação, que fiquei surpreendida com esta descrição, pois a versão que o Professor Pereira nos contou, à saciedade, era bem diferente.

A lição que esta história nos dá é a de que se mentirmos com frequência, ninguém acreditará em nós no dia em que dissermos a verdade.

Infelizmente há muito quem se esqueça desta verdade.

Faltou-lhes, certamente, ouvir o "Pedro e o lobo" ao adormecer.









Avaliação contínua

Nem sei explicar bem o que vai cá dentro. Presentemente estou isolada do mundo, exceptuando os momentos em que vou espreitar o facebook. Mas até isso me perturba.

Perder o telemóvel é algo que marca, negativamente, a vida de uma pessoa. Como é que me encontram? Como é que encontro os outros?

Tudo, na nossa vida, é colocado em causa num momento destes. E agora? É certo que estava a precisar de comprar um novo, mas essa aquisição não resolve a perda dos muitos contactos registados ao longo dos anos.

Como se não bastasse, começo a perceber que há quem aproveite a oportunidade para fazer uma limpeza dos seus próprios contactos.

Tenho uma elevada cifra (3 dígitos) de amigos no facebook e até agora (mesmo depois do meu apelo desesperado) só duas me facultaram o seu número. Nem a minha própria mãezinha. Sniff, sniff.

Ó vida dura e cruel. Pensava que o julgamento dos nossos actos era só no momento da partida deste mundo, mas está visto que a avaliação é contínua.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

O estado da justiça em Portugal



A justiça portuguesa é lenta, sem dúvida.

Cara, também.

Muitos não saberão contudo que, em certos domínios, temos legislação altamente avançada. Claro que há o senão de, muitas vezes, ser inoperante por falta de condições práticas para a sua aplicação, mas isso daria para outra discussão.

Tudo isto é verdade e muitas outras críticas haveria a fazer.

Mas numa coisa somos mesmos bons.  Enfiar a cabeça na areia, como a avestruz, e atirar as culpas de todos os males do mundo para os outros.

Confesso que não compreendo a renitência em contribuir para que a justiça funcione como todos gostaríamos. Irrita-me o comodismo de quem nada faz para que o, famoso, sistema seja eficaz mas, ao mesmo tempo, enche a boca para criticar tudo e todos.

Seja o vizinho que ignora os problemas que se passam na casa ao lado da sua. Seja o sr. dr. que tem a agenda demasiado preenchida para testemunhar em determinado processo.

Lamentavelmente esta falta de responsabilidade (acho que é esta a designação correcta) verifica-se em quase tudo o que implica a vida em sociedade, até porque a sociedade somos todos nós.

E o mais grave disto tudo é que enquanto se mantiver este estado de coisas, a justiça continuará lenta e cara (já diz o povo que não se fazem omoletes sem ovos).

Gestão do tempo

Sofro de uma incapacidade de gestão do tempo que chega a roçar a patologia.

Apesar de teimar em fazer listas, e listinhas, de tarefas, sou totalmente incapaz de cumprir uma que seja.

Esta minha particularidade deixa-me cada vez mais irritada, comigo obviamente, e invejosa da incrível rotina e disciplina do meu avô materno.

Começo a pensar que me fez falta passar uns tempinhos na tropa ou num colégio militar. E por falar em colégio militar, sei de dois alguém alguéns que qualquer dia vão lá malhar com os ossos.

Com esta minha limitação, é evidente que a frase que mais digo (logo a seguir a "Leonor, anda cá senão a mãe põe-te de castigo" é "não tenho tempo".

E nunca o terei, de facto, a continuar assim

Ando tão rotinha, que até na Suécia dormi a sesta. Eu que sempre trocei com a minha mãezinha por gostar de dormir a sus sestinha em todos os hotéis por onde passa, em vez de ir visitar os locais como seria suposto. Paga-se pela língua, é o que é.

Mas como não será a lamentar-me que ficarei sarada, deixa-me lá ir fazer mais uma listinha, aproveitando o, miraculoso, momento de silêncio só entrecortado pelos "ronquinhos" das minhas patroas.

Momentos

Chegada a Estocolmo (já cansadas das patifarias feitas em pleno vôo).


Muito gostosa, a areia nórdica


Vai e.mail, veloz, dar notícias ao meu papá

Gandhi dixit

Disse Ghandi e eu, na minha pequenez, subscrevo.


PS foto tirada em Estocolmo

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Jet Lag

A diferença horária entre Aveiro e Estocolmo é mínima (lá é uma hora a mais), mas o jet lag está a bater forte à Maria grande.

"Estamos em Estocolmo, mãe, estamos em Estocolmo?". Não, respondo eu. "Estamos em Aveiro".

"Não estamos mãe, estamos em Estocolmo".

Vamos lá ver de quantos dias precisa a pequena para voltar à terra.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Museu Nobel - Pode ser que à terceira seja de vez

A primeira vez que vim a Estocolmo, fez este mës 10 anos, näo consegui entrar no museu Nobel.

As minhas irmäs, adolescentes, estavam mais interessadas em ir ao Hard Rock Cafe e recusaram-se a acompanhar-me. Colocada perante a a hipotese, se queres ir vai, que nós ficamos aqui, obviamente meti o rabinho entre as pernas.

A coragem nunca foi uma das minhas qualidades e pelei-me de medo só com a ideia de ficar sózinha numa cidade estranha.

Para näo destoar, as minhas companheiras desta viagem também näo estäo sensibilizadas para visitas culturais e, mais uma vez, o museu Nobel ficou por conhecer.

Quem sabe à terceira será de vez.

Seja como for, esta näo foi uma viagem com intuitos meramente de lazer. O primcipal objectivo era o de reunir 3 irmäs e uma prima irmä que, há muito, näo conseguiam reunir-se.

A primeira a voar do país, há já 11 anos, foi a nossa corajosa prima irmä. Há 3 foi a vez da mana benjamin que se lhe veio juntar. A mana do meio anda rio acima rio abaixo, por essa Europa fora.

No ninho fiquei eu, a mais medricas e apegada à terra.

Admiro, e muito, a coragem destas miúdas. A mim, que sou muito caseirinha, a ideia de ficar longe de casa mais do que uma semana assusta-me. Gosto muito do meu cantinho e, quanto mais conheco outros países e culturas, mais me apego a Portugal.

Gostei muito de vir, mas gosto ainda mais de voltar.

Provinciana, com muito gosto.

domingo, 19 de agosto de 2012

Viajar com criancas V

Estojo de primeiros socorros, näo esquecam o estojo de primeiros socorros.

A Leonor regressa, amanhä, a Portugal, com enfeites nos dois joelhos e num dos cotovelos.

Alguém a avise que, até nisso de ser pouco dotada para actividades físicas, sai  a mäezinha dela.

Viajar com criancas IV

Importantíssima, em qualquer viagem e especialmente numa que inclua criancas, é a escolha do alojamento.

Näo é boa ideia enfiarem-se, com as vossas crias (17 meses e 3 anos) numa casa onde já há outras duas (2 e 5 anos).

Se o alojamento ficar numa linda aldeia sueca onde, aparentemente e a julgar pela pacatez,  nunca ninguém morrerá do coracao, correm o risco de ser extraditados o que deve ser algo aborrecido em tempo de férias.

Nunca esta aldeia deve ter vivido dias täo, digamos, animados.

sábado, 18 de agosto de 2012

Viajar com criancas III

Continuando a partilha. Queridos pais, se vao viajar com criancas, recuem a infancia e levem a vossa propria mochila com uma muda de roupa.

Näo confiem na sorte de ter uma prima que vos da um par de calcas, porque tem menos meia duzia de quilos que voces e, assim, vos salva de andar todos sujos o resto das ferias.

PS

Näo falo, obviamente de mim. a minha prima ë muito mais gorda que eu e ando sempre num brinquinho

Viajar com criancas II

Regra numero um, para quem viaja com criancas, ë escolher muito bem o destino.

Por favor, evitem  viajar para um sïtio onde näo possam reagir, mais vigorosamente, caso uma das vossas crias resolva fugir a sete pës, numa das principais ruas da capital, aproveitando um segundo no qual tiveram de olhar para a outra cria.

A propösito, neste momento, existem pessoas (algures pelo mundo fora) que devem acreditar ser uma tradicäo sueca as criancinhas espojarem-se, de barriga no chäo, no meio da rua e rastejarem tipo cobra.

Uma pesquisa no youtube e veräo. Houve turistas a filmar/fotografar os, jä mundialmente famosos, teatros de rua da Leonor.

Ah, e para quem ainda näo sabe, em viagem, a Leonor prefere ser chamada Maria e afirma ser de Lisboa (com sotaque alfacinha e tudo).

Sö visto.


quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Viajar com criancas

Perdoem - me a falta de acentos, mas escrevo-vos da Suecia (coisa mais chique).

Depois de ter aprendido hoje algumas dicas uteis a quem pensa viajar com criancas, aqui estou para as partilhar.

Primeira, e mais importante, esquecam a ideia. Todos temos momentos de delirio, näo ha nada de errado nisso. Sao momentos e , como todos os momentos, passam.

Se nao tiverem a calma suficiente para esperar que o delirio passe, comprem Xanax para as criancas. E rezem, rezem muito.

Aproveito para enviar um apelo aos senhores da TAP. Lembram-se, concerteza, daquela janela cheia de espinafres. Era nessa fila que eu ia sentada, com as minhas, civilizadas, crias. Se encontrarem um telemovel verde, por favor digam qualquer coisinha. Quase nao vale o telefonema, mas enquanto funcionar da muito jeito.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Porrada

Ontem à noite cheguei, derreada, a casa, mas aliviada por estarem a chegar as férias.

E não sou só eu a precisar de férias. A Leonor também necessita e muito.

Anda tão stressada que, nas suas palavras, "andou à porrada com o Tomás, porque ele disse que ela não ia à Suécia".

É a vida, meteu-se com a Leonor, levou que contar para casa.

A Leonor vai à Suécia e, logo depois, segue direitinha para a Suíça (para o colégio interno, olarilas)

Em vésperas de férias

Desta vez mereço-as, ai se mereço. Saíu-me do corpo (mais da cabeça, na verdade) o direito ao gozo destes diazinhos de férias.

Claro que vim com os meus códigozinhos atrás e ainda tenho montes de coisas para fazer, mas já não falta tudo.

Amanhã, cometerei a grande loucura de me enfiar num avião com as minhas santinhas, e a mana Dulce, e lá vamos nós para a Suécia numa viagem só de gajas (excepção feita ao dono da casa, como bem me lembrou a Leonor, ou dormiríamos na rua e ao cunhado mais novo que nos irá visitar. Família é família).

Como a economia do país não pode parar e as contas cá de casa têm de ser pagas, o papá fica a trabalhar. Tudo controlado, portanto.

Até lá é aproveitar este feriado de 15 de Agosto, para fazer contestações, lavar roupa, lavar louça, arrumar brinquedos, mudar fraldas (.....) e FAZER AS MALAS


Lição importante, aprendida este ano, jamais fazer montinhos de legislação para ler em Agosto e nunca ter ilusões de que será nesse mês que iremos conseguir fazer arquivo de papelada. Tudo pura ilusão.

Crónicas do desfralde - progressos

Cá continuamos nós na aventura do desfralde nocturno de Sua Alteza Real, princesa Maria Leonor.

Todas as noites uma nova aventura que, em regra, envolve xi xi.

Mas na noite passada houve um avanço. Acordámos, durante a noite, e o papá levantou-se para levar a Leonor à casa de banho.

Quando regressou ao quarto, perguntei "A Nônô fez xi xi?".

"Fez ... na cama. Mas pelo menos não acordou, disse o papá.

A modos que estão a verificar-se progressos. Agora a Leonor faz xi xi e já não se incomoda (juro que pensava que fosse ao contrário e que à medida que vai crescendo fosse tendo noção que fez xi xi).

A rapariga dorme em cima de uma poça de xi xi, mas já não incomoda os papás.

Isto sim, são progressos

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Há qualquer coisa errada

Sabemos que há qualquer coisa errada em nós, quando uma vendedora do shopping desiste de tentar vender-nos uma bijuteria antes de o ter, sequer, tentado fazer.

Foi o que me aconteceu ontem, quando estava a pagar uma peça de roupa. A menina olhou para mim, de alto a baixo e soltou um desabafo "estava aqui a pensar, mas não, a senhora não deve usar ...". O quê, perguntei eu?

"Uma bijuteria que fica mesmo bem aí nessa roupa".

Dei-lhe razão, a menina tinha olho clínico. Não é que me orgulhe disseo, mas acho um crime gastar dinheiro com algo que sei que vai ficar encostado o resto da vida.

Na verdade, deve ter-me caído algum apêndice (a mais) à nascença.

Talvez por isso a esteticista ande a tentar (já conseguiu) afastar-me. Sou daquelas clientes que só dá trabalho e não deixa gorjeta.

No fundo, sou meia raçada de gajo

Qui tacet nihil dixit

Já que estou numa noitada dedicada ao direito (férias onde estais), aqui vai uma das minhas máximas de vida que, para além de ser uma grande verdade, é uma das poucas excepções à regra de que os ditos populares estão sempre certos.

Qui tacet nihil dixit, que é como quem diz, quem cala nada diz (ou seja, o oposto daquilo em que o povo acredita).

Para tornar a coisa mais erudita, acrescento que o silêncio só tem valor negocial quando a lei, o uso ou convenção assim o determine (cf. art.º 218 do Código Civil).

E depois desta, acho melhor ir para a cama, que já deu para ver que começo a delirar.

domingo, 12 de agosto de 2012

Eu e o fumo, o fumo e eu

Tenho, com o acto de fumar, uma relação de tolerância/ódio.

Lembro-me de um dia, em que estava a passear à beira do mar, e o meu pai me disse "se eu sei que tu andas a fumar dou-te uma coça". Assim mesmo, curto e grosso, utilizando um método pedagogicamente duvidoso que Piaget dificilmente apoiaria.

Não sei se a culpa foi do medo de levar uma coça, só sei que, até à data, nunca toquei num cigarro. E não foi por dificuldade de acesso (a prestimosa D.ª Esmeralda encarregava-se de os vender avulso, mesmo em frente à escola).

Quando o meu padrinho morreu, com cancro, fiquei com um ódio de morte ao tabaco que, com grande probabilidade, contribuiu para todo o sofrimento que passou.

Quando via alguém a fumar apetecia-me ir em direcção à pessoa, abaná-la, insultá-la (de burra para cima) e, no final, espetar-lhe um murro em cheio no nariz.

Continua a fazer-me muita confusão que as pessoas continuem a fumar, sabendo todos os perigos que correm, especialmente quando essas pessoas (e não são assim tão poucas) estão em frente ao IPO.

 Actualmente ninguém pode alegar desconhecimento quanto aos riscos que incorre ao fumar. Os próprios maços, numa medida que considero de extremo mau gosto, enunciam todos os perigos.

Por outro lado, quando páro para pensar, percebo que não sou ninguém para criticar. É certo que nunca fumei e detesto bebidas alcoólicas, mas a minha alimentação está longe de ser saudável e assumo que não faço muito para inverter o cenário.

E das piores coisas que pode acontecer a quem está doente (pelo menos para mim foi) é alguém insinuar que a culpa é sua.

Daí que não tenha qualquer legitimidade para censurar seja quem for, mas lá que me mete confusão isso mete.

sábado, 11 de agosto de 2012

Diálogos desconcertantes

"Leonor, se tornas a bater na tua irmã, ficas uma semana sem ver o Canal Panda. Percebeste?"

"NÃO"

Fim de conversa

Diálogos desconcertantes - votações abertas

"Mãe, arranja-me uma fralda para esta (a boneca)"

"Toma lá, olha, já, agora, leva esta fralda para a sala, que tenho de mudar a Tita"

"oh pá, leva tu"

Hipótese 1 - Assentar-lhe os 5 dedos no rabo

Hipótese 2 - Cumprir a ordem da Leonor


Que acham que fiz?

Estão abertas as votações

Enjoadinha de férias

A dois dias (úteis) de  entrar em férias, posso dizer que já estou enjoadinha da palavra férias.

Há algo contraditório no conceito que, supostamente, devia ser sinónimo de tranquilidade.

A malta anda o ano todo ansiosa pelo momento e, quando ele se aproxima, a histeria começa a instalar-se. É o stress de ter de deixar uma série de coisas orientadas (multiplicado quando tal depende do trabalho de colegas que, por suas vez, também têm de o fazer para outros), o aumento do trabalho pela necessidade  de substituir colegas já em férias e, cereja em topo do bolo, o berbicacho que teima em surgir em vésperas daqueles dias que, sonhamos, relaxantes.

Depois é o regresso à pilha de papéis que se foi acumulando na secretária e o aumento de trabalho ... pela necessidade de substituir colegas que estão de férias.

Cansativo só de pensar.

Felizmente a Troika percebeu o quanto esta situação pode  perturbar,  não só a economia mas também a estabilidade emocional, e resolveu dar uma ajudinha, sensibilizando os responsáveis políticos para a necessidade de a minimizar. Para o ano o stress, e o número de dias de  férias, serão menor.

Ainda assim, tenho saudades do tempo em que ficava enjoadinha ao fim do 2.º mês de férias ( e ainda tinha de suportar o suplício de mais um mesinho longe da escola e dos meus amigos).

Vá-se lá compreender a mente humana.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Auto-mutilação

Uma das coisas que mais gostava era de fazer circular um questionário (anónimo, para garantir uma maior fiabilidade das respostas) sobre a forma como os outros me vêem.

Esta ideia, que tenho há já muito tempo, aumentou no sábado passado.

 Num momento de verdadeira estupidez, e após ter sinal verde da minha oncologista, decidi fazer depilação com cera nas axilas.

Digo ser estupidez porque não consigo conceber o facto de as pessoas se submeterem, voluntariamente, a momentos de dor física. Provavelmente pelas dezenas de vezes que tenho sido espicaçada desde Dezembro de 2008.

No sábado, armei-me em carapau de corrida e lá fui à esteticista que, digo já, enquanto eu tiver uma réstea de sanidade mental não tornará a tocar-me com um dedo que seja.

Assim que levantei a axila direita, disse a senhora: "você anda a magoar-se". Inspirei e expirei, antes de conseguir explicar que aquilo era a cicatriz de uma biópsia e que, contrariamente ao que a senhora estava a pensar, não tenho tendência para a auto-mutilação.

 Por motivos óbvios, dispensei-me de lhe explicar o que saiu daquele sítio onde, agora, está mais uma das minhas queridas cicatrizes. Tive medo das atoardas que sairiam daquela boca.

Ah, disse a simpática senhora.

Pensava eu que a falta de tacto acabaria por ali, mas estava redondamente enganada. "Estes pêlos estão muito grossos. Olhe que isto vai doer".

E é que doeu mesmo. Afinal, a mulherzinha até tinha razão. Apesar de o negar, de vez em quando lá caio na tentação de me auto-mutilar.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Criopreservação de células estaminais -para pensar

 A minha amiga Verónica viu o programa Observatório do MundO na TVI24 sobre a criopreservação das células estaminais e partilhou um resumo no facebook.
Dada a importância desta questão, não podia deixar de a abordar aqui até porque me diz muito.
Como qualquer empresa privada, os laboratórios que fazem a criopreservação das células estaminais necessitam de promover o seu negócio. E, naturalmente, não irão (chamemos-lhe assim) ao pormenor técnico quando fazem a divulgação dos seus serviços.
Há várias coisas que todos deviam saber para, em consciência, poder optar entre um laboratório privado e a doacção ao LUSOCORD (banco público). E o esclarecimento torna-se ainda mais importante pois tenho percebido que o desconhecimento é grande, até entre profissionais de saúde.
Perdoando-me por alguma, eventual, falta de rigor científico, passo a referir duas das principais questões:
 1ª o sangue de uma criança com doenças genéticas nunca vai poder ser usado por essa criança, pq as células têm os mesmos defeitos genéticos.

 
  2º 70% das amostras recolhidas são inúteis, umas por falta de nº de células, outras por outros problemas!!!!!
 Já aqui o contei, mas a criopreservação das células estaminais foi uma das coisas que fez com que o cancro estivesse presente, na minha cabeça, durante as duas gravidezes.

"Então vai ter de fazer a criopreservação das células estaminais. Quem sabe se este bebé veio para a salvar", foi o comentário de uma médica durante a eco morfológica da Leonor, depois de eu lhe ter explicado a origem da enorme cicatriz que tenho debaixo da mama direita.

O comentário soou como uma bomba. Sempre tinha pensado na cripresevação como o tal "seguro de vida" para a Leonor e, de repente, aquela médica lembrou-me "hello, tem cancro, pode precisar das células da sua filha".

Posto isto, nem hesitámos e criopreservámos as células. Na altura não havia, ainda, o banco público LUSOCORD.

Quando a questão se tornou a colocar, 22 meses mais tarde, escolhemos a empresa e nem perguntámos nada a ninguém. O pior foi quando vi o questionário sobre a saúde da mãe. Estava lá a pergunta cuja resposta sempre evitei ouvir. "A mãe é portadora de alguma doença crónica, nomeadamente cancro?".

Liguei à minha oncologista que me aconselhou a responder "portadora de Linfoma de Hodgkin, em resposta activa há mais de 2 anos". Foi um choque, ainda maior quando recebemos o relatório da criopreservação. Resumidamente, dizia que, face ao actual estado da arte, não existiam garantias que alguma equipa de transplante arriscasse usar aquelas células, deixando ao nosso critério criopreservá-las, ou não.

Mais uma vez, corri para os braços da minha oncologista. Perguntei-lhe a opinião e fiquei muito surpreendida com a resposta. Desconhecia, completamente, o facto de o número de células colhidas do cordão umbilical muito dificilmente ser suficiente para o transplante de um adulto, dado o número de células necessárias estar relacionado com o peso. E referiu que não tinha, por opção, criopreservado as células das filhas.

Acabámos por não criopreservar as células do cordão da Benedita e a empresa devolveu-nos o dinheiro.

Por estes motivos, e sem querer de todo ser fundamentalista, subscrevo inteiramente o apelo da Verónica, que transcrevo:

"se TODOS NÓS O DOÁSSEMOS AO BANCO PÚBLICO,  E EU DIGO MESMO TODOS NÓS, BEBÉS, CRIANÇAS, JOVENS, ADULTOS E IDOSOS, TERÍAMOS MUITO MAIS PROBABILIDADE DE NO CASO DE PRECISARMOS, CONSEGUIRMOS OBTER UM DADOR, UMA VEZ QUE OS BANCOS PÚBLICOS DE TODO O MUNDO ESTÃO EM COORDENAÇÃO PARA CONSEGUIR CÉLULAS COMPATÍVEIS!!!

Patego

Cada vez mais me convenço que flores, e florzinhas, a mais não são senão uma forma patega de chamar burro aos outros (afinal que é que come palha?).


Cada dia que passa, aumenta a minha convicção de que o berço não se compra. Ou se nasce num, ou então chapéu.


Cada dia que passa, diminui a minha pachorra para aturar quem insiste em chamar burro aos outros.

Estou, a modos que, azeda.

Ou será que estou a crescer?

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Disponível para testes de ADN



Depois de saber que a Titocas anda a chamar pai a todos aqueles que encontra pelo caminho, não me ocorre música mais propositada.

Operação calças

Há quem se empenhe em operações bikini, eu sou menos ambiciosa ... e determinada.

Assim como assim, não tenho tempo ou disponibilidade  para ir à praia (é só os papás falarem nessa hipótese, para as vermos a dormir sestas de 5 horas).

Neste momento, a prioridade tem mesmo de ser a operação calças. Isto de engordar 5 kgs em 4 meses é coisa para criar alguns constrangimentos na vida de uma mulher (se é que me faço entender).

O problema é que hesito muito entre emagrecer e ficar com uma depressão causdada pela privação de todas aquelas iguarias que me fazem imensamente feliz.

Oh decisão difícil.

domingo, 5 de agosto de 2012

Furor em Mirandela

Bela Mirandela



Este fim de semana, os caminhos de Portugal (definitivamente, o país mais belo do mundo) levaram-nos a Mirandela.

Se já gostava daquilo que de lá conhecia (as alheiras, claro está), mais fiquei a gostar.
A cidade é muito bonita, a festa da Sr.ª do Amparo e a procissão imponentes.

Os enchidos, comidos na origem, sublimes. Aquele salpicão levou-me ao céu.

Como se não bastasse, fomos, principescamente, recebidos pela Cristina Nicodémio (minha querida afilhada de luta) e família, a quem deixo aqui um beijinho especial.

Mas não há bela sem senão.

Os foguetes e o fogo de artifício estragaram (segundo a própria) a cabeça da Leonor que, apesar de ter gostado muito do passeio, está muito aliviada por estar na sua casinha.

Uma medricas, esta minha filha. Só tem garganta. Faz e acontece, mas morre de medo de tudo o que tenha som (à excepção da minha voz, que ignora com grande pinta).

Já a Titocas, está cada vez mais rebelde. Agora deu-lhe para o body painting. Este fim de semana, começou a dizer a 4.ª palavra inteligível. Tau (de tau tau), dita, assim, de mão no ar (dirigida a mim, naturalmente).

Mais um fim de semana em cheio.

sábado, 4 de agosto de 2012

Nunca mais aprendo

"Mau Maria, Tita, não mexas nisso"

"Não lhe fales assim, mãe, não vês que ela ainda é pequenina?"


A um mês do fim



Esta foto foi tirada a um mês do fim da quimio.

Ao olhar para ela, fico sem palavras. Lembro-me da precrição da prótese capilar (como lhe chamou a médica), que me foi apresentada como uma fatalidade. Disse que a ia querer, no imediato, mas depois algo em mim impediu que a fosse escolher.

Lembro-me das vezes em que fui à cabeleireira, cortar o cabelo aos poucos, para custar menos a mudança de imagem. Lembro-me de rezar para que ninguém falasse comigo naquele momento.

Vivia aterrorizada com o dia em que teria de usar um lenço. Nunca tive jeito para adereços. Lembro-me, como se fosse hoje, de ir ao shopping com o meu marido escolher alguns. A dor era tanta, que parecia que me estavam a espetar facas no coração.

Lembro-me de estar dias a fio sem tocar no cabelo, numa tentativa de o salvar.

Lembro-me de como me tentava esquivar aos toques da Leonor (talvez por isso ela tenha, agora, uma predilecção pelo meu cabelo).

Lembro-me de uma das vezes em que cheguei da cabeleireira e, ao entrar no quarto, a Leonor começou a choramingar. Lembro-me de sair so quarto a correr, para chorar no quarto ao lado, a penspor que já não me reconhecia. Lembro-me de o meu pai se ter apercebido da situação e do abraço forte que me deu para suavizar a dor.

Para meu grande espanto (e alívio), o cabelo, cujo peso sentia nos ombros ao cair, foi aguentando e os lenços acabaram por seu usados ao pescoço.

Podem dizer que é só cabelo, que volta a crescer normalmente (ou aos caracóis). Sei que é verdade, mas não deixa também de ser também a moldura do nosso rosto, um símbolo da nossa feminilidade.

Até nisso tive sorte. Apesar de toda a angústia (que sempre tentei esconder), o cabelo aguentou-se e houve quem pensasse que estava com  cabelo fraco por causa do pós parto.

Tive (e tenho sorte), mas não consigo evitar estas lembranças.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Roubado, descaradamente, no face da Gigi

A Gigi pôs este texto no face e não resisti em trazê-lo comigo (descula Gigi, desculpa Cristiane Silva).

O é aqui dito assemelha-se, em muito, ao que sentia pelo meu cateter (que continuo a achar ser uma das melhores invenções da humanidade) e sinto, agora, pela cicatriz que deixou. É, realmente, uma estranha Amizade. Conforta-me saber que não sou a única a ter este tipo de pensamentos e sentimentos.


ESTRANHA AMIZADE ...
Tinha tanto medo de te conhecer. Sempre que falavam de ti era pra dizer coisas horríveis, falavam que eras tudo de ruim.
Tinha pavor de saber que um dia poderia te conhecer.
...
Mas como a vida trás surpresas, fomos obrigadas a sermos apresentadas.
Nossa! Como foi difícil aceitar a idéia que iria conviver contigo. Perdi o sono. Fiquei nervosa. Chorei demais. Só de pensar que essa convivência seria inevitável.
Lembro-me que no primeiro dia que fomos apresentadas tremi nas bases, pensei mil coisas, rezava, pedia a Deus pra não seres tão má comigo.
Passados sete meses convivendo contigo, vi que não eras aquilo que me fizeram acreditar, hoje passastes a fazer parte da minha estória de vida
Sei que me maltrataste, me transformaste, me deixaste sem cabelos, sem cílios, sem sobrancelhas, gorda, sem imunidades, enfim tudo de ruim.
Ah! Como me deixaste feia! Quantas furadas levei!!
Não queria te ver, mas só o fato de não poder te encontrar na data marcada já ficava em pânico, que coisa maluca! Queria você de todo jeito. Como era estranho esse sentimento dentro de mim.
Hoje, minha amiga, é dia de dizer adeus. Despeço-me de ti, não vou dizer que vou sentir saudades tua, seria hipócrita demais, espero não precisar nunca mais de ti, mas te agradeço por tudo.
Entendi que enquanto me maltratavas estavas dando minha cura, mas uma chance de viver.
Não vamos nos despedir com lágrimas, mas com sorrisos de alegria de vitória e de missão cumprida, colocando na balança, sei que o saldo foi positivo.
Quero que continues fazendo amizades com quem precisa da tua ajuda, embora eu não deseje nem ao meu pior inimigo que venha a experimentar-te. Que a tua atuação possa ajudar a curar milhares de outras pessoas e que todos entendam e gostem de ti assim como eu aprendi a gostar. Tenho certeza que terão o mesmo sentimento que tenho por ti hoje: gratidão!
Saibas que já esqueci tudo de ruim que fizestes comigo, e só me resta dizer que foste para mim uma amiga inesquecível!
Adeus minha amiga QUIMIOTERAPIA, e muitíssimo obrigada por tudo.

CRISTIANE SILVA

Caso de saúde pública

Sabia que esta fase do desfralde nocturno da Leonor me iria trazer alguns, chamemos-lhes, trabalhos. Não imaginava era que viesse a tornar-se num verdadeiro caso de saúde pública.

Vou ser frontal. A minha casa tresanda a xi xi. Aliás, não é a minha casa, é a minha rua.

Tirando a 1.ª noite, em que a menina me enganou bem enganada, tem sido um filme todas as noites.

Uma coisa positiva, a Leonor já se apercebe que está a fazer xi xi. Uma coisa negativa, só se apercebe quando já  vai a meio. Nessa altura, começa a gritar pela mãe, que vem desmandada escadas abaixo, para a levar à casa de banho.

Tem sido um tal de lavar lençóis e pijamos, que nem vos digo.

Esta manhã, quando comecei a ouvi-la gritar "mãe, quero fazer xi xi", só me apeteceu dizer e então?!!! Faz aí, não é o que fazes sempre? Felizmente, consegui encontrar um restinho de lucidez.

Certo como o destino, é que, não tarda, recebo a visita do delegado de saúde.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

O mundo tem de saber

O mundo tem de saber que sou, COMPLETAMENTE, alheia a toda e qualquer combinação de roupa/acessórios utilizada pela minha filha mais velha.

Como devem imaginar, não tenho nenhum tipo de influência nas suas decisões.

Como acabar com um sonho em 10 segundos

Ando (eu e a Leonor), há meses, a sonhar com as férias.

Este ano vamos, finalmente, à Suécia visitar a tia Joana e a prima Sandra.

Faz este mês, precisamente, 10 anos que lá estive a 1.ª vez.

Ontem resolvi pedir dicas a uma mamã super experiente em viagens com crias. Entre as várias sugestões, recebi esta que não resisto a partilhar. 1.º fez-me rir, depois percebi que acabou por fazer desmoronar o meu sonho, visto ser impraticável.

"N leves a mal o próximo aviso, é importante saber estas coisas q podem ser mal interpretadas... Por mais mal que se portem n as ameacem com porrada aqui em público! Nem com o gesto da mão no ar! Os suecos n sabem o que é "tau tau" (mais ameaca que realidade) e podem entender isso como algo mto sério e chamarem a policia..."

Acho melhor encarar a realidade e desistir da viagem. Mais uma vez percebi a sorte que tenho por viver em Portugal. Pelos vistos, se morasse na Suécia já estava há uns tempos na pildra a ver o sol nascer aos quadradinhos.

Vemo-nos em Portugal, meninas.

Rotina?!!! Que é isso?

Quem diz que os filhos trazem rotina à vida do casal , podendo prejudicar uma relação, está redondamente enganado. E posso prová-lo, por A + B.

Entre outras coisas, as nossas crias fazem-nos descobrir facetas desconhecidas da nossa cara metade. Eu, por exemplo, estava longe de imaginar a tendência do meu marido para a investigação forense.

O rapaz tem queda para a grafologia. Qualquer que seja o suporte físico dos riscos (sofás, paredes, carteiras da mãe), é capaz de analisar as características dos traços e dizer logo, sem hesitar, qual, das duas suspeitas, cometeu o crime.

Quando confrontada, a Maria grande responde imediatamente "pai, não podes estar sempre a ralhar-me que eu ainda sou pequenina", fazendo a sua Mea Culpa, misturada com chantagem psicológica.

Já a Maria pequena, começa a soltar uns guinchos lancinantes que nos entram ouvidos dentro e picam, literalmente, os nossos miolos, levando-nos a desistir de qualquer tipo de julgamento.

Rotina é, assim, algo que não existe na nossa vida.