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A dificuldade de cuidar

Ver sofrer um dos nossos é uma dor maior do qualquer uma que alguma vez nos possa tocar a nós.

Pode parecer um lugar comum, mas acreditem que sei do que falo.

Hoje recebi um e.mail que me tocou, porque reavivou uma lembrança muito dolorosa.

Pelo que já passei, aos mais variados níveis, acho que não haverá carga maior do que questionar se fizemos tudo o que estava ao nosso alcance para ajudar a minorar a dor de alguém muito amado.

Falo em minorar, porque temos de ter a lucidez necessária para perceber que há coisas que não estão ao nosso alcance.

Mas mesmo percebendo isto, é, muitas vezes difícil, perceber o que é que está (ou não) ao nosso alcance.

Não haverá receitas infalíveis. O nosso raio de acção termina logo no querer de quem queremos ajudar. Não podemos esquecer a sua vontade, é a sua dignidade que está em jogo (pelo menos para a pessoa).

Deve ser terrível, para alguém que sempre foi activo e independente, ver-se, de repente, numa situação de fragilidade. E é normal, seja por revolta seja por doença, a resistência.

Caberá a quem quer ajudar, saber posicionar-se.

Mas é tão, tão duro.

Lembro-me de 1001 episódios com o meu padrinho. Lembro-me da "luta" que foi para me aproximar, das tentativas (muitas vezes estúpidas) de tentar perceber o que podia fazer por ele.

Penso muitas vezes que fiz pouco e isso magoa-me tanto que não podem imaginar. Mas nos momentos de maior racionalidade também recordo o que me disse com os olhos e ninguém me tira a certeza que se sentiu amado até ao fim e que, esteja onde estiver, cuidará de mim como sempre fez (ainda que já não me leve o carro à oficina, como tanto se orgulhava de fazer).

Comentários

  1. Sim, é difícil cuidar de quem sofre de certas doenças, mesmo que, para algumas, até haja guias para cuidadores. Ver sofrer pessoas de quem gostamos e sentirmo-nos incapazes de minorar a situação é terrível e inesquecível. Ficamos marcados para sempre.

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  2. Lili, o Amor pode não curar mas é aquilo de que os doentes mais necessitam. Oxalá todos o tivessem, como os nossos doentes têm tido.

    bjs

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