domingo, 30 de outubro de 2011

Dia 8 de Novembro, numa televisão perto de si

Dia 8 de Novembro, algures entre as 11h00 e as 13h00, podem ver-me, ao vivo e a cores, no Programa "Querida Júlia" (SIC).

O tema será, como não podia deixar de ser "Me and Mr. Hodgkin".

Apesar do medo de me espalhar ao comprido no meio do cenário, ou ficar gaga durante a entrevista, resolvi aceitar o convite.

Poder transmitir algum alento a quem dele precisa, é uma forma de dar sentido à doença.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Camas separadas

Nunca pensei que isto viesse a acontecer, mas o certo é que aconteceu. Ao fim de qua tro anos de casamento, começámos a dormir em camas separadas, falamos através de e.mail e os poucos momentos a dois são aqueles em que conseguimos dar uma escapadela ao supermercado ou outros sítios, aparentemente sem interesse.

A culpa, claro está, é das nossas patroas.

A mais velha só quer dormir com a mamã, não dispensando, durante o processo de adormecimento, o meu cabelo e a sua historinha. Claro está que a minha voz começa a ficar distorcida ao fim da 2.ª linha do livro e logo adormeço até que a patroa mais nova começa a chamar (lá para as 03h30, mais coisa menos coisa).

Depois de dormir a 1.ª prestação, lá vou eu a cambalear escada acima (não sei bem como, ainda, não me parti toda) para a minha cama.


Entre fraldas, sopas e banhos, o tempo é muito escasso e leva-nos a ter de inventar momentos. E foi num desses momentos, em pleno workshop de programação neurolinguística, que o meu marido me fez a declaração de amor mais bonita, e surpreendente, que já vi.

Moral da história: nem tudo o que parece é

sábado, 22 de outubro de 2011

Este blog recebeu uma distinção

Neste momento em que escrevo tenho baba até ao queixo. Ao dar uma vista de olhos pelos blogs que sigo,mais ou menos silenciosamente, todos os dias, deparei-me com uma grande surpresa. A Margarida Faro, do blog "Mamas à Lupa", dedicou-me um post(http://cancrosdemama.blogspot.com/2011/10/distincao.html), no qual foi muito simpática.

A surpresa não foi ter sido simpática, porque é-o sempre, mas a distinção em si.

Como sou uma completa nulidade em termos informáticos, não consigo mais do que copiar o endereço e colar aqui, para que possam, mais do que ler o post, visitar o blog da Margarida.

Receber elogios é sempre bom e o gozo é, ainda, maior quando o elogio vem de alguém que admiramos, por considerarmos ser uma força da natureza. Na sua humanidade, que inclui forças e fraquezas, a Margarida tem sido para mim um exemplo de perseverança e superação.

Assim, e porque é merecedora de todo o mimo, retribuo, desta forma, aquele que me deu ao escrever o seu post.

Obrigada Guida.Um dia destes havemos de juntar a criançada toda e fazer uma festarola.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

E agora, digo a verdade?

No domingo, à hora do jantar, fiz o meu melhor sorriso e disse: " amanhã é dia de trabalho e escolinha, não é Nônô?"

Resposta: "é mãe, estás contenti?"

Começaram as perguntas difíceis. E agora, digo a verdade?

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Nefrologia, aí vou eu

Como pude constatar ontem, começar uma consulta de rotina com a pergunta "quando foi a sua última consulta no IPO?" não é grande coisa.

Ia eu, quase, totalmente descontraída para a consulta de medicina interna e saí de lá com a indicação de me dirigir à nefrologia. Ao que parece o valor que esteve sempre elevado durante a gravidez, mantém-se (ainda que um pouco mais baixo). A médica sugeriu (com toda a razão) que pedisse para ser vista no IPO onde, afinal, já sou da casa. A alternativa é enviar-me para o hospital de Gaia, o que era uma chatice pois não me apetece nada ter de voltar a contar a, atribulada, história dos últimos 2 anos e tal.

Passada a hora seguinte, em que a cabeça andou a mil, desliguei o complicómetro (nada como uma voltinha no hiper para fazer milagres).

Pelo sim pelo não, acho que vou ligar à minha oncologista, pois a próxima consulta é só no final de Novembro.

Não deve ser nada, pelo menos relacionado com o linfoma, mas já dá para amolar (como diria uma colega minha).

Haja pachorra

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Há 7 meses, por esta hora

Faz hoje 7 meses, por esta hora, estava prestes a receber a Benedita nos braços.

A cada minuto que passa tenho maior certeza que esta menina foi uma benção e, tal como como a Leonor, veio na hora certa.

As manas estão cada vez mais unidas. Ainda esta manhã, ao ouvir a Benedita chorar, a Leonor me disse "mamã, acho que a Meledita tem razão".

É um namoro pegado entre as duas, apesar de já meter puxões de cabelo e sapatadas como qualquer relação fraternal.

Sou uma mãe feliz!

A tia Du é fixe

No último post cometi uma grave omissão. Esqueci-me de referir que a estadia no Mosteiro de S. Cristóvão de Lafões foi, em parte, cortesia da tia Du. Aqui fica a menção honrosa.

Querida tia Du, gosto muito de ti e das tuas prendas. Nunca tenhas medo que me enjoe delas. Tens muito bom gosto.

Uma grande beijoca

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Estivemos aqui

Pelo 2.º ano consecutivo, fomos comemorar o aniversário de casamento ao Mosteiro de S. Cristovão de Lafões, pelo qual estamos apaixonados.

O local é lindíssimo, os proprietários encantadores.

Porque se trata de um pedacinho da história de Portugal, não podia deixar de partilhar a origemndo Mosteiro.

O texto infra foi copiado do site http://mosteirosaocristovao.com/pt,cuja visita aconselho. As fotos do site, mil vezes melhores do que aquelas que eu tirei, retratam bem a beleza do local.

"Fundado nos alvores da nacionalidade, dotado de carta de couto (de Valadares) por D. Afonso Henriques em 1153, o Mosteiro de S. Cristóvão foi, provavelmente, a primeira abadia cisterciense criada em Portugal, afiliada na casa mãe de Clairvaux (Claraval) que foi  o mosteiro de S. Bernardo.

Conheceu épocas de miséria (particularmente no tempo dos abades comendatários) e de algum esplendor (p. ex., aquando da sua reconstrução nos finais do sec. XVII) e, sobretudo quando gozou da protecção e generosidade do rei D. João V, com direito ao título de Real Mosteiro de S. Cristóvão de Lafões.

Após a expulsão das ordens religiosas, em 1834, vendido em hasta pública, passou de mão em mão, degradando-se até ao estado ruinoso em que foi adquirido, em 1984, pelos actuais proprietários.

Objecto de uma demorada intervenção recuperadora, respeitosa da estrutura e do estilo monástico, o Mosteiro é hoje um local de acolhimento e de partilha.

Destaque especial para o refeitório, restaurado na sua pureza monástica, para o elegante lavabo e para a monumental escadaria de acesso ao andar nobre.

O Mosteiro está classificado pela DGT como “de interesse histórico, arquitectónico e cultural” e pelo Igespar como Monumento de Interesse Público".

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

SOS

Se não der notícias nas próximas 24 horas, procurem-me debaixo da pilha de roupa que está à beira da tábua de passar a ferro.

PS

Estou a falar a sério

Corrente de positivismo

Algumas das pessoas que por aqui passam têm elogiado aquilo a que chamaram "corrente de positivismo" que, segundo elas, paira neste blog.

Tenho pensado muito nisso. O primeiro sentimento que me assola é o de felicidade.

Como sabem criei o blog num momento em que travava uma grande guerra contra um cancro, na forma de Mr. Hodgkin. Fi-lo para não só para desabafar, mas também porque acreditei (e acredito) que a minha experiência pode dar ânimo a outras pessoas, tais como blogs com a mesma origem me deram a mim. Fico, por isso, muito feliz quando me dizem que aquilo que escrevo (seja dito em tom sério ou de baboseira, mas nem por isso menos sério) faz alguém sorrir.

Em relação ao positivismo, é das tais coisas (como a fé) que tenho dificuldade em explicar.

Como dizia Ortega Y Gasset (hoje estou muito erudita) "Nós somos nós e as nossas circunstâncias". Posso agradecer aquilo que sou, e a maneira como tento encarar as adversidades,a muitas pessoas e a muitas coisas.

Os meus avós e pais sempre me ensinaram que a vida não é sempre aquilo que queremos e, por isso, temos de saber viver com as contrariedades. A minha avó deu-me a conhecer um Deus, que é Amigo e que "nunca nos dá uma cruz maior do que aquela que conseguimos carregar". O meu marido dá-me todo o Amor e liberdade, nunca me deixando só. As minhas filhas são uma fonte de vida nova. Os meus amigos dão sempre "o corpo ao manifesto", como se costuma dizer. E podia continuar a elencar motivos que me fazem ser positiva.

Contudo, há uma parte essencial que depende de mim e que não posso deixar para os outros. A vontade de lutar. A reacção tem de partir de mim. De nada adianta ter todos os outros à nossa volta a puxar o barco se nós não colaborarmos. Foi isso mesmo que tentei fazer durante a fase activa da doença.

Tive, e tenho, muito medo. Já o disse, e repito, não há dia que não pense no cancro. Que não passe a mão, vezes sem conta, na cicatriz do local onde me colocaram o cateter. Tenho grande momentos de angústia, mas acho que isso faz parte do ser humano e só mostra que gosto de viver.

Não sou uma pessoa totalmente realizada, acho que ninguém o é. Não vou é ficar sentada à espera da realização total. Perante o menos bom procuro centrar-me num ensinamento recente, que não me sai da cabeça, quando surge um problema temos de procurar soluções, e não pensar em mais obstáculos.

É assim que procuro viver, nuns dias mais bem disposta noutros menos, mas sempre a andar porque apesar das costelas alentejanas, de que tanto me orgulho, sentar e esperar que passe não é, de todo, a solução.

Presentemente, e tirando algum stress, sinto-me muito bem.

Porque uma imagem vale mais que 1000 palavras




Andava eu à procura de uma foto que ilustrasse a data que hoje comemoramos, e a pensar nas palvras que a descrevesse, quando me deparo com esta tirada, há 4 anos em Budapeste, durante a nossa lua de mel.

Só por acaso, os amores perfeitos são a minha flor favorita. Só por acaso, simbolizam tudo aquilo que sinto.

domingo, 2 de outubro de 2011

Depois da semana mais louca do ano

Depois daquela que foi (espero eu) a semana mais louca do ano, a decisão está tomada.

A família Neves Pinto vai entrar para um Mosteiro, o de S. Cristóvão de Lafões, o mesmo onde estivemos no ano passado, ainda a Benedita era um feijãozinho, e que do qual tanto gostámos.

Serão só 2 noites, mas aposto que vai valer a pena, para renovar a alma.

Aproximam-se as comemorações do 4.º aniversário do casamento dos papás Pinto.