domingo, 29 de abril de 2012

Estamos nisto juntos

É difícil  manter a clareza de espírito quando recebemos a notícia de que uma pessoa, de quem gostamos muito, tem cancro. Especialmente se essa pessoa foi das quem sofreu mais com o nosso.

E a dificuldade aumenta se essa pessoa, que trabalhou mais de 50 anos, se tinha reformado há menos de um mês, para gozar um, mais que merecido, descanso.

Apesar de continuar a acreditar que tudo tem a sua razão de ser e há-de ter um lado positivo, sinto-me meia perdida num momento em que a família se prepara para travar nova batalha contra um inimigo silencioso e traiçoeiro. Pensava que a minha experiência, enquanto paciente e familiar próxima de pacientes de cancro, me tinha dado alguma imunidade e capacidade de discernimento para encontrar as palavras mais adequadas. Mas não é o que estou a constatar. Nada nos prepara para isso. Tal como quando recebi a notícia, o silêncio tem sido o meu refúgio. Sempre disse que bem pior do que passar por um cancro era passar peloa cancro de alguém que amamos. A sensação de impotência é terrivelmente angustiante. É certo que o papel de quem acompanha é dar amor, ouvir e confortar e isso é da maior importância. Mas assistir à dor dos nossos é algo que transcende qualquer dor física que possamos sentir. Acho que ainda não acredito. E, defintivamente, ainda não encontrei as palavras certas. Sei que não há regras, há momentos e sentimentos, mas esta é uma daquelas raras fases em que gostava que a vida fosse matemática. Mas uma coisa sei, estarei lá para o que der e vier e vai correr tudo bem. Será só mais uma prova. Estamos nisto juntos.

Come a papaia Tita, come a papaia

Tréguas

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Realismo

"Agora és minha mamã, mas quando fores minha filha vou por-te a fralda".

Vais por-me a fralda, Leonor?

"Sim, agora és minha mamã, mas depois vais ser minha filha".

Sei que a pequena estava a brincar, tal como faria com uma boneca, e não pretendeu dar àquela frase um conteúdo mais profundo. No entanto, gosto de pensar que se referia à minha velhice e ao inverter de papéis que, em regra, existe nessa fase da vida.

Claro que o papá fez-me logo descer à terra quando disse "ela só vai por-te uma fralda, aquela que vais usar na viagem até ao lar"

domingo, 22 de abril de 2012

Muse da Arte Nova em Aveiro - a não perder

Há tempos que ando para escrever este post. Aveiro tem um novo ponto de interesse. A antiga casa "Major Pessoa", no Rossio, um ícone da Arte Nova, foi restaurada e convertida no Museu da Arte Nova.

Vale a pena visitar. O museu é a própria casa, que tem um decoração lindíssima. As exposições, em si, podiam ser melhores.

 Mas do que eu gosto mesmo é da cafetaria. O espaço está muito agradável, os scones são deliciosos, as torradas (de pão rústico) também. O pátio, com os puffs, é muito agradável e dá imenso jeito a quem tem criancinhas.

Acreditem, vale mesmo a pena.

Infelizmente, desconfio que não me deixam lá entrar mais, tal foi a javardice que ficou, na mesa e no chão, de pois de ter saído com as minhas crias. A Leonor deixou migalhas num raio de 10 mts e a Benedita resolveu por a mão dentro da chávena do chá (felizmente, já frio) e entorná-lo nas minhas pernas e nas dela.

Era ver, nós a sair e os gémeos a passar, um com o mini aspirador e o outro de esfregona.

domingo, 15 de abril de 2012

Antevejo um futuro complicado

"Vou partir-te a cabeça, a boca, o nariz, ah e as bochechas", dizia a  Leonor enquanto fazia festas na cabeça da Benedita"

A coisa promete. A pequena já dá sinais de não se deixar ficar.

Já me vejo a apanhar rolos de cabelo do chão.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Esta é da manaaaaaaaaaaaaaaaaaaa

Eram três da manhã e estava eu, de rabo para o ar, a procurar a chupeta da Leonor. Revirei os lençóis e espreitei para debaixo da cama, várias vezes, e o raio da pêpê parecia ter-se volatizado.

Entretanto, a criatura olhava para mim com ar ameaçador. Em desespero, corri para a cozinha e peguei na pêpê suplente da Benedita.

Cheguei ao quarto e tentei explicar que, às vezes, temos de aceitar coisas que não são bem aquilo que queremos. E que a vida é mesmo assim.

A pequena mirou e remirou a chupeta, dos mais variados ângulos, e acabou por metê-la na boca.

Suspirei de alívio e apaguei a luz.

Passados 5 minutos, começam os gritos "esta é da manaaaaaaaaaaaaaaaa".

Lá tornei a acender a luz, para voltar às buscas. Quando estava quase a pedir reforços (leia-se chamar o papá para ajudar a amansar a fera), eis que resolvo arrastar a cama e acabei por encontrar a porcaria da pêpê.

Volto a apagar a luz, dormito um bocadinho e, passada cerca de uma hora, começo a ouvir "estou cheia de fomeeeeeeeeeeeeeeeeeee".

Toca a reacender a luz e arrastar a  criança (que não se calava) para a cozinha.

Como está bom de ver, depois de aquecer o "leitinho branco" e por a manteiga no pão, conforme me ordenou, mandou-me comer a mim.

Arre noite animada

domingo, 8 de abril de 2012

A pressão dos ovos

Nunca pensei que fosse acontecer mas, neste momento, estou a sentir-me pressionada. Acabei de fazer uma tarte com ovos produzidos em gaiolas melhoradas (segundo dizem na caixa). Isto significa que, caso tenha corrido mal a experiência, não poderei culpar as galinhas.

sábado, 7 de abril de 2012

Era gaja para ficar viciada

Fosse eu, minimamente, organizada e mais paciente e era gaja para ficar viciada em compras com talões de desconto. Mesmo à americana. Era pior se me metesse na droga (pelo menos assim em abstracto)

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Inconsciência

Estávamos no meio do Continente e a minha "Rambo" começou a gritar "Pingo Doce venha cá". Felizmente o segurança estava longe.

quarta-feira, 4 de abril de 2012