sábado, 31 de outubro de 2009

Surpresa

Estou tão feliz, que nem imaginam. É o que dá ter AMIGOS de categoria, que nos oferecem uma das coisas mais preciosas que temos hoje em dia, TEMPO. E quando não o têm, inventam.

É muito prendado o meu AMIGO Kinas, desportista de eleição, disc-jockey de renome, empresário de sucesso, com um futuro brilhante na política, e muito mais poderia ser dito. Enfim, é ver para crer.

Não estou a exagerar, já é coisa de família. Começando na mãe, passando pelas irmãs, MM e acabando no cunhado. ÚNICOS, é só o que vos posso dizer.

E, meninas, está disponível (acho eu, que ele não me conta nada).

Obrigada Engenheiro. Está muiiiiiiiiiiiiiito lindo o meu blog. Gostei do novo lay-out (coisa chique).

As minhas limitadas capacidades nunca permitiriam fazer uma coisa tão bonita. Para atingir a perfeição, só fica a faltar o prometido prefácio.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Vida Nova

Chamem-me pirosa, mas gosto de ver o "Vida Nova" da Fátima Lopes. É verdade Carlota, não devo ir lá, mas assumo que gosto.

Apesar de a apresentadora não resistir à lagrimita, penso que consegue mostrar histórias de vida comoventes, pela força e coragem de quem as vive, de uma forma muito bonita e menos melodramática que a maioria dos programas de TV.

E numa altura, como esta, em que somos bombardeados com notícias de doenças graves e outras tragédias, é óptimo ficar a conhecer histórias da "vida real" com um final feliz.

Histórias de quem se viu (ou vê) a braços com problemas tão grandes, que para muitos seriam razão para desistir, mas não se deixa vencer. Histórias de quem nos faz sentir muito pequeninos, quando nos lembramos que passamos a vida a lamuriar-nos por tudo e por nada.

Acima de tudo, histórias que nos fazem acreditar que se outros conseguiram, nós também vamos conseguir.

A propósito de uma dessas histórias, quero deixar aqui um beijinho de Parabéns à Liliana. Uma guerreira que já conhecia através do seu blog e hoje vi ser entrevistada pela Fátima Lopes. Mais uma daquelas cidadãs comuns que foi "apanhada" (como diria o execrável homeopata que me consultou) pelo cancro, mas não entregou os pontos.

Foram histórias como as da Liliana que me deram força, no início da m/ caminhada. Obrigada. Liliana, por partilhares a tua luta.

Uma palavra especial ao marido da Liliana. Um Homem com H grande. Sempre presente, ao que tenho visto, nos bons e, especialmente, nos maus momentos.

Também tenho a sorte de ter um assim, ESPECIAL, e sei como é importante. Homens, quem os quer bons arranja-os e mais nada. Digam o que disserem, eles fazem falta

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Não nasci para ser rica

Não há volta a dar-lhe. Não nasci para ser rica, ponto.

Cada qual tem o seu destino e não estou a queixar-me. Tenho mais do que suficiente para viver confortavelmente e feliz. Não vou é atingir aquele estado que permite gastar sem fazer contas. Factos são factos.

Falta-me, definitivamente, o dom de adivinhar tendências e nichos de mercado. Então não é que o cabelo natural está na moda, havendo quem dedique a sua existência a furtá-lo e eu passo a vida a deitar mãos cheias dele à sanita?

Vou longe, vou. Enfim. É certo que o meu cabelo é fininho, leve e, consequentemente, menos valioso. Mas, em todo o caso, "money is money" e, como diz o pai Nando, "quem tem 99 não tem 100".

Ainda por cima, nós temos cabelo que é uma coisa parva. Nunca imaginei. Ele cai, cai, mas cá continuam alguns teimosos que vão disfarçando. Os suficientes para poder dizer que ainda tenho mais que o meu marido, com a vantagem (que já fez questão de me recordar) de ser uma situação transitória. Eh,eh,eh.

A questão não me é indiferente, claro, mas já deixou de me tirar o sono. E tirou-o durante bastante tempo. Muitas noites houve em que acordava cada vez que me mexia, com receio de ter perdido mais cabelo.

Já ouvi dizer vezes sem conta que é um "mal menor". Que seja, mas não deixa de ser um mal e doloroso. Seja pela parte estética, seja por ser um sinal, demasiado vincado e evidente, da doença. Manter algum cabelo permite-me alcançar um dos meus principais objectivos, desde o início, proteger os meus avós.

A parte estética tornou-se ainda mais secundária quando a "minha outra metade" se virou para mim e, de forma completamente espontânea, disse "Lice, quando o cabelo te crescer mantém esse look despenteado".

Mais palavras para quê.

domingo, 25 de outubro de 2009

A minha gravidez foi:

Tenho feito figura de ursa muitas vezes. Desde as orais na faculdade, a julgamentos durante o estágio, reuniões de trabalho, etc, etc, etc.

Apesar de ter já larga experiência em situações embaraçosas, a mais complicada de todas aconteceu há bem pouco tempo, aquando da 1.ª consulta da Leonor na pediatra.

No início da consulta, a médica perguntou-me "a gravidez correu bem?".

O meu rosto iluminou-se e respondi prontamente, correu.

Ah, quer dizer, estive internada às 28 semanas porque a Leonor estava alojada no lado direito e comprimia-me o rim. Estive uma semana sem conseguir comer e dormir, tantas eram as dores. Mas ela esteve sempre bem.

Ah, e às 19 semanas foi-me detectado um linfoma, que foi removido com anestesia local, bla, bla, bla...... Mas ela esteve sempre bem.

Quando acabei, estava a médica a olhar para mim e a dizer "esta bebé é um milagre".

Realmente, penso agora, se isto é correr bem vou ali e já venho. Senti-me um bocado parva ao dar a resposta. Depois de dizer, com aquela prontidão, que a gravidez correu bem, contar aquele chorrilho de complicações, não parece muito normal.

Mas eu explico, é que os problemas que existiram relacionaram-se sempre comigo. A Leonor mostrou-se muito forte e saudável, durante todo o tempo. E fazia questão de o mostrar com os seus golpes de karate. Daí a dúvida na resposta.

Podia ter tido problemas de grávida normal, tipo enjoos, pernas inchadas e depressão pós-parto, mas não. Tinha de ser mais radical.

E agora vejo-me na situação de não saber como resumir a história da minha gravidez.

Pode parecer uma questão sem importância, mas tem o seu quê. A pergunta persegue-me. Seja na pediatra, na ficha do infantário ou no album de fotos da Leonor, lá está ela.

Depois de dar muitas voltas à cabeça acho que cheguei a uma resposta sucinta mas que retrata muito bem a realidade.

A minha gravidez foi: MUITO DESEJADA.

Agora é só torcer para não me fazerem mais perguntas. Chamem-me tola, mas continuo a achar que correu bem.

A memória é curta, especialmente quando a contrapartida é tão boa.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Mais um bebé a caminho

Soube há dias que uma amiga minha de infância vai ser avó. Foi mãe aos 16 anos e agora a filha, de 17 anos, está grávida de 5 meses. Vai ter um menino.

Apesar de ficar feliz, sempre que sei que há uma nova vida em gestação, não posso deixar de ficar preocupada porque é mais um caso de miséria humana.

A história desta família tem sido muito conturbada. Estava com esta amiga quando fumou o 1.º cigarro. Infelizmente, não se ficou pelo cigarro e as coisas complicaram-se muito.

Essa fase horrível passou, mas neste momento está desempregada, assim como o pai do bebé, e a jovem mãe está a fazer um curso de formação profissional.

Como acredito que toda a sociedade tem de se mobilizar para ajudar este e outros bebés com histórias semelhantes, vou dar o 1.º passo.

Assim, peço a todas as mamãs que ainda tenham coisas dos seus bebés (roupa, banheira, produtos de higiene, alcofa ....) ou suas (roupa, discos de amamentação...) para dar, que colaborem. Eu encarrego-me de fazer chegar ao seu destinatário.

Obrigada

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Novidades

Cá estou eu, a deitar os bofes pela boca. Sinto-me muito cansada, e mais não faço nada, além de mudar fraldas, dar biberões e pôr roupa da Leonor de parte.

E por falar na roupa da Leonor,estou ansiosa por ter sobrinhas, preferencialmente filhas de amigas e não das minhas manas (que ainda são tão pequeninas). Sobrinhas porquê, 1.º porque cá em casa nem os bodies são unisexo. Viva o pink. 2.º, a rapariga cresce à velocidade da luz, ou seja não chega a "romper as mini saias" e acho um crime que fiquem sem uso. Eh,eh. Fico à espera de notícias.

Voltando às novidades, o cansaço é normal, na semana pós quimio. As análises estavam negativas. Apesar disso, continuo com alguma "soltura". Não me perguntem porquê.


Ontem fui a uma consulta de rotina no IPO, com o dermatologista que eu acho que me "salvou" a vida.

Está tudo bem, quer dizer tenho umas manchas na pele que vou tratar (nada de novo) e fiquei a saber que as marcas de arranhões que tenho vão desaparecer, um dia se não for antes.

Para quem não sabe, um dos sintomas do linfoma era uma comichão insuportável que fazia com que me coçasse 24 horas por dia. Pois é, cocei-me tanto ou tão pouco que as marcas cá estão, horríveis.

Fiquei muito contente por saber que não vou ter de passar o resto da vida, sempre que usar vestidos ou camisolas de alças, a responder à pergunta "o que é isso que tens nas costas"? Ou a ouvir piada sobre as minhas noites, eh,eh,eh.

Esta semana estou na minha casinha, praticamente cativa se considerarmos que moro no 2.º andar, tenho uma giraça que pesa 8 Kgs, e ainda tem de me aturar pelo que vai comigo para todo lado e o elevador está avariado desde 6.ª à noite.

De resto, tudo na mesma e já me chega. Uma animação.

domingo, 18 de outubro de 2009

Tardes de domingo

Ainda sou do tempo em que o futebol se jogava ao domingo à tarde. Coisa rara nos dias que correm.

Nos dias em que os jogos eram fora, as mulheres ficavam no carro a fazer crochet, com as crianças aos berros no banco de trás, enquanto os homens iam à bola.

Quando estava bom tempo, as mamãs levavam a pequenada até aos baloiços ou a dar um passeio pelas redondezas.

Foi assim que conheci, por exemplo, o castelo da então Vila da Feira, mais tarde Santa Maria da Feira, para onde o destino havia de me trazer muitos anos depois.

Longe de ficar traumatizada com estes programas dominicais, para algumas um tanto ou quanto machistas, tornei-me, com o tempo, a companhia do meu pai nos jogos.

Cada tarde de domingo era uma emoção. Está a chover tanto, será que o pai quer ir? E lá ficava eu caladinha, a fazer figas atrás das costas.

O bilhete é tão caro. Lá começavam os adeptos visitantes, entre os quais o meu pai, a praguejar entre dentes, terminando sempre a dizer em voz alta "como é que estes gajos querem que a gente venha ao futebol". E eu caladinha, a torcer para que o pai não desistisse e fossemos embora.

Vibrava com cada vitória do meu Beira-Mar,sofria com as suas muitas derrotas, tinha o calendário dos jogos, recortava os comentários.

Quando terminava o jogo lá regressávamos ao Porto, sempre a ouvir os relatos e os resumos dos outros jogos. Ainda hoje gosto de conduzir tendo os os relatos como "música de fundo".

Para mim, ir ao futebol perdeu a graça, quando o Beira-Mar deixou de jogar no velhinho Mário Duarte. Não temos, como é evidente, dimensão para jogar naquele "elefante colorido". Desapareceu aquele sentimento de proximidade com os jogadores e restantes adeptos. Já nos conhecíamos todos, sabíamos onde se costumava sentar cada um. Estar a assistir a um jogo oficial num ambiente mais silencioso que o de um jogo treino deixa uma sensação de vazio.

Continuo a gostar muito de futebol mas os meus interesses foram mudando, pelo simples decurso da vida.

E cá estou eu, num domingo à tarde, a mexer no baú das memórias.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Cápsulas Nespresso - Campanha terminou em 2008

Bom dia,

recebi, em resposta a um e.mail meu, a informação que abaixo transcrevo e que não podia deixar de partilhar convosco. Pelos vistos esta campanha terminou em 2008, pois destinava-se à realização de uma árvore de Natal nesse mesmo ano. Ora, já estamos quase no Natal de 2009. Segundo consta também nesta informação (numa parte que não estou a conseguir copiar) o e.mail que se encontra novamente a circular foi alterado por alguém.

De qualquer forma haverá sempre uso para as nossas cápsulas. Existem, certamente, muitas outras entidades com interesse em utilizá-las (infantários, por exemplo), será só uma questão de tempo. Deixem passar o S. Martinho (a próxima festividade de que me recordo) e verão.

bello.pedro@hotmail.com Vacation reply‏ 8:44



Vacation reply‏




De: bello.pedro@hotmail.com
Enviada: quinta-feira, 15 de outubro de 2009 8:44:42
Para: susanaaliceneves@hotmail.com

Este reply, infelizmente para todos, só interessa a quem me escreve sobre a Campanha de Capsulas de Cafe.
Desde Abril 2009 que circula um email falso.
Querendo responder às dezenas de emails/dia, só me ocorre esta solução até que alguem me apresente outra melhor.
Obrigado.



A Acreditar – Associação de Pais e Amigos de Crianças com Cancro agradece a todos aqueles que colaboraram no projecto de recolha de cápsulas de café utilizadas. A participação foi surpreendente e reveladora de um grande empenho cívico e reconhecimento pelo trabalho que a Acreditar tem vindo a desenvolver.
A Campanha terminou após o alcançar do objectivo inicial – execução de trabalhos manuais na época do Natal de 2008.


Porque a nossa actuação vai muito para além desta actividade pontual pedimos que não nos façam chegar mais cápsulas de modo a que, norteados pela missão de “tratar a criança com cancro não só o cancro na criança” nos possamos dedicar a outras solicitações.

A todos agradecemos deixando a certeza de que a expressão pública de apoio contribui, em muito, para o fortalecimento da nossa actuação!

Qualquer esclarecimento por favor contactar Filipa Carvalho: fc@acreditar.pt

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Boletim Clínico

Levei de certeza, e a avaliar pelas dores que tenho sentido, uma tareia na noite de sábado para domingo.

Acreditando que não foi o meu marido, houve alguém que entrou em nossa casa, o que agrava o estado das coisas.

Enfim, se alguém tiver alguma pista que me conduza ao suspeito agradeço. Tenho as minhas suspeitas. Algo me diz que aquele porco alentejano em forma de chouriço sabe de alguma coisa. Mas não quero levantar falsos testemunhos. Quando souber o resultado das análises que fiz ontem, contarei.

É que a juntar às dores (que hoje estão bem melhores)tenho a "soltura" (como diz a m/ avózinha).

Em resumo, estou estragada.

Ontem fiz mais uma sessão de quimio. Já só faltam 5, que é como quem diz faltam mais do que aquelas que pensei, até há cerca de um mês, que teria de fazer. Citando o m/ tio benjamim (e não Benjamim), numa frase que a m/ primaça Sandra adora, "É a vida".

A sessão correu bem, tive direito a uma cama muito confortável, mesmo à janela.
Quando saí de lá é que comecei a ter muito tremores, sentia as mãos geladas. Quando consegui aquecer as mãos, foram os pés que arrefeceram. Lá veio a velha botijinha de água quente.

Resultado, aqueci de tal forma que tive de me destapar toda. A meio da noite acordei toda sua "banhadinha em suor". Uma animação, nas palavras da tia Eva.

Depois de uma noite complicada, dormida às prestações, acordei bem disposta e sem enjoos.

Estou é cada vez mais "enraivecida", como diria a SUzzzzzzzzz, porque o raio do chouriço continua a cheirar-me bem. Só torço o nariz às sopas e legumes.

Como é que uma pessoa destas pode educar uma filha prestes a entrar na fase da "diversificação alimentar"?

terça-feira, 13 de outubro de 2009

5 Mesinhos da Princesa Rainha



Faz hoje 5 mesinhos, a nossa Princesa Rainha. Quem diria que um "ratito" que nasceu com 3.080 Kgs iria atingir o percentil 95 de peso e altura tão rapidamente. Sei que deve ser difícil de acreditar, mas só quando vejo as fotos dos seus primeiros dias é que me lembro de como era pequenina.

Está uma mulher, a minha filha. Já lava os seus 2 dentinhos e consegue manter-se sentada 2 segundos (mais coisa menos coisa). Farta-se de palrar e dar gritinhos. E aquele sorriso, sempre aberto. Um orgulho.

A desejada Leonor, como alguém lhe chamou, veio ao mundo no momento certo das nossas vidas e parece que sempre fez parte delas. Comentário do papá, quando viu o album de casamento que nos foi entregue a semana passada, "falta aqui a Leonor".

Parabéns Princesa Rainha

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Susana, a cobaia

Hoje vou contar a história da Susana, a cobaia.

Acredito que contar uma história na qual sou personagem principal possa parecer muito narcísico. Mas esta é a verdadeira história, "contada na 1.ª pessoa" e sem floreados.

Até me ter cruzado com o terrível Sr. Hodgkin, nunca tinha sido operada e só tinha levado um ponto quando extraí o dente do siso. Estava longe, portanto, de saber o que era ser retalhada e cozida. Fiquei, por isso, maravilhada quando foi removido o 1.º linfoma e não senti absolutamente nada. Achei espantoso como é que era possível estar a ser esquartejada sem dor e completamente lúcida.

Na altura pensei nos 1.ºs desgraçados que foram operados, sem anestesia e com métodos completamente arcaicos. Enfim, senti-me uma sortuda por ter nascido no século XX e só ser operada no século XXI.

Não me lembrei foi que os médicos não nasceram ensinados a operar e dar pontos. Tiveram de começar por alguém.

E claro, calhou-me a mim ser cobaia de dois deles.

Quando a médica que me iria fazer o parto me apresentou a estudante de medicina que estava ao seu lado e pediu autorização para que ela assistisse, não percebi o significado do verbo assistir em contexto médico.

E só no final, quando comecei a ouvir "mais para cima, aí não senão vais aleijar; protege o períneo, protege o períneo; mais um ponto; isso, muito bem", e coisas do género, é que percebi que o momento mais importante da minha vida tinha coincidido com uma aula prática, no sentido mais literal da expressão.

Apesar de a sensação ser muito estranha, afinal estava a ser cozida "naquele" sítio, correu tudo muito bem. Acho até que a médica, que no fim me agradeceu por a ter deixado "assistir" ao parto, vai ter muito sucesso no mundo da medicina.

Passados uns tempos, estava eu deitada e com aquele tecido verde esterilizado (não me lembro o nome que lhe dão) a tapar-me a cara, começo a ouvir "cuidado, assim não"; "mais para o lado"; "cuidado".

Estava só a colocar um cateter jugular, coisa pouca pois então. Já tinha uma boa experiência com estagiários. Tudo controlado, portanto.

"Ai desculpe, estava distraída". Como?!!! A médica estagiária que, pelos vistos, estava a tentar colocar-me o cateter estava distraída?!!!

Caramba, aí fiquei um pouco apreensiva. Ok, a morrer de medo.

"Queres sair?", "estás um bocado branca". "Sim, se calhar é melhor". E lá saiu da sala.

"Não sei o que é que tem, já assistiu comigo a outras implantações de cateter", dizia o médico às enfermeiras.

E eu suava.

No final, lá regressou a pobre, que quase desmaiou em cima de mim, e pediu-me desculpa. "Nunca me tinha acontecido isto". Deixe lá, é normal (normalíssimo, diria até), se calhar já não comia há muitas horas. "Pois é".

Quando voltou a sair, perguntou uma enfermeira à outra "quem é ela?"; "Não sei, aho que pediu à Administração para vir fazer um estágio".

Nada contra os estagiáros, antes pelo contrário. Podiam era ensinar-lhe que um paciente que está sob o efeito de anestesia local ouve e percebe tudo. "Estava distraída"?!!!. Bolas, escusava de ser tão sincera. Eu ia morrendo do coração, com o susto.

Mas tudo está bem, quando acaba bem.

E ficam mais duas experiências "diferentes" para contar aos netos.

sábado, 3 de outubro de 2009

Há 2 anos foi assim



"Aconteceu,
eu não estava à tua espera
E tu não me procuravas
Nem sabias quem eu era
Eu estava ali só porque tinha que estar
E tu chegaste, porque tinhas de chegar"


Estava inspirado o Tozé Brito, quando escreveu esta letra que a Ana Moura canta na perfeição. E foi mesmo assim, aconteceu porque tinha de acontecer. Como me disseram ontem no Alentejo "quando Deus faz a panela, faz também a tampa".

Quis o destino, que naquele dia encarnou na Sílvia e na Catarina, que nos cruzássemos uma vez, tornássemos a cruzar passado muito tempo e "acabássemos", faz hoje 2 anos, em frente ao Frei Silvino a assumir a responsabilidade de nos aturarmos até ao fim da vida.

Apesar de persistir a discussão sobre quem beijou quem (acho que nunca estaremos de acordo quanto a esse ponto), todas as outras discordâncias (pequenas, diga-se de passagem), não nos têm impedido de consolidar o projecto, ambicioso e audaz, que iniciámos a 06 de Outubro de 2007 - criar uma FAMÍLIA unida e feliz.

Cada dia que passa aumenta em mim a certeza de que tomei a melhor decisão, ao pedir-lhe o e.mail. Sim, porque assumo o que fiz. Já o beijo ......

Neste dia especial, uma dedicatória para a minha outra metade "você não vale nada, mas eu gosto de você". Brincadeirinha. Não é Paixão, é mesmo AMOR, daquele sem fim.

Sou muito feliz.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Desventuras de uma pseudo-ecologista

Hoje vim umas horitas até casa e resolvi dar uma de ecologista.
Lá fui eu, elevador abaixo, com os sacos da reciclagem. Plástico, papel, vidro, lá esvaziei os ditos e fiquei a achar que tinha feito uma grande coisa.

Só que, como quase sempre que penso que estou a ajudar, tive a infeliz ideia de ir à caixa do correio.

Panfleto do candidato do PSD, panfleto do candidato do PS; publicidade de um Banco; jornal de uma grande superfície; panfleto de outra grande superfície; publicidade de uma grande superfície de artigos de bricolage; publicidade de uma grande superfície de electrodomésticos; publicidade à Feira de Vinhos de outra grande superfície.

Catálogo de uma loja de roupa; publicidade a um "biscateiro" (por acaso, esta acho que vai dar jeito).

Catálogo de VERÃO de uma grande superfície de materiais de jardim. Quando cheguei a este pensei - uau, grande avanço de temporada. Mas não, depois de olhar uma 2.ª vez, verifiquei que os srs. ainda estão a dirigir a sua estratégia comercial para o Verão de 2009. Bolas pá, isto não se faz a uma pessoa que anda meia avariada da mioleira. Tive de olhar 3.ª vez para confirmar. Penso logo que sou eu que estou a delirar. Acho que vou pedir a alguém para conferir.

E pensava eu, não deve haver mais nada com interesse. Pois, pois. Acreditam que por 19,90€ (tudo incluído) podemos fazer uma excursão à Costa da Morte !!!!! Para quem, como eu, não nunca tinha ouvido falar neste sítio, certamente paradisíaco, posso agora dizer-vos que fica em Muros (estou na mesma) e foi declarado de valor histórico-artístico em 1970. Nem me atrevo a ver o que é que significa "tudo incluído".

Depois disto tudo, valha-me a Oração a Santo Expedito que alguma alma caridosa se lembrou de depositar na atafulhada caixa.

Ah, também tinha uma revista que assino, religiosamente, desde os meus 8 anos.
Quem diria que aquela caixa ainda conserva, ainda que residualmente, a funcionalidade de receber correspondência.

E lá fiquei eu com o saco do papel novamente cheio. Agora também já não vou lá abaixo.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Tom & Jerry



Diz quem sabe, e quem sabe é mamãe, que o elemento genético dominante do nosso "feitiosinho" é Neves. E diz o papai, "eu vi logo, se fosse para me elogiar é que eu estranhava; ainda vão ter saudades minhas".

Talvez por isso sejamos, embora cada vez menos, como o Tom e o Jerry. Sempre às turras, a discutir sem saber porquê mas, no final, sempre juntas. Penso poder falar pelas 3, não vivemos umas sem as outras. Nem que seja para discutir um bocadinho :)

Susana, Dulce (Ana para os amigos) e Joana. Uma em terra, outra na água e a benjamin no ar. Curioso como o local onde exercemos as nossas profissões está de acordo com as nossas personalidades.

Não me recordo de como recebi a notícia do nascimento da Dulce. Não miúda, não foste adoptada, como dizia o outro. O teu cabelo loiro tem explicação, científica e plausível, nos nossos ascendentes. Eu é que só tinha 4 anos.

Mas lembro-me, como se fosse hoje, do dia em que soube que a Joana ia nascer. Foi o 1.º dos dias mais felizes da minha vida. Foi o momento em que começou a nascer o meu instinto maternal. Sim, que só me faltou dá-la à luz.

Ainda hoje estou para saber como é que os pais tiveram coragem para aturar 3 gajas. É certo que não tiveram grande escolha, duas de nós não foram propriamente programadas, mas convenhamos que não deve ter sido fácil.

Lindas, inteligentes, excelentes profissionais e com um génio levado da breca, são assim as minhas manas.

Qual embaixatriz de Portugal, a "minguinhas" mete o Figo a um canto, tão longe tem levado o nome de Portugal no mundo. Já o meu "calcanhar de Aquiles", que pediu uma semana de licença sem vencimento para vir da Suécia e acompanhar-me a uma das sessões de quimio, é um poço de determinação e ideias próprias.

Foi sempre uma casa cheia, até que cada uma de nós começou a ganhar asas e saiu do ninho. Parece mentira, mas às vezes tenho saudades, suas bruxas.

Termino com uma "pérola" que encontrei agora no fundo de uma gaveta e data de 1994 (mais coisa menos coisa).

"Minguinha" fofa:

Não te trocava por um "poker" embora sejas bem mais nojenta que uma barata. A propósito, já te disse qual é a diferença entre ti e uma barata?


E a resposta:

Susana Alice Besta Matos Neves


Tu és a besta mais repugnante, viscosa e nojenta que Deus pôs ao cimo da terra.

E digam lá se não é lindo o amor fraternal.