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Para a Luísa

Escrevo-te no nosso caldeirão verde, onde passaste tantas horas, suportando sabe-se lá que dores, sempre de sorriso no rosto.
Onde ontem, durante o jogo te procurei tantas vezes percebendo que a tua ausência era sinal que algo não estaria bem, mas sem desconfiar que estarias a seguir o teu caminho para o céu.
Não convivemos muito mas os poucos momentos em que tive a honra de privar contigo foram suficientes para te admirar e ter como exemplo de mulher e mãe. Alguém que nunca baixou os braços e deu tudo o que de melhor tinha.
Neste momento peço a Deus por todos os que cá ficaram e não conseguem perceber o porquê desta partida tão precoce. É difícil perceber e aceitar. Porém,  a certeza que a semente que deixastes no coração de todos e de que continuaras (agora aí de cina) a velar por todos, ajudará a continuar o caminho.
O teu lugar na bancada estará sempre preenchio, pelas lembranças. Obrigada e um grande beijinho.

Felizmente que tenho a cabeça agarrada ao corpo

O Tico e o Teco, que nunca foram muito bons, andam meio avariados.
Só isso explica que tenha deixado, no meio do estacionamento, o cabaz de legumes que pousei para conseguir abrir a porta da casa.
Só por sorte os não passei a ferro.
Mais sorte ainda foi uma Amiga passar pelo cabaz e perceber que aquele serviço só podia ter sido feito por mim.
E, assim, acabei por ter os legumes entregues ao domicilio.
Felizmente que tenho a cabeça agarrada ao corpo, senão seria lindo.

Sobre as crianças e a simplicidade

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Há momentos em que invejo a simplicidade das crianças.
Hoje vi a felicidade irradiar dos olhos da minha mais nova, ao sair de casa com o presépio inacabado que fez com o papá.
Estava tão orgulhosa que não lhe viu imperfeições e teve pressa em mostra-lo ao mundo. Nós, os crescidos, é que só vemos as falhas que nos rodeiam.

O avô Matos estava muito à frente!

O meu avô Matos era a pessoa mais poupada que alguma vez vi. Não havia papel de embrulho ou plástico de encapar livros que lhe passasse pela frente e ficasse sem destino. O resto da família ainda hoje se ri, ao ver livros encapados com plástico aos corações ou papel das prendas trocadas no Natal de 1983.
Este ano, ao perceber que têm de sair cá de casa 3 presépios e uma coroa de advento feitos com materiais reciclados, fez-se-me luz. O meu avô foi um precursor do ambientalismo e nós, curtos de vistas, a acharmos que era forreta! Ignorantes, diria ele!

O baby shower de Jesus

Contrariamente ao que os calendários de chocolate nos podem fazer querer, o Advento não começa (liturgicamente) no dia 1 mas sim no 1.º domingo de Dezembro, amanhã.

No meu coração, porém, já se vive a ânsia de preparar a vinda do menino Jesus, numa imagem moderna preparar o seu baby shower.

Sinto, este ano, uma particular necessidade de viver estes dias em slow motion o que será, sempre, pouco provável entre trabalho, actividades extra laborais e 500.000 festas, de aniversário entre outras efemérides.

Pelo menos esta manhã consegui o meu propósito. Depois de uma boa noite de sono, nada melhor que uma manhã inteira de pijama.

Feliz Advento a todos.

Dores

Desiludam-se os que as querem mensurar ou, pior que isso, comparar.
Desenganem-se os que acreditam serem maiores quando visíveis, ignorando as que se escondem.
Tão pessoais são as dores que as há de formas infinitas, porque finitas são as células. Eterna e informe a alma de quem as sente.

Sinto-me confusa

Há tempos, um político cá do burgo perguntou-me se era a corrigir algo mal feito pelas minhas filhas que as educaria.

Fiquei a pensar na questão, na importância de as patroas receberem bons exemplos por parte dos adultos e aprenderem a arcar com a responsabilidade pelas suas falhas.
Tudo  muito certo e óbvio pareceu-me.
Hoje porém, ao ouvir na rádio que estou a equacionar alterar o regime de controlo de assiduidade dos deputados para evitar fraudes, fiquei baralhada.
Há adultos que, diga-se passagem, são só os responsáveis pelos destinos da nação a fazer asneiras nos registos de tempo de trabalho e a situação que se equaciona é alterar o dito sistema.
A sério? !!! Se fosse deputada ficaria ofendida (ainda que a dose de tolerância dos colegas seja, no caso, muito generosa).
Em que ficamos? Que exemplo é este e que moral teremos nós para repreender os nossos filhos pelas asneirolas que fazem, depois de eles terem visto o telejornal? Estou confusa. Será que a solução do meu dilema é proi…