quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Falar sobre a morte às crianças

Optamos sempre por não esconder nada sobre a morte às meninas que acompanharam de perto os últimos dias do bisavô.

Ontem contamos-lhe que tinha morrido uma idosa que costumavam ver no lar e se metia muito com elas. Inicialmente, na sua inocência, brincaram com a situação. Passado algum tempo, a Tita confessou que tinha ficado preocupada pois gostava de senhora. Sosseguei-a e disse-lhe que a sua amiga deve estar agora a conversar com o bisavô Emílio. A Tita ficou contente com a ideia e simulou o possível diálogo.
Assim, sem dramas, as minhas meninas percebem que quem morre estará sempre vivo nas suas memórias e coração, simplesmente deixa de se ver.

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

No privado é que é bom (ao contrário)

Ontem assisti a uma cena que me fez pensar. Uns pais foram com o seu bebé de 1 ano às urgências de um hospital privado porque estava com problemas respiratórios. A recepcionista, 5 estrelas, apressou-se a procurar um médico e voltou com o recado do doutor de que seria melhor irem ao hospital.
Para além do hospital privado não ter pediatra àquela hora, o médico ia jantar pelo demoraria uma hora.
Até consigo perceber a razão de ciência, embora me tenha incomodado o facto de não ter vindo fazer uma avaliação sumária ao bebé cujos pais optaram por esperar. Hora e meia depois, lá foram atendidos.
Com isto reforcei a convicção que a única diferença entre os dois hospitais é a maior comodidade que o privado oferece, factor importante sem dúvida mas algo secundário quando está em causa a saúde. Quanto à  qualidade técnica nem me vou pronunciar. Há um certo hospital  a precisar desesperadamente de concorrência.

terça-feira, 29 de novembro de 2016

A prenda de Natal que eu deveria pedir, segundo a minha mais velha

Segundo a Leonor, e por motivos que ainda não consegui apurar, eu deveria pedir ao Pai Natal um spa de bolas anti stress.
Admito que seja notória a necessidade, questiono-me é se a santa da minha filha tem noção do inestimável contributo que, juntamente com a sua santa irmã, dá para a elevação dos referidos níveis de stress.

domingo, 27 de novembro de 2016

Lúcia-lima

Se há sabores e odores que fazem viajar no tempo, o do chá de Lúcia-lima é um deles.
Foram tardes sem conta, passadas à lareira a ouvir as histórias de primos alentejanos que sinto conhecer sem nunca ter visto, que a avó Bena não se cansava de repetir enquanto bebericavamos o chá de folhas colhidas no jardim da tia Lurdes.
Grandes e ternas memórias.

O dia de Acção de Graças aos olhos da Leonor

-Mãe, a professora de inglês disse que no dia de Acção de Graças se come peru assado e tarte de abóbora mas eu acho que nesse dia as lojas deviam dar tudo de graça.

Intuindo a lógica do raciocínio, mas querendo perceber até que ponto estaria influenciadas pelas notícias sobre a Black Friday, quis saber porque dizia isso.

Então, porque seria uma acção de graça!, foi a resposta.

Afinal apegou-se só à literalidade das palavras, no significado que lhes conhece e que torna o raciocínio efectivamente lógico.
Adoro estas nossas conversas filosóficas.