sexta-feira, 28 de abril de 2017

Mãe tartaruga

Hoje tive a grata surpresa de saber que, na escola, a Tita escolheu a tartaruga para me representar. Para ela sou a mãe tartaruga pois aguento com tudo, trabalho muito e nunca desisto.
Nem consigo descrever o que esta definição representou para mim, num dia em que tinha chegado a desabafar ter vontade de hibernar. Felizmente a Tita tem uma visão das tartarugas bem diferente da minha, que me emocionou já que a senti como imerecido elogio. Não é verdade que aguente com tudo e nunca desista mas, depois disto, só me resta fazer por corresponder à imagem romântica que a minha mais nova tem de mim.

É preciso investir na reabilitação dos cães

Antes de começar a divagar, deixem-me dizer que gosto muito de animais. Tenho um gato e uma porquinha da índia que trato principescamente. O champô da porquinha chega a ser mais caro que o meu e o gato até lava os dentes.

Posto isto, devo dizer que não sei se ria se chore ao ouvir os defensores do investimento na reabilitação de cães perigosos.

Não interessa discutir a perigosidade dos bichos em função da raça porque depende sempre de muitos factores. A minha irmã do meio foi barbaramente atacada na cabeça por um pastor alemão de boas famílias, tratado e educado com o maior dos cuidados. E todos conhecem, provavelmente, pastores alemães dóceis que não fazem mal a uma mosca.

Com os caniches será igual. O meu avô viu-se e desejou-se para sarar uma ferida feita pelo dentinho de um desses bonequinhos com que se cruzou na rua.

Obviamente incumbe aos humanos ter os devidos cuidados para evitar acidentes. E há outros que ocorrem independentemente de todos os cuidados e sem que algum dia se pudesse sequer imaginar a possibilidade de ocorrerem.

Até aqui estaremos certamente de acordo.

Nada contra a reabilitação de cães. Sou, aliás, grande defensora da reabilitação como princípio.

Tudo o que lamento é que não exista o mesmo empenho na defesa da reabilitação de seres humanos sendo certo que, por si, podem ser bem mais perigosos que os cães.

E aqui perdoem-me o paralelismo que faço entre, por exemplo, um cão e um recluso que pode até ter chegado a essa condição por força de comportamentos aditivos/patológicos.

Todos queremos ver os erros humanos punidos severamente e, dificilmente, defendemos a reabilitação. Não nos importamos de ver um ser humano atrás das grades o resto da vida, ignorando a possibilidade de este se redimir e poder reintegrar na sociedade se o sistema funcionar como se pretende, mas damos a vida pela reabilitação de cães.

Pior, em sua defesa, tornamo-nos mais ferozes que eles atacando quem possa ter opinião contrária.

E isto é algo que me causa grande apreensão e receio quanto ao futuro.

NOTA IMPORTANTE - Em momento algum retirem deste texto que quero defender o abate de cães.

O que eu queria era ver o mesmo empenho (para não pedir mais) na defesa dos nossos semelhantes.



quinta-feira, 27 de abril de 2017

A malta tem de engolir cada sapo

Ter de ouvir alguém dizer que tem uma série de cancerosos que não consegue eliminar, recorrendo a uma imagem infeliz para descrever elementos que estorvam determinada organização, e não poder saltar-lhe ao pescoço é pior que engolir um sapo vivo. Digo eu que nunca engoli nenhum.

quarta-feira, 26 de abril de 2017

Sobre o fenómeno de Fátima

O que quer que seja aquilo em que acreditemos, creio que todos seremos unânimes ao dizer que Fátima é um fenómeno a que ninguém fica indiferente.
A mim transporta-me ao tempo da escola primária e às tardes de sexta-feira nas quais o professor Pereira nos contava a história dos patorinhos. Lembra-me também a viagem de finalistas da quarta classe. E faz 8 anos no próximo dia 13 de Maio, dia de Nossa Senhora de Fátima, que tive a benção de ser mãe pela primeira vez.
Fátima faz parte da minha e nossa história, com política à  mistura e é importante que façamos por conhcer essa mesma história, que tanto nos explica o presente.

ESTA entrevista de D. Carlos Azevedo, cujo título suscitou a minha curiosidade, ajuda a contextualizar a história de Fátima e vale a pena lê-la.
Não sendo um dos meus locais predilectos de encontro comigo e com Deus, gostaria muito que Fátima  deixasse de ser um mero local em que se vão acender velas e cumprir promessas a metro como sinto ser para muitos.
Gostava também de sentir que existe respeito pela fé alheia o que, paradoxalmente, terá de passar também por uma peregrinação interior que me leve a aceitar muitas coisas nas quais não me revejo.

Perante a imagem de Susana Vieira sem maquilhagem

Àqueles que criticaram a imagem da Susana Vieira sem maquilhagem - foto AQUI - só me ocorre citar a minha irmã do meio "são burros ou comem palha?".

Acreditam mesmo que as figuras públicas nascem perfeitas e acordam penteadas? !!! Anda mal essa autoestima.

Eu cá gosto de as perceber seres de carne e osso. Quanto mais não seja, sempre me ajuda a aceitar a minha própria celulite. Ainda que duvide que aos 74 anos a maquilhagem venha a fazer milagres semelhantes ao que faz na minha homónima brasileira.

Ah,  e porque gosto, sempre e acima de tudo, da dimensão humana dos meus semelhantes.