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A mostrar mensagens de 2018

6 meses

6 meses se passaram e as nossas vidas seguiram, com as obrigatórias adaptações e um estranho sentimento de vazio que procuramos encher de lembranças, aquelas nos fazem  reviver momentos bons, tantas vezes quantas as que quisermos.

A saudade essa não acabará nunca.

Dá para os dois lados

A  criatura que me mói a cabeça por querer ir à padaria sozinha é a mesma que, minutos depois, reclama só ter 7 anos e ser muito nova para trabalhar (leia-se pôr a mesa).

É a chamada volatilidade dos argumentos (vulgo dá para os dois lados (ou, pelo menos, tenta).

Saravá e oxalá

Se  a Dina Aguiar tivesse iniciado a emissão com um "Saravá" ou terminado com um "oxalá", em vez de "Se Deus quiser", seria só cool ou continuaria a chocar os contribuintes?

Irra que este medo de emprenhar pelos ouvidos começa a ser patológico.


Momento de cultura geral a que me obriguei

"Saravá
É comum relacionar essa expressão com rituais no Brasil, como o candomblé e umbanda. O termo saravá também é usado em religiões afro-brasileiras como mantra (que são palavras especiais vocalizadas de maneira específica que produzem certos fenômenos de imantação e desagregação[carece de fontes]; são sons místicos ou sagrados, ou seja, sons específicos que elevam o espírito[carece de fontes]) e significa: SA— (Força, Senhor) —RA— (Reinar, Movimento) —VÁ (Natureza, Energia).[carece de fontes] Saravá significa então a força que movimenta a natureza. Esse termo é, portanto, um mantra que pode fixar ou dissipar determinadas vibrações, não sendo, portanto aconselhável pro…

Começou!

Eu que sabia que era uma questão de dias até começar a ouvir o argumento mais velho e batido de qualquer criança que se preze "mas todos os meus amigos jogam!", devidamente acompanhado de 3 lágrimas grossas a rolar para cara abaixo.
E começou aquilo que, sentido na pele, me parece um massacre.
Uma mãe anda a vida toda com teorias sobre a resposta que deve ser dada em momentos destes e no dia em que tem de as pôr em prática, eis que todas convicções ficam abaladas. É tudo muito mais fácil quando as lágrimas  (ainda que a puxar ao sentimento) escorrem na cara dos filhos alheios.

Vão demolir o estádio Mário Duarte

Vão demolir o estádio Mário Duarte e não consigo descrever o sentimento que esta ideia me desperta.

É certo tratar-se de uma morte há muito anunciada, mas este tipo de notícias começa a tornar a ameaça como algo real.

Apesar do desencanto que o futebol me tem vindo a suscitar de há algum tempo para cá, guardarei sempre como um tesouro as memórias das minhas tardes de Domingo .

Fui muito feliz no Mário Duarte.

Às vezes temos de nos rir, senão piramos

-Antecedentes de cancro na família, perguntaram-me durante os exames médicos das crias.
- Eu, avó materna, a avó paterna, o avô paterno,  - e eu que fui interrompida pelo revirar de olhos do médico.
Lá  contei a minha novela e quando ia retomar o historial oncológico da família , o médico dispensou-me de o fazer, dizendo que já tinha informação que lhe chegasse. Tive de me rir do cenário negro que nunca tinha visto nesta perspectiva. Às vezes é melhor rir, sob pena de pirar ainda mais.

Dar beijinhos aos avós

Peço desculpa mas não consigo evitar o tema do momento. Devemos, ou não, obrigar as crianças a dar beijinhos aos avós?

Brincadeirinha, acho que o cerne da questão não é esse. Acho até que o discurso que o, agora famoso, professor universitário teve no Programa Prós e Contras  só serve para desviar ainda mais a discussão daqueles que devem ser os pontos chave de tudo aquilo que se refere aos relacionamentos humanos. O respeito, a tolerância e o meio termo.

Comparar um beijinho na cara, seja dos avós seja de um estranho, a um acto de intimidade é, no mínimo, tão estrambólico quanto acusar de adultério uma mulher casada pelo simples facto de falar com outro homem (como sabemos ainda acontecer  em certas culturas).

Um beijinho na cara é em Portugal, pelo menos assim mo ensinaram, um gesto social de respeito pelo outro.

Compreendo que exista quem não goste de o fazer e evite, assim como compreendo que fique magoado ao perceber que alguém evitou cumprimentá-lo dessa forma,  mas aí entramos …

Um homem deu-me um beijo na mão!

Um homem deu-me um beijo na mão! Palavra. Aconteceu hoje, sem ambiente profissional. Terá entrado na minha intimidade?

Falhei

Tive de, inesperadamente, ir à escola da cria mais velha e quando a cachopa me viu perguntou-me se lhe tinha ido levar a camisola já que a tinha sujado.

Lá lhe expliquei que se me tinha avariado a bola de cristal e, como tal, não levava uma camisola lavada.

Falhei, admito. Mãe que é mãe não só sente como antecipa as necessidades das suas crias (pelo menos aos seus olhos).

Brincadeiras à parte, é uma ternura perceber a ilimitada confiança das crias relativamente às minhas capacidades. Devem ver-me como um ser do além. É também uma enorme responsabilidade.

PS. Esta deve ser a dica dos céus para me lembrar de colocar uma muda de roupa na mochila das patroas.

A minha hora de almoço

Para mim, a hora de almoço é sagrada (como a do pequeno almoço e jantar, de resto).

Sou incapaz de perceber quem a aproveita para ir ao cabeleireiro, ginásio ou afins. Detesto comer depressa, especialmente se for de pé.

Provavelmente por estar mal habituada e continuar a ter a sorte de ir almoçar a casa dos pais, que vieram substituir os avós, o que me permite aproveitar o aconchego da família e ter uns minutinhos de sossego para ler o jornal.

Hoje, Dia Mundial da Alimentação, recordo com particular carinho os almoços em casa dos meus avós, ao som das notícias e discussões hilariantes sobre a origem etimológica de certas palavras e outros factos mais, ou ainda menos relevantes.

Fosse qual fosse a hora a que chegasse, a minha avó voltava para a cozinha para me fazer companhia e não me deixava levantar um guardanapo, mandando-me ir ler um bocadinho do jornal para "descansar antes de voltar ao trabalho".

Não há como não sentir saudades deste mimo que continuo a receber, agora d…

Qual a relação entre a tempestade Leslie e Santa Teresa de Ávila?

Vive, no sábado passado, uma das experiências mais assustadoras de que tenho memória.
Não foi por desconhecimento, pois ouvi o Aviso da Protecção Civil, mas por achar que a tempestade Leslie só passaria por locais onde não estivesse (haja presunção).
Quando entrei no pavilhão já chovia bastante, mas o vento era insignificante. Durante o jogo, nada me fazia perceber o temporal sentido lá fora até ao momento em que comecei a ver alguma agitação e percebi que umas plaquinhas do telhado tinham voado.
Com receio que a coisa piorasse, resolvi sair a 5 minutos do final e só aí tive real noção do que estava a acontecer. O vento era de tal ordem que não sei como chegámos a casa. Foram cerca de 500 metros que pareceram 5000.
Enquanto o meu pai levava a cria mais nova ao colo, tentei pegar na mais velha mas parecia chumbo e nem a consegui levantar do chão, coisa que faça tantas vezes. A miúda quase a panicar, a queixar-se que não consegui ver, nem respirar. Eu a tentar acalmá-la e a sentir que …

Faltam 80 dias para acabar o ano e ....

Não quero ser motivo de desestabilização, mas faltam 80 dias para acabar o ano e … talvez seja altura de olhar para as famosas listas de coisas a fazer em 2018 e perceber se há grandes desvios.

80 dias ainda permitirão implementar algumas medidas correctivas.

Façam-no, se tiverem coragem. Eu cá, por causa das coisas, já há dois anos que opto pela lista de coisas a NÃO fazer. Sempre evito a frustração de perceber que as listas do A fazer se mantinham intactas ano após anos no que isso tem de mau.


O poder da argumentação

- Leonor, isso é batota! Não podes ir espreitar a tabuada enquanto fazes a conta!
- Mas mãe, assim estou a estudar a tabuada também!

Tem alguma lógica, convenhamos.

Unha com carne

As patroas levam a expressão "unha com carne" tão a sério que é frente encontrar vestígios de adn de uma sob as unhas da outra. Talvez fosse boa ideias explicar-lhes que há outras formas de exprimirem a cumplicidade que as (des)une.

Mnemónica russa. Oi?!!!

A patroa mais velha aprendeu a fazer contas de multiplicar recorrendo à mnemónica russa.
Digam-me, por favor, que não sou a única mãe nascida na década de setenta do século passado a desconhecer o que seja tal coisa!

O mundo precisa é de miúdas destas!

Com a tarefa de comprar uma prenda de aniversário para uma menina que fazia 7 anos, achei que não seria necessário sondar os seus gostos e interesses. Para mim, que sou apaixonada por barbies, a escolha era óbvia.

Comprei uma linda barbie com uma guitarra (instrumento tocado pela aniversariante).

Quando a menina desembrulhou a prenda foram dois baldes de água fria. Um sobre a sua cabeça pois, como confessou alto e bom som, não gosta de bonecas! Outro na minha, ao perceber como me deixei levar pelos pré-conceitos (preconceitos, se preferirem).

O mundo precisa de mais miúdas destas, espontâneas e ideias próprias.

Não que haja mal em gostar de barbies (espero eu) e, muito menos, que esse facto faça de alguém um carneirinho mas porque as mentes vão mudando é com actos e não com palavras de ordem e movimentos que, facilmente, resvalam para a ridicularização de causas sérias.

Era unhas e falangetas!

Se eu fosse cachopa de roer as unhas hoje até as falangetas tinham ido. Jogo do demo aquele Illiabum - CPE. Se se repetirem muitas vezes estes picos de adrenalina acho que fico KO.
Grandes, os nossos rapazes, que trouxeram para a terra a vitória no primeiro jogo do campeonato.
Carrega CPE

O cúmulo da falta de civismo!

Estacionar em segunda fila, preferencialmente em cima de uma curva ou passadeira, entrar apressado na padaria e ignorar as crianças que estão na fila, ultrapassando-as.
É isto diariamente, com a agravante de serem vários os personagens.
O cúmulo da falta de civismo diria, para não baixar o nível.

O que gostava de ver

O que eu gostava de ver nesta novela que envolve o Ronaldo era a, alegada, vítima devolver o dinheiro que recebeu há nove anos e recomeçar o processo da estaca zero. Do lado do Ronaldo gostaria de ver o desejo de ser julgado para conseguir provar a,alegada, inocência.

São Francisco de Assis, o padroeiro dos animais.

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Celebra-se hoje o Dia Mundial do animal tendo a escolha recaído no dia 04 de outubro ser o dia de São Francisco de Assis, o santo padroeiro dos animais.
De São Francisco de Assis é uma das orações mais bonitas que conheço e marcou a minha infância no colégio.
Oração de São Francisco de Assis"Senhor,

Fazei de mim um instrumento de vossa Paz!
Onde houver Ódio, que eu leve o Amor,
Onde houver Ofensa, que eu leve o Perdão.
Onde houver Discórdia, que eu leve a União.
Onde houver Dúvida, que eu leve a Fé.
Onde houver Erro, que eu leve a Verdade.
Onde houver Desespero, que eu leve a Esperança.
Onde houver Tristeza, que eu leve a Alegria.
Onde houver Trevas, que eu leve a Luz!

Ó Mestre,

fazei que eu procure mais:
Consolar, que ser consolado;
Compreender, que ser compreendido;
Amar, que ser amado.
Pois é dando, que se recebe.
Perdoando, que se é perdoado e
É morrendo, que se vive para a vida eterna!"
E, sendo os animais uns dos nossos melhores amigos, é irresistível cair no lugar de com…

O dinheiro satisfaz mas não motiva

Há dias, numa conferência, ouvia dizer que o dinheiro satisfaz mas não motiva e fiquei a pensar nesta frase.

De facto o dinheiro satisfaz necessidades, sejam elas mais ou menos básicas, e caprichos.

Mas não é,  de todo, aquilo que (me) motiva.

Que sobra a alguém, depois de tudo comprar e mostrar, se lhe faltarem objectivos e sonhos?  Um vazio no coração, imagino.

Direitos dos trabalhadores vítimas de violência doméstica

Estando, e bem, a questão da violência doméstica na ordem do dia, achei que poderia ter interesse referir que o nosso legislador do trabalho já pensou na questão, tendo dado pequenos passinhos de lã ao prever alguns direitos para o trabalhador vítima da mesma:

O trabalhador vítima de violência doméstica tem direito a ser transferido, temporária ou definitivamente, a seu pedido, para outro estabelecimento da empresa, verificadas as seguintes condições:

a) Apresentação de queixa-crime;
b) Saída da casa de morada de família no momento em que se efective a transferência.

Nestas circunstâncias, o empregador apenas pode adiar a transferência com fundamento em exigências imperiosas ligadas ao funcionamento da empresa ou serviço, ou até que exista posto de trabalho compatível disponível tendo o trabalhador direito a suspender o contrato de imediato até que ocorra a transferência.

É garantida a confidencialidade da situação que motiva as alterações contratuais, se solicitado pelo interess…

Algo estranho se passa comigo

Algo de estranho se passa comigo. É só decidir sentar-me a ver um pouco de televisão que há logo uma daquelas criaturas que durante a semana tem de ser abanadas para acordar que desperta e chega primeiro ao sofá.
Fosse eu dada a outras crenças e marcava consulta com o professor Bambo.

Elas não matam mas moem!

Antes de procurar o consolo da minha almofada, o desabafo necessário. Elas não matam mas moem, como diria a minha avozinha. Falo das chatices e não das patroas, esses anjinhos, que fique claro.

Todas as histórias têm dois lados. No mínimo.

-Pai, tenho de te contar. Hoje de manhã, a mãe saiu de casa sem a aliança!
A pequena venenosa só se esqueceu de contar o contexto em que ocorreu a nossa saída de casa. Ter levado a cabeça já foi uma sorte.

Inadmissível. Triste. Lamentável.

Ficámos ontem a saber, da boca do nosso Primeiro Ministro, que o estatuto do cuidador informal não irá avançar para já por causa do custo.

Seria fácil de perceber, sabendo nós que os recursos são escassos, a dificuldade em prever 120 milhões de euros no Orçamento de Estado para 2019 para apoiar as famílias que, pelas contingências da vida, se transformam em cuidadores informais.

Contudo é, no mínimo, chocante perceber que se fazem contas de merceeiro relativamente a um assunto tão delicado.

Desde logo esquecem-se as inúmeras situações em que os cuidadores se vêem obrigados a deixar os seus trabalhos precisamente por causa do dinheiro que o Estado não gasta nas estruturas de apoio.

Ou seja, como bem diz a Associação Portuguesa de Cuidadores Informais, o Estado anda a poupar há anos à conta dos cuidadores informais.

Depois porque há outras medidas urgentes, para além dos apoios sociais. A título de mero exemplo, lembro-me da alteração do regime de faltas ao trabalho.

No actual estado de…

Morto?! Como assim, morto?!!!

Crias tratadas e caídas nos braços de Morfeu; 10h da noite. Tudo se conjugava para um perfeito momento de estupidificação da mente através da leitura de mais uma aventura do meu querido Perry Mason.

Vou embalada quando, mudando de página, alguém pergunta como morreu o homem. Releio a frase vezes sem conta, volto umas páginas atrás outras tantas vezes e nada de referências ao dito cujo, muito menos ao seu assassinato.

Eis senão quando se me ilumina a mente e resolvo conferir a numeração das páginas. Só faltavam 20, basicamente aquelas em que é narrado o acontecimento à volta do qual o livro vai andar.

Raios! É o que dá comprar livros em feiras das velharias. Alguma vez tinha de acontecer.

Devo a quem segue este blogue uma explicação e um enorme agradecimento

Na sequência do post a que chamei Entre altos e baixos , no qual falei do facto de a família se encontrar a combater um novo cancro, recebi uma imensidão de mensagens e telefonemas de pessoal amigo, preocupado em dar-nos uma palavra de alento.

Não por acaso, muito desse pessoal acompanha-me desde sempre, e em particular desde que iniciei a minha luta pessoal no longínquo ano de 2008.

Fiquei muito sensibilizada pelo apoio que recebi e devo a todos um enorme agradecimento.

Devo também uma explicação aos demais. Na altura quis preservar a privacidade da minha prima/irmã pois só a ela cabia o direito de expor a situação publicamente.

Mas o raio da miúda é dura como os cornos e decidiu partilhar a sua experiência com o cancro no colo do útero (faltava no CV da família)  no blogue bilingue que criou My Cervical Journey que aconselho a seguirem  AQUI

Numa altura em já só faltam metade dos tratamentos de quimio e radio e nada mais posso do que estar presente da forma possível, atendendo aos m…

Segunda semana

Já estamos na segunda semana de aulas e, aparentemente, sobrevivemos ao regresso à escola.
O furacão mais pequeno surpreendeu-me, como sempre, pela alegra e descontracção com que encarou este novo ano. A mana está um pouco receosa e a sentir o peso da sua condição de finalista.
Tudo a correr normalmente e eu , com sorte, conseguirei decorar o horário das actividades lá para meados do terceiro período.

Pergunta provocadora, mas de resposta fácil

A minha irmã do meio perguntou-me, de forma provocadora, porque levava as miúdas à catequese e não deixava que fossem elas a escolher ir um dia mais tarde?

A pergunta é extremamente pertinente e não é a 1.ª vez que ma fazem.

Por sua vez, a resposta é fácil.

Obviamente serão elas a escolher continuar a ir, ou não, à catequese no momento em que sentir que faz sentido deixá-las ser elas decidir. Tal como acontecerá como relativamente às actividades extracurriculares, roupa, etc, etc, etc.

Neste momento vão, porque quero transmitir-lhe os princípios que me transmitiram a mim e que gostava fossem aqueles que vão nortear a sua vida.

Para que elas tenham essa liberdade de escolha precisam, porém, de conhecer e por isso a ida à catequese.

Ninguém pode escolher o que não conhece.  Não lhes vou negar o acesso ao conhecimento de outras religiões, mas por tradição familiar (e a palavra tradição vem do latim Traditio, que significa entrega (de valores no caso)) é isto que tenho para lhes dar o nec…

Mãe, ela chamou-me burra!

Podia imaginar 1001 formas de terror psicológico mas nunca aquele que as minhas filhas exercem sobre mim quando estou no chuveiro e uma delas irrompe pela casa de banho a gritar "mãe, ela chamou-me burra!", logo seguida pela outra que a desmente categoricamente em voz ainda mais estridante.

Se sou alguém para dar conselhos a futuras mamãs, cá vai: jamais percam de vista a chave da casa de banho. Pode salvar-vos parte da sanidade mental.

Primeiro confiar ou desconfiar?

Ao ouvir as notícias sobre a nomeação da nova Procuradora- Geral da República lembrei-me de alguém que em tempos me disse ter como lema "primeiro confiar e, só depois, desconfiar se lhe forem dados motivos".

Revejo-me totalmente neste lema e não pretendo inverter a ordem das coisas.

Tenho pena que a Dr. ª Joana Marques Vidal não tenha sido reconduzida mas a verdade é que confio (até eventuais sinais contrários) que a Dr.ª Lucília Gago venha fazer um trabalho de continuidade.

E é curioso como, em abstracto, defensores da continuidade e da saída têm razão nos argumentos contrários apresentados.

Senão vejamos, se a Dr. ª Joana Marques Vidal tivesse feito um péssimo trabalho aqueles que defendem a continuidade estariam a fazer outra leitura da Constituição.

O que é lamentável é que a previsão legal não seja mais clara e permita duas leituras completamente díspares criando uma novela que se poderia ter evitado.

Confiemos, portanto.

Perguntar a origem étnico-racial é discriminação?

NESTE ARTIGO questiona-se se perguntar a origem étnico -racional é preconceito. Obviamente esta é uma questão cuja resposta não é matemática.
Importa, antes de mais, saber de que falamos quando nos referimos a discriminação. E, sendo rigorosos nos termos, distinguir discriminação de preconceito.
Discriminação será distinguir alguém por motivos arbitrários. Preconceito é aquilo que teremos de superar para não cairmos em situações de discriminação.
E, não me venham com histórias, preconceitos todos temos de forma instintiva. Alguém supõe, num primeiro contacto, que um brasileiro não saiba sambar, deteste futebol e abomine o carnaval?
Saber a origam étnico-racional podem ser importante para 1001 coisas. Perceber as diferenças é meio caminho andado para desfazer preconceitos. Claro que não deve nunca confundir-se esse conceito con o de nacionalidade, como parece que aconteceu no famoso questionário que circulou em algumas escolas.
Por isso, e à boa maneira de um jurista, depende do contex…

Vidas que continuaram _ 1

Começo hoje a partilha de histórias de vida que me inspiram e deixam a pensar.

A 1.ª é do Nuno Vitorino. Leiam que vale a pena

Em 1995, tive um acidente. Um amigo, sem querer, disparou uma arma de fogo sobre mim.
A bala acertou-me na cervical e fiquei tetraplégico. Uma tetraplegia incompleta que me dá algum movimento de braços.

Fui atleta paralímpico de natação, dou palestras, motivo outros a seguirem o seu sonho, porque apesar de muitas vezes os olhos não verem ou as pernas se transformarem em duas rodas, existe sempre um coração que sente!
Vivo a vida ao máximo e … faço surf, salto de paraquedas, treino todos os dias para surfar ondas grandes. Sou acima de tudo um viciado em adrenalina.

Direito a cuscar mochilas

Acabei de ser repreendida pela patroa mais velha pois tive a ousadia de "cuscar" a sua mochila.
Não sabe a pequena que uma mãe tem direitos inatos  que são, no caso,  simultaneamente deveres pois sabia ter um recado da professora na caderneta.
De modos que sim, tenho o direito/dever de cuscar a mochila. Temos pena.

O dicionário dos meus sonhos

Passei dias a ouvir as patroas discutir sobre se devíamos, ou não, comprar um dicionário à mais pequena, com a mais velha a dizer que não valia a pena "gastar dinheiro aos pais se já tinham o dela em casa" e aquela a gritar que tinha direito a ter o seu próprio dicionário e queria que fosse cor de laranja!

Naturalmente comprámos o bendito dicionário cor de laranja, pois há coisas que não se negam a ninguém e muito menos a uma criança, e eis que em vésperas do 1.º dia de aulas passei a noite a sonhar com a professora a ralhar-me porque a pequena não levava o dicionário para a escola há mais de 5 dias, envergonhada por ter de lhe confessar que, nesse dia, me tinha esquecido também da mochila!

Pelos vistos estaria mais ansiosa com o regresso à escola do que a própria que saiu do carro sem olhar para trás, deixando-me no meio do passeio, a morrer de vontade de ir a correr cobri-la de beijos.

Linfoma: o misterioso cancro do sangue

Resolvi dar a este post o título de uma notícia publicada no dia 15 de setembro (Dia da Consciencialização sobre o linfoma) que podem ler na íntegra AQUI. 

O resumo, feito pelo JN, diz tudo aquilo que quero dizer.

"É uma doença que pode ser detetada pelo inchaço de gânglios em várias partes do corpo. No entanto, também pode não dar sinais. E como não se conhecem as causas da maioria desse tumor maligno, não é possível prevenir" (sublinhado meu).

E porquê esta partilha? Pela importância de estarmos atentos às mudanças no nosso corpo e não deixarmos arrastar uma ida ao médico mas também, e acima de tudo, para tentar combater extremismos relativos a estilos de vida "saudáveis" e a quase instintiva culpabilização de quem é "apanhado" pela doença (palavras daquele odioso homeopata), pelo facto de não comer só esparguete de semente de uva preta e recusar terminantemente ingerir sumo de beterraba.

Ninguém tem culpa de ficar doente e, lamento informar os donos da ver…

Friozinho na barriga

Fui desafiada e aceitei. Comecei este fim de semana uma nova experiência de vida. A responsabilidade é proporcional ao friozinho que sinto na barriga. A alegria de saber que poderei contribuir para que a minha comunidade seja dinâmica e colaborativa também.

85 anos de Amor.

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Sempre a conheci assim, a cuidar de nós, como se tivesse nascido só para nos fazer feliz. E faz, muito, que nos deu tudo aquilo que é preciso para sorrir. Amor incondicional, princípios inabaláveis. Carregamos, pois, a imensa responsabilidade de os conseguirmos transmitir aos outros. Por nós e para nós, sua família, mas também por todos os que com ela se cruzaram ao longo destes 85 anos, a minha avó deu tudo de si. Só coisas boas, pois outras não lhas conheço. Sem dúvida alguma, obra de Deus na terra. Pergunto-me muitas vezes que fiz para a merecer. Pergunta tola, talvez. Tenho só a certeza que só a merecerei se conseguir ser um bocadinho do que ela é no mundo. Objectivo difícil, tantas são as minhas imperfeições, mas tudo farei para o alcançar. Parabéns querida avó.

Não basta ter relógio, dahhh!

A patroa mais nova está muito preocupada com o facto de este ano terem abolido as campainhas da escola e ficar sem saber a que hora deve entrar.
Tentei sossega-la lembrando que tem mais do que um relógio em casa e é só questão de se habituar a usá-lo.
Coitada da pobre, que me lembrou que setia excelente caso soubesse já ver as horas!

Triste e frustrada

Triste e frustada, é assim que me sinto relativamente ao ponto de situação da causa que abracei nos últimos tempos, a defesa de uma vida digna até ao fim.

Como sabem, resolvi expor a uma série de entidades situação real, muito ilustrativa da falta de condições que se verifica, na grande maioria dos casos, ao nível dos cuidados paliativos.

A ideia é alertar para um problema vivido por milhares, talvez milhões,  de pessoas e tentar que essas tais entidades olhem para o problema com olhos de ver.

Tristemente, constato que só consegui que uma série de funcionários públicos gastasse tem a redigir ofícios sem conteúdo, dando conta de os serviços terem remetido o meu email para outro serviço. A Casa Civil remeteu o email para o Gabinete do PM, que o enviou para o Gabinete do Ministro da Saúde. De notar que tive o cuidado de mandar o email com todos os destinatários visíveis e de dar a conhecer ao Gabinete do PM a resposta que o Gabinete do Ministro da Saúde me tinha dado já há  mais de um mê…

A malta tem de se rir

Anda meio mundo histérico com o RGPD, outro quarto quase esquecido e o restante está -se nas tintas. O livro reutilizado que calhou a uma das patroas traz o nome do anterior proprietário e metade dos exercícios feitos e devidamente corrigidos. Uma delícia.
Sendo nós cobaia deste projecto, é normal que apanhemos uma série de situações passadas ao lado dos teóricos. Já não será normal que situações destas passem no crivo de quem teve a árdua tarefa de fazer a triagem ou que alguém tenha decidido ignorar a situação, ainda que como forma de protesto. Sim, porque há coisas que só concebo como uma espécie de greve de zelo. Se todos aqueles que não concordam com as orientações dos suoeriores as ignorassem, o reino viraria uma anarquia ( digo eu com os nervos). Mas a patroa deve agradecer a parte das respostas.

Sistematicamente incompreendida

O papá deu um grande ralhete à patroa mais velha. Ouviu-o serena e atentamente e quando o ralhete terminou limitou-se a perguntar "o que quer dizer sistemática?".
Percebi então que deve ser esse o meu problema quando me dirijo às patroas, e me sinto sistematicamente incompreendida, as palavras. Há muitas que não percebem como arrumar, estudar e lavar.

Fado

O fado não é só dor, muito menos desamor.
Pois se fado é o destino, história de vida, desatino, não poderia ser metade.
O fado é alma e verdade. É sorte, vida e morte, sinónimo de meta definida, fim de um caminho com norte.

Se a Serena fosse um homem

Se a Serena fosse um homem era, tão só, um homem mal educado. Ponto Final.

O que me choca no Frederico Varandas

O que me choca no Frederico Varandas é que o rapaz, a quem eu dava quarenta e tal anos, só tem trinta e oito. Menos três que eu, portanto, o que é daquela coisas que me deixa a pensar sobre a ( minha) vida.
Brincadeiras  à  parte, espero que injecte sangue novo no SCP, para bem do futebol em geral.
Aguardemos as cenas dos próximos capítulos.

Estou muito mais rica

Ontem tive a oportunidade de assistir a uma conferência sobre a eutanásia que teve como orador o Professor Pinto da Costa.

Ia com enormes expectativas pois seria a 1.ª vez que participaria numa sessão sobre este tema, que muito me diz, na qual iria ouvir argumentos a favor da eutanásia.

Quando cheguei, deparei-me com um participante numa cadeira de rodas e uma outra com uma grave doença degenerativa.

Confesso que fiquei algo tensa com a presença dos dois num evento em que se debateria um tema tão delicado. Afinal eram duas das situações que, para muitos, justificariam a morte a pedido e eu, que nunca vi ninguém pedir a morte, fiquei incomodada com aquilo que ali poderiam dizer.

Gostaria de conseguir descrever quão enriquecedora foi a experiência mas não há forma de o fazer. Só estando lá.

Depois de ouvir a brilhantíssima exposição do Professor Pinto da Costa, com o humor que se lhe conhece, e a partilha feita pela participante que sofre da tal doença degenerativa, reforcei as minhas c…