quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Conclave familiar

A Leonor, na sua qualidade de irmã mais velha, decidiu que está na hora de retirar a chupeta à Tita.

Sempre que se lembra do assunto decide convocar um conclave familiar (ao qual só o pai tem aderido), com o objectivo de delinear a melhor estratégia.

Até agora apresentou duas propostas:

1 - cortar a chupeta ao meio

2- pincelar a chupeta de piri-piri


Depois admira-se que a Tita lhe acerte o passo.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Como limpar remelas

Entre as várias dificuldades que experimento, diariamente, antes de sair de casa, a maior deve ser a de lavar cara e olhos às minhas crias.

O raio das miúdas devem ser raçadas de gato e detestam água na cara.

Se alguém me puder ajudar com técnicas eficazes para limpar remelas, ficarei eternamente grata.

O objectivo é conseguir chegar ao dia em que elas entrem no infantário sem vestígios da noite anterior naqueles lindos olhinhos.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Uma pessoa pensa que tem amigas ...

Uma pessoa vem para aqui desabafar (como fiz no post anterior), a pensar que tem amigas, e só ouve piadinhas foleiras sobre chaves e outros esquecimentos.

Podem ficar descansadas, amigas elitianas, que nunca mais me esqueci das chaves.

Aliás, guardo-as tão ciosamente que andei a semana passada toda sem saber onde.

Depois de, entre outras coisas,  ter levado para Lisboa o molhe de chaves do marido (deixando-o, juntamente com as crias, a secar em casa dos meus pais), vim a descobrir que as fofinhas estiveram desde sempre  juntinhas a mim.

Guardei-as quase com a própria vida, na carteira. O sítio mais óbvio, e por isso menos evidente.

Já o telemóvel, descobri-o (também na semana passada) no bolso de um casaco. Mas esse só esteve perdido dia e meio.

Pior, pior foi a pêpê da Tita que esteve uns dias largos no bolso de um pijama. Isso, sim, é grave que uma criança sem a sua pêpê torna-se, potencialmente, violenta.





Prémio a pior paciente do mundo

É só alguém, lá no IPO, lembrar-se de atribuir um prémio à pior paciente do mundo e acho que vou assegurar lugar cativo no placard de honra.


Isto de ter qualquer coisa que funciona menos bem, o que faz com que perca proteína na urina, só revelada nas análises pois não tem qualquer tipo de sintoma faz com que a situação pareça irreal.

Vai daí as caixas do comprimidinho diário duram e duram e duram, pois são (muitas) mais as vezes em que me esqueço de o tomar do que aquelas em que o tomo.

Foi por estas e por por outras que o meu adorado dermatologista chegou ao ponto de me dizer "deixe lá", quando ia a meio de algumas frases sobre a importância de eu usar certos cremes.

Como não me orgulho desta característica, juro que tento combatê-la. Ontem comi sopa e tomei o comprimido e hoje já pus creme. Iupppiiiiiiiiiiiiii.

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Óscares 2013

Gostava de transformar este blogue num espaço interessante, pela variedade dos temas abordados, e este seia o momento ideal para escrever um post sobre a cerimónia de entrega dos Óscares e a minha opinião sobre os filmes nomeados.

Por manifesto desconhecimento, tal não sucederá.

Como disse no último post, não me sento no sofá cá de casa há alguns meses. Podem, assim, imaginar há quantos anos não entro numa sala de cinema.

Acho que o último filme que vi foi o "Tempos Modernos" do Chaplin, ainda as cadeiras eram de pau.

Resta-me, por isso, remeter-me ao silêncio sobre o assunto.

Não queres ver, antes, o Canal Panda?

Domingo, 07h15 da matina.

Está uma pobre mãe a dormir descansada (coisa nem sempre frequente, nos últimos tempos) quando acorda espavorida com os gritos da cria mais velha.

"Mãe (gostava de saber se não tem paizinho também), tenho fomeeeeeeeeeeeee".


Lá vai a mãe a correr escada a baixo, não só para sossegar o estômago da cachopa rapidamente , como para evitar que os seus gritos acordem a cria n.º 2.

De olhos meios turvos, dá o pequeno almoço à cachopa que se queixa de frio.

Com o coração dilacerado (não há pior que ver um filho a sofrer), a mãe diz "não te preocupes, que vamos já as duas para o sofá ver televisão, tapadas com uma mantinha".

Chegadas ao sofá, a cachopa decide ver a Maisy e o altruísmo da mãe vacila.

"Não queres, antes, ver o Canal Panda"?

NÃO!

"Mas o Canal Panda tem bonecos mais giros ".

NÃO!

Depois de ser arrancada ao sono de forma tão abrupta, a mãe pensa (ingenuamente ao que parece) que o mínimo a que tem direito é a escolher aquilo que vão ver na televisão.

De modo que é assim que começa um domingo, com a mãe (que adora ver o AXN e não senta o rabo no sofá há meses) a suplicar para ver o Canal Panda (do mal o menos) e a cria a fazer-lhe uma grande figa.



Caçador de sóis




Vamos fechar os olhos, para nos abstrairmos das experiências científicas que o Nuno Guerreiro anda a fazer com a própria cara, e começar o dia com esta linda música.

Bom domingo a todos






sábado, 23 de fevereiro de 2013

O remake de Frankenstein

Ao ver as minhas filhas juntas, vem-se sempre à cabeça a história do Frankenstein.

No caso, a jovem estudante  é a Leonor que, ao ensinar tudo o que sabe à mana, está a criar um verdadeiro monstro.

A pequena Tita segue a mana para todo o lado,, tentando imitá-la em tudo.

E dá-lhe um particular gozo  encurralar a Leonor num canto do quarto ou, melhor ainda, apanhá-la na sanita para lhe dar uma valente tareia.

Com frequência, ouço a Leonor aos "ai,ai,ai,ai. MÃE, a Tita está a bater-me, arranhar-me e puxar-me os cabelos".

O curioso da história é que a Leonor tem a mão lampeira e gosta muito de molhar a sopa nos outros miúdos, mas quando é a mana a bater-lhe, fica encolhida e sem outra reacção que não pedir socorro.

Penso até que o facto de não responder com os mesmos argumentos, deve ser a única coisa relativamente à qual a Leonor me dá ouvidos (coisa já de si estranha, a Leonor obedecer ao que eu digo).

Sempre lhe pedi para não bater à mana e chamar os pais em caso de perigo. A legítima defesa é lícita, mas temo que, no caso e atendendo à deiferença de idades, fosse desproporcional.

Certo é que a Mary Shelley foi uma visionária. E as minhas filhas estão cá para o comprovar.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Deus me acuda, que vou ao IKEA

Depois de meses de conversação, vamos ao IKEA comprar uma série de coisas.

Eu gosto, moderadamente, de lá ir. Apesar de achar piada ao conceito, há algo que me cansa (talvez seja só a dimensão mesmo) e a meio do percurso perco o pio.

Quando o meu marido deixa de me ouvir já sabe, estou a querer morrer e cheia de vontade de me atirar para o meio do chão.

Vamos lá ver como corre a coisa.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Sensibilidade e bom senso

A minha sensibilidade e bom senso estão a ser testados na máxima força.

Neste momento debato-me com a necessidade de dizer a uma pessoa que deve arrumar e limpar a casa para que aumente a probabilidade de concretizar um negócio.

Agora pergunto eu, como é que se dz uma coisa destas sem melindrar ou magoar a pessoa?

Aceitam-se sugestões

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Ó mãe, porque é que não tens um mano

Começaram os pedidos da Leonor para ter um mano. Já tinha pedido ao pai e ontem questionou-me directamente porque é que eu não tinha um mano.

Ia para lhe apresentar 1001 argumentos para o facto, mas detive-me a tempo e optei por tentar saber o motivo pelo qual gostaria de ter um mano.

A resposta não podia ser mais surpreendente e angustiante. "Para quando a Tita morrer".

Engoli em seco e respondi que a Tita só vai morrer quando for muito velhinha. Acreditou em mim, mas mesmo assim insistiu que seria importante ter um mano "para quando a Tita morrer velhinha".

Chegadas a este ponto da conversa, decidi interrompê-la. Seria difícil explicar que, com garnde probabilidade, quando a Tita for velhinha já eu estarei a fazer tijolo há algum tempo. E se não estiver, certamente já terá passado a minha idade fértil.

Brincadeiras à parte, fiquei impressionada com esta ideia fixa da minha mais velha. Não sei onde vai buscar certas ideias.

Rendida à (publicidade) da depuralina

Já tinha ouvido a publicidade várias vezes, mas nunca tinha prestado atenção.

Diz um spot de rádio sobre a depuralina que os portugueses consomem, em média, 4,5 kgs de gordura em excesso por mês.

Fiquei rendida à publicidade efectuada ao produto porque não condena quem consome gordura em excesso, nem exorta a adoptar hábitos de alimentação mais saudável.

O espírito é "comam pr´a frente", que as nossas ampolas ajudam a eliminar toda essa gordura.

A mim, que gosto de comer e convivo mal com quem gosta de incutir sentimentos de culpa aos outros, convenceram.

Claro que tem a desvantagem de ser em ampolas (preferiria comprimidos), mas o facto de poder comer torresmos à vontade é francamente compensatório.

Se algum dia embarcar numa dessas ilusões de emagrecer sem que o processo envolva, simultaneamente, alimentação regrada e exercício físico já sei como fazer.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Prefiro nem saber

- Pronto mamã, já está. Já limpei o rabo, disse a Leonor enquanto vestia cuecas e meias.

- Como sabia que o rolo do papel tinha acabado, perguntei-lhe "limpaste como, Leonor?".

- Com a toalha, respondeu ao mesmo tempo que apontava para a toalha de rosto, pousada no lavatório.

Quantas vezes já o terá feito antes é coisa que prefiro nem saber. "Olhos que não vêem, coração que não sente".

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Vida monástica

Num acto de algum egoísmo, resolvi presentear o meu amado marido com uma noite no Mosteiro de S. Cristovão de Lafões (ali a seguir a Santa Cruz da Trapa, entre S. Pedro do Sul e Oliveira de Frades).
 
Quem por aqui passa, regularmente, sabe que nos apaixonámos pelo local e voltamos sempre que podemos.
 
Apesar de sentir que a nossa presença viola o espírito que levou os monges da Ordem de Cister a escolher aquele local isolado (silêncio é coisa que não existe nos sítios onde vamos em bando), não resisto à tentação.
 
A caminho, paragem inevitável no café Central, em Vouzela, para o ainda menos inevitável pastel de Vouzela (digo, e torno a dizer, que é mil vezes melhor que o de Tentúgal).
 
Desta vez a chuva acompanhou-nos pelo que a manhã de domingo foi passada dentro de portas, com o papá a ensinar a Leonor a jogar xadrez (depois admira-se que seja meio apanhada do clima) e a mamã a tentar evitar que a Tita derrubasse as peças do jogo.
 
As meninas divertiram-se imenso, como sempre. Nesta visita, imagino que o ponto alto tenha sido aquele em que conseguiram abrir a porta do quarto (que estava fechada à chave), se escapuliram para o átrio, e fizeram com que a palhaça da mãe ficasse, descalça e em pijama, na soleira da porta a tentar (com esgares e mão em riste) que voltassem para dentro.
 
No regresso, almocinho em Cambra, Vouzela, onde comemos um belo naco de vitela solteira. Não sei se o estado civil da bichinha indicia a sua pureza, mas o que é certo é que a carninha estava de lamber os beiços.
 
Antes de chegar a casa, paragem de emergência numa saída da A25 para apertar o cinto de D.ª Maria Leonor que decidiu que havia de vir para o meu colo. Assim em abstracto, a coisa tem piada mas já deu para ver que esta nova, e perigosa, habilidade da pequena me vai dar que fazer.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 


Os velhotes, fotografados pela Leonor

Conversas fraternais de fim de semana

L -"Cala-te ó cabeçuda"

Resposta da B - Arranhão na cara

L -"A Tita nasceu muito maluca"

Resposta da B - arranhão na cara

L - "A Tita nasceu muito má"

Resposta da B - arranhão na cara

L - "Ó pai, eu queria um mano"

Reacção da mãe, desesperada por não ter madeira onde bater, "cruzes, canhoto; lagarto, lagarto, lagarto"


Resultado, a Leonor tem a cara num bolo e parece que esteve enfiada num saco da gatos.

A Tita provou que, com frequência, a linguagem não verbal é mais forte que a verbal.

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Meia idade

Comecei a ter verdadeira noção do quanto já vivi, quando percebi que me lembro, com clareza, de coisas que aconteceram há mais de 20 anos.

Mas admito que não estava preparada para o facto de ter colegas de trabalho que não conseguem tratar-me por tu, e dificilmente evitam o Dr.ª Susana, pelo facto de eu ser mais velha do que eles.

Estou, assim, em modo quase pré depressão de meia idade.

Lanterna vermelha, com muito orgulho

Hoje foi um daqueles dias de sorte em que, inesperadamente, me cairam nas mãos dois bilhetes para ir ver o meu Beira-Mar.

Já não ia ao estádio há bastante tempo e passei o dia entusiasmadíssima (apesar de o dia não ter sido feito só de rosas, mas adiante).

Os jogos do Beira-Mar trazem-me sempre  (boas) lembranças dos anos em que acompanhava o clube, religiosamente, para quase todo o lado, juntamente com o meu pai.

A altura em que deixei de ir aos jogos coincidiu (por mero acaso) com a mudança de estádio mas hoje confirmei que, tirando o local e a falta de telefonias coladas ao ouvido de alguns adeptos, tudo está na mesma.

A emoção e troca de galhardetes (vulgo insultos e ameaças de pancada), as unhas roídas e a descarga colectiva de stress continuam iguais.

Ah, e o Beira Mar também. Perdeu e  está em risco de se tornar lanterna vermelha, ainda esta jornada.

Fico triste, mas não será isso que irá abalar o coração desta beiramarense convicta.

Ei avante rapaziada, ei avante sem parar. Ei avante, ei avante. Beira-Mar, Beira-Mar, Beira-Mar.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Fogo do caraças, mãe!

Chamei-a para tomar banho e respondeu-me "fogo do caraças, mãe!"


Estará "aquela menina que está quase a fazer 4 aninhos" (como gosta de se definir) a atravessar uma fase de adolescência precoce?

Peta de S. Valentim

"Mãe, a Bela (educadora) diz que os meninos devem ir todos vestidos de vermelho amanhã, porque é o Dia dos Namorados".

Como mãe zelosa, vestia-a de vermelho.

Hoje cheguei ao infantário e nem uma pinta de vermelho na indumentária da Bela.

Meti-me com ela e disse "então, os meninos têm de vir de vermelho e a educadora não?".

Olhou para mim, sem perceber o comentário. E foi aí que percebi que a minha mais velha me meteu uma peta de S. Valentim.

A história da roupa vermelha saiu da sua linda cabecinha.

E eu caí que nem um pato.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Não foi um terramoto, mas quase

Ontem, D.ª Maria Leonor ia matando a família com um ataque cardíaco colectivo.

Primeiro o pai, depois a mãe e a seguir a avó materna. Só não morremos porque, ao que parece, não seria ainda a nossa hora.

Estava a passar pelo corredor e vejo o papá, mais lívido que é costume, a olhar para ela e a perguntar "beijos maus, quem é que te deu beijos maus?".

Resposta da Leonor "umas senhoras, papá, deram-me beijios maus".

"Mas como, Leonor, conta ao papá".

"Na bochecha papá e tinham bolinhas".

"Quem eram as senhoras, Leonor?"

"Não me lembro".

"E estavam onde?"

"Não me lembro", respondeu já sem conseguir esconder o sorriso.

Ou seja, a menina resolveu dar asas à imaginação. Podia ter inventado uma história com fadas ou até com o lobo mau. Mas não. A menina não encontrou nada melhor para efabular do que senhoras que lhe terão dado beijos maus.

Agora pergunto eu, não bastam os medos que a comunicação social nos inflinge e a constante sensação de que não acompanhamos os nosso filhos o tempo suficiente?

Tinha de ter dado à luz uma criança dada ao teatro negro?



terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Realismo puro

"Tita, olha ali um coelhinho"

"Não, mamã, é a Nônô" (que tinha uma máscara de coelho)

Cheira-me que esta nunca vai acreditar no Pai Natal; nem deixar que os outros acreditem.


segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Resignação do Papa Bento XVI

Admiro a coragem do Papa Bento XVI e a lucidez que demonstrou ao decidir resignar.

Bento XVI teve consciência das suas limitações e soube sair ainda na posse das suas faculdades, não tendo medo de desiludir os fiéis. A mim não desiludiu, certamente.

Poucos há que tenham esta visão de si e não se deixem arrastar pela ilusão de nunca perder a força.

Que a Igreja saiba agora escolher um sucesoor à altura.

A princesa déspota



A minha princesa mais nova, hoje de manhã, toda vaidosa e segura de si.

Mãe não é gente



"Mãe, quero água. MÃE já te disse que quero água!"

"Mãe, porque é que estás a tomar banho?!!!!

"Compraste uns sapatos, mãe? Para quem, mãe? Para mim ou para a Tita?"

"Porque é que vais comprar roupa, mãe?"


Ouço diariamente este tipo de questões que, pela espontaneidade e tom de voz com que são proferidas, me dão a certeza que para os filhos (pelo menos para as minhas) mãe não é gente.

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Porque é que as mulheres não têm barba?

Até o mais empedernido dos machos latinos reconhece que as mulheres são mil vezes mais despachadas e desenrascadas que os homens.

Estávamos numa animada conversa, mulheres vs homens, com os nossos compadres, quando o meu marido diz que não consegue ajudar-me a cuidar das meninas de manhã porque, entre outros argumentos, demora  15 minutos a fazer a barba.

Realmente, disse eu, ainda bem que não tenho barba, senão já arrastava pelo chão.

Comentário pronto, e assertivo, da minha comadra Dina "já percebeste porque é que as mulheres não têm barba, não percebeste?

Percebi, percebi.

A natureza é muito perfeita.

O carnaval não é coisa de crianças

 
A cada ano que passa aumenta a minha certeza de que o carnaval não é coisa para crianças. Pelo menos, não para crianças com menos de 6 anos.
 
Hoje foi dia de carnaval intergeracional em Aveiro. A ideia, muito gira, consistiu em misturar idosos e crianças.
 
 
A escolinha das minhas meninas participou e voluntariei-me para acompanhar a Tita, devidamente equipada de gotinha de chuva que era o tema da sua sala.
 
 
A ideia, como já disse, é gira mas falha pelo facto de se realizar à tarde. Qualquer iniciativa que envolva crianças assim tão pequenas devia acontecer de manhã. Os miúdos sentem a falta da sesta o que, aliado à confusão, os altera muito.
 
 
A Tita aguentou-se estoicamente, apesar de tonta de sono. Já a Leonor chorou feita uma Maria Madalena. Teve medo dos cabeçudos (tal qual a sua mãezinha tinha) e detestou a folia, ao ponto de tirar o fato. A certa altura pedi ao papá para a retirar do desfile pois era suposto ser um momento de diversão. Só para contrariar, quis continuar agarrada à educadora como uma lapa.
 
 
Tal como ela, muitos outros meninos iam a chorar o que me leva a consolidar a ideia de que nós adultos nem sempre conseguimos evitar transpor as nossas fantasias e desejos para as crianças.
 
 

 
 
 


sábado, 9 de fevereiro de 2013

LEITURAS DA MINHA VIDA

Sempre gostei muito de ler (coisa de família).

Infelizmente, de há uns tempos para cá, não tenho passado muito do Diário da República e dos títulos do Correio da Manhã (lidos à hora do almoço, em casa dos meus avózinhos,  nos únicos 5 minutos de sossego que tenho durante o dia).

O ano de 2012, então, foi uma desgraçada. Só consegui ler 1 mísero livro "O caderno de Maya!, da Isabel Allende. Quer dizer, não foi bem assim. Li, milhentas vezes, caso um dos livros do Ruca que anda espalhados pelo chão cá de casa, alguns da Anita e os 3 porquinhos.

Como ando numa de revivalismo, deixo aqui uma lista das leituras da minha vida, indicadas por ordem cronológica (mais coisa, menos coisa).

1- Todos da Anita
2- Todos da Condessa de Ségur
3-Todos da Enid Blyton
4-Todos da Patrícia
5 - Todos de "Uma Aventura"
6- Revista Cruzada (assino desde a escola primária, influência do Prof. Pereira)
7- Todos da Colecção Vampiro (em especial os do Erle Stanley Gardner e da Agatha Christie)
8- Alguns do Eça de Queirós
9 - Alguns da Isabel Allende
10- Alguns do Carlos Ruiz Zafon






sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Espanha olé

O circo matinal de hoje foi abrilhantado pelo facto de ter de mascarar as duas pequenas.

Como seria de esperar, D.ª Maria Leonor deu espectáculo.

1.º esperneou  e gritou que não queria "ir ao Carnaval, porque lá há bruxas", depois rejeitou o chapéu (com peruca) e as polainas do traje de estrunfina.

Ficou de meias, vestido branco e camisola, sem que ninguém percebesse o que aquilo era, e uma cara de meter medo.

Já a Tita, ficou encantada com o vestido de espanhola (escolha dura), os sapatinhos de salto alto e a rosa no cabelo.

Quando olhei para a cara desconsolada  da Leonor (até o mau humor da pequena tinha desaparecido), e apesar de estar em cima da hora, condoí-me e recorri ao plano B.

Fui buscar um vestido de espanhola que tinha de reserva (isto de ter amigas dadas à folia dá sempre jeito) e mudei-lhe a farpela. Remédio santo, a carinha dela ficou iluminada e foi toda orgulhosa para a escola, no cimo dos seus saltos altos.

Espanha invadiu-me a casa este carnaval.


quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Questionário vindo do além mar

Fui desafiada pela Carin, amiga brasileira e autora do blogue "Encontrando Dr. Hodgkin", a responder a um questionário.

Aceitei de imediato, pois lembrou-me os caderninhos com perguntas que, durante a secundária, passavam por toda a turma.

Cá vão, assim, as minhas respostas:

1- Como surgiu o título do Blogue?

O nome do blogue surgiu em conversa com o meu marido e foi ele que deu a sugestão (vou ter que lhe perguntar :)

2 - Há quanto tempo surgiu o blogue?

O blogue nasceu em Setembro de 2009

3 - Como costumas divulgar o blogue?

Normalmente, partilho os posts no facebook

4 - Quais os assuntos com mais visualizações no blogue?

Normalmente escrevo sobre as minhas filhas, mas o pico das visualizações acontece quando abordo temas mais polémicos, como o abate de animais ou manifestações (o que é raro fazer)

5 - O que motivou a criação do blogue?

Quando criei o blogue, estava a meio dos tratamentos de quimioterapia. Este blogue surgiu como forma de dar notícias aos amigos (antes de o criar costumava enviar uns e.mails a que chamava boletim clínico), desabafar, mas também partilhar a minha experiência, dando coragem a quem estivesse a passar pelo mesmo, já que estava a regir muito bem à quimio.

6 - Quais os meus objectivos com o blogue

Sempre gostei muito de escrever e com este blogue voltei a fazê-lo; o objectivo é, essencialmente, fazer uma coisa que me dá muito gozo e mostrar (ao mesmo tempo) que é possível ser feliz, apesar do cancro. Que o cancro não significa sentença de morte e há que reagir às adversidades


7 - O que inspira a criação dos posts?

Ultimamente, as minhas filhas que são uma fonte, inesgotável, de histórias. O dia a dia, as notícias do momento, em resumo tudo aquilo que me rodeia.~

8 - A minha idade

Caminho para os 36

9 - Além do blogue, tem mais ocupações? Se sim, quais?

Não me importava, mesmo nada, de viver do blogue. Como não é possivel, sou advogada. E mãe e dona de casa (...).

10 - O que gosto mais de fazer nos fins de semana

Nos fins de semana gosto, sobretudo, do facto de não ter horários a cumprir (para além dos impostos pelas minhas filhas que não me dão muitas hipóteses de me esticar); gosto de ir dar a minha voltinha ao hipermercado (cada um com as suas manias); passear pelo nosso belo Portugal; estar com amigos; ver séries policiais no AXN; navegar na net; Tanta coisa e tão pouco tempo



Passo agora a bola à minha, amantíssima, irmã mais nova, Joana Neves, do blogue Boneca de Neve(cujo link, por inabilidade, não consigo aqui inserir)

Noite de reflexão


quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Referendo sobre disfarce de Carnaval

Estou no meio de um grande dilema. Marquei sessão no fotógrafo para as minhas crias e não sei que disfarce vestir à Tita.

Como é bom de ver, a pequena herdou os disfarces que a irmã vestiu quando tinha a mesma idade.

Temos, assim, a opção "espanhola" e a opção "princesa".

 Confesso que gostei mais de a ver com o fato de princesa, mas a Leonor fez a sessão fotográfica com o fato de espanhola e não sei se conseguirei deixar de cair no lugar comum de vestir o mesmo fato à Tita e assim proporcionar muitas horas de conversa, ao longo dos anos, entre pais e avós que vêem semelhanças inexistentes e as tentam impingir a amigos e conhecidos.


Numa decisão tão importante para o futuro da minha mais nova, não posso deixar de recolher o máximo de opiniões.

Fica, por isso, o apelo. Que vos parece?

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Palavras de Amor

1

"Fogo mãe, aquela parvalhona só faz arvoíces"

Leonor dixit, referindo-se àquilo que considera serem parvoíces da mana.


2

Foste à avó Silvina, Tita?

"xim, ah goma"

Benedita dixit, referindo-se à sua amada bisavó, que a enche de gomas apesar de todos os ralhetes que lhe damos.

Carnaval, essa coisa do demo

Escapei, há pouco e por pouco, de ser sovada por um lojista indiano e tudo por culpa do carnaval.


Eu sei que me tinha dito que não tinha collants pretos, tamanho 2 anos, e que equacionei a possibilidade de comprar uns que tivessem bolas vermelhas, mas não era caso para ter começado a ralhar comigo por ter desistido da ideia.


Serei descrente de mais por duvidar que saiba, com tanta segurança, que já não tem aquele tamanho de collants quando tem um cento deles misturado num cesto? (Esta parte da gestão de stocks em lojas indianas e chineses é coisa que nos encanta cá em casa)

Terei eu culpa de o carnaval ser em Fevereiro (coisa que abomino) e de não poder deixar a minha Tita vestir-se de espanhola sem usar collants pretos?

Pois não sei. Só sei que deixei o homem a rezingar comigo enquanto virei costas e, ao mesmo tempo que lhe dizia "o senhor é muito simpático", vim embora com os calcanhares a dar no rabo.

Conclusão - preciso de uns collants pretos, tamanho 2

domingo, 3 de fevereiro de 2013

A tirania do pensamento positivo no Dia Mundial da Luta contra o Cancro

O jornal Público de ontem trazia uma notícia sobre aquilo a que resolveram chamar a tirania do pensamento positivo.

O artigo aborda o grande avanço que significa o facto de já se começar a ouvir a palavra cancro com bastante frequência, começando a colocar fim àquilo que a sociedade vê como um tabu. Cada vez se morre menos de "doença prolongada".

Mas o que me chamou a atenção foi o facto de vários especialistas dizerem que é preciso mais. É preciso que doentes oncológicos, familiares e amigos vivam a dor abertamente, sem necessidade de a esconderem daqueles que mais amam. E que digam, sem dificuldade, palavras como morte.

Como "especialista na matéria", não podia estar mais de acordo.

O artigo tocou-me e levou-me aos anos de 2008 e 2009. Foi horrível receber o diagnóstico de "linfoma não sei das quantas", mas a ficha só caiu dias depois quando o médico disse "cancro" com todas as letras.

Mas mais difícil que isso, foi revelar a notícia a família e amigos. Isso sim, é muito doloroso.

No meu caso, tentei resguardar todos da melhor maneira que consegui e houve pensamentos que nem no diário me atrevi a exteriorizar, por pensar o quão doloroso seria um dia para quem lesse, caso não conseguisse sobreviver à luta.

Foram momentos de solidão que me impus, por achar que seria melhor para todos.

Não sei se terá sido a melhor solução, mas foi a que na altura me pareceu mais adequada.

A partilha deste tipo de dor e medo, ainda que muito necessária, é dificílima pois maior que a nossa dor é o instinto de proteger quem amamos. Como se o nosso silêncio passasse despercebido aos nos conhecem melhor ...

Pode ser que um dia o paradigma de partilha mude e, como qualquer outra questão cultural, todo este processo se torne mais simples.

Até lá, não deixemos de perceber o avanço que é falar de cancro sem medo, não só para atenuar dores como para despertar a atenção para a necessidade de estar atento a certos sinais e vigiar a saúde dentro daquilo que é razoável.

E, acima de tudo, para que se perceba que o cancro não tem de ser uma sentença de morte.

Canção de embalar

"Ó bebé tens frio. Bem feita, porque não quiseste vestir a roupa"


Autora: Maria Leonor

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Amígdalas, coluna e de como as dores dos filhos se multiplicam nos pais

No início de Janeiro, a Leonor começou a queixar-se de dores na cabeça e tinha dificuldade em fazer certos movimentos com o pescoço. Passados uns dias começou mesmo a andar com o pescoço torto.

Nunca tive a mania das doenças mas, vendo a minha  cria mais velha assim, a minha cabeça começou logo a imaginar coisas.

A 1.ª palavra que me veio à cabeça  foi meningite. Corri para a pediatra que me descansou e disse que os sintomas poderiam estar relacionados com a amigdalite que a rapariga tinha tido dias antes.

A ordem foi para vigiar e, caso os sintomas permanecessem, marcar uma consulta num ortopodedista infantil para despistar qualquer outra hipótese.

Passado algum tempo lá fomos nós a caminho de Coimbra.

Antes de dair de casa percebi que muito ansiosa quando  ouvi a Leonor dizer "mãe, não estou a ouvir nada". Comecei logo, "não estás a ouvir, Leonor? Nâo, ouves a mãe?". A pobre, sem perceber nada, respondeu-me calmamente "Mãe, eu disse que não ia abrir nada".


O ortopedista foi 5 estrelas e explicou que, de facto, tudo não devia passar de  uma inflamação decorrente da amigdalite, que passaria com o tempo e sem necessidade de medicação, e chamou-nos a atenção (nunca tinha reparado nessa coisa tão evidente) para o facto de as amígdalas estarem muito perto da coluna.

Numa atitude preventiva, mandou fazer umas análises ao sangue e uns raios x.

Entretanto os sintomas foram desparecendo (acredito mesmo que fosse aquela inflamação), mas ainda assim achamos melhor fazer os exames.

Hoje será dia de análises e dói-me a alma só de pensar. Ainda não lhe falei em nada, mas sinto-me como se a estivesse a trair. Porque aquilo dói. Não dói muito e passa num instante, sei-o bem  pois tenho feito centenas. Mas a minha filha vai sofrer e eu já estou a sofrer por ela.

Estranha a mente humana.

Esta situação, normalíssima, leva-me a pensar em muitas coisas. Desde logo na dificuldade em gerir o receio de que os nossos filhos tenham algum problema de saúde e de (des)valorizar sintomas.

Repito que não tenho nada a mania das doenças, aliás trato-me bastante mal apesar de todo o meu historial clínico.

Mas tenho tanto medo (ou mais) de desvalorizar um sintoma das minhas filhas do que correr para a pediatra de cada vez que se queixam de algo.

Enfim, serve o presente para desabafar um bocado e dizer que, apesar de andar sempre a dizer mal das miúdas, elas são a minha vida e se pudesse alombava eu com todas as dores e desaires que a vida lhe possa trazer.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

A Responsabilidade Social da Administração Tributária

Numa época em que se fala à boca cheia de Responsabilidade Social, a Administração Tributária imbuiu-se do espírito.

Vai daí começou por combater a infidelidade conjugal. Se virmos bem, esta história de as facturas que tiverem o nosso contribuinte aparecerem no nosso portal pode dar origem a algumas descobertas interessantes por parte de cônjuges que tenham acesso à  palavra passe do seu par.


Pensemos no alojamento (inclui hotéis e, provavelmente, moteis) e restauração que, por acaso, até dão benefício fiscal em sede de IRS.

Sem querer colocar em causa a colaboração das Finanças no sentido de acabar com "escapadinhas amorosas", não resisto a dizer que nestas aquisições de valor mais baixo o NIF é dispensado pelo que há que ponderar entre risco da descoberta e benefício fiscal que, como todos sabemos, será mínimo.

Mas o que me deixou mesmo banzada, aterrorizada até, na nova forma de actuação das Finanças foi o saber que estão a ponderar fazer uma campanha nas escolas para sensibilizar as crianças a incentivar os pais a pedirem factura de todas as aquisições.

Será demolidor. Para já, as crianças não incentivam os pais. As crianças coagem. Depois, é óbvio que um terramoto acontecerá na sociedade portuguesas.
 A fórmula não será nova, os especialistas em marketing há muito perceberam que não há maneira mais certeira de acertas nos adultos do que através das crianças.

Achei piada à ideia, muito parecida ao trabalho feito ao nível da sensibilização para a importãncia de fazer reciclagem.

Só me preocupa a ideia de ter dois seres irritantes atrás de mim a repetir "factura, factura, factura".

Especialmente porque cá em casa o pai desses seres já assumiu esse papel e outro dia quase me comia viva por não ter pedido factura no cabeleireiro,

Não lhe tiro razão nenhuma, mas há hábitos difíceis de mudar.

Aguardemos, serenamente, pelo novo e feroz ataque das nossas querida Finanças.