sábado, 2 de fevereiro de 2013

Amígdalas, coluna e de como as dores dos filhos se multiplicam nos pais

No início de Janeiro, a Leonor começou a queixar-se de dores na cabeça e tinha dificuldade em fazer certos movimentos com o pescoço. Passados uns dias começou mesmo a andar com o pescoço torto.

Nunca tive a mania das doenças mas, vendo a minha  cria mais velha assim, a minha cabeça começou logo a imaginar coisas.

A 1.ª palavra que me veio à cabeça  foi meningite. Corri para a pediatra que me descansou e disse que os sintomas poderiam estar relacionados com a amigdalite que a rapariga tinha tido dias antes.

A ordem foi para vigiar e, caso os sintomas permanecessem, marcar uma consulta num ortopodedista infantil para despistar qualquer outra hipótese.

Passado algum tempo lá fomos nós a caminho de Coimbra.

Antes de dair de casa percebi que muito ansiosa quando  ouvi a Leonor dizer "mãe, não estou a ouvir nada". Comecei logo, "não estás a ouvir, Leonor? Nâo, ouves a mãe?". A pobre, sem perceber nada, respondeu-me calmamente "Mãe, eu disse que não ia abrir nada".


O ortopedista foi 5 estrelas e explicou que, de facto, tudo não devia passar de  uma inflamação decorrente da amigdalite, que passaria com o tempo e sem necessidade de medicação, e chamou-nos a atenção (nunca tinha reparado nessa coisa tão evidente) para o facto de as amígdalas estarem muito perto da coluna.

Numa atitude preventiva, mandou fazer umas análises ao sangue e uns raios x.

Entretanto os sintomas foram desparecendo (acredito mesmo que fosse aquela inflamação), mas ainda assim achamos melhor fazer os exames.

Hoje será dia de análises e dói-me a alma só de pensar. Ainda não lhe falei em nada, mas sinto-me como se a estivesse a trair. Porque aquilo dói. Não dói muito e passa num instante, sei-o bem  pois tenho feito centenas. Mas a minha filha vai sofrer e eu já estou a sofrer por ela.

Estranha a mente humana.

Esta situação, normalíssima, leva-me a pensar em muitas coisas. Desde logo na dificuldade em gerir o receio de que os nossos filhos tenham algum problema de saúde e de (des)valorizar sintomas.

Repito que não tenho nada a mania das doenças, aliás trato-me bastante mal apesar de todo o meu historial clínico.

Mas tenho tanto medo (ou mais) de desvalorizar um sintoma das minhas filhas do que correr para a pediatra de cada vez que se queixam de algo.

Enfim, serve o presente para desabafar um bocado e dizer que, apesar de andar sempre a dizer mal das miúdas, elas são a minha vida e se pudesse alombava eu com todas as dores e desaires que a vida lhe possa trazer.

1 comentário:

  1. (Já tentei comentar este post duas vezes mas estava no comboio e a internet falhou por isso não sei se os meus comentários chegaram a ser enviados...)

    Vai correr tudo bem, com doces e mimos tudo se resolve e não valia a pena assustares a menina de antemão.

    Beijinhos

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