terça-feira, 31 de março de 2015

Para memória futura

Ontem pus a Leonor a chorar. E tudo com uma brincadeira estúpida pela qual já me penitenciei mil vezes.

No meio de uma conversa, perguntei se quando casasse podia ir viver para casa dela. Respondeu-me que não (parece que já interiorizou o sábio "quem casa quer casa").

Eu, parva, comentei que não acreditava que ia abandonar a mãe (este comentário faz-me lembrar alguém e não é a minha mãe).

A reacção da Leonor foi um mar de lágrimas e um agarrar forte às minhas pernas, ao mesmo tempo prometia que não me queria abandonar. Que ia viver na casa dela, mas nos veríamos muitas vezes.

E lá fiquei eu com um sentimento, estúpido e misto, de culpa e esperança/medo.

Culpa por a ter feito chorar. Esperança/medo por querer acreditar que nunca me vai abandonar (ou receio que o faça ainda que, somente, na fase da parvalheira que é normalmente a da adolescência).

Castigos

Quando andava no colégio ficava muito chocada quando via meninos mais crescidos a passear, de babete, em frente aos mais pequenos.


Era uma forma de castigo que roça a humilhação, o que sempre me incomodou.


E agora, anos depois, dou comigo a olhar para a "folha do comportamento" colada na porta do frigorífico. A ideia é ir assinalando, a verde ou vermelho, o comportamento diário das cachopas.


No auge do desespero, concluí que é um dos métodos de castigo mais eficazes (diria até o mais eficaz) já que "se batem" (às vezes batem mesmo, note-se que não é perfeito) para não ver uma carinha vermelha na folha.


E assim vou tentando domesticá-las.

segunda-feira, 30 de março de 2015

E viva o mercado liberalizado

- Quando cheguei a casa, reparei que no formulário para subscrever o fornecimento de gás escreveram Maria Alice e não Susana Alice. Pode ver essa situação, por favor?


- Gás?!!! Mas aqui só tenho electricidade!!!


- Pois, mas eu pedi o gás também. Aliás não o pude fazer no mesmo dia em que pedi a electricidade porque me faltava indicar o CUI. A sua colega disse-me que depois teria de ir à GALP informá-los da intenção de mudar o titular do contrato e a empresa fornecedora para que quando fizessem o pedido não ser colocado nenhum impedimentos. Nesse mesmo dia fui à GALP e disseram-me que mesmo sendo para alterar o fornecedor teria de celebrar contrato primeiro.


- Desculpe lá, não estou a perceber. Afinal assinou contrato com que empresa?


- Assinei convosco e com a GALP. Foi a informação que me deram.


- Ai, desculpe, só pode ter 1 contrato.


- Concordo consgo, mas foi a informação que me deram sobre aqueles que deviam ser os trâmites.


- Pois, mas eu aqui não tenho nada !!!


- Não tem nada como, se eu assinei um contrato?!!!


- Pois, não sei. O melhor é ligar para a linha de apoio e dizer qual é o CUI.


- Vai-me desculpar, mas isto é surreal.


- Já agora, porque é que vai mudar? Nós somos distribuidores de electricidade. Eles são distribuidores de gás. Percebe o que quero dizer?


- Percebo, percebo.


Fim de conversa

domingo, 29 de março de 2015

Por que te quero

Por que te quero
Não quero que me queiras
Só por querer que me queres
Quero de ti o que puderes
Acolherei tudo o que fores
Se me quiseres
Só porque queres

Preferências gastronómicas da Tosca

Nunca tinha tido contacto com porquinhos da Índia pelo que as suas preferências gastronómicas e hábitos me passavam totalmente ao lado.


Claro que o dr. Google resolve quase tudo e basta fazermos uma pesquisa para encontrar montanhas de informação e até sites especializados em porquinhos da Índia. Pelos vistos, o bicharoco é muito popular em terras de Vera Cruz.


E de repente dei comigo a analisar a pirâmide dos alimentos dos porquinhos da Índia (juro que se contassem não acreditava).


A Tosca come à ganância e, se deixarmos, o dia todo.


É louca por pepino (primeiro come a casca das rodelas todas e depois ataca o resto); cenoura e alface. Relativamente à alface ainda vou ter de explorar melhor a coisa pois (pelos vistos) não pode ser qualquer tipo de alface (algumas causam diarreia, OMG). Parece que a próxima fase será estudar sobre as alfaces, há a americana e outra qualquer.


Enfim... podia dar-me para pior (ou não).

sábado, 28 de março de 2015

Têm bom gosto, as miúdas

De repente, deixei de ouvir falar do Tiago da Tita.


Era só Gaspar para cá, Gaspar para lá. Vim a saber que o Gaspar é o menino novo lá da sala.


Há dias conheci o loiraço de olhos azuis e percebi tudo.


Consta que é o "namorado universal das meninas da sala rosa". E dá para perceber porquê.


Têm bom gosto, as miúdas.

O melhor é ir variando o veneno

Antes de começar a quimio, a minha onco-hematologista fez-me uma série de recomendações relativamente à alimentação já que, com os tratamentos, ficaria com o sistema imunitário mais debilitado.


Basicamente, a alimentação deveria ser semelhante à das grávidas não imunes à toxoplasmose (o que só por si já seria difícil para mim - tiram-me enchidos e camarão tiram-me tudo).


Para além disso deveria consumir tudo em doses individuais. Passei a beber leite daqueles pacotes pequenos, descobri latinhas pequenas de pêssego em calda que passaram a ser muito minhas amigas (...).


Mas havia coisas inultrapassáveis. Claro que há pão embalado, mas na maioria dos casos está ao ar, num cesto. Uma coisa tão básica como a escolha do pão tornou-se motivo de stress. Graças a Deus, por pouco tempo pois assim que vi que reagia bem à quimio fui ficando mais relaxada (ou talvez até desleixada).


Para além disto, tive a tal experiência trágico-cómica com um homeopata que quis convencer-me que me estava a envenenar por beber leite (devo dizer que estou cada vez mais convencida ser impossível tomar pequeno almoço ou lanchar sem beber leite).


Esta semana revivi essas memórias, ao participar num seminário da ASAE sobre aditivos alimentares (conservantes, corantes e outros).


Segundo uma das oradoras, professora na faculdade de Farmácia, os aditivos são um dos menores perigos da alimentação actual já que estão muito estudados e o processo de autorização de introdução no mercado dura cerca de 10 anos.


O que não existe são dados sobre os efeitos da conjugação dos vários aditivos, e quantidades ingeridas, ao longo da vida. Aliás, podem ser tão variados que se torna difícil quantificar aquilo que ingerimos num dia.


Daí que, como disse com graça, o melhor é ir variando o veneno que é como quem diz ir diversificando os alimentos e as marcas.


Esta foi a segunda vez que ouvi esta que acredito ser uma grande verdade. A 1.ª, ainda que dita de forma "mais séria" foi quando, no meio do desespero, procurei a nutricionista do IPO.

sexta-feira, 27 de março de 2015

Estou tão contente com o meu Banco ...

No início da semana perdi o cartão de débito.


Depois de rever mentalmente a última vez que o tinha utilizado, cheguei à conclusão que era possível ter-me esquecido dele numa caixa ATM, em espaço fechado, mesmo em frente à porta da agência bancária.


Enquanto intensificava as buscas em casa e no carro pensei que caso o cartão tivesse sido entregue no balcão teriam a gentileza de me contactar telefonicamente. Afinal, fazem-no com frequência quando querem vender produtos.


Como o telefonema não chegou, perdi a esperança e quase esqueci a hipótese de o cartão estar lá na agência.


Ainda assim, passados 2 dias, resolvi ir lá, sendo que o objetivo principal era cancelar o cartão.


Surpresa das surpresas, lá estava o dito.


Fiquei tão contente com o meu Banco ... Hão-de ligar-me outra vez para fazer telemarketing que vão ver.

quinta-feira, 26 de março de 2015

Pelo David, pela Juliana, quem sabe um dia por ti

DAVID é um bebé do concelho de Mira.

A Juliana é uma jovem mãe, de 32 anos, do norte do país.

Ambos têm leucemia e procuram um dador que seja compatível, cuja solidariedade os ajude a continuar a viver.

Como eles há muitos outros.

A doação de medula é grátis e pode salvar vidas. Não estamos a falar de terapias experimentais relativamente às quais se discutem resultados e interesses.

Falamos de algo mais do que comprovado (ainda que não infalível). E a Gigi é uma prova viva.

Falo de algo ao alcance de qualquer um, entre os 18 e os 45 anos, que tenha mais de 50 Kgs e a felicidade de ser saudável.

Lamentavelmente só reúno o 1.º requisito.

Será?

Sorrir e não saber de quê
Em vez de ti sentir a dor
Aceitar-te tudo sem porquê
Será a isto que chama Amor?

Querido Diário

Querido diário


Não escrevia há seculos. Sinto-me a explodir. Preciso tanto de desabafar. As minhas irmãs estão comigo, mas é como se estivesse sózinha.

 A do meio ia logo a correr contar tudo ao papá, ou aproveitava para me chantagear como daquela vez em que comecei a recitar de cor uma das tuas páginas (ainda gostava de saber como conseguiu abrir-te).  E a mais nova ainda é muito infantil, nunca ia perceber-me.

Esperei tanto pelas férias de Verão e agora que chegaram parecem-me um pesadelo.

Lembras-te de te falar no Vicente? Aquele, que mora em frente a mim?

Pediu-me em namoro na semana passada e eu aceitei, claro. Passei horas à janela, só para o ver e pensava que nunca tinha reparado em mim.


Fiquei tão feliz ....

Logo por azar, vim de férias para a casa da minha avó no dia seguinte.  E os meus pais querem que fique por cá até ao final de Agosto.


Acreditas?


Mas há pior.  2.ª feira resolvi mandar-lhe um postal  (acho tão romântico), mas enganei-me na morada e  escrevi a minha morada no destinatário.

O meu pai está fulo.

Estou farta de ouvir a mesma conversa. "Confio em ti, não confio é nos outros!"; "filho és, pai serás!";

O meu pai não percebe que cresci e trata-me como uma criança. Ao mesmo tempo exige-me que escolha uma área na escola (basicamente o meu futuro).

Estou a contar os dias para fazer 18 anos, arranjar trabalho, tirar a carta de condução e decidir a minha vida.

Ainda faltam 112 dias. Nem de propósito. Socorroooooooooooo!!! Preciso de chamar o 112 para me ajudar a aguentar até ao final das férias.
Será que o Vicente ainda vai gostar de mim? E o meu pai, vai proibir-me de ir à janela?


  

quarta-feira, 25 de março de 2015

Assistente de limpeza de gaiolas

A vinda da Tosca cá para casa reduziu-me à categoria de assistente de limpeza de gaiolas, o que inclui chegar o balde do lixo  e outros acessórios ao tratador.


Ou seja, baixei de categoria. Acho que vou recorrer à ACT das donas de casa.

terça-feira, 24 de março de 2015

1.ª prova de fogo da Leonor

Amanhã, a Leonor terá a 1.ª prova de fogo da sua vida extra-uterina, a de admissão ao Conservatório.


A cachopa gosta de piano e consta que tem jeito.


São 12 vagas para 89 meninos.


Que passem os melhores.

Fazer contas de vida

Ontem desafiaram-me a fazer parte do coro que irá cantar na Missa de Finalistas.


Sendo a Missa de Finalistas de um dos Amigos, aceitei de imediato. Para além disso, sabem que gosto de cantarolar.


E lá fui eu, feliz e contente.


O ensaio foi giríssmo. O maestro Miguel Rodrigues nasceu, de facto, para estas lides. E mais giro ainda foi participar num grupo em que fazia parte dos "quotas". Éramos uns 6, entre trinta e tal jovenzinhos universitários.


E sabem que mais? Não me importei com as contas de vida que fiz. Isto depois dos 30 é o máximo.

segunda-feira, 23 de março de 2015

Apanhados da mona

Percebemos que estamos apanhadinhos da mona, quando o champô que compramos para um porquinho da índia é mais caro do que aquele que nós (seres humanos e supostamente pensantes) usamos.

domingo, 22 de março de 2015

Uma menina que diz a verdade

Sim, pai, eu porto-me mal. Porto-me mal, mas sou uma menina que diz a verdade!




NOTA: telefonema imaginário que a Tita fez ao pai, com o seu telemóvel de brincar

E por falar em comemorar a vida

A festa oficial começou na 4.ª feira e terminou ontem. A nossa Tita já tem 4 anos!


 Ontem, quem esteve a festejar o aniversário da Tita foi brindado com um exemplo de vida que não pode/deve esquecer.


A Lena  acompanhou-me quando estive doente e, anos mais tarde, o linfoma bateu também à sua porta.


Quase no final da quimio (e já com notícias animadoras), a Lena teve a coragem e generosidade de partilhar a sua carequinha na qual estão já a despontar muitos cabelos novos.


Não consigo descrever a admiração que senti ao vê-la avançar para o meio da pequenada e segurar na pinhata.


Vou guardar a imagem na minha cabeça e coração, para a lembrar nos momentos difíceis.


Obrigada Amiga!.

E perguntam vocês, que piada tem um porquinho da índia?

Para quem tem dúvidas sobre a piada dos porquinhos da índia, aqui vai.


O bichinho é maneirinho e cabe em todo o lado; tem um pelo lindo que podemos afagar como terapia antistress; está dentro da gaiola e não temos de o levar à rua; interage connosco, sem nos contrariar (o que sabe bem).


E (contrariamente à ideia instalada) não cheira mal. Aliás, o feno (que come à ganância) até tem um cheiro agradável.


Claro que há sempre a possibilidade de virem a descobrir (no meu caso quase com 38 anos) que têm alergia, mas isso resolve-se como uma coçadela aqui, outra ali .


Recomendo o bichinho.

sexta-feira, 20 de março de 2015

Grande, mas nem tanto

- Anda, minha pequenina.


- Mãe, eu já sou grande !!!


-Se és grande já podes ir trabalhar, então.


- Mãe!!! Já sou grande, mas só tenho 4 anos!



Apaixonei-me

Nem o facto de ficar cheia de comichão de cada vez que entro na cozinha, faz arrefecer a paixão que me tomou o coração.

Acho que estou apaixonada por uma porquinha da Índia!!!!

Se houver alguém desse lado que padeça do mesmo mal, podemos trocar experiências.

Sobre a histeria à volta da Lista Vip

Dias antes de rebentar o escândalo do momento, alguém me dizia que tinha estado no café com um funconário das Finanças que se tinha gabado de ter acedido aos dados do Pinto da Costa.


Achei (e acho) esse tipo de abuso inaceitável, ainda que o objectivo seja tão pueril quanto ter tema de conversa no café.


Não consigo perceber esta histeria toda à volta da Lista Vip ou, pelo menos, a forma como está a ser abordada.


É certo que, "em ano de eleições" (que dá para tudo) não se limpam armas, mas só ficava bem trazer para a discussão pública os temas certos.


Isto da Lista Vip vai muito além da evasão fiscal (de que tanto falam) e que até acho ser o risco menor (olhem pr´o Sócrates).


As figuras públicas (apesar de o serem) mantêm o direito à reserva da sua  vida privada.


os funcionários (não tenho ouvido falar na necessidade de serem protegidos) também merecem ser respeitados no exercício das suas funções. Vejam o Código Trabalho, logo nos primeiros artigos, e todos os cuidados do legislador para salvaguardar até o correio pessoal.


Por isso, há muito mais que ter em conta do que a guerrilha política.

quinta-feira, 19 de março de 2015

O mimo que recebi, no Dia do Pai

"Que raio de mãe! Não sabes fazer nada de jeito!!!".

Benedita dixit, referindo-se ao acto (nela sempre delicado) de calçar um par de meias.

Redacção sobre o pai

Eu gosto muito do meu pai.

O meu pai é chato como poucos, pois poucos são aqueles que se dedicam tão intensamente à família.

O meu pai é rezingão, pois a preocupação não lhe cabe lá dentro.

O meu pai é uma seca, pois transborda rectidão de carácter.

Eu gosto muito do meu pai porque é chato, rezingão e uma seca.


Ass. Susana Neves

quarta-feira, 18 de março de 2015

Realismo puro e duro

Eu - Ai, estou tão velha! Olha para a minha cara, cheia de rugas!


Ele - Tens de por um creme hidratante!


O chamado realismo, puro e duro, ou a prova de que os cavalheiros galanteadores escasseiam.

Tita, 4 anos de sentimentos à flor da pele

Faz hoje 4 anos, nasceu a nossa mais nova.


A Tita é uma menina temperamental, com os sentimentos à flor da pele. Quando diz não, é não e ai de quem lhe faça frente. Só a mana consegue levá-la.  Mas depois tem o lado doce e alegre que nos contagia.


O próprio nascimento da cachopa indiciava o que aí vinha. Depois de 40 semanas e dois dias, o trabalho de parto foi mais rápido que um relâmpago e vai arrancar-me sorrisos durante toda a vida, a mesma que ela veio iluminar.


Queria escrever(lhe) algo bonito, mas as palavras não saem. Acho que vou deixar para me expressar com os beijos que lhe vou dar assim que acordar.


Parabéns meu Amor.

terça-feira, 17 de março de 2015

De alma cheia

Há notícias que,de tão boas, nos enchem a alma.
Hoje recebi uma delas e não podia ter ficado mais feliz.
Parabéns, querida Lena, pela grande tareia que estás a dar ao bicho mau.
O pesadelo está a acabar.

Arranjei sarna para me coçar



Como tenho pouco de fazer, resolvi arranjar sarna para me coçar.

A Tosca é, desde domingo, a nova residente lá de casa.

Não é linda, a minha netinha?




domingo, 15 de março de 2015

Mulheres, experimentem isto com os vossos maridos

Perante a minha inaptidão para tratar da roupa, o meu marido resolveu proibir-me de mexer na nova máquina de lavar.


E desde aí tem sido o meu prendado homem a fazê-lo.


Hoje, depois de ver maisum monte de roupa a ser colocado em cima da pouca que ainda estava suja,  exclamou um "mas assim nunca vou conseguir ter a roupa em dia".


Como são duras as lições que a vida dá.


PS Claro que a parte de estender ainda me cabe a mim, mas até prefiro que assim seja.

3 coisas que me fazem sentir uma anormal

1 - Detestar coca-cola
2 -Não ser fã de chocolate
3- Ter dificuldade em perceber a piada de comer sushi

sexta-feira, 13 de março de 2015

Bom presságio?

E o bom que é ver que a 1.ª correspondência que nos enviam para a morada nova é um livro de poesia, escrito e autografado por um velho Amigo, e não uma conta para pagar.

Será bom presságio?

Obrigada, André Lamas Leite, por este momento de ilusão. E muito sucesso para este teu novo livro.


Chapada de luva branca

Cheguei ao carro e tinha um bilhete no pára-brisas. Entre duas árvores, estavam desenhos e numerados três carros. A legenda dizia "esteve lugar dá para 3 carros, obrigado por ter ocupado 2!".


A finalizar, um smile.


Até podia contra-argumentar, dizendo que os lugares de estacionamento são muitos estreitos, o carro é novo e tenho duas filhas selvagens que podem constituir um perigo para 3.ºs, inclusive".


Mas nem tenho coragem.


Foi uma chapada de luva branca dada om classe. E eu encaixei.


Assim se prova que nem tudo se resolve à bruta.


No final de contas até tive sorte. Podia ter dado com alguém que se vingasse na lata.

quinta-feira, 12 de março de 2015

Setenta vezes sete

A minha avó é uma católica fervorosa.

Um dia, via zangada com alguém e armei-me em esperta, lembrando-a que sendo católica devia dar a outra face.

A resposta não se fez esperar e foi assertiva. "Dar a outra face não significa ser saco de pancada".

Ensinou-me a minha avó que todos temos o direito de nos defendermos, temos é também o dever de não provocar conflitos ou criar condições para que eles se instalem.

Nem de propósito, acabei de ler "A louca do Candal" do Camilo Castelo Branco que retratava de algum modo esta questão.

Naqueles tempos (como nos de hoje, ainda que noutros moldes) bater em alguém era uma forma de provocar a pessoa para que esta ripostasse. "Dar a outra face" é, pois, não responder na mesma moeda. Evitar guerras, no fundo.

E posto isto, "Quantas vezes devemos perdoar"?  Sete vezes, como respondeu Pedro? ou "Setenta vezes sete"?

E o que é amar, senão perdoar?

Apego-me aos ensinamentos da minha avó. A pessoa mais sábia que conheço.

terça-feira, 10 de março de 2015

A bílis não se dá com o pão de ló de Arouca

A terminar o dia, a constatação de que a bílis no estômago não se dá com o pão de ló de Arouca, o que é uma pena.

Por outro lado, se não morrer hoje também já não morro tão cedo.

segunda-feira, 9 de março de 2015

Depois de vencer o cancro

Depois de vencer o cancro andei uns tempos valentes a achar-me a maior.

Estava convicta que não existiriam problemas maiores ao cimo da terra e creio que cheguei a tornar-me insensível ao sofrimento alheio (pelo menos algum).

Claro que o tempo se encarregou de me trazer de volta à terra e fazer voltar a sentir dores, que não as de agulhas.

Fico feliz ao perceber que afinal não terei mudado assim tanto mas faço questão de não esquecer o que aprendi com o cancro, mesmo que para isso tenha de parecer arrogante e dizer "eu sou a que venceu um cancro".


Breve resenha da aula anterior

Um dos meus professores da faculdade começava, invariavelmente, a sua exposição com um "vamos fazer uma breve resenha da aula anterior".

E a resenha ocupava uns bons 4/5 da aula.

Para quem, nos exames de acesso à mesma faculdade, tinha aprendido que resumir um texto significa reduzi-lo a 1/3 do tamanho original, aquilo parecia-me uma mera repetição do que tinha sido dito na véspera.

Hoje sei (obrigado wikipedia) que "resenha não é um mero resumo, é mais que isso, deve apresentar mais informações ".

Quem tinha razão era o professor.

E como esta, há muitas coisas que demoram anos a perceber.

Assim tenhamos a calma necessária e não percamos a Razão (grande prova de maturidade e bom senso, se é que se podem distinguir os dois conceitos)

domingo, 8 de março de 2015

Parce que há alguém a precisar de aprender o que são palavras homónimas

Bisavô - Olha aquela pombinha, tão linda!

Leonor - Não é pombinha, avó, é vulva!

O que se me ocorre dizer neste Dia da Mulher

Muito se fala na desigualdade de género e nas suas consequências.

Eu perfiro começar por pensar na sua origem, que é a cabecinha de cada um dos que vive sobre esta terra.

Enquanto não conseguirmos abandonar as ideias feitas e inatas sobre a tradicional atribuição de tarefas em função do género (falo essencialmente ao nível do contexto familiar), não existirão quotas que nos salvem, a nós mulheres que temos a responsabilidade de, sendo "mais fracas", funcionar como pilar da família.



sábado, 7 de março de 2015

De volta aos clássicos

"Mas se eu fosse feliz com o meu vestido de chita e o homem do meu coração?"
- Isso é romance menina. Nunca é feliz com um vestido de chita a mulher que tem amigas com vestidos de seda. Hoje reina a opinião pública, Ludovina, não é a consciência de cada um."


Isto dizia Camilo Castelo Branco, nado e criado no século XIX, em "O que fazem mulheres".

Curioso.

sexta-feira, 6 de março de 2015

Ninguém se chama Susana Alice

Eu sei que ninguém se chama Susana Alice, mas daí a mudarem-se o nome, oficiosamente, para Maria Alice também já é demais.

Lá vou eu secar mais umas horitas para a EDP.

quinta-feira, 5 de março de 2015

A porta da rua é serventia da casa

Depois do Fernando Tordo, eis que a Maria João Pires amuou e decidiu rumar ao Brasil mas não, sem antes, renunciar à nacionalidade portuguesa.

Creio que a ameaça já era antiga mas pelos vistos não terá amedrontado aqueles que, a seu ver, tinham a obrigação de financiar o projecto.

Sem colocar em causa o seu enorme mérito profissional, não deixam de me irritar notícias como esta.

Gostaria de saber a que propósito é que há profissionais se arrogam o direito de determinar que o Estado tem a obrigação de financiar aquilo que querem fazer, sem qualquer outro critério a sustentar a decisão para além do nome do autor.

Enfim. Ocorre-me uma imagem neste momento. A dos ratinhos a abandonar navios. E tenho pena, mas isso sou eu que me orgulho de ser portuguesa. Talvez por não ser ninguém.

Potencialidades do vento

Tissemos umas pás eólicas cá na rua e esta noite garantíamos a nossa subsistência energética por uns tempitos.

Apesar desta oportunidade perdida, ganhámos a possibilidade de interagir com uns vizinhos, jogando o "de quem são as meias que estão no canteiro?". E quem diz meias, diz calças e outras peças de roupa.

É o tal lado divertido do vento.

quarta-feira, 4 de março de 2015

A Neves enfureceu-se

Sei que há quem tenha dificuldade em acreditar mas a Neves também se enfurece.

É raro mas acontece e ontem foi um desses dias.

Pois então, dirijo-me a uma loja de telecomunicações para cancelar um contrato, explico ao menino que é em virtude da mudança de residência e que NÃO estou interessada na oferta que (milagre dos milagres) tem para mim.

E o menino (que não tem culpa, note-se) diz-me que para formalizar o cancelamento terei de aguardar um telefonema no qual me vão "tentar oferecer alguma coisa" e só após recusar mais essa oferta, poderia voltar à loja para assinar o formulário e efectivar a minha pretensão.

Provavelmente será culpa da minha fraca memória (pois claro) mas não me lembro de ter aceite uma condição contratual tão disparatada.

A minha vontade era a de não regressar à loja e enviar uma carta registada a desancar a operadora e só o meu marido me demoveu da ideia ao dizer que não ia achar muita piada a receber alguma factura devido ao facto de eu não ter procedido em conformidade com o que me tinham dito.

E assim, lá andei eu a bufar pelo shopping fora, à espera de receber um telefonema no qual me iriam fazer uma oferta que eu teria de recusar para depois voltar à loja.

Arre, que é preciso ter pachorra.

terça-feira, 3 de março de 2015

Coisas que se aprendem a fazer mudanças

De nada vale embrulhar peças frágeis em jornal se depois nos pusermos a tentar adivinhar o que está lá dentro aos apalpanços.

Acabei de espetar o dedo indicador num ovo (verdadeiro) pintado que comprámos em Budapeste durante a lua de mel. Snif. Snif

segunda-feira, 2 de março de 2015

Se isto não é provocação não sei que será



Anda uma pessoa derreada e a maldizer o gosto que tem por livros e porcelanas, depois de um fim de semana de mudanças,  quando dá de caras com esta colecção da Vista Alegra.

Ó pá, se isto não é provocação, então não sei que será.


Até um dia Margarida

Só te conhecia daqui, das redes sociais, onde se conhece tanta gente que nada nos diz e outra tanta que nos marca pelos mais variados motivos.

Tu és daquelas que me marcou. Super mãe e mulher de fibra. Lutadora como poucos. Um exemplo que perdurará na vida de muitos, ainda que não acreditasses nisso.

Muitas foram as vezes em que pensei que de Aveiro a Viseu é só um saltinho e um dia havia de o dar para te conhecer pessoalmente.

Quis o destino que não passasse de um pensamento e o saltinho ficasse por dar.

Lá chegará o dia.

Neste momento tenho o coração encolhido e um nó na garganta como já não me lembrava de ter.

Mas sei que finalmente descansas em Paz aí, num sítio onde encontrarás poesia.

Até um dia Margarida.