É difícil manter a clareza de espírito quando recebemos a notícia de que uma pessoa, de quem gostamos muito, tem cancro. Especialmente se essa pessoa foi das quem sofreu mais com o nosso.
E a dificuldade aumenta se essa pessoa, que trabalhou mais de 50 anos, se tinha reformado há menos de um mês, para gozar um, mais que merecido, descanso.
Apesar de continuar a acreditar que tudo tem a sua razão de ser e há-de ter um lado positivo, sinto-me meia perdida num momento em que a família se prepara para travar nova batalha contra um inimigo silencioso e traiçoeiro.
Pensava que a minha experiência, enquanto paciente e familiar próxima de pacientes de cancro, me tinha dado alguma imunidade e capacidade de discernimento para encontrar as palavras mais adequadas. Mas não é o que estou a constatar. Nada nos prepara para isso. Tal como quando recebi a notícia, o silêncio tem sido o meu refúgio.
Sempre disse que bem pior do que passar por um cancro era passar peloa cancro de alguém que amamos. A sensação de impotência é terrivelmente angustiante. É certo que o papel de quem acompanha é dar amor, ouvir e confortar e isso é da maior importância. Mas assistir à dor dos nossos é algo que transcende qualquer dor física que possamos sentir.
Acho que ainda não acredito. E, defintivamente, ainda não encontrei as palavras certas. Sei que não há regras, há momentos e sentimentos, mas esta é uma daquelas raras fases em que gostava que a vida fosse matemática.
Mas uma coisa sei, estarei lá para o que der e vier e vai correr tudo bem. Será só mais uma prova.
Estamos nisto juntos.
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Acho que não há palavras certas. Como dar sentido a algo que não tem sentido? Mas acredito que a tua experiência te vai ajudar mais do que pensas. Beijinho e força para todos
ResponderEliminarOi, Susana!
ResponderEliminarVocê está certíssima, pensamos estar diplomadas, mas a vida sempre nos surpreende com essas notícias, e então todo o nosso aprendizado prévio mostra-se incapaz de nos dar as palavras mais acertadas. E por termos passado por isso, sabemos também que o calar e estar simplesmente presente é uma boa forma de ser útil e acolher a pessoa amada.
Grande abraço e muita força para essa nova batalha.
Fé na vida!
Olá Susana, há quatro anos atrás precisamente por estes dias(dias antes dos meus anos)eu passei o que você está a passar com o noticia de que o meu pai tinha cancro no estômago...tudo acabou em bem...
ResponderEliminar...E consigo também acabou tudo em bem...
Vai correr tudo bem, um grande abraço.
Isabel Vila
Muita força nesta nova batalha!Vai correr tudo bem.Um beijinho para toda a familia
ResponderEliminarP.S- Obrigada pelo teu apoio.Deste muita coragem ao meu Pai e a todos nós.
Uma beijoca muito grandes para todos. Concordo plenamente, pior que nós, só com os que amamos.
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