domingo, 29 de abril de 2012

Estamos nisto juntos

É difícil  manter a clareza de espírito quando recebemos a notícia de que uma pessoa, de quem gostamos muito, tem cancro. Especialmente se essa pessoa foi das quem sofreu mais com o nosso.

E a dificuldade aumenta se essa pessoa, que trabalhou mais de 50 anos, se tinha reformado há menos de um mês, para gozar um, mais que merecido, descanso.

Apesar de continuar a acreditar que tudo tem a sua razão de ser e há-de ter um lado positivo, sinto-me meia perdida num momento em que a família se prepara para travar nova batalha contra um inimigo silencioso e traiçoeiro. Pensava que a minha experiência, enquanto paciente e familiar próxima de pacientes de cancro, me tinha dado alguma imunidade e capacidade de discernimento para encontrar as palavras mais adequadas. Mas não é o que estou a constatar. Nada nos prepara para isso. Tal como quando recebi a notícia, o silêncio tem sido o meu refúgio. Sempre disse que bem pior do que passar por um cancro era passar peloa cancro de alguém que amamos. A sensação de impotência é terrivelmente angustiante. É certo que o papel de quem acompanha é dar amor, ouvir e confortar e isso é da maior importância. Mas assistir à dor dos nossos é algo que transcende qualquer dor física que possamos sentir. Acho que ainda não acredito. E, defintivamente, ainda não encontrei as palavras certas. Sei que não há regras, há momentos e sentimentos, mas esta é uma daquelas raras fases em que gostava que a vida fosse matemática. Mas uma coisa sei, estarei lá para o que der e vier e vai correr tudo bem. Será só mais uma prova. Estamos nisto juntos.

5 comentários:

  1. Acho que não há palavras certas. Como dar sentido a algo que não tem sentido? Mas acredito que a tua experiência te vai ajudar mais do que pensas. Beijinho e força para todos

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  2. Oi, Susana!

    Você está certíssima, pensamos estar diplomadas, mas a vida sempre nos surpreende com essas notícias, e então todo o nosso aprendizado prévio mostra-se incapaz de nos dar as palavras mais acertadas. E por termos passado por isso, sabemos também que o calar e estar simplesmente presente é uma boa forma de ser útil e acolher a pessoa amada.

    Grande abraço e muita força para essa nova batalha.

    Fé na vida!

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  3. Olá Susana, há quatro anos atrás precisamente por estes dias(dias antes dos meus anos)eu passei o que você está a passar com o noticia de que o meu pai tinha cancro no estômago...tudo acabou em bem...

    ...E consigo também acabou tudo em bem...

    Vai correr tudo bem, um grande abraço.
    Isabel Vila

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  4. Muita força nesta nova batalha!Vai correr tudo bem.Um beijinho para toda a familia
    P.S- Obrigada pelo teu apoio.Deste muita coragem ao meu Pai e a todos nós.

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  5. Uma beijoca muito grandes para todos. Concordo plenamente, pior que nós, só com os que amamos.

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