quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Criopreservação de células estaminais -para pensar

 A minha amiga Verónica viu o programa Observatório do MundO na TVI24 sobre a criopreservação das células estaminais e partilhou um resumo no facebook.
Dada a importância desta questão, não podia deixar de a abordar aqui até porque me diz muito.
Como qualquer empresa privada, os laboratórios que fazem a criopreservação das células estaminais necessitam de promover o seu negócio. E, naturalmente, não irão (chamemos-lhe assim) ao pormenor técnico quando fazem a divulgação dos seus serviços.
Há várias coisas que todos deviam saber para, em consciência, poder optar entre um laboratório privado e a doacção ao LUSOCORD (banco público). E o esclarecimento torna-se ainda mais importante pois tenho percebido que o desconhecimento é grande, até entre profissionais de saúde.
Perdoando-me por alguma, eventual, falta de rigor científico, passo a referir duas das principais questões:
 1ª o sangue de uma criança com doenças genéticas nunca vai poder ser usado por essa criança, pq as células têm os mesmos defeitos genéticos.

 
  2º 70% das amostras recolhidas são inúteis, umas por falta de nº de células, outras por outros problemas!!!!!
 Já aqui o contei, mas a criopreservação das células estaminais foi uma das coisas que fez com que o cancro estivesse presente, na minha cabeça, durante as duas gravidezes.

"Então vai ter de fazer a criopreservação das células estaminais. Quem sabe se este bebé veio para a salvar", foi o comentário de uma médica durante a eco morfológica da Leonor, depois de eu lhe ter explicado a origem da enorme cicatriz que tenho debaixo da mama direita.

O comentário soou como uma bomba. Sempre tinha pensado na cripresevação como o tal "seguro de vida" para a Leonor e, de repente, aquela médica lembrou-me "hello, tem cancro, pode precisar das células da sua filha".

Posto isto, nem hesitámos e criopreservámos as células. Na altura não havia, ainda, o banco público LUSOCORD.

Quando a questão se tornou a colocar, 22 meses mais tarde, escolhemos a empresa e nem perguntámos nada a ninguém. O pior foi quando vi o questionário sobre a saúde da mãe. Estava lá a pergunta cuja resposta sempre evitei ouvir. "A mãe é portadora de alguma doença crónica, nomeadamente cancro?".

Liguei à minha oncologista que me aconselhou a responder "portadora de Linfoma de Hodgkin, em resposta activa há mais de 2 anos". Foi um choque, ainda maior quando recebemos o relatório da criopreservação. Resumidamente, dizia que, face ao actual estado da arte, não existiam garantias que alguma equipa de transplante arriscasse usar aquelas células, deixando ao nosso critério criopreservá-las, ou não.

Mais uma vez, corri para os braços da minha oncologista. Perguntei-lhe a opinião e fiquei muito surpreendida com a resposta. Desconhecia, completamente, o facto de o número de células colhidas do cordão umbilical muito dificilmente ser suficiente para o transplante de um adulto, dado o número de células necessárias estar relacionado com o peso. E referiu que não tinha, por opção, criopreservado as células das filhas.

Acabámos por não criopreservar as células do cordão da Benedita e a empresa devolveu-nos o dinheiro.

Por estes motivos, e sem querer de todo ser fundamentalista, subscrevo inteiramente o apelo da Verónica, que transcrevo:

"se TODOS NÓS O DOÁSSEMOS AO BANCO PÚBLICO,  E EU DIGO MESMO TODOS NÓS, BEBÉS, CRIANÇAS, JOVENS, ADULTOS E IDOSOS, TERÍAMOS MUITO MAIS PROBABILIDADE DE NO CASO DE PRECISARMOS, CONSEGUIRMOS OBTER UM DADOR, UMA VEZ QUE OS BANCOS PÚBLICOS DE TODO O MUNDO ESTÃO EM COORDENAÇÃO PARA CONSEGUIR CÉLULAS COMPATÍVEIS!!!

2 comentários:

  1. Olá Susana.

    Adorei o post e concordo:doar ao banco público de facto é o melhor.Poderemos ajudar alguém que precisa e não sustentar um negócio privado pouco claro em termos de seriedade.

    No entanto,com base no que vi e li,não concordo com a referência de que as nossas,não nos poderão ajudar.Não sei muito sobre o tema mas pelo que sei,vi um documentário sobre o assunto, no qual se acompanhou o progresso duma criança de poucos meses alvo de tratamento, as células estaminais podem ajudar o próprio.

    Esta criança nasceu com uma doença,cujo nome não recordo mas algo semelhante a atraso mental vegetativo,submeteu-se a um tratamento,no estrangeiro,com as próprias células estaminais.Os resultados,logo após a primeira administração foram surpreendentes:não reagia a nada,passou a reagir,não fixava ninguém nos olhos nem seguia com o ohar os sons,passou a fazê-lo,não tinha qq expressão facial de alegria,tristeza etc,passou a ter,não se movimentava,passou a comer sozinha(ainda q sujasse tudo)e surpreendentemente,lá p a 3ª ou 4ªadministração,começou gatinhar e meter-se de pé.Por isso,não creio q as células estaminais n possam ajudar o próprio.Ainda há mto p investigar nesta área mas sem dúvida,doar ao banco público,é o melhor.
    Beijinhos para todos vocês.
    VandaR

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    1. Tens razão Vanda, há muito para investigar nesta área. Tenho sempre receio de entrar em campos científicós pois, como é natural, não os domino daí que tenha evitado mais comentários a esse nível. Queria somente levar as pessoas a tentar esclarecer-se antes de tomar uma decisão. Beijinhos e obrigada pelo comentário

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