sábado, 21 de junho de 2014

Olhar, mas nem ver (ou como temos medo das diferenças)

Aí a partir dos meus 12 anos (tempo em que as vacas engordaram) até aos 21 (altura em que os interesses mudaram, todos os verões passava uns dias de férias nas várias ilhas espanholas.


Uma das coisas que gostava de ver (por ser uma realidade diferente daquela a que estava habituada) era o facto de muitas famílias estrangeiras viajarem com filhos deficientes.


Claro que imagino que nos seus países existam muitos mais apoios sociais e condições, em termos de infra-estruturas, que permitam uma maior mobilidade de pessoas com enormes limitações físicas, mas penso que a diferença (face a Portugal) vai além disso.


A sociedade portuguesa (e por mim falo) não está habituada a viver com a diferença e tem medo dela.


E nem é preciso pensar na forma como tratamos os "menos válidos", como dizem nuestros hermanos.


Senti isso mesmo, enquanto estive doente ao cruzar-me com pessoas (poucas, devo dizer) que não sabiam como me encarar e o que me dizer e, por isso, me evitavam.


Esta semana atendi uma senhora que parecia não perceber o que eu dizia e me olhava fixamente, enquanto eu repetia a mesma coisa 2 ou 3 vezes.


Enquanto decorria a conversa, eu pensava que a senhora teria algum défice cognitivo e nem o facto de haver algo diferente na forma como falava, me fez parar para pensar na verdadeira razão de não me perceber de imediato.


Fui muito rápida a formular o meu juízo e muito lenta a ver a realidade.


Com o desenrolar da conversa, a senhora acabou por me dizer que é formadora de língua gestual, ou seja não me percebia pois tinha problemas auditivos (coisa que eu, ouvinte, demorei a entender).


E então senti-me mesmo pequenina perante aquela senhora que luta para se impor num mundo em que muitos olham sem a ver.



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