quinta-feira, 28 de agosto de 2014
A moda das zonas child free
Anda por aí uma moda que me incomoda um bocadinho - as child free zones (em português corrente "criança não entra"). E os locais até têm sinaléctica própria. Um sinais daqueles redondos, onde os cãezinhos são substituídos pelas criancinhas.
Sei, por experiência própria, que as criancinhas podem ser muito incomodativas. E há momentos em que dou a ponta do dedo mindinho da mão esquerda para estar longe dessas criaturas.
Querer estar em silêncio, a conversar ou ler, e ter ao lado uma criança aos guinchos é tão irritante como estar no cinema a ouvir o vizinho do lado a comer pipocas.
Há, efectivamente, locais que não são apropriados para crianças.
Quanto a isso estamos todos de acordo.
Daí a criarmos restaurantes e hotéis interditos a crianças já me parece diferente.
A infância serve, entre outras coisas, para as crianças serem ensinadas a viver em sociedade. Ora, tal só será possível se as integrarmos na sociedade, o que passa por a levarmos a hotéis, restaurantes, museus, igrejas (..., mesmo sabendo que dificilmente terão um comportamento irrepreensível.
Caberá, naturalmente, aos pais gerir o seu comportamento. E aí sim, está a grande ciência. Não podemos amordaçá-las, apesar da vontade que às vezes nos dá. Podemos é retirar-nos, caso as feras fiquem incontroláveis ao ponto de incomodar os restantes presentes, coisa que aliás a família Neves já teve de fazer.
Claro que o conceito "incomodar" é muito subjectivo. Há pessoas mais comichosas do que outras e encontrar um meio termo é sempre difícil.
Mas mais do que as zonas child free, incomodam-me as tais pessoas comichosas que criticam os pais que levam as crianças a restaurantes e perturbam a tranquilidade alheia.
Há dias, irritei-me tanto com a arrogância da autora de num blogue, que não tenciono voltar a ler, que me saltou a tampa e perguntei se a senhora também defendia zonas "doentes mentais free" ou "idosos com Alzheimer free". Há alguns que também gritam e até se babam. Vamos encerrá-los em casa, a eles, e às famílias, para não incomodar pequenos egos superiores?
Haja bom senso e tolerância, que cabemos todos no mesmo mundo.
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Concordo, na totalidade, com tudo o que escreveste. Pena é não arrajarem certos espaços interditos a pessoas artificiais, ditas socialities. Pelo menos as crianças asao naturais!
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