Não poderia terminar o ano, sem fazer o habitual balanço. É inevitável. Acho piada a esta fase do ano em que, muitas vezes inconscientemente, fazemos retrospectivas como se a vida fosse uma novela cujo último capítulo termina, sempre, às 23h59m do dia 31 de Dezembro.
Tal como com a gravidez, tenho dificuldade em qualificar o meu ano de 2009.
Emocionante, complexo e cansativo são alguns dos adjectivos que me ocorrem. Nunca poderei dizer que foi mau, porque não o sinto. Teve, de facto, momentos muito duros, mas as memórias desses momentos são completamente ofuscadas pela hora de felicidade suprema que senti no dia em que dei à luz a Leonor.
6h36m, do dia 13 de Maio de 2009, será o momento que vou guardar para a eternidade e que definirá o meu ano de 2009. Ano de Vida.
Pode parecer conversa fiada, mas por todos os motivos que podem imaginar só tenho, neste momento, razões para celebrar a Vida.
Por isso, e porque esta época se presta a pirosices, deixo-vos um Hino à Vida escrito pelo Gabriel Garcia Marquez, texto que está afixado numa das paredes do IPO (pertinho da capela); retirei o último parágrafo, que não reflecte aquilo que pretendo neste momento.
Espero que gostem, tanto como eu.
"Se, por um instante, Deus se esquecesse de que sou uma marionete de trapo e me presenteasse com um pedaço de vida, possivelmente não diria tudo o que penso, mas certamente, pensaria tudo o que digo.
Daria valor às coisas, não pelo que valem, mas pelo que significam.
Dormiria pouco, sonharia mais, pois sei que cada minuto que fechamos os olhos, perdemos sessenta segundos de luz. Andaria quando os demais parassem, acordaria quando os outros dormem. Escutaria quando os outros falassem e gozaria um bom sorvete de chocolate.
Se Deus me presenteasse com um pedaço de vida, vestir-me-ia com simplicidade, deitar-me-ia de bruços no solo, deixando a descoberto não apenas o meu corpo, como minha alma. Deus meu, se eu tivesse um coração, escreveria o meu ódio sobre o gelo e esperaria que o sol saísse.
Pintaria, com um sonho de An Godo, sobre estrelas, um poema de Mário Benedetti e uma canção de Serrat seria a serenata que ofereceria à Lua.
Regaria as rosas com as minhas lágrimas para sentir a dor dos espinhos e o encarnado beijo das suas pétalas. Deus meu, se eu tivesse um pedaço de vida, não deixaria passar um só dia sem dizer às gentes: amo-vos, amo-vos.
Convenceria cada mulher e cada homem que são os meus favoritos e viveria apaixonado pelo amor.
Aos homens, provar-lhes-ia como estão enganados ao pensarem que deixam de apaixonar-se quando envelhecem, sem saber que envelhecem quando deixam de apaixonar-se. A uma criança, dar-lhe-ia asas, mas deixaria que aprendesse a voar sozinha.
Aos velhos, ensinaria que a morte não chega com a velhice, mas com o esquecimento. Tantas coisas aprendi com vocês, os homens...
Aprendi que toda a gente quer viver no cimo da montanha, sem saber que a verdadeira felicidade está na forma de subir a escarpa. Aprendi que quando um recém-nascido aperta, com a sua pequena mão, pela primeira vez, o dedo de seu pai, o torna prisioneiro para sempre.
Aprendi que um homem só tem direito de olhar um outro de cima para baixo para ajuda-lo a levantar-se".
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Um bom ano!
ResponderEliminarQue 2010 nos traga muita saúde e alegrias!
jokas
Realmente esta é a altura em que damos por nós a fazer balanços. E diga-se de passagem que este nem foi um mau ano. Com alguns obstáculos pelo caminho considero que, no essencial, 2009 até correu bem. Havendo saúde e trabalho acho que não podemos reclamar da vida. O resto vem por arrasto e só depende de nós fazermos um esforço para sermos felizes e não perdermos tempo com coisas que não merecem a pena.
ResponderEliminarE nada como nos fixarmos em coisas espectaculares (como o nascimento da nossa princesa) para nos esquecermos das coisas menos positivas.
Desejo a todos (em especial à minha Neves) um 2010 em cheio.
Feliz ano novo Luvas. Gostei muito do texto. Beijinho e até dia 4.
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