Tinha decidido que iria escrever este post no dia 13 de Abril, data em que faz 3 anos que o meu tio, e padrinho, se cansou de dar luta ao cancro que o foi consumindo durante dois longos e penosos anos.
Era para colocar uma foto, já escolhida, mas que ainda não tive tempo de digitalizar.
Mas a experiência que vivi hoje, quando saía do trabalho, alterou-me os planos.
Muitas vezes, após o seu falecimento, tive o impulso de pegar no telemóvel para lhe mandar mensagens a contar novidades da minha vida. Muitas vezes "vi" o carro dele, à hora do almoço, estacionado em frente à casa da minha avó, muitas vezes o "vi" ao olhar para o meu avô (com quem encontro, agora, tantas parecenças).
Muitas vezes me pareceu senti-lo a olhar para mim, numa altura em que me entreguei a um projecto que, penso, não aprovava.
Muitas vezes o "vi" em homens que passavam por mim na rua. Já não me acontecia há muito, mas tornou a acontecer hoje e foi tão real que tive o impulso de travar o carro, para parar e ir ter com ele.
Não é que a saudade tenha voltado, porque nunca se foi, mas hoje sinto-a de forma especial e dolorosa.
O meu padrinho tinha um feitio muito complicado, era independente e extremamente fechado. Muitas vezes bruto, na maneira de se expressar, mas tínhamos uma ligação muito forte.
Deu-me, acima de tudo, um exemplo de perseverança e verticalidade na forma como lutou ccontra a doença, que tanto o fez sofrer.
Posso atribuir-lhe a maior parte da força que encontrei, para enfrentar a minha e um dia poder dizer (como direi) "estou curada".
Foi nele que pensei, quando recebi a notícia da minha doença. Na tristeza que iria sentir, pois sei que onde esteja está a acompanhar a minha vida. Nos meus avós que já tiveram a infelicidade de viver algo tão anti-natural como a morte de um filho.
E é ao seu exemplo, e ao da minha mãe, que devo a certeza de que vou vencer.
Dói-me, no entanto, o não ter a certeza de o ter acompanhado tanto, quanto poderia. E essa ideia acompanhou-se em cada sessão de quimio. Tentei acompanhar, não me deixou por orgulho talvez, mas se calhar também não consegui chegar até ele, pois bem vi, nos seus olhos, o conforto que sentiu, cada vez que fui atrás, às escondidas e sem autorização.
Como não há mais nada que possa fazer, resta-me não o desiludir e não voltar a guardar elogios a quem são devidos.
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revejo-me em quase tudo o que escreveste neste post em relaçao ao teu tio e padrinho, e meu irmao.
ResponderEliminarAs saudades em lugar de diminuirem, aumentam!
bjs
Querida Susana, nunca passei por uma situação assim, como tal acho que não estou habilitada a saber ao certo o que sentes, mas as tuas palavras emocionaram-me e deixam que pensar.
ResponderEliminarUm grande beijinho.
Como vai a nossa pequenita?
TeresaP
ola Susana
ResponderEliminarconfesso que me emocionei ao ler este relato tão cheio de carinho para com o familiar que já se foi levado pela maldita doença, a morte é sempre triste, não fomos feitos para morrer, por isso nos custa imenso aceitá-la.
Esteja ele onde estiver certamente se orgulhará de ti porque lutaste e sairás vencedora desta luta, aliás eu costumo dizer que já "vencemos", pelo menos a mais dificil das batalhas, agora é entregar nas mãos de Deus.
Obrigado por partilhares esta história de vida tão real dolorida mas que serve para nos fortalecer ainda mais nesta nossa caminhada.
Que a felicidade faça parte do teu dia a dia
beijinhos
Maguie
..
Obrigada Maguie e Teresa, pelas vossas palavras.
ResponderEliminarBeijinhos
Que memorial mais bonito. Que seja como digas - que ele ainda esteja a observar e que a sua batalha não tenha sido em vão porque te inspirou...
ResponderEliminarbeijinho
OLÁ, OLÁ,sabes amiga esta história de vermos as pessoas de que tanto gostamos é a saudade a falar por si, comigo em relação ao AVÔ acontece mais ou menos o mesmo , mas acredita que tanto um como o outro estão a proteger nos e a cuidar de todos aqueles que mais gostamos, bjsss grandes
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