quarta-feira, 6 de junho de 2012

Saída de casa e entrada no infantário em grande estilo

Eram 08h40m (devia estar no trabalho às 09h00).
Enfio o impermeável na minha pessoa e às duas pessoinhas que tinha de deixar no infantário.

Começo a descer as escadas e ouço "mãe, quero a minha pêpê" (rais partam a pêpê)

Ainda calmamente, respondo "a mãe dá-te a pêpê no carro, agora não consigo tirá-la da carteira" (não sei se percebeste, mas tenho a tua irmã ao colo)

"Mãe, quero o meu cavalinho"

Já com menos calma, respondo "Leonor, agora não temos tempo. Desce as escadas para irmos embora. Ainda agora tinhas o cavalinho nas mãos, tu é que quiseste deixá-lo em casa" "Não! Quero o meu cavalinho", começou a gritar, sem parar. Começo a inspirar e expirar e repito "Desce as escadas" "Não! Quero o meu cavalinho", continuou vezes sem fim, sempre a subir de tom. Refreei o impulso de atirar a Benedita para o chão e subir as escadas para a trazer por uma orelha. Deixei-a aos berros, e lavada em lágrimas, em frente à porta de casa e fui pôr a Benedita no carro. Tranquei o carro (por sorte estacionado mesmo à porta de casa) e galguei escadas acima. Fui encontrar a vizinha da porta em frente a tentar acalmar a fera e, provavelmente, a pensar raios e coriscos de mim. Com medo de represálias, acedi em abrir a porta e fui buscar o raio do cavalinho. Pego na fedelha ao colo e começa a gritar pela pêpê. "Desculpa mas agora não ta dou. Quiseste o cavalinha e já o tens. Agora ficas de castigo, sem pêpê". "Mas eu não estou de castigo!" (4x bis) "Estás sim, portaste-te mal". "Mas eu não me portei mal!" (4 x bis) E lá seguimos com a rapariga a gritar pela pêpê o caminho todo. À saída do carro, resolveu atirar-se para o meio do chão, a gritar e espernear. Valeu-lhe o impermeável (que o diz está de chuva) 4 números acima do tamanho dela e o facto de ter a Benedita ao colo, que impediu que a espancasse. Entrámos no infantário esbaforidas, ela com aspecto de criança maltratada e sofredora e eu com aspecto de tresloucada (suponho), tais eram os nervos. Resultado, cheguei ao trabalho (não sei bem a que horas, que já não via nada à minha frente, banhadinha em suor e tenho passado o dia a olhar para os lados, à espera de sentir a ponta do dedo de alguém da CPCJ a tocar no meu ombro.

2 comentários:

  1. Ehehehe
    Boas (de más) recordações me trouxe este relato brilhante.
    Só te garanto que isso passa e que vão ser meninas encantadoras e tuas amigas.
    Um beijo grande,
    T.

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  2. são as "Leonorices" nossas conhecidas e que nos tiram do sério, ai se tiram...
    bjs

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Obrigada por dar vida a este blog.