sábado, 8 de dezembro de 2012

Ex presidente da ACAPO morreu ao cair de muro sem protecção

Uma das primeiras notícias que vi esta manhã foi a da morte de José Adelino Guerra, ex presidente da ACAPO - Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal que terá caído de um muro sem protecção.

Lamento esta morte estúpida, cujos motivos estúpidos também já se fizeram sentir na minha família (a minha avó Alice, que não cheguei a conhecer, morreu ao cair numa obra).

E lamento tantos acidentes e problemas de mobilidade causado por obstáculos urbanísticos, falhas de segurança e pessoas sem noção do que existe ao seu redor, que, na impossibilidade de entrar com o carro em casa ou no ginásio, insistem em estacionar em cima de passeios.

Como sabem, os primeiros meses de vida da Leonor coincidiram com a fase em que fiz quimio.

Nessa altura comecei a deparar-me com a necessidade de evitar todo o tipo de desníveis. Coisas que até à data nunca me tinham incomodado, revelaram-se muito difíceis.

Nas vezes em que me atrevia a sair sózinha com a Leonor, revia mentalmente, 1001 vezes, o percurso que poderia fazer. O carrinho era pesado e a força pouca. Foi aó que tive verdadeira noção daquilo por que passariam as pessoas invisuais e com problemas de mobilidade. Naqueles dias tive medo de cair numa cadeira de rodas (como muitas das pessoas que via no IPO) e ficar ainda mais limitada.

São impressionantes, às vezes até escandalosas, as aberrações arquitectónicas que existem por aí e que tornam quase impossível a movimentação de pessoas com limitações físicas ou que têm carrinhos de bebés. Não sei como se licenciam certas obras. É certo que as coisas têm vindo a melhorar, mais ainda assim há muito a fazer.

Depois há o acomodados, ou distraídos, que estacionam em todo o lado, sem se lembrar que há quem não tenha facilidade em encolher a barriga para passar por uma nesga de terreno entre carros ou carros e casas. E há quem, pura e simplesmente, não consiga ver os carros.

Algo que dá que pensar e nos deveria preocupar a todos.

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