terça-feira, 25 de junho de 2013

Células dendríticas

Ao ver a reportagem que ontem passou na TVI sobre as células dendríticas, recuei 4 anos da minha vida.

Nessa altura fui confrontada com a necessidade de fazer quimioterapia para liquidar um linfoma de Hodgkin.

Não me foi apresentada nenhuma alternativa de tratamento e eu nem questionei. Estava paralisada  pelo medo e tenho como princípio confiar nos profissionais que me rodeiam.

A única coisa que fiz foi, depois de muita insistência dos meus pais, consultar um homeopata.

Como contei aqui, a experiência não podia ter sido mais traumatizante. Entrei lá em busca de ajuda, mais para minimizar os efeitos secundários da quimio, e o senhor queria obrigar-me a desistir do tratamento convencional, optando pelo tratamento que me faria (na altura explicou-me em que consistia mas estava tão aparvalhada que não fixei nadinha).

Esta opção implicava, desde logo, que não contasse nada "aos da medicina convencional" (um pequeno pormenor).

Ao longo da consulta, o senhor fartou-se de falar do lobbie da indústria farmacêutica e da indústria leiteira.

Não duvido que estes lobbies existam, mas tudo isto me faz imensa confusão.

Imaginava a medicina como uma ciência"exacta" e custa-me acreditar como, em pleno século XXI, se continuam a discutir possibilidades de tratamento do cancro com base em critérios (e acusações) meramente económicos.

Mesmo sabendo que, infelizmente, é o dinheiro que move o mundo, era suposto que os estados investissem numa investigação séria e fundada, quanto mais não fosse, já que falamos em dinheiro, para controlar os enormes gastos que suportam com tratamentos oncológicos.

Não confiei naquele homeopata e mesmo que me tivesse inspirado confiança não sei se teria coragem para recusar o tratamento convencional.

Admiro profundamente a coragem daqueles que procuram outras formas de tratamento, especialmente quando os resultados não são, ainda, muito conhecidos.

Apesar de ser uma escolha pessoal, essa decisão, tomada num momento tão conturbado e de tantas interrogações interiores, acaba por ser uma forma de contribuir para a evolução do conhecimento e beneficiar todos aqueles que se vêem confrontados com diagnósticos semelhantes.

Como disse, não sei se teria essa coragem. Discernimento para pesquisar alternativas não tive, isso de certeza.

 Tal como acontece a muitos pacientes oncológicos, entre a decisão dos médicos de prescrever um protocolo de quimio e o início do tratamento passaram pouquíssimos dias.

Não tinha tempo, nem cabeça, para pensar se existiriam alternativas. E agora, apesar de as coisas terem corrido muitíssimo bem, é muito estranho ouvir a facção anti quimio falar no lobbie da indústria farmacêutica e todos os riscos que corro por ter confiado na medicina convencional.

Só queria que esta malta da ciência se entendesse. Acredito que nuns casos a quimio seja a única solução. Noutros talvez não.

Acima de tudo, queria que o sistema estivesse melhor preparado para esclarecer, de forma desinteressada, quem leva com a bomba que é saber que tem cancro.

Apesar dos pesares, não me arrependo de ter confiado nos meus queridos médicos (JCD e AES) a quem admiro muito e por quem nutro grande carinho.

4 comentários:

  1. Sem querer julgar ninguém, li algures, que gastavam 1.500 euros por semana

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    1. É complicada a gestão de informação e a tentativa de perceber onde estará a verdade, Nita.

      O que me custa, acima de tudo, é que o problema esteja no dinheiro, como sempre.

      Haja esperança que os homens um dia evoluam

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  2. Claro que não te arrependes, e nós também não. Estás aqui bem, com as tuas filhotas.

    Acredito que os tratamentos convenciomais tratar muitas coisas, mas em casos extremos, em que mais nada funciona ou tb potaria por coisas + radicais.

    beijos grandes.

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