quinta-feira, 25 de junho de 2015

Resposta a "Um pensamento"

Este POST de ontem, sobre o comportamento da Tita, deu origem a um comentário que não resisto a partilhar e comentar.




"As crianças são um reflexo do que se passa em casa e aprendem a "resolver conflitos sociais" com os pais e outros adultos "importantes" e não só na escola. Culpar o "feitio" é sinceramente uma forma muito desinformada de lidar com o assunto. Sugiro que a Susana se informe sobre o funcionamento e desenvolvimento das crianças. Ao culpar o "feitio" está a etiquetar a criança de uma forma injusta e não a fazer-lhe um favor (nem a ela, nem a si). Quando etiquetamos crianças como "problemáticas" elas tendem a ajustar-se às nossas expetativas e a tornarem-se justamente problemáticas. Sugiro que pense bem no que diz à frente da sua filha, especialmente no que diz respeito a comparações à irmã, e que aja de forma informada.

Tudo isto não exclui o facto de as crianças passarem por fases em que adotam comportamentos difíceis, fases estas que espelham necessidades não providas pelos pais e outros adultos "importantes", tais como tempo, atenção, afecto, estimulação, estrutura etc. Tal como os adultos, cada criança tem necessidades em medidas diferentes. A Susana já tentou descobrir as necessidades individuais das suas filhas e adaptar-se a elas? São os adultos que devem adaptar-se às crianças, não o contrário."


Não sei quem fez o comentário. Desconheço se as fontes de informação que tem (e sugere que eu procure) se baseiam na experiência (complementada com teoria) ou são meramente livrescas.


Em todo o caso, o teor do comentário deixou-me a pensar em várias coisas.


De forma a enquadrar o post em questão é importante dizer que eu não fui "chamada" à escolinha da Tita por questões disciplinares, fui a uma reunião de pais, na qual a educadora disse aos pais que os meninos (4/5 anos) andam, regra geral, na fase das asneiras (os meninos mais virados para os palavrões e as meninas para "insultos" como parva e gorda). NOTA: a escola não fica no Bronx e tem meninos de todas as classes sociais.


Não vi os relatórios dos coleguinhas da Tita mas imagino que nalguns deles conste uma frase exactamente igual à que está no relatório dela relativamente à "resolução de questões sociais". NOTA: ontem chegou a casa com um braço todo arranhado e não foi uma auto-mutilação.


A Tita tem uma personalidade forte, felizmente. Sabe bem o que quer e o que não que, coisa que me conforta bastante. E é bastante temperamental (aqui é feitio, sem dúvida).


Quando se zanga pode ir tudo pelos ares mas, em contrapartida, é de uma meiguice extrema. Não são raras as vezes em que vamos de mão dada pela rua e, sem mais nem menos, começa a beijar-me a mão e a dizer "és linda mamã" (claro que também já me chamou parva e gorda).


Posto isto, acredito que esta coisa de bater e insltar seja mesmo uma fase e que chegue o dia em que a rapariga consiga sentar-se à mesa para resolver questões sociais bem mais graves do que a partilha de brinquedos.




Indo agora ao comentário, gostaria de frisar que o facto de se brincar com as situações não é sinónimo de leveza na forma como as mesmas se enfrentam.


Em todo o caso, friso que esta situação (pelo menos de momento) não me preocupa de todo.


Relativamente àquelas que me preocupam, procuro informar-me (como sugere o/a comentador/a) junto das pessoas que lidam com as minhas filhas (professoras, auxiliares ...) e outras crianças da sua idade, da pediatra e pais de outras crianças. Também vou lendo umas coisas, embora fuja do tal saber livresco (o tal que etiqueta crianças e comportamentos).


Pela minha experiência  de vida (cá em casa e fora dela), as crianças não são só "reflexo do que se passaem casa" (posso garantir que a Tita nunca viu os pais ou avós às arranhadelas e puxões de cabelo, nem a chamar gordo a ninguém).


Concordo ser muito importante ter cuidado com o que se diz e com as comparações que se fazem com os irmãos. Tento evitá-lo mas (no dia a dia e especialmente fora de casa são coisas que não se controlam. As mais das vezes (quero crer) inconscientemente, as pessoas fazem comparações entre irmãos sem terem noção que podem estar a ferir os pequenos.




Mas temos de ter noção que há coisas que escapam ao nosso alcance e as crianças vivem inseridas numa sociedade pelo que estarão sempre sujeitas a comentários/atitudes desagradáveis com as quais terão de lidar. Faz parte da vida.


Concordo também com a imprescindibilidade de ter em conta a individualidade de cada criança e as necessidades de cada uma.


Com duas meninas, de idades tão próximas, os programas acabam por ser muito parecidos até porque (ainda) partilham os mesmos gostos mas vou tentando perceber as diferenças.


Uma coisa é certa, todos os dias questiono se estou a ser uma boa mãe. Não serei a melhor pessoa para o dizer. Posso só garantir que tudo o que faço é no sentido de o conseguir (nem que seja naqueles minutos em que procuro estar sózinha para espairecer).


Outra coisa que posso garantir é que, nesta coisa de educar seres humanos, não há regras matemáticas que nos valham.















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