quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Não sei se ria se chore

- Sabes, mãe, o J. escondeu a capa do meu livro na mochila dele!
- Então porquê?!!!
- Porque alguém lhe foi dizer que eu já não sou namorada dele e ele ficou zangado!
- E quem é que lhe foi dizer isso?
- Não sei. Sabes, eu tenho de fazer de conta que sou namorada dele, senão zanga-se e passa para o lado do F.
- Mas quem é o F? Está zangado contigo?
- Está. Ele queria namorar comigo e com a M. Como nós não quisemos, zangou-se e já nos ameaçou de morte. Apontou-nos uma pistola, igual àquela que o primo tem e faz barulhos.
- Leonor, tu não tens de fazer que namoras com o J, disse eu,  já em stress e a pensar naqueles anúncios de sensibilização contra a violência no namoro. Dizes que não queres namorar e pronto.
- Mas mãe, se eu faço isso vou perdê-lo como amigo. Já perdi o F. de mim e não quero perder também o J.

E eis que desato a rir, quase descontroladamente.

- De que é que te estás a rir, mãe?!
- É dos nervos, filha. É dos nervos.


Agora deixem-me desabafar.

Como diria a minha avó, "estou para morrer e não tenho vagar".

Basicamente, não sei bem que pensar desta situação que me revela alguma precocidade e demasiada informação na cabeça destas criancinhas de 6 anos.

Em todo o caso, é óptimo o facto de me ir contando estes dramas "de faca e alguidar" porque sempre me dá a oportunidade de ir falando com a minha menina e explicar algumas coisas deste mundo dos afectos.

NOTA: é verdade que soltei umas gargalhadas, mas não deixei de falar com a seriedade devida (e proporcional à idade da minha interlocutora) sobre algumas questões que me pareceram mais sensíveis.



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