Nunca tive contacto directo com situações de violência doméstica, apesar de saber que aconteceu entre familiares meus, mas assisti ao depoimento em tribunal de uma mãe que, assistindo, às agressões de que a filha era alvo, só lhe pedia para aguentar "porque uma mulher divorciada ...".
Tratava-se de uma família humilde e pouco letrada mas a vergonha e o preconceito são realidades indesmentíveis que não se limitam, de todo, a classes mais desfavorecidas.
Conheço o caso de uma senhora, muito conceituada na cidade em que vive, que depois de alguns anos de violência doméstica decidiu divorciar-se e teve de enfrentar críticas de pessoas que acharam que o fez em virtude de ambições profissionais.
Ninguém tem de saber o que se passa na vida dos outros, é certo, mas as críticas baseadas em suposições são mais velozes que o próprio pensamento.
Tudo isto a propósito da confusão que me fazem os comentários (acreditando na veracidade do que tem vindo a lume) feitos pela juíza que está a julgar o Manuel Carrilho relativamente à atitude (ou falta dela) da Bárbara Guimarães perante as supostas agressões de que terá sido alvo.
Respeito muito o princípio da presunção de inocência, mas acho inaceitável que em sua defesa (quero crer) se censurem os ofendidos como que a culpá-los (ironia do destino) pelos danos que alegam ter sofrido.
Transformar o direito de apresentar queixa em obrigação e cominar o incumprimento dessa "obrigação" com a censura de quem julga o, alegado, culpado é, no mínimo, uma inversão daquilo que deve ser a justiça.
Já para não falar no facto de evidenciar um saber ainda mais teórico do que o meu.
É lamentável e espero que venha a ser averiguada a questão. Para bem de todos os envolvidos e da sociedade em geral.
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por acaso estive a ler um ou outro artigo sobre partes do interrogatório/depoimento e confesso que tive vergonha das perguntas e observações que foram feitas a Bárbara Guimarães... não me pareceu nada bem aquela postura da juíza!
ResponderEliminarbjs** (sofia da redonda quadrada)
Deplorável mesmo. Espero que seja afastada do processo e responsabilizada. Beijinhos
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