sexta-feira, 8 de abril de 2016

E uma lobotomia?

Vou assistindo, com muito cepticismo a toda a profusão de medidas de conciliação entre a vida pessoal e profissional/protecção da parentalidade e promoção da igualdade de género, implementação de longas check lists para verificação daquelas medidas, etc, etc,etc.


E sinto-me mal com o meu cepticismo. É óbvio que existe a necessidade destas medidas e que as mesmas sejam  defendidas com unhas e dentes.


A questão é que, antes de avançar com mais ou pelo menos antes de andarmos com as belas das check lists, seria muito importante fazer o trabalho de base o qual passa por informar os cidadãos sobre aquelas que já existem, trabalhar mentalidades para que recorram às mesmas (e outros para que as aceitem - esta parte é tramada).


Pensando na parentalidade, por exemplo, é incrível o desconhecimento sobre as medidas que já existem (e falo por mim que manuseio o código do trabalho diariamente e nunca vi implementar metade delas, pelo tal desconhecimento (a que acresce, quando há conhecimento, à dificuldade que o outro lado (leia-se entidade empregadora) tem em aceitar as mesmas, independentemente do sexo).


Mas voltando ao meu cepticismo, sinto-me mesmo mal por não acreditar na mais valia de dar passos maiores do que as pernas e achar que há coisas que não vão lá à bofetada (passe a piadinha básica).


Até que recebo telefonemas, como o de ontem, em que uma jovem mãe instruída demonstra a sua indignação pelo facto de um pai divorciado ter direito ao gozo facultativo de 10 dias úteis de licença parental inicial (quando já teve os 10 dias úteis (agora 15) de gozo obrigatório), achando mais estranho o facto de lei o permitir do que o da mãe impedir o pai de ver a filha.


E é nestes momentos que penso que o meu cepticismo talvez tenha algum fundamento.


E uma lobotomia, prévia à publicação de diplomas legais?

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