domingo, 31 de julho de 2016

Quando a Marisa Monte convida a Carminho

Quando vi a divulgação do concerto que a Marisa Monte daria com a Carminho nos Jardins de Serralves, não resisti.

Gosto imenso de duetos e algo me dizia que este resultaria.

Ontem lá fui, com a mana do meio e duas boas amigas.

Não me enganei. Aquelas duas funcionam bem em conjunto. A Marisa de Monte não será um "animal de palco", parece extremamente tímida, mas tem uma voz e talento que sobram e foi ganhando segurança ao longo do "show".

Gostei particularmente da interacção entre as duas e do enquadramento que fizeram das músicas. Aprendi algumas coisas e cheguei a ficar envergonhada com a minha falta de cultura (ou atenção).

Nunca me tinha apercebido, por exemplo, que o texto que o Arnaldo Antunes recita no "Amor, I love You" é do Eça de Queirós (e já li o Primo Basílio mais do que uma vez).

A aposta foi ganha, sem dúvida.

Deixo-vos o tal (belo) texto do nosso Eça, que os nossos irmãos brasileiros tão bem utilizaram.


Primo Basílio
  • “(...) tinha suspirado, tinha beijado o papel devotamente! Era a primeira vez que lhe escreviam aquelas sentimentalidades, e o seu orgulho dilatava-se ao calor amoroso que saía delas, como um corpo ressequido que se estira num banho tépido; sentia um acréscimo de estima por si mesma, E parecia-lhe que entrava enfim numa existência superiormente interessante, onde cada hora tinha o seu encanto diferente, cada passo conduzia a um êxtase, e a alma se cobria de um luxo radioso de sensações!

Deixo-vos também uma das mais belas músicas/letras que ouvi ontem.


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