segunda-feira, 19 de junho de 2017

Onde está Deus nestas alturas?

No meio do choque colectivo que se vive por estes dias, pela devastação causada pelo incêndio de Pedrógão Grande é legítimo que se pergunte onde está Deus nestas alturas?
E a dúvida não assolará somente as mentes dos descrentes, estou certa.
Há perguntas cuja resposta é difícil e muitas vezes demora anos a chegar.
De uma coisa estou certa, não culpemos Deus pelas falhas humanas.
Se tivermos o cuidado de tentar perceber o que tem passado em Portugal no que diz respeito ao ordenamento do território, prevenção de catástrofes, educação para a cidadania, etc, etc, etc, facilmente concluimos que andamos todos de costas voltadas ou, pelo menos, a trabalhar de forma isolada.
Basta ouvir especialistas de várias áreas envolvidas (meterologia, geografia, protecção civil ...) para ter a sensação nítida que não existe a necessária interacção entre todas para tratar um problema que tem de ser abordado de forma multidisciplinar.
E isto, deixem que vos diga, não é culpa de Deus. Deus deu inteligência aos homens e liberdade para decidir os caminhos pelos quais querem seguir. A utilização, ou não, destes dons cabe aos seus titulares.
Porque é que Deus permite estas catástrofes tenho mais dificuldade em perceber, não minto, mas nestes momentos vejo-O nos corações de todos aqueles que abandonam o seu conforto para correr a auxiliar as vítimas, os que se mobilizam para dinamizar ondas de solidariedade, os que mesmo de longe contribuem com bens ou simples orações.
Mais do que apontar culpados, a hora é de meter os pés ao caminho, arregaçar as mangas e trabalhar para evitar situações futuras. Falo de entidades e população e aqui uma palavra especial para a comunicação social. Mais do que utilizar cenários chocantes como imagem de fundo das suas reportagens e desobedecer às ordens das autoridades (algo tão lamentável que nem merece comentário, só uma mudança de canal); mais do que criar linhas de apoio  telefónicas de apoio (cujo valor das chamadas, excluindo o IVA, não reverte sequer totalmente para a causa), era importante que utilizasse o seu poder e alcance para difundir programas pedagógicos sobre medidas de autoprotecção. O que fazer em situações de perigo? Para onde fugir ou não? Há regras básicas que suponho serem desconhecidas da maior parte de nós e podem ajudar a salvar vidas.
Que esta tragédia não seja esquecida aos primeiros pingos de chuva e, essencialmente, que estes não sirvam para que sacudir a água do capote de cada um.

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