Há iniciativas que me deixam sem saber que pensar, de tal modo me dividem.
Uma delas é, seguramente, esta dos nuestros hermanos espanhóis que pretendem ver a relação médico-paciente ser reconhecida como património cultural imaterial da humanidade.
A ideia é fofinha, sem dúvida. A relação médico-paciente é das mais importantes que conheço e cria-se, na minha experiência, sem necessidade de recomendações relativamente a qualquer dos lados.
Os médicos da minha vida (com uma honrosa excepção) caíram-me ao colo como presente de Deus. Ninguém mos recomendou, nem eu pedi referências. Fui e confiei.
Tinham de ser eles. Não só por serem bons tecnicamente, mas porque se criou uma empatia geradora de confiança infinita que é essencial neste tal relacionamento.
Não fossem essa empatia e confiança e partiria para outros relacionamentos.
E, podem não concordar, mas para mim a empatia é o factor chave. Um bom médico para mim não será, seguramente, o melhor médico para outra pessoa.
Se assistissem à forma como me foi transmitido o diagnóstico do linfoma de Hodgkin, perceberiam o que quero dizer. Para muitos seria inconcebível a forma "fria" como as palavras foram ditas.
Para mim, e no tipo de relação que tenho com aquela médica, foi normalíssimo.
Daí que me cause muita espécie isto de se sentir necessidade de reconhecimento externo do valor, ainda que imaterial, de uma relação tão especial e própria.
Mesmo que tenha subjacente objectivos mais palpáveis como o de combater a ideia tonta de pré-definir tempos máximos de consulta, como se os médicos fossem também eles tontos e os pacientes máquinas com iguais necessidades.
Há consultas que não levam mais de um minuto; todos sabemos da existência de hipocondríacos e carentes de atenção. Há outras que, certamente, exigirão muito mais do que 15 minutos.
A isto chama-se humanismo do sistema. Quanto ao dos médicos, ou é inato ou não se vai lá com declarações de património cultural imaterial da humanidade.
E é isso. É uma ideia fofinha, mas não mais do que isso.
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