Raríssimas e, por isso, não dominantes

Ao acompanhar a mais recente novela à volta de um alegado desvio de fundos na associação Raríssimas, ocorrem-me vários pensamentos.

O primeiro vai, provavelmente por defeito profissional, para o princípio da presunção de inocência  que vejo cada vez mais banalizado. Melhor dizendo, ignorado.

E isto é gravíssimo pois gera, antes de mais, verdadeiros linchamentos em praça pública. Digo sempre que ninguém está livre de ter um vizinho maluco que faça queixa de nós ao Ministério Público e mau seria se não houvesse direito ao contraditório.

No caso concreto da Raríssimas, e entidades criadas com fins similares, é ainda mais grave pois a opinião pública não julga na praça pública somente as pessoas sob suspeita. Tomar a parte pelo todo é outra das manias do ser humano.

E com estes escândalos não perdem só as instituições em causa, mas todas as outras. O claro exemplo académico do "paga o justo pelo pecador".

Não ignoro que existem muitas pessoas, nos mais variados cargos, são capazes de dormir descansadinhas, apesar de andarem a depauperar recursos alheios e que o hábito não faz o monge.

Mas tenho a certeza que existem muitas mais que trabalham de forma séria e sem outro interesse que não o de melhorar o mundo em que vivemos.

É nessas que continuo a depositar as minhas esperanças.

Quanto às desconfianças só espero que sejam desfeitas em sede própria e eu quem tiver de ser punido o seja severamente.

Que não seja pelas desconfianças que os indignados (todos os que se podem orgulhar de ser honestos com os outros e consigo também) deixem de se dedicar a causas nobres, ou serão como aqueles que tanto criticam - egoístas.


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