Vale tanto a pena acreditar e seguir em frente. Tanto!



Estava em pleno piquenique anual, com Amigos de todas as horas, naqueles momentos em que se desfiam memórias quando a madrinha da Tita lembrou que tinha sido naquele mesmo local que, oito anos antes, lhe tinha contado a boa nova.

E eu que estava convencida ser a primeira vez que ali estava, dei por mim a recuar no tempo e a tentar recordar-se de outros pormenores que não a grande angústia sentida naquele dia.

Concluí que a angústia me consumia de tal modo que impediu que lembrasse a beleza do local. Estive ali só, e literalmente, de corpo presente.

Só que queria que chegasse 2.ª feira para poder falar com a minha onco-hematologista.

O medo que senti relativamente ao que aquela gravidez, 6 meses após terminar a quimio,  podia significar para a minha saúde ou para o embrião tolheu-me de tal forma que nem consegui perceber a bênção que foi não ter ficado infértil, outro grande medo que tinha.

Às vezes é assim, os medos cegam-nos e impedem-nos de viver. Naquele momento eu devia saltar de alegria e, no entanto, completamente amedrontada.

Ontem estava feliz só porque sim. Tinha ali parte daqueles que mais me dizem. O local é lindo, respirávamos serenidade.

A tal angústia de há oito anos não foi sequer uma miragem, que não me lembrava dela e quando lembrei que felicidade senti.

Vale tanto a pena acreditar e seguir em frente. Tanto!

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