terça-feira, 16 de outubro de 2018

Falhei

Tive de, inesperadamente, ir à escola da cria mais velha e quando a cachopa me viu perguntou-me se lhe tinha ido levar a camisola já que a tinha sujado.

Lá lhe expliquei que se me tinha avariado a bola de cristal e, como tal, não levava uma camisola lavada.

Falhei, admito. Mãe que é mãe não só sente como antecipa as necessidades das suas crias (pelo menos aos seus olhos).

Brincadeiras à parte, é uma ternura perceber a ilimitada confiança das crias relativamente às minhas capacidades. Devem ver-me como um ser do além. É também uma enorme responsabilidade.

PS. Esta deve ser a dica dos céus para me lembrar de colocar uma muda de roupa na mochila das patroas.

A minha hora de almoço

Para mim, a hora de almoço é sagrada (como a do pequeno almoço e jantar, de resto).

Sou incapaz de perceber quem a aproveita para ir ao cabeleireiro, ginásio ou afins. Detesto comer depressa, especialmente se for de pé.

Provavelmente por estar mal habituada e continuar a ter a sorte de ir almoçar a casa dos pais, que vieram substituir os avós, o que me permite aproveitar o aconchego da família e ter uns minutinhos de sossego para ler o jornal.

Hoje, Dia Mundial da Alimentação, recordo com particular carinho os almoços em casa dos meus avós, ao som das notícias e discussões hilariantes sobre a origem etimológica de certas palavras e outros factos mais, ou ainda menos relevantes.

Fosse qual fosse a hora a que chegasse, a minha avó voltava para a cozinha para me fazer companhia e não me deixava levantar um guardanapo, mandando-me ir ler um bocadinho do jornal para "descansar antes de voltar ao trabalho".

Não há como não sentir saudades deste mimo que continuo a receber, agora dos meus pais, ainda que de forma mais subtil.

Fui e sou uma mimada sem dúvida, e depois de ficar a saber que os portugueses têm a hora de almoço mais longa da Europa, ainda me sinto mais privilegiada.


segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Qual a relação entre a tempestade Leslie e Santa Teresa de Ávila?


Vive, no sábado passado, uma das experiências mais assustadoras de que tenho memória.

Não foi por desconhecimento, pois ouvi o Aviso da Protecção Civil, mas por achar que a tempestade Leslie só passaria por locais onde não estivesse (haja presunção).

Quando entrei no pavilhão já chovia bastante, mas o vento era insignificante. Durante o jogo, nada me fazia perceber o temporal sentido lá fora até ao momento em que comecei a ver alguma agitação e percebi que umas plaquinhas do telhado tinham voado.

Com receio que a coisa piorasse, resolvi sair a 5 minutos do final e só aí tive real noção do que estava a acontecer. O vento era de tal ordem que não sei como chegámos a casa. Foram cerca de 500 metros que pareceram 5000.

Enquanto o meu pai levava a cria mais nova ao colo, tentei pegar na mais velha mas parecia chumbo e nem a consegui levantar do chão, coisa que faça tantas vezes. A miúda quase a panicar, a queixar-se que não consegui ver, nem respirar. Eu a tentar acalmá-la e a sentir que a minha voz devia transmitir tudo menos calma.

Lá conseguimos entrar em casa e ficámos em stress porque o meu pai decidiu ir para casa, preocupado que estava com a minha mãe. Serenizámos um pouco quando soubemos que já estava a salvo mas continuei a sentir-me péssima, com a ideia de ter deixado para trás uma série de amigos que poderiam precisar de ajuda.

Foi um sentimento super estranho e a malta  amiga que lá estava, soube depois, conseguiu chegar a casa em segurança mas passando muita coisa pela cabeça.

Não me queixo (só tenho a agradecer), mas é impossível deixar de pensar na angústia que sentirão aqueles que são afectados por este tipo de fenómeno.

A dor de cabeça ainda não me passou.

E o que tem Santa Teresa de Ávila a ver com a tempestade Leslie?  O condão de me acalmar com a serenidade das suas palavras que reproduzo neste seu dia:


"Nada te turbe, nada te espante, quem a Deus tem nada lhe falta... Nada te turbe, nada te espante, só Deus basta!"


sexta-feira, 12 de outubro de 2018

Faltam 80 dias para acabar o ano e ....

Não quero ser motivo de desestabilização, mas faltam 80 dias para acabar o ano e … talvez seja altura de olhar para as famosas listas de coisas a fazer em 2018 e perceber se há grandes desvios.

80 dias ainda permitirão implementar algumas medidas correctivas.

Façam-no, se tiverem coragem. Eu cá, por causa das coisas, já há dois anos que opto pela lista de coisas a NÃO fazer. Sempre evito a frustração de perceber que as listas do A fazer se mantinham intactas ano após anos no que isso tem de mau.


quinta-feira, 11 de outubro de 2018

O poder da argumentação

- Leonor, isso é batota! Não podes ir espreitar a tabuada enquanto fazes a conta!
- Mas mãe, assim estou a estudar a tabuada também!

Tem alguma lógica, convenhamos.

quarta-feira, 10 de outubro de 2018

Unha com carne

As patroas levam a expressão "unha com carne" tão a sério que é frente encontrar vestígios de adn de uma sob as unhas da outra. Talvez fosse boa ideias explicar-lhes que há outras formas de exprimirem a cumplicidade que as (des)une.

Mnemónica russa. Oi?!!!

A patroa mais velha aprendeu a fazer contas de multiplicar recorrendo à mnemónica russa.
Digam-me, por favor, que não sou a única mãe nascida na década de setenta do século passado a desconhecer o que seja tal coisa!

Desta vez sim, estou livre do IPO

 Depois da onco-hematologista me ter dado alta do IPO, foi a vez da nefrologista o fazer (ainda que com indicação de ser seguida em consulta...