quarta-feira, 29 de junho de 2011

Evidências

Ontem chamei o meu marido para mostrar uma foto tirada durante o namoro.

E diz ele, com uma sensibilidade de elefante, "deixa ver, tu é que deves estar diferente!".

Como se não bastasse, passado um bocado, diz "eu estou bastante melhor".

Tudo isto dito com uma espontaneidade e inocência que dá que pensar.

E eu, que tenho espelhos em casa, tenho de concordar com as evidências.

Resultado, esta manhã não entrou uma ponta de açucar nesta boquinha. Ao almoço é que tive de transigir e comer um geladinho caseiro, mas só porque tenho de esvaziar o congelador para o descongelar.

PS Os homens deviam experimentar parir para ver se ficavam bem melhores.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Oferta de Emprego (M/F)

Procura-se colaborador(a) com habilitações literárias mínimas ao nível do ensino básico para cuidar de bebé exigente.

As funções, a iniciar em Setembro, serão exercidas no infantário, entre as 09h e as 18h.

Complementarmente ao trabalho desenvolvido pelas funcionárias do infantário, o/a colaborador(a) deverá deitar-se ao lado da bebé, sorrir-lhe e pegar-lhe ao colo, sempre que a mesma exigir.

Requer-se elevada sensibilidade e extrema paciência.

O/a candidato(a) deverá ter os dedos polegares, sob pena de exclusão do processo de seleção.

Remuneração compatível com as funções.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Trela ou não trela, eis a questão.

Desde que a Benedita nasceu que a ideia de comprar um arnês de segurança para a Leonor me tem assaltado o espírito.

Tenho hesitado para não não traumatizar a pobrezinha mas quem tem ficado traumatizada sou eu. Ontem fez mais uma das dela. Tirei-a do carro, encaminhei-a para o passeio e disse "vai para o passeio, que a mãe precisa de pegar nos sacos".

Enquanto a criatura se encaminhava para o passeio, fiquei a controlar o trajeto com o olhar e baixei-me para apanhar os ditos sacos. A safada resolveu virar-se, à velocidade da luz, e correr para o meio da estrada.

Lá fui eu, com as pernas a tremer, agarrá-la pelo cachaço e dar-lhe uma palmada pedagógica que deu em nada pois a fralda tem um efeito amortecedor fora de série.

Todos os cuidados são poucos e não sabemos como nos desdobrar, ainda mais, para proteger as nossas crias. Esta, então, dá-nos cabo da moleirinha. A safada não tem noção do perigo, é certo, mas sabe bem como nos desafiar e esta foi, nitidamente, uma dessas situações.

Não queria dar-lhe motivos para se tornar uma adolescente problemática mas, a continuar assim, não se safa da trelinha. Prefiro pagar-lhe o psicólogo daqui a uns anos. Ufa, que isto cansa.

domingo, 19 de junho de 2011

Conflito de deveres

Nos últimos tempos tenho-me deparado com um confito de deveres que me faz reviver as aulas de direito penal.

Quem devo socorrer primeiro? A pequena que já está vermelha de tanto berrar, e só se calará quando eu lhe pegar ao colo, ou a maior que ameaça atirar-se da cadeira onde come a papa, caso eu não vá ter com ela assim que chama a primeira vez?

A resposta não é de cruzinha e é melhor ir pela minha sensibilidade porque pior do que um auditor do CEJ a copiar é ver uma mãe que acredita em soluções matemáticas.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Mais fortezinha

Porque é que 100 ml de silicone injetados nas mamas de uma mulher a transformam numa boazona enquanto os mesmos 100 ml mas de leite só a fazem "mais fortezinha"?

segunda-feira, 13 de junho de 2011

25 Meses



Sua Alteza Real, princesa rainha Maria Leonor, faz hoje 25 meses. Ainda não confirmei nos manuais mas, pela experiência, presumo que esta seja uma fase equiparada à pré-adolescência.

Não, não, não (assim mesmo) é a resposta que tem sempre na ponta da língua e que usa para toda e qualquer pergunta.

Quando não percebemos o seu ponto de vista, atira-se para o chão a gritar, sem sequer ver o estado do piso. Esta sua tendência é especialmente emocionante quando o chão está cheio de vidrinhos. Ontem resolveu sair da cama de grades e o papá só ouviu o estrondo. A sorte é que "ao menino e ao borracho põe Deus a mão por baixo" e tinha um colchão mesmo ao lado da cama.

Ao nível da moda também já tem algo a dizer e começa a tornar-se difícil enfiar-lhe calças, especialmente se forem de ganga.

A língua está cada vez mais afiada e criou um dialeto próprio que utiliza quando o assunto não lhe agrada.

Está, em suma, uma pequena rebelde a minha Maria grande.

Desta vez sim, estou livre do IPO

 Depois da onco-hematologista me ter dado alta do IPO, foi a vez da nefrologista o fazer (ainda que com indicação de ser seguida em consulta...