Vou contar, então, como começou esta aventura. Em Outubro de 2008 (mais coisa menos coisa) surgiu-me uma espécie de "cravo" um pouco abaixo da mama direita. Como não sei estar quieta, mexi-lhe e tirei a crosta (bela imagem). À medida que os dias foram passando, aquele "cravo" tornou-se uma ferida horrível. Fiquei com um belo sentimento de culpa e fartei-me de levar nas orelhas do meu amado.
O diagnóstico inicial foi de furúnculo e a explicação para o facto de os antibióticos não fazerem efeito, a de serem mais fracos do que aqueles que seriam, normalmente, receitados, em virtude de estar grávida.
Até que numa consulta de dermatologia o médico me disse "minha querida, vou ter de lhe fazer uma biópsia". Fiquei super nervosa, grávida e sem nunca ter levado uma anestesia (que não fosse aquelas dos dentistas). Acho que nunca me tinha sentido tão desprotegida, ali deitada na marquesa. O pobre do médico também estava aflito, era a 1.ª vez que tinha uma grávida naquelas circunstâncias e, ainda por cima, lavada em lágrimas. Enquanto administrava a anestesia ia-me fazendo festas com o cotovelo.
Lá fiz a biópsia e, no dia seguinte, telefona-me o médico a dizer que seria necessário fazer mais exame à amostra recolhida, exames esses que ficariam caros. Cheirou-me logo a esturro e claro que autorizei.
Passados mais dois dias, perguntou-me se iria sózinha receber o resultado. Respondi-le logo, "até ia, mas face a essa pergunta..."
Lá fui eu com o meu super marido que, sem eu saber, já lá tinha estado na véspera. Depois de me transmitir o diagnóstico, utilizando aqueles termos técnicos completamente ininteligíveis por uma leiga como eu, lá disse "minha querida, amanhã tem de vir comigo". Onde? Ao IPO. Até àquele momento, desconhecia completamente o facto de o meu médico trabalhar no IPO.
Só me lembro de sair do consultório e dizer ao meu marido "C`um caneco, não era assim que eu imaginava viver a minha primeira gravidez" e depois pensar "como é que vou contar isto aos meus pais e avós, não posso dar-lhes este desgosto". Nem chorei na altura (eu que sempre fui uma chorona). Mais tarde vim a perceber que o meu cérebro bloqueou a informação e só com o tempo tem vindo a desbloqueá-la.
Nessa noite, aconteceu-me uma das mais belas experiências da minha vida, a de sentir a Leonor pela 1.ª vez (estava grávida de 19 semanas). Nada é por acaso e acredito que foi a maneira de ela me dizer "faz a tua parte, que eu estou bem".
A decisão no IPO foi a de remover a lesão com anestesia local e acompanhar-se até final da gravidez para aí fazerem uma série de exames.
Lá fui eu para o bloco, com o médico a cantar música latina e as enfermeiras super divertidas e carinhosas. Ao mesmo tempo que era operada, tinha a mão esquerda na barriga e sentia a minha princesa a mexer. A sensaçção inexplicável. Em todos os momentos em que fiquei mais vulnerável, a Leonor fez-se sentir ao pontapé (minha querida brutinha) e obrigou-me a reagir. Tinha mesmo de reagir, afinal tinha a maior das responsabilidades, trazer a Leonor ao mundo.
Bem, não vou alongar-me mais. Tenho de repartir a novela por vários episódios, embora o risco de ficar sem tema ser, dadas as circunstâncias, praticamente nulo.
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Amiga, és um exemplo de vida, coragem e determinação.
ResponderEliminarContigo, reaprendemos a amar e a saborear o valor das coisas simples.
Sei que vais vencer, porque acreditas e és uma pessoa de garra e de fé.
A vida merece-te!
Obrigada por partilhares connosco as tuas emoções, porque assim, apesar da distância, sentimo-nos tão perto.
bejo grande e sabes que rezo para ti.
Susana, muito obrigada pela visita ao meu blog. Comecei agora a ler a sua história e já sei que não vou largar.
ResponderEliminarA minha filha também é uma Leonor. Um pouquito mais velha do que a sua: a minha tem 20 anos... hehehe
Um beijinho e só lhe desejo bem
Ah, outra "coincidência": a minha mãe também nasceu a 13 de Maio... de 1929 (tem 80 anos)