Quando, em 2007, participei activamente na campanha pelo NÃO ao aborto, nos termos em que viria a ser regulamentado, estava longe de saber como essa questão viria a tocar a minha vida.
Desde o momento em que soube que estava grávida, começou a aumentar em mim a certeza de que tinha feito a opção correcta ao lutar pelo NÃO que, infelizmente, acabou por ser derrotado.
Sabiam que tinha a Leonor 8 mm e já se ouvia o seu coração bater? Que não tinha, ainda, forma humana e já se percebiam as batidas do coração, qual pirilampo cintilante?
Não quero julgar quem opta por abortar. Há histórias que são demasiado dramáticas e não sou ninguém para julgar quem quer que seja. Não posso é deixar de me entristecer, pois continuo convicta que grande parte dos abortos se devem à incapacidade da sociedade (que somos todos nós) apoiar quem fica numa situação de vulnerabilidade tal que opta por pôr termo a uma vida.
Já pouca coisa me irrita, mas fico fula quando vejo certas figuras públicas orgulhosas pela vitória do SIM. O facilitismo é, em minha opinião, um retrocesso da humanidade e não uma conquista.
Eu era (para muitas mentes que se dizem modernas e defensoras dos direitos das mulheres) uma óptima oportunidade de aborto. A minha mãe tinha 19 anos, o meu pai 22, quando surgiu uma gravidez inesperada, estavam os dois desempregados.
Coitados, ficaram com a vida estragada, terão pensado muitos.
Se ficaram não se nota nada, tanto é o amor que me deram e dão. Se calhar são masoquistas, também pode ser isso. Prefiro pensar que sentem ter tomado a decisão correcta quando foram à luta.
Fico espantada com a facilidade com que se pergunta, como me perguntaram a mim "porque não abortas?"
Sei que correu o boato que eu estaria a cometer uma loucura ao colocar a minha vida em risco, por não interromper a gravidez. Por mais romântica e heróica que a ideia pareça, tenho de esclarecer que essa questão nunca foi colocada pelos médicos que me acompanham no IPO.
A Leonor nunca pôs a m/ vida em risco, embora me tenha mandado para o hospital com uns golpes de Karaté nos rins (mas isso fica para outro post).
Antes pelo contrário. É bem provável que o meu "pequeno milagre" (como lhe chamou a pediatra) me tenha salvo a vida, pois a alteração hormonal que ocorre durante a gravidez certamente ajudou a desmascarar o Sr. Hodgkin.
É possível que venha a necessitar das suas células estaminais.
Como disse alguém "a mãe deu-lhe a vida e ela salvou a vida da mãe".
Agora, mais do que nunca, dou valor à vida. Agora, mais do que nunca, defendo a vida. Agora, mais do que nunca, lamento a vitória de argumentos demagógicos, facilitistas e enganadores.
Carpe Diem
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Minha gd amiga! tu sabes ke gosto mt de ti, e vou estar sempre do teu lado. tb acho que a tua filha, e o teu maior tesouro(eu propria tenho 2 e sao a minha vida). Mas tu sabes que a minha posição kt ao aborto e oposta a tua. Nao concordo nada contigo. Mas e essa a beleza das verdadeiras amizades. Bjs gds.Suzzzzzzz
ResponderEliminarMinha linda. Já pensaste em escrever um livro? Acho que devias ponderar essa possibilidade. As palavras fluem-te de uma maneira que chega a arrepiar. Ainda este fim-de-semana, a arrumar umas gavetas, dei de caras com aquele pequenino feto que me deste em 2007 e lembrei-me de ti. Beijos da tia Eva
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