Caro Dr. GM
Imagino a pressão a que estão submetidos os profissionais que trabalham no serviço de urgência de um hospital.
Percebo que não tenham disponibilidade para dar toda a atenção que pacientes e acompanhantes exigem.
Sei (vi) as condições que existem e as limitações de recurso.
Tento ser o mais compreensiva possível e só por isso (e porque sabia que se fizesse o que me estava a apetecer naquele momento, a pouca disponibilidade existente iria provavelmente esfumar-se) não lhe esmurrei o nariz perante tanta arrogância e falta de tacto.
Não sei se 15 dias, no contexto em que tentei dialogar consigo, são muito ou pouco tempo.
Provavelmente por minha culpa, achei que não seria altura de discutir filosofia.
Mas fiquei com vontade de falar consigo, noutro local e circunstâncias. Gostava de lhe dizer algumas coisas mas, acima de tudo, perceber se é sempre tão estúpido ou fui eu que tive o azar de o apanhar num dia mau.
Seja como for, e quanto mais não seja para desabafar, deixo aqui uma das coisas sobre as quais gostaria que reflectisse já que foi uma questão que me colocou no meio da indiferença/frieza com que me falou.
O que é que eu iria estar a fazer, 5 ou 6 horas nas urgências?
Juro que não me iria intrometer no seu trabalho. Certamente não me viu, nem à minha irmã, mas estivemos sempre muito quietinhas a um canto.
Obviamente não iria fazer nada em termos técnicos. Mas há coisas que vão para além das técnicas médicas. Uma coisa chamada afecto.
Foi isso que eu e a minha irmã fizemos nas mais de 6 horas em que nos fomos revezando. Demos afecto ao meu avô, que estácompletamente lúcido apesar da prostração.
Acho que também o demos, muitas vezes só com um sorriso, a muitos dos idosos que estavam nas macas espalhadas ao longo dos corredores e não tinham qualquer acompanhante.
Fomos trocando palavras de ânimo com outros acompanhantes.
Basicamente foi isso.
O meu avô está melhor? Não está, obviamente, mas não esteve só enquanto nos foi possível estar ao seu lado.
Dificultámos o seu trabalho ou dos demais profissionais? Não creio, acho que nem nos viram.
Será que fui clara Dr. GM?
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