Antes de mais, peço desculpa se desapontar alguém com este post.
Costumo falar da minha experiência com o cancro de sorriso nos lábios e sei que é isso que traz algumas pessoas a este blogue.
É verdade. Tive cancro. Fiz quimioterapia. Correu tudo muitíssimo bem e consigo sorrir ao contar a minha história, da qual me orgulho muito.
Mas é verdade também que passar por tudo o que passei (e vou passando) não é o mesmo que beber um refresco no final de uma tarde de verão.
Desde que "comecei nesta vida" (leia-se desde iniciei a quimio), faz este mês 6 anos, conheci muitas pessoas com doenças oncológicas.
Todas, sem excepção, com histórias bem mais complicadas que a minha no que à parte física se refere (quanto ao resto cada um sabe de si e há coisas não mensuráveis).
Durante este percurso fui perdendo algumas dessas pessoas, com as quais partilhava medos e experiências, mas também comemorava vitórias e aprendia a aproveitar as coisas mais pequenas (e importantes) da vida. Por 3 delas, em especial, sentia uma empatia difícil de explicar.
Já antes de o cancro me tocar a mim, tinha perdido o meu tio/padrinho.
É, por isso, quase inevitável viver fases como a que agora atravesso em que as interrogações são mais que muitas.
Porquê? Para quê? Porque não a mim?
Hoje, um Amigo especial que ganhei à conta do cancro (que isto não são só coisas más), perguntava-me se questionava a existência de Deus, ao mesmo tempo que me explicava que nem tudo é explicável à luz da Razão.
Deus será das poucas coisas que não questiono, ou já teria enlouquecido de vez.
Mas tenho de confessar que tenho dificuldade em perceber o porquê de Deus permitir certas coisas.
Daí dizer aqui, há dias, estar a precisar de me isolar/retirar.
Não sendo tal viável, vou continuando a viver. Um dia de cada vez.
domingo, 5 de julho de 2015
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