O alargamento da procriação medicamente assistida a todas as mulheres, independentemente do estado civil e do género da cônjuge, levanta-me uma série de dúvidas.
Na verdade, a única conclusão a que consigo chegar é que "cada caso é um caso" e, como tal deveria ser analisado individualmente e nas suas especificidades. Mas até essa conclusão me suscita questões.
Estamos a falar de ética pura e dura e de decisões sobre a vida. Mais do que uma decisão sobre a vida daquela que pretende ser mãe, está em causa a decisão sobre uma nova vida e acho que é este o busilis da questão.
Ter um filho deve ser um acto de Amor (creio que nisto estaremos todos de acordo). A questão (a meu ver) é distinguir entre o tal acto de Amor, que implica doação e altruísmo, e egoísmo.
Quando vejo uma mulher dizer que decidiu dedicar-se à carreira, e por isso não teve tempo para o 1.º filho, e agora, que já se sente realizada profissionalmente e está divorciada, decidiu ter outro filho porque tem muita energia e tem de a canalizar para alguma coisa, vejo tudo menos um acto de Amor.
Se calhar, terá necessidade de se redimir da falta de atenção dada ao filho. Nunca é tarde para nos arrependermos e sou defensora incondicional do Perdão. Mas será esta a forma?
Estar grávida é das coisas mais maravilhosas do mundo, sem dúvida, mas não podemos por e dispor de uma vida só porque queremos ter essa sensação ou desejamos ter um "prolongamento" de nós.
Ser mãe é dar Amor e não faltam crianças, adultos e idosos para o receber.
Porque não adoptar? Conta quem sabe que o Amor que se gera é infinito.
De frisar que não estou contra a Procriação Medicamente Assistida. Estou contra as situações em que será usada por egoísmo.
Custa-me pensar que uma mulher, querendo ser mãe, embarque numa "produção independente" ao invés de adoptar uma criança que está instittucionalizada, por exemplo.
Só isso.
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