Tinha pensado escolher como título deste post "depois de passar pelo cancro", mas pensando bem a descrição não corresponderia à verdade.
Ninguém que eu conheça "passou por um cancro", ele é que passa por nós, deixando as suas marcas, mais ou menos indeléveis, não necessariamente más (ou pelo menos não todas).
A mim marcou-se, decididamente, em termos de personalidade e modo de ver a vida.
Após os tratamentos, quando estava na fase de me achar a maior, comecei a menosprezar todos os problemas que não se relacionassem com o cancro ou outro tipo de doença que, na minha altivez, seria sempre menos penosa que a minha.
Isto tornou-me injusta e menos atenta aos outros, afirmo conscientemente. Felizmente dei-me conta da parvoíce e tento arrepiar caminho. Não sou nada sem os outros e há muitos problemas para além do (meu) cancro.
Mas há algo que se mantém, desde aquela fase negra, e que é a total incapacidade de me chatear com coisas menores tipo "tampas de sanita levantadas", usando uma imagem comum.
Claro que aqui é que bate o ponto. Saber discernir o que são problemas e "coisas menores", aquelas que não deviam chatear ninguém e muito menos causar chatices entre 2 pessoas.
Acredito que a ligeireza com que vou levando as coisas possa irritar alguns, por se assemelhar a irresponsabilidade ou coisa do género.
Admito que, aqui, ainda não encontrei o meio termo. Admito também que não sei se quero encontrar.
Preferia que me provassem (com calma) que estou errada e me devia preocupar mais com a "tampa da sanita levantada".
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