Estaria eu pronta para partir?

Ontem vivi um dos momentos interiores mais angustiantes de que me lembro.

Depois de um dia muito quente, cheio de viagens de comboio e táxi, cheguei à estação do Oriente e não havia circulação.

Segundo ouvi, terão encontrado um objecto estranho da linha e teve de para tudo para perceber o que seria.

Provavelmente não passaria de lixo (acho que nunca saberei), mas parou tudo e as filas acumularam-se na estação.

Tudo muito calmo, nenhum stress aparente a não ser o meu que tentei, desesperadamente, esconder para não incomodar as colegas que me acompanhavam.

Naquela hora e meia de espera, passou-me muita coisa pela cabeça. Paris, Nice, o maluquinho da esquina ....

A minha cabeça andou a mil, com a questão que me atormentava. Estaria eu pronta para partir, se fosse o caso? E os meus, como ficariam?

Foi uma tontice, eu sei. Como disse, esteve sempre tudo muito calmo e nem sei ao certo o que terá impedido a circulação.

Mas a verdade é que senti medo e não me reconheci. Sempre fui medricas, mas não com coisas deste género. Nunca fui de minhocas na cabeça.

E não consigo explicar esta angústia. Será próprio da idade adulta, do ser mãe, do ter experiência próxima com a fugacidade da vida?

Não sei, Sei só que fiquei danada comigo mesmo. E não, não estaria pronta para partir.

PS Desculpem o desabafo, em tempo veranil



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