Quem nunca foi apalpado?

Estava a ler esta crónica muito boa do Paulo Farinha, na qual descreve, de forma hilariante, uma cena vivida em criança depois de ter apalpado uma rapariga, e senti-me transportada aos tempos do ciclo preparatório.

Não sei se no 5.º ou 6.º ano, era moda os rapazes andarem atrás das raparigas para as apalparem.

Foram muitos os apalpões que recebi e outras tantas as caneladas que dei como resposta. Foi mesmo muito raro o dia em que não andei à pancada no ciclo, mas nunca me acanhei. Eu sei que é difícil ver-me assim; eu própria tenho dificuldade mas a verdade é que o meu paizinho ensinou-me uns truques para responder aos rapazes.

Não sabia o que era assédio e acho que os rapazes que o faziam também não. Eram só palermóides à data mas, pensando bem, há comportamentos que se não forem censurados vão sendo encarados como naturais. E os palermas deixam de o ser para passarem a ser verdadeiros anormais.

E por isso é importante falar sobre assédio e sobre aquilo que é ou não aceitável. É importante perder a vergonha de assumir que se foi vítima.

Há que apontar o dedo para que outros não venham a sofrer o mesmo.

Mas há também que não dramatizar, nem empolar situações que são só estupidez pura e dura. No caso, fui só vítima de palermóides.




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