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O Pavilhão dos cancerosos _ leitura recomendada

Há tempos, numa incursão por um alfarrabista, deparei-me com "O Pavilhão dos Cancerosos", de Alexander Soljenitsin.

Por razões óbvias, o título chamou-me a atenção e não resisti em pegar no livro para perceber qual seria o seu conteúdo e porquê de utilizar uma das palavras mais horrorosas que conheço.

Em breves palavras, trata-se de um romance baseado na experiência pessoal do autor (prémio Nobel em 1970) que teve cancro algures nos anos 50 do século XX, passando pelos tratamentos conhecidos à data, numa época em que as taxas de sobrevida eram muito menores que hoje em dia.

A história passa-se no tal pavilhão dos cancerosos que, mais não é do que a ala hospitalar de um hospital no Cazaquistão na qual eram internados os doentes oncológicos.

Lembrei-me, de imediato, do Ensaio sobre a Cegueira do Saramago cuja ideia base é semelhante.

Estando reunidos os ingredientes todos, lá trouxe o livro comigo e foi o melhor que fiz.

Está a ser fantástico concluir que, apesar dos avanços da ciência e dos diferentes contextos políticos, há características do ser humano que permanecem imutáveis. Nas várias personagens reconheci pensamentos e reacções à doença que já vivenciei ou vi noutras pessoas. A democraticidade da doença que, nesta ficção, leva exilados políticos a ser internados juntamente com um homem do sistema, sem distinção também ao nível de condições e tratamento.
Enfim, é um livre avassalador e que para min está longe de ser sombrio, tal como o título, a capa e a descrição na Wikipédia levam a crer.

Bem pelo contrário, todo ele está perspassado por historias de muita coragem, esperança e um grande Amor a vida.

Recomendo, sem dúvida.

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